Deus, Pátria e famiglia

«O bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, disse hoje que as pessoas estão serenas, apesar da crise que afeta o país e que tem contatado com populações “a viver na normalidade” e com confiança no futuro.

“Não se encontra um povo português, como às vezes parece, desanimado abatido e triste. Encontra-se um povo a viver na normalidade, com alguma tranquilidade embora com alguns aspetos causadores de algumas apreensões”, disse hoje Virgílio Antunes à agência Lusa, à margem de uma visita pastoral ao concelho de Montemor-o-Velho.

Para além daquele município do Baixo Mondego, o bispo de Coimbra visitou já Mira e Cantanhede, onde notou “uma serenidade muito grande” nas pessoas com quem contactou.

“A preocupação maior que se vê nas pessoas é o trabalho e sobretudo a dificuldade de encontrar trabalho nas novas gerações. Mas vejo também por outro lado, tanto nas escolas, como em muitas empresas, como nas comunidades e nas próprias autarquias muitos motivos de esperança e pessoas que estão a trabalhar para descobrir caminhos de futuro”, frisou.»

Pessoas estão serenas apesar da crise que afeta o País

19 comentários a “Deus, Pátria e famiglia”

  1. E é mentira?? Qualquer praxe ou prémio da bola do CR agita mais os portugueses do que a destruição parcial do país por via política…uma tristeza.

  2. A miséria ética e a cegueira do nosso episcopado compara muito bem com a miséria ética e cultural que vai por Belém em S. Bento. Aliás, vimo-los todos juntos no mosteiro dos Jerónimos, a aplaudirem-se mutuamente, por ocasião da entronização do actual patriarca. Viram? Este infeliz bispo começa por falar no “Povo Português” sereno e esperançado que contactou em alguns concelhos da sua diocese e acaba referindo drama que se vive nos centros urbanos! O “povo português” deste iluminado bispo é o povo do mundo rural, uma percentagem muito pequena dos dez milhões que vivem o tal drama dos centros urbanos. Mas essa percentagem mínima é suficiente para este funcionário da Igreja (como lhes chama o Papa Francisco) afirmar que o “povo português” está com um pé no paraíso. A ânsia incontida do episcopado para se colar ao governo e à presidência da república e vingar-se da democracia leva-o a vomitar dislates deste tamanho. Assistimos, não tenho dúvidas, ao triunfo do pior que Portugal sempre tem produzido ao longo da sua longa história. E, de novo, o braço secular entrelaçado no braço religioso. Só espero que a época triunfal seja breve. E se a Igreja Católica já estava bem suja pelo seu passado, agora talvez nunca mais recupere da sua secular hipocrisia. D.Januário Torgal Ferreira não merecia esta afronta dos seus pares.

  3. Ficamos sempre estupfactos sempre que ouvimos uma autoridade eclisiástica em Portugal a dizer estes dislates (soft). Mas não devíamos. Não devíamos pela simples razão que, com muito raras exceções (estou a lembrar-me de duas e não incluo nelas o Patriarca) a hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana em Portugal é por formação e por deformação conservadora, retrógrada e politicamente de ultra direita. Antes do 25 de Abril era subserviente atenta e veneranda. Depois do 25 de Abril é amorfa. Diz bem o “adelinoferreira45”, o Papa Francisco não chegou nem chegará à igreja portuguesa.

  4. A propósito disto, eis um texto-manifesto, escrito em 1908 por Salazar, quando ainda jovem seminarista. Vê-se que, desde cedo, revelou talento e motivação para a luta política. Infere-se, também, que a igreja portuguesa era — ainda é! — estreita demais para enquadrar um jovem com aquele tipo de ambição:

    http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2010/12/uma-carta-de-salazar-seminarista-1908.html

    Percebe-se que Salazar, antes de ascender a ditador, também não era grande adepto da serenidade popular; “no povo”, escrevia, “rareiam as crenças sinceras, e se é católico, – que vergonha! – por tradição!”

  5. o país está em hipnoterapia para conservar-se, no individual, são. e falar em futuro, neste momento, é falácia – tanto quanto falar em confiança ao corno manso.

  6. Val,com a tua permissão e “abençoada” paciência,permite-me que acerca dos Vergílios Antunes deste País,sejam bispos em Coimbra ou Brasileiros de panela,o seguinte:Um arroto,é sempre um arroto.Tenha ele a configuração física de um homem ou a de um roedor!(…)

    Este pobre aterro,onde habitam animais destes,está a pedir um profundo processo de desinfestação!(…)

  7. O discurso que faz da Igreja Católica o inimigo público nº1 cabe na prateleira do que trata, por exemplo, José Sócrates da mesma maneira: preconceito doentio, cata de pormerores, alarvidade na linguagem, teorias conspirativas, manipulação de informação, enfim, estupidez no seu estado puro, devidamente acabrestada por quem dela aproveita dividendos políticos.

  8. O senhor bispo encontrou nas pessoas “uma serenidade muito grande”? Estariam mortas, as pessoas?
    E esse sentimento recolheu-o onde? no confessionário?
    Deus te benza, Bispo!

  9. A minha licenciatura católica demorou bastantes anos a tirar, baptismo, primeira comunhão, profissão de fé e, finalmente, crisma mas, tal como outras tantas licenciaturas por aí, não me serve para nada, não exerço, pronto e ponto. Pior ainda, não exerço e há muito que esqueci tudo o que me ensinaram tendo até desenvolvido alguma alergia às pessoinhas da igreja e à igreja das pessoinhas. Dito isto, assim em espécie de disclaimer, quero aqui defender, publicamente e cheia de convicção, o Virgílio.

    Encontrei o Virgílio há uns dois meses numa espécie de almoço popular na mais pequena das aldeias do concelho. Tinha ouvido falar dele aqui em casa, que andava por cá naquilo a que chamavam de visita pastoral, mas que ele era gente estranha, não se dava com as beatas do costume, tinha passado a primeira noite com os homens do lixo, almoçado na cantina municipal, as visitas que fazia eram de surpresa para fugir à pompa e circunstância da pequena província, jantava em casa de gente humilde e desconhecida dos ilustres da terra e iria encerrar a visita ao concelho na tal aldeia pequenina, e tantas vezes por aqui esquecida, com uma almoçarada popular no Largo da Igreja. A pedido do Virgilio a ementa devia ser simples e igual para todos, nada de cabazes de gente rica armados em mete nojo ao lado do farnel de broa e couratos dos pobres. Hummm, gajo porreiro, cheira-me…. Fiquei curiosa, juntei-me com a empregada aqui de casa, sim, sou herege mas gente fina, peguei na minha mãe e nas minhas filhas e fui ao almoço do Virgílio levando a única coisa que me tinham pedido, um bolo para sobremesa e mais o que não tinham pedido, uma enorme vontade de ir às falas com o homem.
    Domingo de sol, adro da Igreja, mesas corridas, um porco a assar no espeto, alguidares de salada servida com a mão, pão a sair do forno, muito vinho e, lá pelo meio da populaça, sem um único ilustre ou doutor mais apessoado a acompanhar, de bucha na mão, um tipo extremamente alto, olhos azuis fulminantes e chapelinho vermelho ridículo equilibrado na cabeça. Peguei numa garrafa de carrascão, dois copos de plástico e fui medir tensas com o Virgílio. Um copo para ele, outro para mim, beiças vermelhas do tintol e a primeira pergunta a sair disparada – por alma da santa, como consegue segurar essa coisa na cabeça? O Virgílio atirou a cabeça para trás numa gargalhada, a coisada vermelha não mexeu um milímetro, e tentou explicar-me que talvez fosse a careca a segurar a mitra, mitra, era isso, mitra! e por baixo da mitra, escondida dos olhares dos crentes, estava a careca salvadora que prontamente destapou. Sem lhe dar espaço para respirar e aproveitando a boleia achega-se a minha filha adolescente e bruta que nem casas quer saber se Virgílio quando foi para padre já era com o fito de chegar a bispo, nova gargalhada e a resposta pronta, é bispo porque nem para padre serve, não sabe fazer mais nada. Temos gajo, habemus conversa. Continuámos por ali fora, conversa mais ou menos séria, vinho à mistura, gordura da febra a escorrer pelo queixo. Gostei do tipo, era fácil de conversar. E o porco estava bom, e o pão estalava e o vinho escorregava.
    Val, estás enganado. O Virgílio é boa gente, está longe, muito longe, da igreja ortodoxa, tradicionalista, fechada que conhecemos e acredito que, por aqui, tenha encontrado boa gente também, mesmo que enxertada em corno de cabra como eu. O Virgilio foi optimista, quis deixar uma palavra de esperança na entrevista que deu? Sim, foi, mas ele é bispo e, pelo que diz, tem de ser sempre bispo porque mais nada sabe fazer e a fé das gentes para quem fala tem de ser feita, sobretudo, de esperança
    (Virgílio, bacano, gostei de ti, não ligues ao Val, ele nunca bebeu uns copos contigo)

  10. cabra de serviço à parte, Teresa, foi um texto muito esclarecedor: a fé espalha-se enfardando a pança, regando as goelas de tintol, arrotando umas postas e, claro, dando uma foda – à moda do governo – de confiança, pelo presente, no futuro. viva a fé embispada! :-)

  11. Pode ser boa gente, Teresa, no convívio popular.
    E muito correcto na intenção de acalmar as pessoas ao dizer que elas vivem na normalidade, caso se tenham esquecido de que isto que vivem é a normalidade.
    Também é certo que se trata de povo manso e que gosta dos seus momentos de churrasco bem regado – e com bispo, então ainda melhor. Mas que o povo está a viver serenamente na normalidade? Haja Deus!!!! E paciência.

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