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	<title>Comentários em: Coisas que podem acontecer</title>
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		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-71646</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 21:43:06 +0000</pubDate>
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		<description>À Mulher:
Amanhã celebra-se o dia da mulher. Não quero deixar passar em branco este dia e desde já dedico a todas as mulheres do Mundo, em especial às que aqui no Aspirina B, dão o seu contributo com as suas opiniões e textos. A algumas não o posso dedicar pessoalmente ou por escrito, por não se encontrarem entre nós. Nestas incluo a minha mãe e a Marília (Careca) para mim, segunda mãe. À minha esposa, minha filha, minhas irmãs, todas as guardas prisionais que comigo trabalharam e restantes amigas, aqui vai um sentido obrigado pelo modo como me trataram e paciência para me aturar, “acreditem que é preciso ter paciência”. 
Ainda me recordo dos carinhos e conselhos que recebia da minha mãe. Assim como da escova de escovar roupa, com que todos os dias me presenteava no rabo. Merecia-as e talvez ainda fossem poucas. Assim como me recordo dos afagos e das lágrimas que brotava por não nos poder dar mais, a vida não permitia. Das minhas irmãs a amizade que nos une. 
Sou favorável que esta data se devia comemorar todos os dias. Não compreendo como há mulheres que sofrem no seu dia-a-dia brutalidades. A todos esses seres fortes que lhes aplicam essas brutalidades gostava que houvesse um castigo divino. Há coisas que não podemos viver sem elas: o oxigénio e a mulher. Sei do que falo. Quando estive a prestar serviço na Madeira a minha mulher não me pôde acompanhar e se já sabia a falta que faz uma mulher aí senti-a mais - além da companhia, os afazeres, as conversas, as partilhas. Quantas vezes saía de casa por me encontrar sozinho. Dava uma volta pelo Funchal e voltava para casa. Sabia que vinha para a solidão. Se não fosse a televisão ou a rádio para me distrair não sabia como passar as noites.
Por isso estou grato por ter como companhia para o bem e para o mal a minha mulher. Não gosto do termo “minha mulher” mas, aqui uso-o por se estar a celebrar o seu dia. 
Dedico estes versos do Rodela a todas as mulheres e relembro esta humilde.
Viva a Se Rosa Pacheca
junto da sua tendinha,
à porta do Venturinha,
minha memória não seca.

Foram milhares, os moços
Das escolas da Avenida,
Que à jóia numa fugida
Lhe foram roubar tremoços.

Hoje, esta santa mulher,
Tenha-a Deus onde quiser 
que eu na pobre mente minha

hei-de vê-la a vida inteira,
como Rosa tremoceira
à porta do Venturinha.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>À Mulher:<br />
Amanhã celebra-se o dia da mulher. Não quero deixar passar em branco este dia e desde já dedico a todas as mulheres do Mundo, em especial às que aqui no Aspirina B, dão o seu contributo com as suas opiniões e textos. A algumas não o posso dedicar pessoalmente ou por escrito, por não se encontrarem entre nós. Nestas incluo a minha mãe e a Marília (Careca) para mim, segunda mãe. À minha esposa, minha filha, minhas irmãs, todas as guardas prisionais que comigo trabalharam e restantes amigas, aqui vai um sentido obrigado pelo modo como me trataram e paciência para me aturar, “acreditem que é preciso ter paciência”.<br />
Ainda me recordo dos carinhos e conselhos que recebia da minha mãe. Assim como da escova de escovar roupa, com que todos os dias me presenteava no rabo. Merecia-as e talvez ainda fossem poucas. Assim como me recordo dos afagos e das lágrimas que brotava por não nos poder dar mais, a vida não permitia. Das minhas irmãs a amizade que nos une.<br />
Sou favorável que esta data se devia comemorar todos os dias. Não compreendo como há mulheres que sofrem no seu dia-a-dia brutalidades. A todos esses seres fortes que lhes aplicam essas brutalidades gostava que houvesse um castigo divino. Há coisas que não podemos viver sem elas: o oxigénio e a mulher. Sei do que falo. Quando estive a prestar serviço na Madeira a minha mulher não me pôde acompanhar e se já sabia a falta que faz uma mulher aí senti-a mais &#8211; além da companhia, os afazeres, as conversas, as partilhas. Quantas vezes saía de casa por me encontrar sozinho. Dava uma volta pelo Funchal e voltava para casa. Sabia que vinha para a solidão. Se não fosse a televisão ou a rádio para me distrair não sabia como passar as noites.<br />
Por isso estou grato por ter como companhia para o bem e para o mal a minha mulher. Não gosto do termo “minha mulher” mas, aqui uso-o por se estar a celebrar o seu dia.<br />
Dedico estes versos do Rodela a todas as mulheres e relembro esta humilde.<br />
Viva a Se Rosa Pacheca<br />
junto da sua tendinha,<br />
à porta do Venturinha,<br />
minha memória não seca.</p>
<p>Foram milhares, os moços<br />
Das escolas da Avenida,<br />
Que à jóia numa fugida<br />
Lhe foram roubar tremoços.</p>
<p>Hoje, esta santa mulher,<br />
Tenha-a Deus onde quiser<br />
que eu na pobre mente minha</p>
<p>hei-de vê-la a vida inteira,<br />
como Rosa tremoceira<br />
à porta do Venturinha.</p>
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	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-71609</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 12:02:42 +0000</pubDate>
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		<description>A face da justiça:
“O poder judicial está empenhado em derrubar o primeiro-ministro&quot;. As palavras são de Marinho e Pinto e foram ditas na sequência de uma audição parlamentar onde o bastonário dos advogados já afirmara que o poder judicial tem uma agenda política &quot;mais ou menos oculta&quot;.
O poder judicial nega e até intitula o Marinho Pinto de falta de crédito. Há formas de combater estas afirmações com processos em tribunal. Os nossos juízes acreditam mais em cartas anónimas. Essas são credíveis. Agora um bastonário não passa de um reles delator ao serviço do governo. O presidente do SMMP, João Palma e o presidente da ASJP, António Martins estão ao serviço da Pátria e só da Pátria. Estou em crer que até a vida davam para a defender. Se assim é para que precisam de um sindicato? Um sindicato não é para defender os interesses dos associados? Se assim não fosse não havia razão para sua existência. Ou julgam que o povo é burro e não sabe para que são os sindicatos. Formem-se numa ordem como os advogados. Depois os portugueses acreditam na vossa imparcialidade e bondade. Até lá façam um exame de consciência e vejam onde está o trigo e o joio. Enquanto não o fizerem não queiram que os portugueses se acreditem na vossa treta.
Mas, não é só Marinho Pinto: “Garcia Pereira falou, há dias, em &quot;corrupção na Justiça&quot; mas, aparentemente, ninguém ouviu. Também disse que a maioria dos cidadãos já não confia na Justiça, mas fez-se silêncio em volta”. 
Será por ser do MRPP e não ligam a este tipo de gente. Não é Garcia Pereira um dos mais conceituados advogados portugueses?
“Há dias, era Cândida Almeida quem sugeria que os magistrados fossem sujeitos a escutas para se saber quem viola o segredo de Justiça. Declarações das mais altas instâncias reduziram-na a quase nada”.
Quando nos toca a nós sermos inspeccionados é uma chatice. Os juízes que até foram ungidos de todos os males vão agora submeter-me a tal disparidade. Assim é que é democracia. Corruptos são todos os outros. Os juízes que não foram escolhidos, nem votados, desempenham o serviço sem dar contas a ninguém, esses é que merecem toda a credibilidade. Membros do governo, quem está contra as decisões juízes, esses é que são de baixa índole.
Também ainda não vi censurarem António Barreto e foram ditas coisas graves. “Não é possível viver com um sistema em que algumas pessoas na Procuradoria ou na magistratura judicial condicionam a vida nacional de uma maneira insidiosa, sub-reptícia, clandestina e eu acho que paga. Acho que há pessoas que estão a ganhar fortunas para vender informações em segredo de justiça. Não há outra explicação. [...] E a nossa vida há meses que está condicionada por estes processos. É um estado de degradação da vida judicial e parece que não há solução”.
Gostava que contradissessem estas declarações nos locais próprios. Se o não fizerem os portugueses vão acreditar em quem? Dizem que são muitas acusações a José Sócrates. E aos juízes? Vou esperar sentadinho pelo desenrolar destes acontecimentos e que os juízes em lugar de sindicatos formem uma ordem. Aí vou acreditar que estão ao serviço da Justiça.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A face da justiça:<br />
“O poder judicial está empenhado em derrubar o primeiro-ministro&#8221;. As palavras são de Marinho e Pinto e foram ditas na sequência de uma audição parlamentar onde o bastonário dos advogados já afirmara que o poder judicial tem uma agenda política &#8220;mais ou menos oculta&#8221;.<br />
O poder judicial nega e até intitula o Marinho Pinto de falta de crédito. Há formas de combater estas afirmações com processos em tribunal. Os nossos juízes acreditam mais em cartas anónimas. Essas são credíveis. Agora um bastonário não passa de um reles delator ao serviço do governo. O presidente do SMMP, João Palma e o presidente da ASJP, António Martins estão ao serviço da Pátria e só da Pátria. Estou em crer que até a vida davam para a defender. Se assim é para que precisam de um sindicato? Um sindicato não é para defender os interesses dos associados? Se assim não fosse não havia razão para sua existência. Ou julgam que o povo é burro e não sabe para que são os sindicatos. Formem-se numa ordem como os advogados. Depois os portugueses acreditam na vossa imparcialidade e bondade. Até lá façam um exame de consciência e vejam onde está o trigo e o joio. Enquanto não o fizerem não queiram que os portugueses se acreditem na vossa treta.<br />
Mas, não é só Marinho Pinto: “Garcia Pereira falou, há dias, em &#8220;corrupção na Justiça&#8221; mas, aparentemente, ninguém ouviu. Também disse que a maioria dos cidadãos já não confia na Justiça, mas fez-se silêncio em volta”.<br />
Será por ser do MRPP e não ligam a este tipo de gente. Não é Garcia Pereira um dos mais conceituados advogados portugueses?<br />
“Há dias, era Cândida Almeida quem sugeria que os magistrados fossem sujeitos a escutas para se saber quem viola o segredo de Justiça. Declarações das mais altas instâncias reduziram-na a quase nada”.<br />
Quando nos toca a nós sermos inspeccionados é uma chatice. Os juízes que até foram ungidos de todos os males vão agora submeter-me a tal disparidade. Assim é que é democracia. Corruptos são todos os outros. Os juízes que não foram escolhidos, nem votados, desempenham o serviço sem dar contas a ninguém, esses é que merecem toda a credibilidade. Membros do governo, quem está contra as decisões juízes, esses é que são de baixa índole.<br />
Também ainda não vi censurarem António Barreto e foram ditas coisas graves. “Não é possível viver com um sistema em que algumas pessoas na Procuradoria ou na magistratura judicial condicionam a vida nacional de uma maneira insidiosa, sub-reptícia, clandestina e eu acho que paga. Acho que há pessoas que estão a ganhar fortunas para vender informações em segredo de justiça. Não há outra explicação. [...] E a nossa vida há meses que está condicionada por estes processos. É um estado de degradação da vida judicial e parece que não há solução”.<br />
Gostava que contradissessem estas declarações nos locais próprios. Se o não fizerem os portugueses vão acreditar em quem? Dizem que são muitas acusações a José Sócrates. E aos juízes? Vou esperar sentadinho pelo desenrolar destes acontecimentos e que os juízes em lugar de sindicatos formem uma ordem. Aí vou acreditar que estão ao serviço da Justiça.</p>
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	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-70787</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 11:41:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-70787</guid>
		<description>O meu ponto de vista:
Gosto dos ditos populares e uso-os várias vezes para comparar outros ditos, como: lobo com pele de cordeiro, atrás de mim virá, quem melhor fazerá. 
Vem isto a propósito do nome que concederam à Comissão Parlamentar de Ética que está a ouvir os protagonistas do Face Oculta. 
Quando ouço deputados, como João Oliveira, João Semedo e outros, fico sinceramente triste com as frases e dúvidas, que galanteiam a certos convidados para ali prestar declarações. João Oliveira pôs em causa e disse que não acreditava na seriedade de Rui Pedro Soares. Quando lhe foi demonstrado o repúdio, disse que Rui Pedro Soares, se encontrava ali para responder e não fazer perguntas ou retorquir. 
Triste indivíduo que julga que por ser deputado está imbuído de qualquer coisa que o torna diferente do seu dia-a-dia. Faz-me lembrar algumas personalidades a quem se atribui algo – caso agente da autoridade – e julga que só ele é o dono dessa autoridade. Indivíduos que deviam ser o exemplo do garante da democracia e usam todos os baixos argumentos à falta desses (argumentos). Podiam deixar decorrer as considerações, confrontá-las com outros convidados e só depois dizer que a pessoa em causa não foi verdadeira.
Depois vejo o senhor deputado João Semedo que só aparece a certos interrogatórios, não comparecendo, como o que agora vejo e ouço ao António José Saraiva e é uma deputada que o interroga. Julgo saber a não comparência do dito deputado. É para ficar como um ser imparcial mas, gostava que fosse ele a fazer as perguntas. Que raio de Comissão de Ética é esta? Nos julgamentos mudam-se os juízes conforme as testemunhas?
Relato um acontecimento de há mais de cinquenta anos. 
Um domingo, quando convidado me deslocava com o dono de uma carrinha caixa aberta de aluguer, para Nine no concelho de Famalicão, para a largada de pombos-correios “Columbofilia”, em Lamelas no concelho de S. Tirso, à nossa frente seguia um automóvel – mais tarde soubemos que eram do Porto e iam ver o jogo de futebol entre Vitória de Guimarães x F. C. Porto. Em direcção contrária vinha uma carroça e de momento resolveu fazer inversão de marcha, provocando um acidente com o dito automóvel. Chamada a brigada de trânsito, esta ali compareceu com dois agentes, cada um na sua moto, esta deu razão ao dono da carroça. Não sei como se regia esse tipo de lei, estava na ditadura. 
Como o dono da carroça foi ferido e transportado para o hospital de S. Tirso, um dos agentes da autoridade, foi ao hospital saber o estado e tirar conclusões sobre o acidente. No regresso e já perto do acidente seguia à sua frente um motociclista e quando viu um agente da brigada de trânsito à sua frente resolveu fazer inversão marcha – talvez estava ilegal. O agente que vinha do hospital não teve nenhum meio de evitar o acidente, tendo os dois de serem transportados para o dito hospital.
Escusado será dizer que a partir daquele momento para quem foi a culpa.
O que sugiro ao senhor deputado João Oliveira para esperar pela inversão de marcha que a qualquer momento pode surgir. 

Acabo com esta frase de Camilo Castelo Branco:

A calúnia é como o carvão: quando não queima, suja.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O meu ponto de vista:<br />
Gosto dos ditos populares e uso-os várias vezes para comparar outros ditos, como: lobo com pele de cordeiro, atrás de mim virá, quem melhor fazerá.<br />
Vem isto a propósito do nome que concederam à Comissão Parlamentar de Ética que está a ouvir os protagonistas do Face Oculta.<br />
Quando ouço deputados, como João Oliveira, João Semedo e outros, fico sinceramente triste com as frases e dúvidas, que galanteiam a certos convidados para ali prestar declarações. João Oliveira pôs em causa e disse que não acreditava na seriedade de Rui Pedro Soares. Quando lhe foi demonstrado o repúdio, disse que Rui Pedro Soares, se encontrava ali para responder e não fazer perguntas ou retorquir.<br />
Triste indivíduo que julga que por ser deputado está imbuído de qualquer coisa que o torna diferente do seu dia-a-dia. Faz-me lembrar algumas personalidades a quem se atribui algo – caso agente da autoridade – e julga que só ele é o dono dessa autoridade. Indivíduos que deviam ser o exemplo do garante da democracia e usam todos os baixos argumentos à falta desses (argumentos). Podiam deixar decorrer as considerações, confrontá-las com outros convidados e só depois dizer que a pessoa em causa não foi verdadeira.<br />
Depois vejo o senhor deputado João Semedo que só aparece a certos interrogatórios, não comparecendo, como o que agora vejo e ouço ao António José Saraiva e é uma deputada que o interroga. Julgo saber a não comparência do dito deputado. É para ficar como um ser imparcial mas, gostava que fosse ele a fazer as perguntas. Que raio de Comissão de Ética é esta? Nos julgamentos mudam-se os juízes conforme as testemunhas?<br />
Relato um acontecimento de há mais de cinquenta anos.<br />
Um domingo, quando convidado me deslocava com o dono de uma carrinha caixa aberta de aluguer, para Nine no concelho de Famalicão, para a largada de pombos-correios “Columbofilia”, em Lamelas no concelho de S. Tirso, à nossa frente seguia um automóvel – mais tarde soubemos que eram do Porto e iam ver o jogo de futebol entre Vitória de Guimarães x F. C. Porto. Em direcção contrária vinha uma carroça e de momento resolveu fazer inversão de marcha, provocando um acidente com o dito automóvel. Chamada a brigada de trânsito, esta ali compareceu com dois agentes, cada um na sua moto, esta deu razão ao dono da carroça. Não sei como se regia esse tipo de lei, estava na ditadura.<br />
Como o dono da carroça foi ferido e transportado para o hospital de S. Tirso, um dos agentes da autoridade, foi ao hospital saber o estado e tirar conclusões sobre o acidente. No regresso e já perto do acidente seguia à sua frente um motociclista e quando viu um agente da brigada de trânsito à sua frente resolveu fazer inversão marcha – talvez estava ilegal. O agente que vinha do hospital não teve nenhum meio de evitar o acidente, tendo os dois de serem transportados para o dito hospital.<br />
Escusado será dizer que a partir daquele momento para quem foi a culpa.<br />
O que sugiro ao senhor deputado João Oliveira para esperar pela inversão de marcha que a qualquer momento pode surgir. </p>
<p>Acabo com esta frase de Camilo Castelo Branco:</p>
<p>A calúnia é como o carvão: quando não queima, suja.</p>
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		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-70541</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 12:30:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-70541</guid>
		<description>Levantados do entulho:
O que tenho visto via televisão, sobre a catástrofe na ilha da Madeira, deixa-me reflectir o que a Natureza nos reserva. Umas vezes deliciados com o de bom que nos presenteia, outras, como a forma que nos castiga, por lhe roubarmos o que é dela.
Quem conhece a ilha da Madeira e vê o caos em que está transformada, sente dor e pena. Ver a avenida do Mar, a rotunda Sá Carneiro, o Shopping Marina, o Dolce Vita, Anadia – onde dezenas e dezenas de vezes estacionei a minha viatura no parque subterrâneo do piso 01 e 02 – o mercado dos Lavradores, a rua 31 de Janeiro, a Fernão Ornelas – onde muitas vezes fui com a minha esposa à Feira dos Tecidos, comprar fio de algodão e tecidos para a confecção de calças e saias. No Anadia almocei dias e dias no Prego no Prato, pertencente a um sujeito de Câmara de Lobos, tinha uns funcionários que eram uma maravilha de relações públicas. No mesmo Anadia comprei uma máquina de costura, na Singer, para a minha esposa se entreter nos dias que ia passar à Madeira. Ainda ali quando ia comprar o jornal de Notícias e o empregado do quiosque me dizia sempre: leve esta sociedade do euro-milhões que ela vai ser premiada. Não quer levar uma revista. Eram e julgam que vão continuar a ser uma simpatia de funcionários, quando passar esta tormenta.
Na Marina, onde várias vezes fui jantar ao Santinho, ainda me lembro da sopa de tomate, foi ali que a comi pela primeira vez. Junto havia um restaurante que servia pizas. Foi das melhores que comi. Por vezes evitava de ali passar pelo motivo de ter um funcionário a cativar os clientes e era raro uma pessoa dizer-lhe que não. Foi dos funcionários, dos que conheci, que melhor sabia cativar clientes. Se não entrássemos para comer algo, contava-nos uma história a deixar-nos bem-dispostos e com vontade da próxima vez ir ali comer algo. A Madeira é rica neste tipo de tratamento.
No mercado de Lavradores gostava de lá ir com a minha esposa comprar peixe, hortaliça e fruta. A minha esposa delirava com o mercado do peixe, gostava de ver a cortar o atum em bife. No Continente nunca tinha presenciado tal coisa, - sou de um meio em que não há mercado de peixe.
O que gostava de passar junto ao jardim Municipal e saborear o cheiro a flores. De ir tomar um café ao Café do teatro Baltasar Dias. Passava parte do tempo no bar esplanada o Verdinho, na Avenida do Mar, quando me sentava o empregado já sabia o meu gosto e era logo servido. No Vargrant (barco dos Beatles) ia com a minha esposa comer um gelado e ouvíamos música ao vivo. 
As vezes que fui ao Estreito e Câmara de Lobos à espetada e poncha. À Ribeira Brava tomar um café à esplanada que existe no centro da Vila. À praia de Ponta do Sol, a S. Vicente, onde tenho os meus amigos Gois, Ana, marido e filhos, sei que se encontram todos bem.
A todos e são muitos, mas quero deixar uma palavra de ânimo pelo infortúnio com que foram apanhados. Sei que se vão levantar o mais rápido possível e que daqui a uns dias vão todos comemorar a festa das flores. Parece que vejo na praça do Município as flores todas ali e expostas e nas cabeças dos petizes.
Também espero que desta calamidade se tire uma conclusão e que as mortes nos sirva de lição, para nos unir e deixarmos de rivalidades - Madeirenses e Continentais - porque no fundo todos precisamos uns dos outros.   
 A todos as minhas condolências e se for possível um dia irei aí dar um abraço aos vários amigos que ali deixei e por uma questão de respeito não os quero enumerar. Um bem-haja.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Levantados do entulho:<br />
O que tenho visto via televisão, sobre a catástrofe na ilha da Madeira, deixa-me reflectir o que a Natureza nos reserva. Umas vezes deliciados com o de bom que nos presenteia, outras, como a forma que nos castiga, por lhe roubarmos o que é dela.<br />
Quem conhece a ilha da Madeira e vê o caos em que está transformada, sente dor e pena. Ver a avenida do Mar, a rotunda Sá Carneiro, o Shopping Marina, o Dolce Vita, Anadia – onde dezenas e dezenas de vezes estacionei a minha viatura no parque subterrâneo do piso 01 e 02 – o mercado dos Lavradores, a rua 31 de Janeiro, a Fernão Ornelas – onde muitas vezes fui com a minha esposa à Feira dos Tecidos, comprar fio de algodão e tecidos para a confecção de calças e saias. No Anadia almocei dias e dias no Prego no Prato, pertencente a um sujeito de Câmara de Lobos, tinha uns funcionários que eram uma maravilha de relações públicas. No mesmo Anadia comprei uma máquina de costura, na Singer, para a minha esposa se entreter nos dias que ia passar à Madeira. Ainda ali quando ia comprar o jornal de Notícias e o empregado do quiosque me dizia sempre: leve esta sociedade do euro-milhões que ela vai ser premiada. Não quer levar uma revista. Eram e julgam que vão continuar a ser uma simpatia de funcionários, quando passar esta tormenta.<br />
Na Marina, onde várias vezes fui jantar ao Santinho, ainda me lembro da sopa de tomate, foi ali que a comi pela primeira vez. Junto havia um restaurante que servia pizas. Foi das melhores que comi. Por vezes evitava de ali passar pelo motivo de ter um funcionário a cativar os clientes e era raro uma pessoa dizer-lhe que não. Foi dos funcionários, dos que conheci, que melhor sabia cativar clientes. Se não entrássemos para comer algo, contava-nos uma história a deixar-nos bem-dispostos e com vontade da próxima vez ir ali comer algo. A Madeira é rica neste tipo de tratamento.<br />
No mercado de Lavradores gostava de lá ir com a minha esposa comprar peixe, hortaliça e fruta. A minha esposa delirava com o mercado do peixe, gostava de ver a cortar o atum em bife. No Continente nunca tinha presenciado tal coisa, &#8211; sou de um meio em que não há mercado de peixe.<br />
O que gostava de passar junto ao jardim Municipal e saborear o cheiro a flores. De ir tomar um café ao Café do teatro Baltasar Dias. Passava parte do tempo no bar esplanada o Verdinho, na Avenida do Mar, quando me sentava o empregado já sabia o meu gosto e era logo servido. No Vargrant (barco dos Beatles) ia com a minha esposa comer um gelado e ouvíamos música ao vivo.<br />
As vezes que fui ao Estreito e Câmara de Lobos à espetada e poncha. À Ribeira Brava tomar um café à esplanada que existe no centro da Vila. À praia de Ponta do Sol, a S. Vicente, onde tenho os meus amigos Gois, Ana, marido e filhos, sei que se encontram todos bem.<br />
A todos e são muitos, mas quero deixar uma palavra de ânimo pelo infortúnio com que foram apanhados. Sei que se vão levantar o mais rápido possível e que daqui a uns dias vão todos comemorar a festa das flores. Parece que vejo na praça do Município as flores todas ali e expostas e nas cabeças dos petizes.<br />
Também espero que desta calamidade se tire uma conclusão e que as mortes nos sirva de lição, para nos unir e deixarmos de rivalidades &#8211; Madeirenses e Continentais &#8211; porque no fundo todos precisamos uns dos outros.<br />
 A todos as minhas condolências e se for possível um dia irei aí dar um abraço aos vários amigos que ali deixei e por uma questão de respeito não os quero enumerar. Um bem-haja.</p>
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		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-68481</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 16:06:16 +0000</pubDate>
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		<description>O motim na cadeia de S. Paulo, em Luanda:
Hoje dia quatro de Fevereiro faz quarenta e nove anos que houve a rebelião em Angola. No dia cinco na freguesia de Sousela, no lugar de Santa Águeda, celebra-se a festa em sua honra. De manhã, os meus pais, eu e dois irmãos, quando para ali nos deslocávamos para cumprir uma promessa, fomos informados que tinha morrido um nosso conterrâneo, de nome Nuno Augusto de Sousa Mendes, que ali desempenhava as funções de polícia. Lamentamos a morte mas como se tinha de cumprir a promessa para ali fomos a pé, até porque a romaria era num monte e nesse tempo os transportes para ali eram escassos, estávamos no ano de mil novecentos e sessenta e um. 
Em meados desse ano foi realizado o cortejo fúnebre e nunca na minha vida vi tantos militares. Nessa altura não sabia que era o meio de fomentar a psicologia na população Portuguesa – qualquer mancebo como eu que assistisse a esse acto, sabia que se morresse ao defender a Pátria, tinha igual honras. O que não veio a acontecer. Este e outros relacionados com o quatro de Fevereiro ainda tiveram, os restantes, alguns vieram para a sua terra para serem enterrados, outros ficaram por lá. De Freamunde além do polícia, Nuno, morreram mais dois, no conjunto de Angola, Moçambique e Guiné. Por ano, encontravam-se nestes territórios mais de cento e cinquenta soldados.
Antes uns meses Salazar dizia a célebre frase: para Angola já e em força. Começaram de Freamunde a ir os primeiros soldados debaixo das lágrimas das suas mães - os pais tem a mania que são fortes, mas quando estão sozinhos também as brotam. Quando os primeiros regressavam era uma festa, havia fogo-de-artifício, bailarico e comes e bebes para os convidados. Fui à chegada de algum vizinho, admirava-lhe a coragem e valentia, além de reparar como vinham modificados, mais morenos, mais temperamentais, aqui sabia que era derivado às situações pelo que passaram.
 O que nunca previra é que me acontecesse o mesmo. No dia em que despedi da minha mãe, não resisti às suas lágrimas. O meu pai como disse acima gostava de se mostrar forte, na despedida entre mim e ele na estação de caminhos-de-ferro de Campanhã, ainda se segurou. Quando me encontrava dentro do comboio reparei que algo corria pela sua face, de certeza uma lágrima. Armava-se em forte mas o seu coração parecia uma cebola.
Por tudo o que lá passei, bons e maus momentos, não me envergonho do meu passado, mas concordo com a resolução dada por força do vinte de Abril. Também na minha modesta opinião, não via resolução para se pôr fim a tal situação. Já aqui referi que a guerrilha só servia para meia dúzia de famílias portuguesas e para promoções dos oficiais. 
Escrevi há dias uns versos do meu amigo Rodela e dado o dia que está a ser celebrado em Angola, tive oportunidade de ver na televisão Angolana, TPA, as comemorações, vou repetir esses versos.

“Guerra injusta”

É hora da despedida
O barco abandona o cais,
Num adeus de mão erguida
Quantos para nunca mais.

Neste palco de terror
Lisboa era cenário,
Corações cheios de dor
Nestes anos de calvário.

Tantas famílias de luto
Jovens atemorizados,
As moças rezam em grupo
P’la sorte dos namorados.

Os soldados não têm culpa
Perdão irmão africano,
Pela luta tão injusta
Que travamos lado a lado.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O motim na cadeia de S. Paulo, em Luanda:<br />
Hoje dia quatro de Fevereiro faz quarenta e nove anos que houve a rebelião em Angola. No dia cinco na freguesia de Sousela, no lugar de Santa Águeda, celebra-se a festa em sua honra. De manhã, os meus pais, eu e dois irmãos, quando para ali nos deslocávamos para cumprir uma promessa, fomos informados que tinha morrido um nosso conterrâneo, de nome Nuno Augusto de Sousa Mendes, que ali desempenhava as funções de polícia. Lamentamos a morte mas como se tinha de cumprir a promessa para ali fomos a pé, até porque a romaria era num monte e nesse tempo os transportes para ali eram escassos, estávamos no ano de mil novecentos e sessenta e um.<br />
Em meados desse ano foi realizado o cortejo fúnebre e nunca na minha vida vi tantos militares. Nessa altura não sabia que era o meio de fomentar a psicologia na população Portuguesa – qualquer mancebo como eu que assistisse a esse acto, sabia que se morresse ao defender a Pátria, tinha igual honras. O que não veio a acontecer. Este e outros relacionados com o quatro de Fevereiro ainda tiveram, os restantes, alguns vieram para a sua terra para serem enterrados, outros ficaram por lá. De Freamunde além do polícia, Nuno, morreram mais dois, no conjunto de Angola, Moçambique e Guiné. Por ano, encontravam-se nestes territórios mais de cento e cinquenta soldados.<br />
Antes uns meses Salazar dizia a célebre frase: para Angola já e em força. Começaram de Freamunde a ir os primeiros soldados debaixo das lágrimas das suas mães &#8211; os pais tem a mania que são fortes, mas quando estão sozinhos também as brotam. Quando os primeiros regressavam era uma festa, havia fogo-de-artifício, bailarico e comes e bebes para os convidados. Fui à chegada de algum vizinho, admirava-lhe a coragem e valentia, além de reparar como vinham modificados, mais morenos, mais temperamentais, aqui sabia que era derivado às situações pelo que passaram.<br />
 O que nunca previra é que me acontecesse o mesmo. No dia em que despedi da minha mãe, não resisti às suas lágrimas. O meu pai como disse acima gostava de se mostrar forte, na despedida entre mim e ele na estação de caminhos-de-ferro de Campanhã, ainda se segurou. Quando me encontrava dentro do comboio reparei que algo corria pela sua face, de certeza uma lágrima. Armava-se em forte mas o seu coração parecia uma cebola.<br />
Por tudo o que lá passei, bons e maus momentos, não me envergonho do meu passado, mas concordo com a resolução dada por força do vinte de Abril. Também na minha modesta opinião, não via resolução para se pôr fim a tal situação. Já aqui referi que a guerrilha só servia para meia dúzia de famílias portuguesas e para promoções dos oficiais.<br />
Escrevi há dias uns versos do meu amigo Rodela e dado o dia que está a ser celebrado em Angola, tive oportunidade de ver na televisão Angolana, TPA, as comemorações, vou repetir esses versos.</p>
<p>“Guerra injusta”</p>
<p>É hora da despedida<br />
O barco abandona o cais,<br />
Num adeus de mão erguida<br />
Quantos para nunca mais.</p>
<p>Neste palco de terror<br />
Lisboa era cenário,<br />
Corações cheios de dor<br />
Nestes anos de calvário.</p>
<p>Tantas famílias de luto<br />
Jovens atemorizados,<br />
As moças rezam em grupo<br />
P’la sorte dos namorados.</p>
<p>Os soldados não têm culpa<br />
Perdão irmão africano,<br />
Pela luta tão injusta<br />
Que travamos lado a lado.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-68039</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 23:26:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-68039</guid>
		<description>O meu obrigado:
Na minha meninice estava sempre ansioso pelo dia 28 de Janeiro, a minha mãe, como era habitual, dava uma malga de café com um trigo de quatro cantos (conhecido aqui no meio como trigo de ovelhinha) partido aos bocados, para fazer de “sopas” no dia de anos dos seus filhos e podem crer que para a época era uma boa prenda. No dia dos meus anos sentia-me um felizardo, não deixando de dividir com a minha mais irmã velha, Amélia e a que me sucede, a Fátima. Já nesse tempo tinha o sentido da partilha e ao fazê-lo sabia que quando fossem elas as aniversariantes também faziam o mesmo. Tempos difíceis mas de partilha e o que era para um, dava para mais, desde que se soubesse repartir.
 Hoje tudo é diferente, há mais possibilidades e os preços mais económicos. Por isso não admira que quando se faz anos os familiares ofereçam alguma lembrança, o que nos faz regozijar com as oferendas. Fico contente. Mas mais contente fico quando recebo frases e vídeos a demonstrar carinho de pessoas que não conheço, unicamente existe um elo de ligação, através do Aspirina B e de esta coisa espantosa que é a internet.
Por isso a todos envio um obrigado e podem ter a certeza que vou fazer tudo para que, para o ano estejamos cá todos a trocar votos de felicidade e quando forem vocês, se o publicitarem, cá estarei para lhes desejar o que de melhor há no Mundo. Gosto de partilhar com pessoas que para mim são especiais e acreditem que vocês o são.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O meu obrigado:<br />
Na minha meninice estava sempre ansioso pelo dia 28 de Janeiro, a minha mãe, como era habitual, dava uma malga de café com um trigo de quatro cantos (conhecido aqui no meio como trigo de ovelhinha) partido aos bocados, para fazer de “sopas” no dia de anos dos seus filhos e podem crer que para a época era uma boa prenda. No dia dos meus anos sentia-me um felizardo, não deixando de dividir com a minha mais irmã velha, Amélia e a que me sucede, a Fátima. Já nesse tempo tinha o sentido da partilha e ao fazê-lo sabia que quando fossem elas as aniversariantes também faziam o mesmo. Tempos difíceis mas de partilha e o que era para um, dava para mais, desde que se soubesse repartir.<br />
 Hoje tudo é diferente, há mais possibilidades e os preços mais económicos. Por isso não admira que quando se faz anos os familiares ofereçam alguma lembrança, o que nos faz regozijar com as oferendas. Fico contente. Mas mais contente fico quando recebo frases e vídeos a demonstrar carinho de pessoas que não conheço, unicamente existe um elo de ligação, através do Aspirina B e de esta coisa espantosa que é a internet.<br />
Por isso a todos envio um obrigado e podem ter a certeza que vou fazer tudo para que, para o ano estejamos cá todos a trocar votos de felicidade e quando forem vocês, se o publicitarem, cá estarei para lhes desejar o que de melhor há no Mundo. Gosto de partilhar com pessoas que para mim são especiais e acreditem que vocês o são.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: edie</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67993</link>
		<dc:creator>edie</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 12:47:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67993</guid>
		<description>Manuel,

Muitos parabéns pelos teus 61 e por seres um sobrevivente!

Eu e a minha &quot;avatar&quot; desejamos-te muitas felicidades :)

http://www.youtube.com/watch?v=1AJDCeoqLvo&amp;feature=related</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Manuel,</p>
<p>Muitos parabéns pelos teus 61 e por seres um sobrevivente!</p>
<p>Eu e a minha &#8220;avatar&#8221; desejamos-te muitas felicidades :)</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1AJDCeoqLvo&amp;feature=related" rel="nofollow">http://www.youtube.com/watch?v=1AJDCeoqLvo&amp;feature=related</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Sinhã</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67991</link>
		<dc:creator>Sinhã</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 12:33:58 +0000</pubDate>
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		<description>um bom ano para ti, pacheco

(e hoje não hão-de faltar peidos de alegria).:-D</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>um bom ano para ti, pacheco</p>
<p>(e hoje não hão-de faltar peidos de alegria).:-D</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: &#38;</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67982</link>
		<dc:creator>&#38;</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 10:52:25 +0000</pubDate>
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		<description>deixo aqui uma &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=QJhVM930YXY&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;coisa&lt;/A&gt;, que acho simultaneamente bonita e terrível, um poema audiovisual radical. Se puderes vai ver o Avatar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>deixo aqui uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=QJhVM930YXY" rel="nofollow">coisa</a>, que acho simultaneamente bonita e terrível, um poema audiovisual radical. Se puderes vai ver o Avatar.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: &#38;</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67977</link>
		<dc:creator>&#38;</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 09:34:29 +0000</pubDate>
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		<description>Parabéns Manuel! Votos de que seja um dia feliz que abra um bom ano, para ti e para os teus!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns Manuel! Votos de que seja um dia feliz que abra um bom ano, para ti e para os teus!</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: claudia</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67970</link>
		<dc:creator>claudia</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 07:50:18 +0000</pubDate>
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		<description>Parabéns, Manel! Feliz aniversário.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns, Manel! Feliz aniversário.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67962</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 01:15:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67962</guid>
		<description>O meu aniversário:
O dia 28 de Janeiro para mim é um dia especial. Não porque celebre o meu aniversário, mas sim por ter passado mais um ano. Diziam os meus pais que nasci cerca das 22 horas e pesava 3 quilos, num dia frio e de chuva, no lugar da Gandarela. Até nisto se era pobre, hoje é só ruas a lembrar alguns “filhos da mãe”. Devia de ser como na cidade de Espinho, que são números que dão às ruas e não nomes. Mas também se ia ter problemas. Quem é que ia aceitar morar na rua 11 ou 69?
A parteira era uma mulher habilidosa, que se prestava a estes favores e a desenrascar as dores das parturientes, a pôr no mundo quem nada sabia dele, se soubesse era capaz de se renunciar a vir a ele. Mesmo assim agradeço a boa hora da senhora Alzira (Farrapeira) tirar as dores à minha mãe (já falecida) e a mim pôr-me a chorar sem me dar uma palmada no cu. Já nessa altura era um protestante só que o fazia com o único argumento que os bebés têm: que é o choro.  
Não havia maternidades e recusas de se ir nascer a Espanha. Logo que chegasse a hora, muitas vezes, estavam a lavar nos lavadouros e vinham a toda a pressa para os ter em casa. Outros tempos e outras mulheres. Era o que ouvi dizer da boca de várias mulheres incluindo a minha mãe. O que precisavam era de uma boa hora. Nesse tempo, havia crianças ficaram órfãos à nascença. 
Ao outro dia o meu pai foi-me registar, não era como agora que se faz o registo, no registo civil ou na própria maternidade. Quem fez o registo e escreveu pela primeira vez o meu nome, foi o Senhor Valente. O meu pai deslocou-se à sua residência, tinha a profissão de professor, prestava-se a esta ocupação para ganhar mais uns patacos, tinha vários filhos e todos a estudar. Mais tarde foi o meu primeiro professor. 
Nasci numa sexta-feira e fui baptizado no domingo, 6 de Fevereiro. Nesse tempo os baptizados eram feitos passado poucos dias do nascimento, nessa altura morriam muitas crianças e assim já tínhamos recebido os sacramentos (julgo que é assim que se diz) para irmos para o céu em caso de morte.
Aos 3 anos de idade fui morar para S. Mamede de Negrelos no concelho de S. Tirso. Como o ordenado de meu pai era pequeno, aqui na minha terra os patrões pagavam ordenados baixos, resolveu ir trabalhar para outra firma para melhorar o seu pecúlio. No princípio a família, a minha mãe, a minha irmã mais velha, eu e a que me sucede, ficamos a viver em Freamunde. 
Para o meu pai a localidade da fábrica era distante, não havia transportes, não sabia andar de bicicleta a pedal - nesse tempo era um artigo de luxo - morreu com 74 anos sem saber andar na dita, ia e vinha todos os dias a pé. Como era muito cansativo resolveu que fossemos para ali morar.
Ali passei dois anos, lembro-me das brincadeiras com os meus primos – a minha tia, quarta na descendência, eram cinco mulheres incluindo a minha mãe, casou e foi para ali morar, o seu marido era dali. 
Já nesse tempo era muito irrequieto, aventurava-me nas mais estúpidas brincadeiras e dado a fazer asneiras. Um dia estava a jogar à bola mais outras crianças, a bola foi parar debaixo do burro, do moleiro, que descarregava sacos de farinha numa mercearia. Aventurei-me a ir buscá-la e levei um coice do burro que não queiram saber. Estive entre a vida e a morte mas graças à minha testa, ainda tenho uma cicatriz, é onde os homens têm a pele mais dura - se não fosse assim a muitos desabrochava algo - lá resisti e hoje dá-me para recordar as minhas aventuras e desventuras. 
Outra vez a brincar com um grupo de crianças, junto a um lavadouro, um deles empurrou-me e estive a morrer afogado, se ali não estivessem umas mulheres a lavar roupa, a esta hora não estava aqui a contar esta estória.
Quando tinha 5 anos viemos novamente morar para Freamunde, para o lugar da Bouça, até casar. Neste lugar moravam umas poucas de famílias e havia algumas crianças da minha idade e a minha recepção não podia ser da pior maneira. 
Era Junho, por altura das cascatas, havia uma, e sem querer dei logo cabo dela – era um Eduardo Mãos de Tesoura ao contrário. As outras crianças não gostaram da minha intervenção e queriam-me bater, mas livrei-me, corria bem e meti-me dentro de casa. Nesse dia não saí e sempre a espreitar pelo vidro da porta a ver a manifestação das outras crianças. Ao outro dia já ninguém se lembrava e comecei a ser bem visto por todos.
Aos 7 anos comecei a frequentar as aulas e como referi em cima o meu professor foi o senhor Valente. Mas que valente era. Quando algum aluno fazia asneiras, era malcriado ou por outros motivos era chamado ao seu gabinete, ali era de tal maneira avisado que tão cedo não se lembrava de ter igual comportamento. Aos seus alunos não era preciso chamar ao gabinete, levávamos logo ali na sala de aula. 
Era o director da escola e como tal gostava de impor a disciplina. Tive sorte e mérito, nos 3 anos em que fui seu aluno nunca me bateu. A maioria dos alunos meus colegas experimentaram por várias vezes a palmatória e contaram os 5 orifícios que ela tinha.
Uma coisa posso afirmar, ninguém se aleijou e dos 30 e tal alunos, 2 já não estão connosco, todos demos homens e em conversas uns com os outros recordamos o senhor professor Valente e o valor que teve na nossa educação. Pena hoje não ser assim. Os meus netos lucravam com isso.    
No dia 11 de Julho de 1960, segunda-feira de festas em honra ao Mártir S. Sebastião – “festas da vila”, hoje cidade, não sei porque carga de água - fiz o último exame e passados 7 dias, dia 18, deixei de ser menino, enveredei pelo mundo do trabalho até Julho de 2007, altura em que fui aposentado. E a minha signa era esta: 
Quem nasceu na Gandarela / Por força tem de chorar / O destino que lhe espera / É morrer a trabalhar.
Hoje, faz bem recordar esse tempo e os meus colegas de escola. Quando nos encontramos falamos pelo que passamos, o que sofremos, o rumo que o País levou depois do 25 de Abril. Hoje não é possível comparar esse tempo. Faltava tudo. Os que morreram nas décadas 70/90, se tivessem o condão de ressuscitar voltavam a morrer nesse momento, com o susto, que levavam sobre o desenvolvimento do País. 
Mando os parabéns a todos que neste dia fazem anos, em especial, ao Henrique Costa, meu colega de brincadeiras, pelos seus 63 e ao irmão do &amp;. Também à juíza Cândida Almeida, que celebra neste dia, os mesmos 61.

“Nos meus sessenta e um anos”

São sete horas da manhã!...
O dia já se levanta!...
E mais um ano cá canta,
se eu à noite estiver cá.

O sol raiou de alegria
como a querer-me dizer:
Cem anos há-de fazer
quem faz anos neste dia…

Mas eu renego essa ideia,
e faço uma cara feia
a quem mos quer desejar.

Porque não é meu amigo,
quem me deseja o castigo
de tantos anos durar…

Os versos são da autoria de: Rodela</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O meu aniversário:<br />
O dia 28 de Janeiro para mim é um dia especial. Não porque celebre o meu aniversário, mas sim por ter passado mais um ano. Diziam os meus pais que nasci cerca das 22 horas e pesava 3 quilos, num dia frio e de chuva, no lugar da Gandarela. Até nisto se era pobre, hoje é só ruas a lembrar alguns “filhos da mãe”. Devia de ser como na cidade de Espinho, que são números que dão às ruas e não nomes. Mas também se ia ter problemas. Quem é que ia aceitar morar na rua 11 ou 69?<br />
A parteira era uma mulher habilidosa, que se prestava a estes favores e a desenrascar as dores das parturientes, a pôr no mundo quem nada sabia dele, se soubesse era capaz de se renunciar a vir a ele. Mesmo assim agradeço a boa hora da senhora Alzira (Farrapeira) tirar as dores à minha mãe (já falecida) e a mim pôr-me a chorar sem me dar uma palmada no cu. Já nessa altura era um protestante só que o fazia com o único argumento que os bebés têm: que é o choro.<br />
Não havia maternidades e recusas de se ir nascer a Espanha. Logo que chegasse a hora, muitas vezes, estavam a lavar nos lavadouros e vinham a toda a pressa para os ter em casa. Outros tempos e outras mulheres. Era o que ouvi dizer da boca de várias mulheres incluindo a minha mãe. O que precisavam era de uma boa hora. Nesse tempo, havia crianças ficaram órfãos à nascença.<br />
Ao outro dia o meu pai foi-me registar, não era como agora que se faz o registo, no registo civil ou na própria maternidade. Quem fez o registo e escreveu pela primeira vez o meu nome, foi o Senhor Valente. O meu pai deslocou-se à sua residência, tinha a profissão de professor, prestava-se a esta ocupação para ganhar mais uns patacos, tinha vários filhos e todos a estudar. Mais tarde foi o meu primeiro professor.<br />
Nasci numa sexta-feira e fui baptizado no domingo, 6 de Fevereiro. Nesse tempo os baptizados eram feitos passado poucos dias do nascimento, nessa altura morriam muitas crianças e assim já tínhamos recebido os sacramentos (julgo que é assim que se diz) para irmos para o céu em caso de morte.<br />
Aos 3 anos de idade fui morar para S. Mamede de Negrelos no concelho de S. Tirso. Como o ordenado de meu pai era pequeno, aqui na minha terra os patrões pagavam ordenados baixos, resolveu ir trabalhar para outra firma para melhorar o seu pecúlio. No princípio a família, a minha mãe, a minha irmã mais velha, eu e a que me sucede, ficamos a viver em Freamunde.<br />
Para o meu pai a localidade da fábrica era distante, não havia transportes, não sabia andar de bicicleta a pedal &#8211; nesse tempo era um artigo de luxo &#8211; morreu com 74 anos sem saber andar na dita, ia e vinha todos os dias a pé. Como era muito cansativo resolveu que fossemos para ali morar.<br />
Ali passei dois anos, lembro-me das brincadeiras com os meus primos – a minha tia, quarta na descendência, eram cinco mulheres incluindo a minha mãe, casou e foi para ali morar, o seu marido era dali.<br />
Já nesse tempo era muito irrequieto, aventurava-me nas mais estúpidas brincadeiras e dado a fazer asneiras. Um dia estava a jogar à bola mais outras crianças, a bola foi parar debaixo do burro, do moleiro, que descarregava sacos de farinha numa mercearia. Aventurei-me a ir buscá-la e levei um coice do burro que não queiram saber. Estive entre a vida e a morte mas graças à minha testa, ainda tenho uma cicatriz, é onde os homens têm a pele mais dura &#8211; se não fosse assim a muitos desabrochava algo &#8211; lá resisti e hoje dá-me para recordar as minhas aventuras e desventuras.<br />
Outra vez a brincar com um grupo de crianças, junto a um lavadouro, um deles empurrou-me e estive a morrer afogado, se ali não estivessem umas mulheres a lavar roupa, a esta hora não estava aqui a contar esta estória.<br />
Quando tinha 5 anos viemos novamente morar para Freamunde, para o lugar da Bouça, até casar. Neste lugar moravam umas poucas de famílias e havia algumas crianças da minha idade e a minha recepção não podia ser da pior maneira.<br />
Era Junho, por altura das cascatas, havia uma, e sem querer dei logo cabo dela – era um Eduardo Mãos de Tesoura ao contrário. As outras crianças não gostaram da minha intervenção e queriam-me bater, mas livrei-me, corria bem e meti-me dentro de casa. Nesse dia não saí e sempre a espreitar pelo vidro da porta a ver a manifestação das outras crianças. Ao outro dia já ninguém se lembrava e comecei a ser bem visto por todos.<br />
Aos 7 anos comecei a frequentar as aulas e como referi em cima o meu professor foi o senhor Valente. Mas que valente era. Quando algum aluno fazia asneiras, era malcriado ou por outros motivos era chamado ao seu gabinete, ali era de tal maneira avisado que tão cedo não se lembrava de ter igual comportamento. Aos seus alunos não era preciso chamar ao gabinete, levávamos logo ali na sala de aula.<br />
Era o director da escola e como tal gostava de impor a disciplina. Tive sorte e mérito, nos 3 anos em que fui seu aluno nunca me bateu. A maioria dos alunos meus colegas experimentaram por várias vezes a palmatória e contaram os 5 orifícios que ela tinha.<br />
Uma coisa posso afirmar, ninguém se aleijou e dos 30 e tal alunos, 2 já não estão connosco, todos demos homens e em conversas uns com os outros recordamos o senhor professor Valente e o valor que teve na nossa educação. Pena hoje não ser assim. Os meus netos lucravam com isso.<br />
No dia 11 de Julho de 1960, segunda-feira de festas em honra ao Mártir S. Sebastião – “festas da vila”, hoje cidade, não sei porque carga de água &#8211; fiz o último exame e passados 7 dias, dia 18, deixei de ser menino, enveredei pelo mundo do trabalho até Julho de 2007, altura em que fui aposentado. E a minha signa era esta:<br />
Quem nasceu na Gandarela / Por força tem de chorar / O destino que lhe espera / É morrer a trabalhar.<br />
Hoje, faz bem recordar esse tempo e os meus colegas de escola. Quando nos encontramos falamos pelo que passamos, o que sofremos, o rumo que o País levou depois do 25 de Abril. Hoje não é possível comparar esse tempo. Faltava tudo. Os que morreram nas décadas 70/90, se tivessem o condão de ressuscitar voltavam a morrer nesse momento, com o susto, que levavam sobre o desenvolvimento do País.<br />
Mando os parabéns a todos que neste dia fazem anos, em especial, ao Henrique Costa, meu colega de brincadeiras, pelos seus 63 e ao irmão do &amp;. Também à juíza Cândida Almeida, que celebra neste dia, os mesmos 61.</p>
<p>“Nos meus sessenta e um anos”</p>
<p>São sete horas da manhã!&#8230;<br />
O dia já se levanta!&#8230;<br />
E mais um ano cá canta,<br />
se eu à noite estiver cá.</p>
<p>O sol raiou de alegria<br />
como a querer-me dizer:<br />
Cem anos há-de fazer<br />
quem faz anos neste dia…</p>
<p>Mas eu renego essa ideia,<br />
e faço uma cara feia<br />
a quem mos quer desejar.</p>
<p>Porque não é meu amigo,<br />
quem me deseja o castigo<br />
de tantos anos durar…</p>
<p>Os versos são da autoria de: Rodela</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Love story at Aspirina B</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67701</link>
		<dc:creator>Love story at Aspirina B</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:21:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67701</guid>
		<description>[...] nosso amigo Manuel Pacheco conta a sua história. De amor.   Inicie os &#160;comentários  Publicado por Val às 16:21 em Valupi.           Feed for this [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] nosso amigo Manuel Pacheco conta a sua história. De amor.   Inicie os &nbsp;comentários  Publicado por Val às 16:21 em Valupi.           Feed for this [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Sinhã</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67680</link>
		<dc:creator>Sinhã</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 14:01:18 +0000</pubDate>
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		<description>eu também gostei. já não existem vontades de dedicação assim.:-)

(e vais com sorte porque estou completamente solta e foram-se os peidos. :-))</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu também gostei. já não existem vontades de dedicação assim.:-)</p>
<p>(e vais com sorte porque estou completamente solta e foram-se os peidos. :-))</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: claudia</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67678</link>
		<dc:creator>claudia</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 13:54:11 +0000</pubDate>
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		<description>Gostei muito do que escreveste, Manuel. Obrigada pela partilha.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei muito do que escreveste, Manuel. Obrigada pela partilha.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67653</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 01:03:43 +0000</pubDate>
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		<description>Para a minha mulher:
Este texto é dedicado, à rapariga que conheci; à minha primeira namorada; à mulher; à minha noiva; à minha esposa; à mãe dos meus filhos; à avó dos meus netos e à minha companheira diária, nestes 35 anos que se há-de cumprir em 03/05/2010.
Ainda me recordo do dia em que disse ao seu irmão que precisava de ter um encontro com ela – era o usual para começar um namoro. Sempre fui uma pessoa tímida, depois dessa timidez, desbobino, mas em caso de namoros era como disse bastante tímido. Sou de uma geração em que se separava os sexos, por força desta imposição, quando se via um rapaz no meio das raparigas era logo apelidado de menina e vice-versa, e por isso o não à vontade de uma maioria de rapazes para com o sexo oposto. Não era como hoje que são as raparigas que se metem com eles e que lhes pedem namoro. Outros tempos outros usos.
Tinha uns 18 anos e ela 14, começamos a namorar mas era mais as vezes que nos encontrávamos zangados. Muitas vezes me disse se fosse assim e se um dia casássemos, íamos passar a vida de costas voltadas. Dizia que não. Que amor zangado amor dobrado. Que quem desdenha quer comprar. O que é certo depois destes contratempos e passados dois anos de vir do ultramar (Angola) de prestar o serviço militar e como disse em cima no dia 3/05/1975, lá contraímos matrimónio. 
Fomos passar a nossa lua-de-mel para casa da minha irmã mais velha, Amélia, que nos cedeu o seu apartamento na rua Álvares Cabral no Porto. Quem nos transportou ao Porto foi o Ângelo, já o conhecia, mas ficamos mais amigos quando nos encontramos em Quicabo, norte de Angola, e por esse motivo foi meu convidado de casamento juntamente com a sua esposa, no seu Austin Mini Clubman, vermelho, naquela época era uma máquina. 
Ao outro dia tinha-me acabado os cigarros, tive de vir à rua para os comprar, a minha esposa não queria sair, talvez cansada, o certo é que era domingo e os quiosques que ali conhecia estavam fechados. Demorei mais que o normal o que levou a minha esposa a preocupar-se, como só tínhamos uma chave do apartamento, levei-a comigo, o que originou a que ali ficasse fechada, em caso de me ter acontecido algo não sabia como se desenrascar. Não me lembro se no apartamento existia telefone. Se existisse também não podia ligar para nenhum familiar, porque o telefone era coisa rara, só se telefonasse para a polícia. 
Na terça-feira dia 6 de Maio, as saudades que a minha esposa tinha da família e da terra fez com que viéssemos passar esse dia e noite a casa, habitava numa arrendava ao patrão da minha esposa. Estava na minha terra o circo Cardinal, para passar um pouco de tempo resolvemos ir assistir à sua exibição, quem actuava no intervalo era o Marco Paulo, ainda me lembro das suas calças apertadas e de botas de cano, estava em princípio de carreira. Hoje aparece sempre de fato e gravata, ao contrário desse tempo. Ao que a fama obriga para melhorarmos a nossa imagem. 
Assim andamos entre trabalhar e passear um pouco, nesse tempo não tinha automóvel, nem sonhava com ele, era coisa de quem tinha posses e as nossas era a força do nosso trabalho. Com o 25 de Abril e as conquistas dos trabalhadores começou-se a gozar férias e a minha irmã voltou-me a oferecer o apartamento para passar ali uns dias. 
A minha mãe derivado à sua doença foi aconselhada a frequentar a praia, todos os dias ia numa excursão à praia de Vila do Conde. Como estávamos no Porto, resolvemos fazer-lhe um surpresa e num dia lá fomos de comboio da estação da Trindade até à Póvoa de Varzim. 
Dirigimo-nos a pé, à beira-mar, para Vila do Conde mas não sabíamos qual a praia que frequentava. Corremos a praia de Vila do Conde, Azurara, Vila Chá e Árvore. Nesse dia fizemos mais de 50 quilómetros - só andamos cerca de 2 quilómetros de táxi e de comboio numa distância de 5 - a pé. Ao meio dia a fome começou a apertar e em Árvore, Vila do Conde, nessa altura, não estava tão desenvolvida como hoje.
Só havia um restaurante. Quando ali entramos e vimos o seu aspecto a minha esposa disse logo. Vai-nos sair bastante caro. Mas entre ter dinheiro e fome, optei por não ganhar amor ao dinheiro e assim fomos servidos com todas as etiquetas. Acabado o repasso a minha esposa disse-me. Até aqui tudo bem, agora bem o pior. Quando o empregado nos deu o ticket da despesa do almoço, fiquei surpreendido, o que me levou a dar uma boa gorjeta ao empregado. É como se diz nem tudo o que reluz, é oiro. Só por volta das 18 horas é que demos com a praia em que estava a minha mãe. Sabe bem quando estes passeios de comboio e a pé são um acaso se fosse planeado não resistíamos tanto.
O tempo ia passando, no princípio andamos a evitar ter filhos, quando o planeamos não havia maneira de a minha esposa o alcançar. Chorava, não sabia a maneira de a confortar, além de lhe dizer que por isso não vinha o fim do mundo. 
Resolvi tirar a carta de condução e comprar um carro. Pedi um empréstimo de dinheiro a um amigo. Antes uns meses, emprestei uma certa quantia aos meus sogros e não os queria pedir o que me levou a ter de pagar juros e não recebia nenhum pelo que tinha emprestado. Se fosse hoje não o emprestava. Comprei um carro marca Subaru 1200 e passados dias passei nos exames de carta de condução. Este investimento deveu-se a que: como a minha esposa não engravidava, era a maneira de dar uns passeios com ela para se distrair.
Passado um tempo viemos morar para uma casa dos meus sogros a pagar 1000 escudos por mês e esse empréstimo foi abatido na renda da casa. Fiz isso por causa da minha esposa. Hoje maldigo a minha atitude, como fui tão camelo, passados anos só me fez mal, provocando-me, maltratando-me ao ponto de ter de cortar relações com eles, filhos, noras e tudo. Só se aproveitaram de mim e da minha bondade, ao ponto de pedir a minha transferência para a ilha da Madeira, para não fazer asneiras. Tenho como lema que um pai deve ser um elo de ligação entre a família e não provocar a desunião entre irmãos. 
Um dia chego a casa e a minha esposa diz-me toda sorridente. – O período não me veio, de certeza estou grávida. Senti alegria. Realmente quando não se tem um filho uma pessoa farta-se de ver sempre a mesma cara e uma criança traz alegria e outra maneira de encarar a vida. Por isso quando vejo um casal sem filhos, aqui na minha terra há alguns, fico com pena, estive quase na mesma situação.
 Chegou o dia 25 de Abril de1977, a minha esposa estava com dores, chamei a minha mãe para nos aconselhar o que devíamos fazer, disse-me que era melhor levá-la para a maternidade de Paços de Ferreira. Assim fiz. Após ser consultada foi-nos dito que ainda estava um pouco atrasado o parto mas era melhor ficar ali internada. A minha esposa não queria, as condições eram péssimas, hoje ainda se reclama com as maternidades existentes deviam era de ver aquela, mais tarde fechou. Ao outro dia de manhã ali me desloquei mas ainda não tinha nascido. À tarde desloquei-me para ali outra vez e quando estava a tirar o bilhete para a entrada, pagava-se uma certa quantia, julgo 2$50, vem uma freira chamar a empregada que passava bilhetes para ir ajudar ao parto da minha esposa. Com a deslocação dela, fiquei eu ali a passar os bilhetes. Devemos estar aptos para o que der e vier. Passado um pouco de tempo vem a empregada com o bebé no colo e disse-me. – Que rica menina aqui tem! Fiquei desiludido, contava com um rapaz, nessa altura não se fazia ecografias para se saber o sexo. A minha esposa também sentiu a minha desilusão, sabia que eu ambicionava um rapaz.
Não gosto de ser como a coruja mas, que a minha filha era bonita esse facto não vou esconder. A vida continuava, passados uns meses foi-lhe feito o baptizado, tinha sido registada e o seu nome ficou de Sónia Marisa. Ainda hoje é uma rapariga bonita. Deu-me um neto, o Duarte, para mim é como um filho, a mãe encontra-se divorciada e por isso o considero como um filho, não quero que lhe falte nada. 
No dia 2/11/1981, nasce na maternidade de Lousada, a de Paços de Ferreira tinha fechado, o Victor Hugo, aqui sim fiquei contente, já tinha uma filha, agora um filho vinha preencher a casa. Só que este teve uma infelicidade, aos 20 anos foi-lhe detectada a diabetes. Encontrava-me na Madeira mais a minha esposa, prestava ali serviço, recebo uma chamada telefónica do meu ex-genro a dizer-me que ele estava internado no hospital de S. João e que lhe tinha sido detectado a diabetes. A minha esposa tinha viagem marcada para uns dias depois, começou logo a chorar, fui ao aeroporto de S. Catarina, em S. Cruz, para lhe antecipar a viagem, o que consegui e a minha esposa embarcou para prestar assistência ao meu filho. Esteve lá uns dias para se habituar a injectar e só depois disso é que teve alta. Aqui virei-me contra Cristo, não havia direito de um rapaz na flor da idade ter tal tormento. Porque não a mim que já tinha vivido parte da minha vida? Mas não é como a gente quer. Todos temos a nossa cruz, a dele é um pouco pesada.  
Passados uns anos juntou-se com uma rapariga, a minha esposa queria que ele se casasse pela igreja eu nunca me opus. O que interessava era a felicidades deles. Mais tarde com o divórcio da nossa filha já não via tanto mal no casamento pelo civil. Deu-nos um neto, o Diogo, também passou a ser para mim como um filho. Derivado a que tanto a minha filha, o meu filho e a minha nora trabalham eu ou a minha esposa lá os vamos levar e buscar à escola. O Duarte frequenta a 2ª classe o Diogo anda no infantário.
Por tudo isto sinto-me realizado e bendigo o dia em que conheci a minha esposa. Ela ter-me dado os dois filhos e o me ter aturado este tempo todo e o que há-de vir. É desta coisas que gosto de dar a conhecer e o valor que a minha esposa me merece. Não sabe que publiquei este texto aqui no Aspirina B, se soubesse dizia-me para o não fazer. Mas gosto de lhe fazer uma surpresa e lembrar parte da nossa vida a dois. E podem ter a certeza que não sou um pinga-amor.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Para a minha mulher:<br />
Este texto é dedicado, à rapariga que conheci; à minha primeira namorada; à mulher; à minha noiva; à minha esposa; à mãe dos meus filhos; à avó dos meus netos e à minha companheira diária, nestes 35 anos que se há-de cumprir em 03/05/2010.<br />
Ainda me recordo do dia em que disse ao seu irmão que precisava de ter um encontro com ela – era o usual para começar um namoro. Sempre fui uma pessoa tímida, depois dessa timidez, desbobino, mas em caso de namoros era como disse bastante tímido. Sou de uma geração em que se separava os sexos, por força desta imposição, quando se via um rapaz no meio das raparigas era logo apelidado de menina e vice-versa, e por isso o não à vontade de uma maioria de rapazes para com o sexo oposto. Não era como hoje que são as raparigas que se metem com eles e que lhes pedem namoro. Outros tempos outros usos.<br />
Tinha uns 18 anos e ela 14, começamos a namorar mas era mais as vezes que nos encontrávamos zangados. Muitas vezes me disse se fosse assim e se um dia casássemos, íamos passar a vida de costas voltadas. Dizia que não. Que amor zangado amor dobrado. Que quem desdenha quer comprar. O que é certo depois destes contratempos e passados dois anos de vir do ultramar (Angola) de prestar o serviço militar e como disse em cima no dia 3/05/1975, lá contraímos matrimónio.<br />
Fomos passar a nossa lua-de-mel para casa da minha irmã mais velha, Amélia, que nos cedeu o seu apartamento na rua Álvares Cabral no Porto. Quem nos transportou ao Porto foi o Ângelo, já o conhecia, mas ficamos mais amigos quando nos encontramos em Quicabo, norte de Angola, e por esse motivo foi meu convidado de casamento juntamente com a sua esposa, no seu Austin Mini Clubman, vermelho, naquela época era uma máquina.<br />
Ao outro dia tinha-me acabado os cigarros, tive de vir à rua para os comprar, a minha esposa não queria sair, talvez cansada, o certo é que era domingo e os quiosques que ali conhecia estavam fechados. Demorei mais que o normal o que levou a minha esposa a preocupar-se, como só tínhamos uma chave do apartamento, levei-a comigo, o que originou a que ali ficasse fechada, em caso de me ter acontecido algo não sabia como se desenrascar. Não me lembro se no apartamento existia telefone. Se existisse também não podia ligar para nenhum familiar, porque o telefone era coisa rara, só se telefonasse para a polícia.<br />
Na terça-feira dia 6 de Maio, as saudades que a minha esposa tinha da família e da terra fez com que viéssemos passar esse dia e noite a casa, habitava numa arrendava ao patrão da minha esposa. Estava na minha terra o circo Cardinal, para passar um pouco de tempo resolvemos ir assistir à sua exibição, quem actuava no intervalo era o Marco Paulo, ainda me lembro das suas calças apertadas e de botas de cano, estava em princípio de carreira. Hoje aparece sempre de fato e gravata, ao contrário desse tempo. Ao que a fama obriga para melhorarmos a nossa imagem.<br />
Assim andamos entre trabalhar e passear um pouco, nesse tempo não tinha automóvel, nem sonhava com ele, era coisa de quem tinha posses e as nossas era a força do nosso trabalho. Com o 25 de Abril e as conquistas dos trabalhadores começou-se a gozar férias e a minha irmã voltou-me a oferecer o apartamento para passar ali uns dias.<br />
A minha mãe derivado à sua doença foi aconselhada a frequentar a praia, todos os dias ia numa excursão à praia de Vila do Conde. Como estávamos no Porto, resolvemos fazer-lhe um surpresa e num dia lá fomos de comboio da estação da Trindade até à Póvoa de Varzim.<br />
Dirigimo-nos a pé, à beira-mar, para Vila do Conde mas não sabíamos qual a praia que frequentava. Corremos a praia de Vila do Conde, Azurara, Vila Chá e Árvore. Nesse dia fizemos mais de 50 quilómetros &#8211; só andamos cerca de 2 quilómetros de táxi e de comboio numa distância de 5 &#8211; a pé. Ao meio dia a fome começou a apertar e em Árvore, Vila do Conde, nessa altura, não estava tão desenvolvida como hoje.<br />
Só havia um restaurante. Quando ali entramos e vimos o seu aspecto a minha esposa disse logo. Vai-nos sair bastante caro. Mas entre ter dinheiro e fome, optei por não ganhar amor ao dinheiro e assim fomos servidos com todas as etiquetas. Acabado o repasso a minha esposa disse-me. Até aqui tudo bem, agora bem o pior. Quando o empregado nos deu o ticket da despesa do almoço, fiquei surpreendido, o que me levou a dar uma boa gorjeta ao empregado. É como se diz nem tudo o que reluz, é oiro. Só por volta das 18 horas é que demos com a praia em que estava a minha mãe. Sabe bem quando estes passeios de comboio e a pé são um acaso se fosse planeado não resistíamos tanto.<br />
O tempo ia passando, no princípio andamos a evitar ter filhos, quando o planeamos não havia maneira de a minha esposa o alcançar. Chorava, não sabia a maneira de a confortar, além de lhe dizer que por isso não vinha o fim do mundo.<br />
Resolvi tirar a carta de condução e comprar um carro. Pedi um empréstimo de dinheiro a um amigo. Antes uns meses, emprestei uma certa quantia aos meus sogros e não os queria pedir o que me levou a ter de pagar juros e não recebia nenhum pelo que tinha emprestado. Se fosse hoje não o emprestava. Comprei um carro marca Subaru 1200 e passados dias passei nos exames de carta de condução. Este investimento deveu-se a que: como a minha esposa não engravidava, era a maneira de dar uns passeios com ela para se distrair.<br />
Passado um tempo viemos morar para uma casa dos meus sogros a pagar 1000 escudos por mês e esse empréstimo foi abatido na renda da casa. Fiz isso por causa da minha esposa. Hoje maldigo a minha atitude, como fui tão camelo, passados anos só me fez mal, provocando-me, maltratando-me ao ponto de ter de cortar relações com eles, filhos, noras e tudo. Só se aproveitaram de mim e da minha bondade, ao ponto de pedir a minha transferência para a ilha da Madeira, para não fazer asneiras. Tenho como lema que um pai deve ser um elo de ligação entre a família e não provocar a desunião entre irmãos.<br />
Um dia chego a casa e a minha esposa diz-me toda sorridente. – O período não me veio, de certeza estou grávida. Senti alegria. Realmente quando não se tem um filho uma pessoa farta-se de ver sempre a mesma cara e uma criança traz alegria e outra maneira de encarar a vida. Por isso quando vejo um casal sem filhos, aqui na minha terra há alguns, fico com pena, estive quase na mesma situação.<br />
 Chegou o dia 25 de Abril de1977, a minha esposa estava com dores, chamei a minha mãe para nos aconselhar o que devíamos fazer, disse-me que era melhor levá-la para a maternidade de Paços de Ferreira. Assim fiz. Após ser consultada foi-nos dito que ainda estava um pouco atrasado o parto mas era melhor ficar ali internada. A minha esposa não queria, as condições eram péssimas, hoje ainda se reclama com as maternidades existentes deviam era de ver aquela, mais tarde fechou. Ao outro dia de manhã ali me desloquei mas ainda não tinha nascido. À tarde desloquei-me para ali outra vez e quando estava a tirar o bilhete para a entrada, pagava-se uma certa quantia, julgo 2$50, vem uma freira chamar a empregada que passava bilhetes para ir ajudar ao parto da minha esposa. Com a deslocação dela, fiquei eu ali a passar os bilhetes. Devemos estar aptos para o que der e vier. Passado um pouco de tempo vem a empregada com o bebé no colo e disse-me. – Que rica menina aqui tem! Fiquei desiludido, contava com um rapaz, nessa altura não se fazia ecografias para se saber o sexo. A minha esposa também sentiu a minha desilusão, sabia que eu ambicionava um rapaz.<br />
Não gosto de ser como a coruja mas, que a minha filha era bonita esse facto não vou esconder. A vida continuava, passados uns meses foi-lhe feito o baptizado, tinha sido registada e o seu nome ficou de Sónia Marisa. Ainda hoje é uma rapariga bonita. Deu-me um neto, o Duarte, para mim é como um filho, a mãe encontra-se divorciada e por isso o considero como um filho, não quero que lhe falte nada.<br />
No dia 2/11/1981, nasce na maternidade de Lousada, a de Paços de Ferreira tinha fechado, o Victor Hugo, aqui sim fiquei contente, já tinha uma filha, agora um filho vinha preencher a casa. Só que este teve uma infelicidade, aos 20 anos foi-lhe detectada a diabetes. Encontrava-me na Madeira mais a minha esposa, prestava ali serviço, recebo uma chamada telefónica do meu ex-genro a dizer-me que ele estava internado no hospital de S. João e que lhe tinha sido detectado a diabetes. A minha esposa tinha viagem marcada para uns dias depois, começou logo a chorar, fui ao aeroporto de S. Catarina, em S. Cruz, para lhe antecipar a viagem, o que consegui e a minha esposa embarcou para prestar assistência ao meu filho. Esteve lá uns dias para se habituar a injectar e só depois disso é que teve alta. Aqui virei-me contra Cristo, não havia direito de um rapaz na flor da idade ter tal tormento. Porque não a mim que já tinha vivido parte da minha vida? Mas não é como a gente quer. Todos temos a nossa cruz, a dele é um pouco pesada.<br />
Passados uns anos juntou-se com uma rapariga, a minha esposa queria que ele se casasse pela igreja eu nunca me opus. O que interessava era a felicidades deles. Mais tarde com o divórcio da nossa filha já não via tanto mal no casamento pelo civil. Deu-nos um neto, o Diogo, também passou a ser para mim como um filho. Derivado a que tanto a minha filha, o meu filho e a minha nora trabalham eu ou a minha esposa lá os vamos levar e buscar à escola. O Duarte frequenta a 2ª classe o Diogo anda no infantário.<br />
Por tudo isto sinto-me realizado e bendigo o dia em que conheci a minha esposa. Ela ter-me dado os dois filhos e o me ter aturado este tempo todo e o que há-de vir. É desta coisas que gosto de dar a conhecer e o valor que a minha esposa me merece. Não sabe que publiquei este texto aqui no Aspirina B, se soubesse dizia-me para o não fazer. Mas gosto de lhe fazer uma surpresa e lembrar parte da nossa vida a dois. E podem ter a certeza que não sou um pinga-amor.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67397</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 12:28:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67397</guid>
		<description>Divagando:
Quando se preparava Manuel Alegre e Francisco Louçã para um comício eleitoral para a Presidência da República, avistam um de apoio a Cavaco Silva. Assim que Manuel Alegre os viu, disse para Louçã, seu fiel amigo e conselheiro; - a campanha vai encaminhando os nossos intentos melhor que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Louçã, onde se descobrem uns míseros desaforados apoiantes de Cavaco, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a presunção de que eles só falam a verdade, com estes argumentos começaremos a cativar os indecisos; que esta é a boa campanha, e bom serviço prestado à Nação, que tira tal argumentos da campanha de Cavaco que é fomentada na mentira, nas intentonas, nas escutas e um sem fim.
Qual campanha? – Disse Louçã. Aquilo que ali vês é Fernando Lima, Manuela Ferreira Leite e mais alguns acólitos. Nada de nos meter medo. Não me digas que te estás a imaginar num D. Quixote e onde vês pessoas julgas moinhos de vento. Quem nos dera que assim fosse, esses eram fáceis de combater. Agora detractores da verdade, comunicação social e assessores! Mas deixa-os comigo, que sou mais divisionista que eles todos e vou pôr a minha astúcia ao sabor da tua campanha. Não fosse eu conhecido pelo cónego Anacleto, e sabes que em divisionismo dou cartas. Não tens ouvido as minhas intervenções na Assembleia da República? Desmorono tudo, eles ao cair parecem baralhos de cartas. Quando me vires a teu lado a discursar e não ficar pedra sobre pedra é que me vais dar o real valor e o quanto lucras em me teres como aliado. Só te peço um favor, quando fores presidente da República, tens de colaborar com o BE. Quero um dia ser 1º. Ministro. Não é pedir muito, qualquer um o pode ser. Não vês Santana Lopes, até foi agraciado com uma medalha.
Essas palavras Xico são um bálsamo para mim que, tu bem sabes, ou não fosse eu um poeta. 
Eu, “que ninguém me cala” quero unir o PS, não o Sócrates, esse que deu cabo da minha candidatura à Presidência da República de 2006, vai ter que me gramar. Não sabe do que sou capaz. É como se costuma dizer: a vingança serve-se fria. 
Manuel Alegre não sabe o que Sócrates lhe reserva. Sócrates não é dos que se fica e talvez prefira Cavaco a Alegre. Por alguma coisa chamam-lhe o animal político. Esperemos pelos próximos capítulos.


“Não riam de mim”

Quero viver no meu canto
Deixem-me sonhar assim.
Não acordem meu espanto
Mas podem rir-se de mim.

Eu aceito que me alertem,
É pobre a minha cultura,
Por favor não me despertem
Só para fazer censura.

Tenho a minha linguagem
Talvez um pouco selvagem
Mas é mesmo assim que eu falo,

Pois se gosto de escrever
Não tenho nada a esconder,
Nem me importo o quanto valho.

Versos autoria de: Rodela</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Divagando:<br />
Quando se preparava Manuel Alegre e Francisco Louçã para um comício eleitoral para a Presidência da República, avistam um de apoio a Cavaco Silva. Assim que Manuel Alegre os viu, disse para Louçã, seu fiel amigo e conselheiro; &#8211; a campanha vai encaminhando os nossos intentos melhor que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Louçã, onde se descobrem uns míseros desaforados apoiantes de Cavaco, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a presunção de que eles só falam a verdade, com estes argumentos começaremos a cativar os indecisos; que esta é a boa campanha, e bom serviço prestado à Nação, que tira tal argumentos da campanha de Cavaco que é fomentada na mentira, nas intentonas, nas escutas e um sem fim.<br />
Qual campanha? – Disse Louçã. Aquilo que ali vês é Fernando Lima, Manuela Ferreira Leite e mais alguns acólitos. Nada de nos meter medo. Não me digas que te estás a imaginar num D. Quixote e onde vês pessoas julgas moinhos de vento. Quem nos dera que assim fosse, esses eram fáceis de combater. Agora detractores da verdade, comunicação social e assessores! Mas deixa-os comigo, que sou mais divisionista que eles todos e vou pôr a minha astúcia ao sabor da tua campanha. Não fosse eu conhecido pelo cónego Anacleto, e sabes que em divisionismo dou cartas. Não tens ouvido as minhas intervenções na Assembleia da República? Desmorono tudo, eles ao cair parecem baralhos de cartas. Quando me vires a teu lado a discursar e não ficar pedra sobre pedra é que me vais dar o real valor e o quanto lucras em me teres como aliado. Só te peço um favor, quando fores presidente da República, tens de colaborar com o BE. Quero um dia ser 1º. Ministro. Não é pedir muito, qualquer um o pode ser. Não vês Santana Lopes, até foi agraciado com uma medalha.<br />
Essas palavras Xico são um bálsamo para mim que, tu bem sabes, ou não fosse eu um poeta.<br />
Eu, “que ninguém me cala” quero unir o PS, não o Sócrates, esse que deu cabo da minha candidatura à Presidência da República de 2006, vai ter que me gramar. Não sabe do que sou capaz. É como se costuma dizer: a vingança serve-se fria.<br />
Manuel Alegre não sabe o que Sócrates lhe reserva. Sócrates não é dos que se fica e talvez prefira Cavaco a Alegre. Por alguma coisa chamam-lhe o animal político. Esperemos pelos próximos capítulos.</p>
<p>“Não riam de mim”</p>
<p>Quero viver no meu canto<br />
Deixem-me sonhar assim.<br />
Não acordem meu espanto<br />
Mas podem rir-se de mim.</p>
<p>Eu aceito que me alertem,<br />
É pobre a minha cultura,<br />
Por favor não me despertem<br />
Só para fazer censura.</p>
<p>Tenho a minha linguagem<br />
Talvez um pouco selvagem<br />
Mas é mesmo assim que eu falo,</p>
<p>Pois se gosto de escrever<br />
Não tenho nada a esconder,<br />
Nem me importo o quanto valho.</p>
<p>Versos autoria de: Rodela</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67255</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 00:25:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67255</guid>
		<description>Houve erro de página que contém a fotografia. Vou tentar pôr a verdadeira.
http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Houve erro de página que contém a fotografia. Vou tentar pôr a verdadeira.<br />
<a href="http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7" rel="nofollow">http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7</a></p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-67254</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 00:19:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/?p=11694#comment-67254</guid>
		<description>Padre Barnabé:
Ainda me recordo do dia 03/08/1958, a primeira missa do padre Barnabé de Oliveira. Andava na catequese e a minha catequista era a menina Irene (Ireninha, como era conhecida, mais tarde enfermeira no hospital de S. António no Porto) irmã do futuro padre Barnabé. 
Antes uns meses tínhamos sido convidados pela Ireninha, para fazermos parte do coro, que ia cantar a missa, era a primeira do seu irmão – chamada missa nova. Éramos várias crianças não me lembro do nome delas, já se passaram quase cinquenta e dois anos. 
Eu como não tinha voz para cantar (desafinava tudo) fui seleccionado para acompanhar o padre Barnabé desde a sua casa (Lugar da Feira) com uma cesta toda almofadada juntamente com várias crianças, - sou a que vai à frente do Padre Barnabé - com uma opa branca – segue uma fotografia que mostra o nosso acompanhamento que era cerca de quinhentos metros da sua residência à igreja matriz. Era criança mas já sentia alegria por poder dar o meu contributo e era bem tratado pela família Oliveira, era uma família abastada. 
Com o passar dos anos a fé foi-me abandonando não deixando de ser cristão e de vez em quando ir assistir a uma missa. Mas quase que tenho a certeza que se ela fosse celebrada pelo padre Barnabé, eu continuaria a assistir a todas elas. 
Sempre ouvi dizer em conversas com pessoas da rua da Sé no Porto que era um padre que dava a camisa a um pobre se esse pobre precisasse dela. Pregava e julgo que ainda prega – a idade já é um pouco avançada – sempre a palavra de Deus. Há pouco tempo foi-lhe atribuída uma casa para residir pelo senhor Bispo do Porto. As irmãs por vezes zangam-se com ele porque tudo o que elas lhe mandam distribui pelos mais necessitados. Padres destes há poucos.

http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Padre Barnabé:<br />
Ainda me recordo do dia 03/08/1958, a primeira missa do padre Barnabé de Oliveira. Andava na catequese e a minha catequista era a menina Irene (Ireninha, como era conhecida, mais tarde enfermeira no hospital de S. António no Porto) irmã do futuro padre Barnabé.<br />
Antes uns meses tínhamos sido convidados pela Ireninha, para fazermos parte do coro, que ia cantar a missa, era a primeira do seu irmão – chamada missa nova. Éramos várias crianças não me lembro do nome delas, já se passaram quase cinquenta e dois anos.<br />
Eu como não tinha voz para cantar (desafinava tudo) fui seleccionado para acompanhar o padre Barnabé desde a sua casa (Lugar da Feira) com uma cesta toda almofadada juntamente com várias crianças, &#8211; sou a que vai à frente do Padre Barnabé &#8211; com uma opa branca – segue uma fotografia que mostra o nosso acompanhamento que era cerca de quinhentos metros da sua residência à igreja matriz. Era criança mas já sentia alegria por poder dar o meu contributo e era bem tratado pela família Oliveira, era uma família abastada.<br />
Com o passar dos anos a fé foi-me abandonando não deixando de ser cristão e de vez em quando ir assistir a uma missa. Mas quase que tenho a certeza que se ela fosse celebrada pelo padre Barnabé, eu continuaria a assistir a todas elas.<br />
Sempre ouvi dizer em conversas com pessoas da rua da Sé no Porto que era um padre que dava a camisa a um pobre se esse pobre precisasse dela. Pregava e julgo que ainda prega – a idade já é um pouco avançada – sempre a palavra de Deus. Há pouco tempo foi-lhe atribuída uma casa para residir pelo senhor Bispo do Porto. As irmãs por vezes zangam-se com ele porque tudo o que elas lhe mandam distribui pelos mais necessitados. Padres destes há poucos.</p>
<p><a href="http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7" rel="nofollow">http://freamundense.blogspot.com/search?updated-max=2008-08-07T22:44:00+01:00&amp;max-results=7</a></p>
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		<title>Por: Manuel Pacheco</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/coisas-que-podem-acontecer-10/#comment-66959</link>
		<dc:creator>Manuel Pacheco</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 13:35:47 +0000</pubDate>
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		<description>O MEU PRIMEIRO NATAL EM FREAMUNDE

Uma das coisas que mais me impressionou quando, há quase quarenta anos, troquei o Porto por Freamunde foi a noite de consoada, a véspera de Natal.
Ocorreu-me esta recordação pela proximidade desta tradicional festividade, em que todos prometemos a nós próprios sermos melhores no futuro, dedicarmo-nos mais ao nosso próximo, prestarmos outra atenção à miséria que nos rodeia, acabarmos com rixas e polémicas mesquinhas que, em comparação com a imensidade do Universo e com a brevidade da Vida, são miseravelmente insignificantes. E como este é o último &quot;Fredemundus&quot; antes do Natal, decidi recordar outros Natais e não hostilizar ninguém com os habituais reparos, nem responder a quem me tem hospitalizado: - hoje é &quot;péssanga&quot;, como se diz nos jogos infantis. A minha resposta aos meus (inimigos,não!) detractores, é o meu mais sincero desejo que tenham um Natal Feliz e possam, como eu, reflectir um pouco sobre a caricata inutilidade das nossas dissenções, o ridículo de alguns dos nossos argumentos, por vezes verdadeiras armas para nós próprios apontadas...Não: - hoje não respondo a ninguém! Hoje é Natal e eu desejo, de todo o coração, a maior felicidade e alegria a todos, mesmo sabendo que muitos - e tantos eles são... - não conseguirão alcançar o quanto aqui lhes desejo...Tempo haverá ainda para nos aborrecermos e para nos afastarmos estupidamente nesta sala de espera da Morte que é a Vida...Hoje não! Feliz Natal para todos! Feliz Natal para o operário e para o seu patrão! Feliz Natal para as crianças que nos ajudam com a sua beleza a suportar a Vida! Feliz Natal para os que têm letras a vencer! Feliz Natal para quem vai aumentar a sua fortuna neste ano prestes a findar! Feliz Natal para aquele canceroso sem esperança! Feliz Natal para o militar, que o vai passar de sentinela! Feliz Natal para o gatuno que me furtou o porta-notas! Feliz Natal para o polícia que me multou o carro mal estacionado! Feliz Natal para aquela simpática menina do quiosque que sempre me atende com um sorriso! Feliz Natal para os que estão na cadeia justamente! Feliz Natal para os que padecem de injustiças! Feli Natal para os irmãos Cavaco, os Victores e todos os infelizes assassinos, presos ou à solta! Feliz Natal para Otelo Saraiva de Carvalho e para os juízes que o julgaram! Feliz Natal para os que fizeram o 25 de Abril e nele acreditaram! Feliz Natal para os que se esforçam por o fazer esquecer! Feliz Natal para aquele pobre que dorme numa soleira de porta ou num banco de jardim! Feliz Natal para os que têm fome e para os que têm de recorrer aos sais de fruta Eno! Feliz Natal para quantos me lerem e para os que nem sequer sabem que eu tenho a impertinência de o fazer! Feliz Natal para mim e para os meus e para ti e todos os teus! E até, se possível para quem ia a acompanhar aquele funeral que passou ontem por mim! E, já agora, Feliz Natal para o que ia de pés para a frente e que deixou de poder desejar Feliz Natal aos outros!...
O primeiro Natal que passei em Freamunde foi um assombro para mim. Até então, sempre tivera a noite de Natal como a mais aborrecida de quantas o ano tinha. Era a noite em que não valia a pena sair de casa, em que tinha de quebrar o hábito de comer o jantar à pressa, de atirar breves &quot;Boas-Noites!&quot; aos meus velhos e saltar para a rua à procura dos amigos com quem me entreteria até às tantas...Nessa noite a cidade do Porto era um autêntico deserto: tudo fechado - cafés, clubes, cinemas, teatros e, mesmo as igrejas, poucas celebravam a &quot;missa do galo&quot; à meia-noite. Nas ruas, nem viv&#039; alma!. Raros os automóveis naquela época e um ou outro eléctrico vazio que passava fazia-o com grande alarido de ferros e carris que, face ao silêncio pouco usual do ambiente, me parecia redobrado, avassalador, catastrófico..., estendendo-se no tempo à medida que o bruto se afastava, rua fora...Um ou outro solitário, que regressava de possível consoada em casa de um amigo, com quem fora partilhar a sua solidão, fazia-o furtivamente, rosto escondido na gola do sobretudo levantada, marcando a sua passagem com um ritmado &quot;tic-tac&quot; de tacões no passeio cimentado, apressado e esquivo, como que fugindo à solidão que o envolvia...
Era assim o Natal no meu Porto dessa época!...Para um boémio como eu, habituado à vida nocturna, não havia nada a fazer senão recolher tristemente a &quot;penantes&quot; ou nem sequer se atrever a sair à rua...E para a filosofia da minha mocidade de então, era, simplesmente, um dia a menos na Vida: os anos só tinham 364 dias, visto que as noites eram, para mim, o que então contava...
Em Freamunde era totalmente o contrário: toda a gente, após a ceia da consoada, vinha para a rua. Os cafés regorgitavam de gente. As famílias visitavam-se. Nos clubes havia alegria, confraternização, jogos, música...E à meia-noite, a &quot;missa do galo&quot; era como uma festa, com foguetes e tudo, a que não se podia faltar...Um espanto!...Inacreditável!...Um deslumbramento!...Tinha acertado com a terra que, ainda para mais, também me oferecia nas outras noites fortes motivos para estar satisfeito...Que diferença do Natal da minha mocidade!...E que longe tudo já está...! Como recordo aquela noite de Natal em que, ainda muito criança, jurei que havia de surpreender o Pai Natal a colocar os tradicionais brinquedos no meu sapatinho...
Juntos, minha irmã e eu, decidimos não pregar olho e ficamos de sentinela à espera da sua chegada...Mas o &quot;João Pestana&quot; era mais forte e, aos poucos, com os grãoszinhos de areia que trazia no saco às costas, lançava-os nos nossos olhos arregalados e lá nos foi obrigando a cerrar as pálpebras. De súbito, um ruído para os lados da cozinha, fez-me, penosamente, entreabri-las...Era meu pai que, já na cama, lembrava-se dos brinquedos e se levantara para os ir colocar nos nossos sapatinhos...Minha irmã já dormia profundamente quando ele passou pelo nosso enconderijo e pelos meus olhos toldados pelo sono e estupidamente abertos...
Mas, no dia seguinte, não me contive e confessei-o a minha santa mãe:
Ontem vi o Pai Natal chegar!...
Viste?! - duvidou ela.
Vi! Vinha em ceroulas! Se calhar já se ia deitar!...
Feliz Natal para vós, crianças que sonhais!...Feliz Natal para vós, Pai Natal em ceroulas!...

Fernando Santos - Coisas Minhas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O MEU PRIMEIRO NATAL EM FREAMUNDE</p>
<p>Uma das coisas que mais me impressionou quando, há quase quarenta anos, troquei o Porto por Freamunde foi a noite de consoada, a véspera de Natal.<br />
Ocorreu-me esta recordação pela proximidade desta tradicional festividade, em que todos prometemos a nós próprios sermos melhores no futuro, dedicarmo-nos mais ao nosso próximo, prestarmos outra atenção à miséria que nos rodeia, acabarmos com rixas e polémicas mesquinhas que, em comparação com a imensidade do Universo e com a brevidade da Vida, são miseravelmente insignificantes. E como este é o último &#8220;Fredemundus&#8221; antes do Natal, decidi recordar outros Natais e não hostilizar ninguém com os habituais reparos, nem responder a quem me tem hospitalizado: &#8211; hoje é &#8220;péssanga&#8221;, como se diz nos jogos infantis. A minha resposta aos meus (inimigos,não!) detractores, é o meu mais sincero desejo que tenham um Natal Feliz e possam, como eu, reflectir um pouco sobre a caricata inutilidade das nossas dissenções, o ridículo de alguns dos nossos argumentos, por vezes verdadeiras armas para nós próprios apontadas&#8230;Não: &#8211; hoje não respondo a ninguém! Hoje é Natal e eu desejo, de todo o coração, a maior felicidade e alegria a todos, mesmo sabendo que muitos &#8211; e tantos eles são&#8230; &#8211; não conseguirão alcançar o quanto aqui lhes desejo&#8230;Tempo haverá ainda para nos aborrecermos e para nos afastarmos estupidamente nesta sala de espera da Morte que é a Vida&#8230;Hoje não! Feliz Natal para todos! Feliz Natal para o operário e para o seu patrão! Feliz Natal para as crianças que nos ajudam com a sua beleza a suportar a Vida! Feliz Natal para os que têm letras a vencer! Feliz Natal para quem vai aumentar a sua fortuna neste ano prestes a findar! Feliz Natal para aquele canceroso sem esperança! Feliz Natal para o militar, que o vai passar de sentinela! Feliz Natal para o gatuno que me furtou o porta-notas! Feliz Natal para o polícia que me multou o carro mal estacionado! Feliz Natal para aquela simpática menina do quiosque que sempre me atende com um sorriso! Feliz Natal para os que estão na cadeia justamente! Feliz Natal para os que padecem de injustiças! Feli Natal para os irmãos Cavaco, os Victores e todos os infelizes assassinos, presos ou à solta! Feliz Natal para Otelo Saraiva de Carvalho e para os juízes que o julgaram! Feliz Natal para os que fizeram o 25 de Abril e nele acreditaram! Feliz Natal para os que se esforçam por o fazer esquecer! Feliz Natal para aquele pobre que dorme numa soleira de porta ou num banco de jardim! Feliz Natal para os que têm fome e para os que têm de recorrer aos sais de fruta Eno! Feliz Natal para quantos me lerem e para os que nem sequer sabem que eu tenho a impertinência de o fazer! Feliz Natal para mim e para os meus e para ti e todos os teus! E até, se possível para quem ia a acompanhar aquele funeral que passou ontem por mim! E, já agora, Feliz Natal para o que ia de pés para a frente e que deixou de poder desejar Feliz Natal aos outros!&#8230;<br />
O primeiro Natal que passei em Freamunde foi um assombro para mim. Até então, sempre tivera a noite de Natal como a mais aborrecida de quantas o ano tinha. Era a noite em que não valia a pena sair de casa, em que tinha de quebrar o hábito de comer o jantar à pressa, de atirar breves &#8220;Boas-Noites!&#8221; aos meus velhos e saltar para a rua à procura dos amigos com quem me entreteria até às tantas&#8230;Nessa noite a cidade do Porto era um autêntico deserto: tudo fechado &#8211; cafés, clubes, cinemas, teatros e, mesmo as igrejas, poucas celebravam a &#8220;missa do galo&#8221; à meia-noite. Nas ruas, nem viv&#8217; alma!. Raros os automóveis naquela época e um ou outro eléctrico vazio que passava fazia-o com grande alarido de ferros e carris que, face ao silêncio pouco usual do ambiente, me parecia redobrado, avassalador, catastrófico&#8230;, estendendo-se no tempo à medida que o bruto se afastava, rua fora&#8230;Um ou outro solitário, que regressava de possível consoada em casa de um amigo, com quem fora partilhar a sua solidão, fazia-o furtivamente, rosto escondido na gola do sobretudo levantada, marcando a sua passagem com um ritmado &#8220;tic-tac&#8221; de tacões no passeio cimentado, apressado e esquivo, como que fugindo à solidão que o envolvia&#8230;<br />
Era assim o Natal no meu Porto dessa época!&#8230;Para um boémio como eu, habituado à vida nocturna, não havia nada a fazer senão recolher tristemente a &#8220;penantes&#8221; ou nem sequer se atrever a sair à rua&#8230;E para a filosofia da minha mocidade de então, era, simplesmente, um dia a menos na Vida: os anos só tinham 364 dias, visto que as noites eram, para mim, o que então contava&#8230;<br />
Em Freamunde era totalmente o contrário: toda a gente, após a ceia da consoada, vinha para a rua. Os cafés regorgitavam de gente. As famílias visitavam-se. Nos clubes havia alegria, confraternização, jogos, música&#8230;E à meia-noite, a &#8220;missa do galo&#8221; era como uma festa, com foguetes e tudo, a que não se podia faltar&#8230;Um espanto!&#8230;Inacreditável!&#8230;Um deslumbramento!&#8230;Tinha acertado com a terra que, ainda para mais, também me oferecia nas outras noites fortes motivos para estar satisfeito&#8230;Que diferença do Natal da minha mocidade!&#8230;E que longe tudo já está&#8230;! Como recordo aquela noite de Natal em que, ainda muito criança, jurei que havia de surpreender o Pai Natal a colocar os tradicionais brinquedos no meu sapatinho&#8230;<br />
Juntos, minha irmã e eu, decidimos não pregar olho e ficamos de sentinela à espera da sua chegada&#8230;Mas o &#8220;João Pestana&#8221; era mais forte e, aos poucos, com os grãoszinhos de areia que trazia no saco às costas, lançava-os nos nossos olhos arregalados e lá nos foi obrigando a cerrar as pálpebras. De súbito, um ruído para os lados da cozinha, fez-me, penosamente, entreabri-las&#8230;Era meu pai que, já na cama, lembrava-se dos brinquedos e se levantara para os ir colocar nos nossos sapatinhos&#8230;Minha irmã já dormia profundamente quando ele passou pelo nosso enconderijo e pelos meus olhos toldados pelo sono e estupidamente abertos&#8230;<br />
Mas, no dia seguinte, não me contive e confessei-o a minha santa mãe:<br />
Ontem vi o Pai Natal chegar!&#8230;<br />
Viste?! &#8211; duvidou ela.<br />
Vi! Vinha em ceroulas! Se calhar já se ia deitar!&#8230;<br />
Feliz Natal para vós, crianças que sonhais!&#8230;Feliz Natal para vós, Pai Natal em ceroulas!&#8230;</p>
<p>Fernando Santos &#8211; Coisas Minhas</p>
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