Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Quem, até agora, melhor cantou a tesão na poesia portuguesa foi Florbela Espanca. O que faz todo o santo sentido.


SE TU VIESSES VER-ME…

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…


  1. 1 claudia

    Valupi, deixa-me dizer-te que às vezes fazes umas escadalosas combinações de palavras. Gosta de misturar o vernáculo de taberna ( cf. dito do Shark) e clássicos.

  2. 2 claudia

    Hã, esqueço-me das letras. Põe lá em cima um “n” a mais e um “s” final em Gosta. Obrigada! :-)

  3. 3 dina

    Essa hora dos mágicos cansaços é mesmo uma hora cá dentro.

    é pena os relógios do mundo não andarem sincronizados.

  4. 4 Valupi

    claudia, estás escandalizada com que palavras?
    __

    dina, é pena? Talvez não… Pensa no que seria um mundo todo sincronizado… seria assustador…

  5. 5 dina

    Tens razão. Vou tentar de novo:

    Essa hora dos mágicos cansaços é mesmo uma hora cá dentro.

    Gosto quando o tic tac faz sorrir outro tic tac mesmo quando não estamos na mesma hora.

  6. 6 z

    só tu meu lindo, para me lembrar o amar perdidamente, em que me perco e encontro tantas vezes

    mas eu é pau feito

    amanhã já estou sózinho outra vez e venho cá conversar, ando bem disposto mas numa confusão, a casa parece que vai ser vendida breve, amigos à mistura, amores que nem conheço, mordidas na almofada, e 5 textos para escrever para um museu

  7. 7 Valupi

    dina, esse tic-tac nas horas diferentes é a bela sincronia.
    __

    z, tens de agradecer à Florbela.

  8. 8 z
  9. 9 claudia

    Estou escandalizada com o complemento de objecto directo do título.

  10. 10 rvn

    val,
    que bem lembrada, caro amigo, essa nossa diva lúbrica, que cantou a tesão com a competência que poucos poetas tiveram na língua portuguesa. Ofereceste dois belíssimos exemplos, permite-me que acrescente mais um, para mim dos poemas mais sensuais de Florbela. Chama-se ‘Nervos d’oiro’, contém ‘toda a Arte suprema dos seus versos’ e reza assim:

    Meus nervos, guizos de oiro a tilintar
    Cantam-me n’alma a estranha sinfonia
    Da volúpia, da mágoa e da alegria,
    Que me faz rir e que me faz chorar!

    Em meu corpo fremente, sem cessar,
    Agito os guizos de oiro da folia!
    A Quimera, a Loucura, a Fantasia,
    Num rubro turbilhão sinto-As passar!

    O coração, numa imperial oferta.
    Ergo-o ao alto! E, sobre a minha mão,
    É uma rosa de púrpura, entreaberta!

    E em mim, dentro de mim, vibram dispersos,
    Meus nervos de oiro, esplêndidos, que são
    Toda a Arte suprema dos meus versos!

    (in Charneca em flor)

  11. 11 Valupi

    A tesão escandaliza-te, dizes. Faz todo o santo sentido.

  12. 12 rvn

    z,
    ‘eu é pau feito’???!!!!

  13. 13 Valupi

    Rui, magnífico reverso de um corpo em convulsão de prazer. Muito obrigado.

Leave a Reply





Aspirina box

Arquivos mensais

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo