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Entre os anos lectivos de 94-95 e 97-98, fui professor no Ensino Secundário. Passei por 5 escolas, trabalhei com perto de 100 professores e avaliei cerca de 700 alunos (20 a 30 alunos por turma, ou mais, com 7 ou 8 turmas por escola). Desse tempo, a experiência mais importante para o meu crescimento, como cidadão e como pessoa, foi a das reuniões de avaliação. Constatei diferenças de escola para escola, de director de turma para director de turma, de grupo de professores para grupo de professores. Como seria inevitável. Mas todos os episódios apresentavam uma característica que me fez querer sair do sistema de ensino na primeira oportunidade: havia uma fraude generalizada na atribuição das notas finais.

Em cada turma, aparecendo alunos com negativas recuperáveis — alunos com 3, 4, mas mesmo 5 negativas! — podia haver pressão para a alteração da nota. O director de turma perguntava se algum dos professores aceitaria rever a sua avaliação, adentro da autoridade do conselho de turma para ponderar os casos onde o chumbo poderia ser evitado. E evitar os chumbos era apresentado, ou tacitamente aceite, como sendo um benefício evidente, quase uma causa patriótica. Depois, via-se de tudo: desde aqueles que se recusavam a mudar a avaliação, passando pelos que faziam cenas e se mostravam constrangidos antes de a alterarem, até aos que alinhavam sem demora para despacharem a coisa. Foi a minha iniciação à quântica social: a responsabilidade colectiva das instituições a nascer da irresponsabilidade profissional dos indivíduos.


Professor recém-licenciado, não sabia nada de nadinha do ecossistema escolar. Tinha de ser desbastado, mas por mim. Nas escolas não há alma nem coração para corpos caidos do céu a caminho do inferno. É suposto que cada um se safe, seja lá como for, e de preferência sem incomodar o parceiro, pois, olha, chatices todos temos e, olha, problemas são mais que muitos, etc. e etecetera, e tal, aguenta, faz o que (não) podes. Professor que vai ocupar vagas de substituição, o meu caso, é um esguicho de óleo, está ali só para manter a máquina a funcionar. Não conhece ninguém, não sabe o porquê dos acontecimentos nem dos tormentos entre os bípedes à sua volta, não recebe a confiança dos colegas, não tem poder político na comunidade escolar, não vai continuar com os alunos no ano lectivo seguinte, não sabe quando terá de sair, a correr, por regresso súbito do professor substituído. Quando não é colocado, ou quando termina o prazo da substituição, não tem direito a subsídio de desemprego, fica a cravar os pais, cônjuge ou amigos para poder comer. E dele espera-se o mesmo que de todos os outros professores do quadro, perfeitamente adaptados ao meio, confortavelmente remunerados e caseiramente apaparicados pelos serviços da escola onde são magnos doutores: excelência pedagógica, científica, profissional e cívica. Porém, tudo isso sofri e voltaria a sofrer de bom-grado, alegre, pela subida honra de educar. Ser cúmplice da imbecilidade nacional é que não.

Ensinar é avaliar. Os dois conceitos podem ser vistos como análogos, pois não é concebível um processo pedagógico que não parta da avaliação dos objectivos disciplinares e do estado inicial do aluno, que não avalie os métodos e instrumentos requeridos e à disposição, e que não faça a avaliação, no final de um qualquer ciclo, da assimilação e aplicação dos conhecimentos e competências propostos. Aliás, o que os alunos esperam do professor, tanto em grupo como individualmente, na escola como fora dela, é sempre uma qualquer modalidade de avaliação, sempre. Esta semântica vasta, entrelaçando dimensões técnicas e éticas, exigindo recursos psicológicos e intelectuais, mesmo existenciais, é a perdição dos que recusam ser avaliados como professores.

Os professores sabem que as notas dadas aos alunos são um arbítrio. Mesmo nas disciplinas que permitem testes de rigorosa aferição quantitativa, o sistema educativo apela ao acrescento de outros factores e fontes de elementos avaliadores. Na prática, isso significa que o docente é um déspota iluminado, o monarca da sala de aula, criando ele próprio a lógica da sua avaliação. É a esta gente, especialistas em mentir, que o Governo está a dizer que vão ter de ser avaliados, e logo uns pelos outros. Compreende-se o horror que leva tantos para a rua: por um lado, o professor medíocre não quer ser confrontado com a sua falta de vocação e de capacidade; por outro lado, o professor disfuncional sente-se num meio hostil, não confiando no sistema, muito menos nos indivíduos que o constituem. As escolas estão cheias de pessoas que não queriam lá estar — que lá entraram, ou por lá se deixaram ficar, por inércia, falhanço e medo. Pessoas que fazem tudo para se aproveitar dos direitos da classe, nada para respeitarem os deveres da missão. E só quem nunca frequentou uma sala de professores pode continuar bovinamente alheado da falta de qualidade, científica e deontológica, dos que lá passam a caminho de mais 50 minutos de atraso de vida.

Fiquei fascinado com a dilaceração inevitável no processo educativo. Havendo, em média, 150 alunos por ano sob a minha responsabilidade, era impossível cuidar de cada um com o tempo que a sua individual situação requeria. As diferenças de classe social, ambiente cultural, relação familiar, desenvolvimento cognitivo, a basilar variação na competência de ler e escrever, originavam incontáveis injustiças. Era evidente: cada aluno precisaria de uma tipologia e método de avaliação exclusivos, únicos para o seu caso. Mas o sistema não comporta tal atenção, por ser logisticamente desmesurada, todos os sujeitos educativos tendo de ser uniformizados e despachados pelo resultado final. Assim, as notas atribuídas subsumem inevitavelmente os factores pré e para-escolares, o desempenho individual dos estudantes, o aleatório histórico, mas também o desempenho dos professores. Sobre este último aspecto, há um formidável aparato defensivo que permite iludir a influência negativa da docência numa qualquer avaliação que se realize, seja ela qual for. E também há o interesse comum das escolas em obter o maior número de aprovações. Porque quando se passa um deficiente de nível, passam os professores ao lado de eventuais problemas com esse aluno, com os seus pais e com o Estado — e podem ir a banhos sonhando-se competentes, aconchegados pelos inconscientes sorrisos das crianças que enganam, e sem um pingo de vergonha.

Num certo ano, numa certa escola, numa certa reunião, testemunhei a racionalização última do procedimento fraudulento. Perante uma situação de impasse — num desses casos de 5 negativas que passaram a 4, para depois conseguirem ficar 3, e demorando a que o terno fosse despido pelo duque — um professor explicou aos obstinados avaliadores que a reprovação com 3 negativas era a pior situação possível para os envolvidos e que se teria de evitar a todo o custo tal tiro no pé. Mais valia, então, que o aluno chumbasse com 5 negativas. E porquê? Porque com 3 negativas a probabilidade dos encarregados de educação virem protestar era altíssima. E qual seria o problema? Vários, e cada um pior do que o outro: obrigatoriedade de reunir com esse encarregado de educação em período de férias, improbabilidade de lhe conseguir explicar a situação, possibilidade de protesto para o Conselho Directivo, possibilidade de queixa para o Ministério, eventualidade de justificação de todo o processo de avaliação, os testes e grelhas e critérios e sumários do ano inteiro, perante um inspector. Cenário dantesco. Nada se podia conceber de pior do que ter de exibir a indigência profissional a uma autoridade estranha à alquimia do chumbo. Estava-se, naquela sala, num processo de enculturação: os mais sabidos explicavam aos néscios que os bebés não vinham de França, e que para serem feitos alguém teria de foder alguém.

Os professores são o espelho exacto da sociedade. A quase totalidade dos pais não espera que a Escola ensine, por isso não se envolve nem pede responsabilidades. Os pais não acreditam que 9 ou 12 anos de escolaridade tenham alguma relação com a noção de mérito. O que os pais pedem é que comam todos, que os seus filhos se safem. O estatuto social dos professores é reles, desautorizam-se pela conivência com a miséria moral onde vão buscar o pão, e qualquer chumbo aparece como uma injustiça — O que custa passar-me o rapaz, se os que passaram são todos iguais ou piores do que ele?!… A Escola não é um centro de formação do intelecto e do carácter, não ensina a ser pessoa ou português, não gera adultos nem cidadãos. É uma forma de obter licença para procurar salário, nada mais. Depois, no mercado de trabalho, funcionam as lições da obnóxia cunha, essa verdadeira escola de vida. Aí, sim, os ex-estudantes competem na disciplina e aplicação, na investigação e aprendizagem. E tiram, com aclamação geral da família e amigos, o curso superior de corrupção.

A Escola devia concentrar-se em criar seres humanos corajosos. Muitos professores têm coragem, porque muitos portugueses têm coragem, porque muitos seres humanos têm coragem. Mas aqueles que recusam ser avaliados, são uns cobardes. Estragam-nos a canalha miúda.


  1. 1 susana

    há dias ouvi a representante da associação nacional de professores mais um representante do s. joão de brito, na sic notícias. a senhora respondia que os professores não se recusavam a ser avaliados, até porque essa avaliação estava prevista desde há muito, apenas não tinha sido ainda aplicada. isto revela que o problema é mesmo o da sua aplicação. surpreendeu-me que com tanta sapiência no olhar não tivesse sido capaz de responder a uma única pergunta com uma proposta; só disse que o problema era «o como», que tinha que se fazer as coisas com calma, etc. ora, se as coisas devem ser feitas com calma e o diploma está aprovado há muitos e muitos anos, tal como a senhora referiu, não faria sentido ter sido a própria associação de classe a estabelecer as regras, tal como o fazem as ordens de outras classes profissionais? e se o diploma está aprovado há tantos anos como dizia, não foi esse tempo suficiente «para se fazer as coisas com calma»?
    de realmente útil apenas disse que havia um problema na avaliação de professores, a dúvida de esta poder ser efectuada por pares. que dos professores se pode esperar terem formação e competência para avaliar alunos, mas talvez não os próprios professores.

    daquilo que contas também tenho sido testemunha, ao participar nos conselhos de turma como «mãe de turma». e verifico que a professora de português não facilita, porque «tem medo de os resultados nos exames nacionais revelarem uma grande discrepância entre classificações», tratando-se, agora, do 9º ano.

    posto isto, como em tudo há de tudo. e há professores esforçados, competentes e com vontade. por outro lado, assistimos, como vai sendo hábito nestas manobras reformadoras do executivo, à coisa feita atabalhoadamente, em cima do joelho. como estes diplomas que se tem visto aí pela net e pela comunicação social, em que há graves ambiguidades. isto comprova que os professores não têm, por norma, a competência para a elaboração de um documento que presida à sua própria avaliação. mas também que não se pode compensar o atraso com a precipitação.

  2. 2 Daniel de Sá

    Valupi
    Este teu artigo provocou-me dois tipos de angústia. A primeira, e mais dolorosa, foi a que resultou da verdade que contém cada parágrafo, cada linha do que escreveste. A segunda, a de pensar que é um desperdício se este texto, esta análise lúcida e exemplar, ficar apenas entre nós, os que por aqui passamos todos os dias.
    Preferiria que estivéssemos errados. Mas ambos conhecemos o meio o suficiente para saber que não estamos.
    Um abraço.
    Daniel

  3. 3 A. Castanho

    Angústia e muita revolta.

    Que contudo também precisa de tacto e contenção, para não deitar tudo a perder com a mais que compreensível raiva e imoderação.

    O sistema educativo português É UMA FRAUDE. Não adianta esconder mais esta trágica realidade. O mais importante é como regenerá-lo. Não será fácil. Nem possível, sem a colaboração empenhada dos Professores. Nem medidas corajosas dos governantes. Mas ponderadas e sensatas!

    Também passei pelo ensino, com paixão e brevidade, nos meados da década de oitenta. Parece-me que, de então para cá, as coisas só pioraram. Mas a descrição deste Artigo também assenta fielmente ao meu tempo de docente.

    Lamento que tudo isto tenha apodrecido tanto perante a indiferença geral dos eleitores e dos políticos. E dos intelectuais com responsabilidade social - jornalistas, comentadores, fazedores de opinião.

    A tarefa actual é hercúlea. Nem vale a pena perder tempo em busca de responsáveis pelo Passado: há que voltar os olhos para o Futuro, nada mais.

    Espero que os Professores compreendam que aquilo que têm a perder nesta guerra virtualmente perdida contra a revelação da ignomínia, que são os seus interesses particulares, não é tão valioso quanto aquilo que podem recuperar, que é o respeito e o prestígio da “classe” a que pertencem.

    E espero também que os governantes saibam o que estão a fazer. Já ninguém tem certezas firmes quanto a isso. Agora poupem, enfim, a Educação às manobras interesseiras e mesquinhas das lutas partidárias. Basta!

    A bem do nosso Futuro como Povo, País e Cultura.

  4. 4 catarina c

    Mgnífico texto, Valupi. E aterrador.

  5. 5 Nik

    Muitos professores são mesmo canalha sem préstimo, só estão ali para ganhar o deles e boicotar tudo o resto. Outros, menos numerosos, trabalham a sério, dedicam-se, empenham-se, interessam-se pelos alunos, que é para isso que deviam servir as escolas. A FENPROF, que não representa sequer 25% dos professores, fomenta o predomínio dos primeiros, defendendo desde sempre a progressão por antiguidade, o aumento de regalias, a diminuição de horários, a gestão anárquica, a irresponsabilidade geral. Avaliação, só se for feita pelos sindicatos. Há 30 e tal anos que a FENPROF e quase todos os outros sindicatos de professores boicotam tudo o que, sob qualquer ministro, o Ministério da Educação pretende fazer para melhorar a situação do ensino. Nunca apoiaram uma reforma, é obra. Algumas reformas, se calhar, não eram boas, mas eles denigrem e boicotam TODAS, sem excepção, há 30 anos. Quando uma reforma é evidentemente boa e necessária, eles dizem que não são contra o princípio, estão é contra o modus faciendi, contra o ritmo, contra a calendarização, contra a falta de diálogo, contra a cara do ministro ou da ministra, que é feia e má. 200.000 profs constituem o maior contingente de assalariados que há em Portugal (construção civil incluída), com segurança máxima de emprego e um dos melhor pagos, comparativamente. Vão manifestar-se no sábado do Parque Eduardo VII ao Terreiro do Paço. Não faltem.

  6. 6 z

    Conheço muito mal o ensino secundário, só lá estive 3 ou 4 meses nos anos oitenta - creio que o teu texto é incisivo, Valupi, no melhor dos sentidos, e mais avassalador, mas isto é deveras preocupante e como índice, assustador:

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=924637&div_id=291

    Ando para aqui a phroneticar, desde que recebi um email do meu sindicato a encadear a lista de ‘novidades’ do ensino superior. O PM que não se iluda, não vou aplaudir carrascos do sistema neorwellianos.

    Temos engenheiro técnico ressabiado e eu vou-me a ele. Não agora que isto aqui é muito quentinho e não puxa a agonística mas daqui a uma semana já tou aí.

  7. 7 luis eme

    Não vale a pena escrever mais nada.

    Além do que o Valupi disse, faltava a parte mais “negra” do ensino, muito bem complementada pelo Nik…

  8. 8 zazie

    Omo lava mais branco.

    Reformas de ensino, décadas de políticas erradas do ME, para nada. Reforme-se o povo e proteja-se o governo, que isto por aqui é para enganar o pagode.

  9. 9 zazie
  10. 10 shark

    Eu quero que se lixe: és uma delícia quando escreves com a alma e o coração de braço dado com essa carola magnífica.
    Rendo-te a homenagem possível, que este cabrão de texto é do melhor que li nos últimos anos em qualquer suporte de comunicação.
    Estou rendido.

  11. 11 teresa

    Acho que vou imprimir e afixar no placard da escola das minhas filhas…
    Podia nascer e morrer três vezes que não conseguiria dizer assim tão bem tudo o que penso.
    Valupi, o Rui Marques diz que há por aí uns espaços para criar uns partidos. Está tudo bem com o teu diploma?

  12. 12 Rui Fernandes

    Concordo com tudo mas discordo na importância que acreditas existir na avaliação dos professores com a qual no entanto concordo. Ela é comum em vários países e me parece um critério razoável de uniformização do critério de aceitação de entrada de professores no ensino público, tal como acontece em Espanha, em Itália, na Alemanha, etc. No entanto países como Espanha mesmo avaliando professores não solucionam o problema da falta de qualidade da educação. No informe Pisa Espanha apenas está um pouco melhor que Portugal… O verdadeiro problema Valupi é a degradação do critério de exigência na avaliação dos alunos, e isto apenas está parcialmente ligado com a falta de avaliação dos professores. Na verdade se trata de algo que veio de cima, é ideológico e gerado pelas políticas educativas dos últimos anos. Não é um problema só português mesmo que em Portugal seja mais grave que noutros lados na mesma medida aliás que quase todos os problemas gerais europeus são mais graves em Portugal… Quem conhece a realidade finlandesa, paradigma de sucesso na educação, me disse aliás que o que mais lhe chamou a atenção é a forma como os professores lá “ainda” são idolatrados, sua palavra é lei, etc… Coisas muito modernas não? É por esse tipo de coisas que considero que a política educativa deste governo que quer avaliar professores, o que me parece bem, é no mais importante um atraso ao que havia antes já que sistemáticamente coloca em causa em vez de potenciar o que é mais importante: a capacidade e o poder dos professores. É que também fui aluno e jovem e sei que existe algo mil vezes pior que um mau professor: um professor bom ou mau (isso deixa de ser importante) sem nenhum poder. Um mau professor com poder para “chumbar” um aluno se não estuda nem sabe nada (se pode aprender sem bons porfessores e por conta própria, isto até é um exercício relativamente saudável) até nem é tão mau assim. O pior de tudo é que a cultura de facilitismo cria um caldo de mediocridade que contamina tudo, em sentido vertical, horizontal, tudo. Diplomas universitários que não valem nada, futuros professores que não valem nada, futuros alunos que não valem nada, futuros pais que não valem nada, futuros votantes que não valem nada, futuros políticos que não valem nada, etc, etc. Tem que haver um ponto em que alguém diga, ok, os nossos professores são maus, a nossa universidade é má, tudo é mau, mas isso não é desculpa: porque tu, aluno, terás que ser bom. Eu sei que isso não acontece da noite para manhã, mas tem que começar a acontecer em alguma obscura noite para acontecer em alguma luminosa manhã. Não?

  13. 13 claudia

    Valupi, deixa que eu te tire o chapéu pelo texto. Logo eu - coincidência - que ando revoltada com a escola das cunhas, a escola dos sem carácter ou dos oportunistas sem vergonha na cara. O curso superior de corrupção também muito procurado. Todas as vagas são preenchidas. Não fica uma vaga para quem quer “singrar” na vida.

  14. 14 Sílvia do Carmo

    Jovem Valupi,
    Se eu não tivesse que ir dar aulas daqui a poucos minutos, respondia-te.
    Mais logo vou tentar fazê-lo. Mas já te vou dizendo que nunca foste professor. Foste, na verdade, um licenciado que deu, digo, vendeu umas aulas aqui e ali e mais nada. Ser professor requer muito mais.
    Ai, ai, Valupinho, afinal és um tretas…

    Até depois.

  15. 15 zazie

    O Valupi é um homem com muitas vidas sempre que precisa de vender o peixe. Aqui era jovem recem-licenciado em 94.

    Aqui, tinha conhecido os terrores da Pide:
    Nos finais de 60, numa aldeia algures no Ribatejo, o meu pai estava com a minha mãe e a minha avô à porta da casa desta, na rua. Estávamos nas despedidas e falava-se de mim. De repente, o meu pai começa a falar alto, exaltado, dizendo que éramos governados por uns “malandros”, uns “bandidos” que mandavam miúdos para morrer em África, prendiam pessoas, que isto e que aquilo. Em pânico, a minha mãe e a minha avô logo o mandaram calar, tentando acalmá-lo. E a minha avó disse-lhe desesperada: “Não diga isso, que “eles” levam-no e espetam-lhes agulhas por baixo das unhas!”.
    Lembro-me como se fosse hoje. Foi a minha iniciação à PIDE. Mais tarde tive a sorte, e a honra, de conhecer verdadeiros revolucionários, daqueles de que não reza a História, mas que participaram activamente na noite de 24 para 25. Alguns deles, verdadeiros lutadores pela liberdade, nunca conseguiram respirar dentro dos partidos, e rapidamente estavam excluídos de qualquer banquete do poder, passando a ser perseguidos pelos novos tiranetes. Faço só uma singela homenagem a um deles, o Hermenegildo Gomes, realizador da RDP (posto na prateleira logo nos começos de 80) à altura da sua morte, há uns anos atrás. Ele era homem que viveu no circuito boémio do Ary dos Santos e congéneres, conheceu uma geração de pessoas a todos os títulos notável e hoje completamente esquecida. O Fernando Alves fez-lhe uma bela homenagem póstuma na TSF.

  16. 16 zazie

    Ele é mais professor de língua do “inginheiro”.

    Como sabe que tem pategos a ouvi-lo vende este peixe mal-amanhado sem precisar de falar, uma única vez, nas políticas para a o ensino da responsabilidade do Estado e de tantos (des)governos.

    Se o ensino está mal, mude-se de professores. Se o país está na cauda da Europa, mude-se de povo.

    É assim que os situacionistas branqueiam aqueles para quem “trabalham”.

  17. 17 ziridum

    É o desespero. O governo põe o poder na rua, contrata os primos do V.M., e amanhã temos a manif dos profs e a anti manif dos pró-gov. Só espero que não sejam os mesmos que encheram o Altis nas intercalares para a Câmara de Lisboa.
    Já não há pachorra para estes Valupis rejuvenescidos.

  18. 18 z
  19. 19 z

    E quem é que despede os dirigentes?

    devia ser os utentes, isto só é valido se o sserviço for avaliado pelos utentes, sendo imputada a avaliação nos dirigentes?

    http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321887&idCanal=57

  20. 20 Valupi

    susana, também vi esse debate, ou, na verdade, dupla declaração, da senhora e do senhor. E pareceu-me evidente que a senhora estava a dizer que a avaliação fica bem é no papel. Tudo o que seja tentativa de a concretizar, será implacavelmente combatido.
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    Daniel, estas considerações não têm novidade. Outros, e em condições de maior responsabilidade e autoridade, já as expressaram faz tempo. Creio que todos sabemos do desprezo a que a escola tem sido votada pelas populações. É a única explicação para o fracasso educativo.

    Educar é uma das mais realizadoras actividades; como tu tão bem sabes, intuo. São esses, os da vocação, que devem entrar no debate e defender o seu ideal, feito vivência, que a tantos faz crescer.

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    A. Castanho, é como dizes: indiferença generalizada, falência política, confusão estratégica e aproveitamento demagógico - eis o resumo dos últimos 30 anos.
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    catarina, aterrador mas não desesperado.
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    Nik, tens toda a razão. Os sindicatos são a outra face do salazarismo.
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    z, essa das polícias nas escolas é uma história muito mal contada.
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    luis eme, concordo: curial complemento do Nik. Mas falta sempre dizer mais qualquer coisa, ou não fosse esta questão uma das mais complexas em Portugal, a par, e entrelaçada, com a da Justiça.
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    shark, deixas-me corado. E esse tipo de ocorrências não fica bem entre dois galarós como nós. (mas vou ficar com a medalha que tiveste a generosidade de me atribuir)
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    teresa, o Rui Marques é uma boa notícia, mas começou mal. Contudo, é ainda muito cedo para saber o que traz na lancheira. Quanto ao meu diploma, e posto que não tinha Inglês Técnico no currículo, tem tudo no sítio - e sem faxismo!
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    Rui Fernandes, concordo contigo: se o objectivo não for o de formar bons alunos, tudo o resto será um absurdo. E todos repetirão o mesmo estribilho. Porém, há vários caminhos para lá chegar, e essa diversidade é não só inevitável como bondosa. No que concerne a este Governo, estamos a assistir à primeira confrontação da História de Portugal entre uma política de responsabilidade e uma cultura corporativa da irresponsabilidade. São tempos da boa política, estes.
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    claudia, é isso mesmo: é toda uma sociedade cúmplice da corrupção, tornada regra do jogo, facto da vida.
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    Sílvia do Carmo, deixas-me um curiosíssimo comentário. Primeiro, o “jovem”. Qual o termo de comparação que estás a usar? Se eu sou jovem, o que serás tu? Segundo, o “requer muito mais”. Muito mais do que o quê? Do que escrever um post? Terceiro, o “Ai, ai, Valupinho, afinal és um tretas…” Afinal? Mas, no final de quê e porquê e para quê e quê?

    Como vês, tens mesmo de voltar para me dares umas lições.
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    zazie, começa a preencher os papéis para doares o teu cérebro à ciência. Os teus neurónios não admitem a possibilidade de alguém ter memórias dos finais dos anos 60 e, em concomitância, ter acabado uma licenciatura em 1995 (já com estágio feito, pronto, fique mais um detalhe biográfico para a tua obsessão). Isso tem óbvio interesse antropológico e neurobiológico. E se doares o cérebro em vida, não só fazes uns cobres como passas a andar com a cabeça mais arejada.
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    ziridum, disseste coisas certas e importantes. Sendo só de lamentar que as certas não tenham sido importantes, e que as importantes não estejam certas.

    (sim, estou a viver uma fase de rejuvenescimento, como esta piadinha de preparatória ilustra)

  21. 21 Ruy Ventura

    Como diria Cesário Verde, o texto que aqui comento vale apenas um desdém solene. Valupi, homem ou mulher…, mostra com o seu texto apenas que foi um paraquedista do ensino que, ainda por cima, não se adaptando ao terreno onde caiu, ficou com marcas profundas.
    Sobre a avaliação, registo apenas que os professores se governam com as regras que ao longo de anos lhes têm sido impostas por uma tutela cujo objectivo é melhorar as estatísticas baixando o nível de exigências. Os cenários relatados, que correspondem à realidade exterior, mas não à interior, correspondem apenas à angústia dos professores quando se vêem perante o dilema de avaliar correctamente, desobedecendo a filosofia do ministério, ou benevolamente, fazendo o que o dono quer.
    Gente como o senhor ou senhora Valupi são bem o peões de brega que Sócrates e Maria de Lurdes desejam. Gente que foge das salas de aula como o diabo da cruz, mas gosta de dar porrada nos que lá ficam.
    Insultos e insinuações, como as registadas no texto e nalguns comentário, são honras para a maior parte dos professores que, apesar de achincalhados por uma sociedade que abomina os transmissores do saber e os promotores da liberdade de pensamento, não se vergarão.

  22. 22 Ruy Ventura

    Peço desculpa por algumas gralhas, mas o meu pensamento penso que não saiu gralhado.

  23. 23 zazie

    Pois é. Este último grau que adquiriste é tão arejado que deve ter saído na mesma rifa do do teu engenheiro.
    Serve para lavar mais branco.

    Mas, és tão patusco nessa singeleza com que fazes redacções para engrominar os tolos, que até faz lembrar aquela piada do Groucho: Now there’s a man with an open mind - you can feel the breeze from here! …

    (mas, aqui para nós, os totós até gostam que lhes comam as papas na cabeça)

  24. 24 Valupi

    Ruy Ventura, “Valupi” foi alcunha descoberta em mulher (”Maria Valupi”), e aqui usada por um homem. Quanto ao que dizes, convido-te à releitura das tuas palavras e ao exercício de as veres na sua objectividade: nada dão que pensar.
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    zazie, que representas a brigada do reumático coscuvilheiro, já não é notícia. Mas que sejas uma “attention-freak”, é a novidade da “saison”.

  25. 25 zazie

    Pois, mas ao menos não disfarço nem ando para aí a armar ao garino, recém-licenciado só para vender banha da cobra de apoio a um (des)governo de trampa.

    E não sou coscuvilheira. Aquele debate com o Tcher foi baseado num post que eu fiz. Está linkado, tem um nome: cocanhazie, é perfeitamente natural que o tivesse lido. Qualquer pessoa pode lá ir e confirmar.

    E nem falaria nessa patranha que tens andado a vender, não fosse agora o caso ser mais descarado. Ainda no outro dia também me dizias que dos anos 60 só poderias saber alguma coisa lendo num livro. E eu deixei passar, porque não tenho nada a ver com carecas armados em “canalha graúda”.

  26. 26 Valupi

    Mas qual é a parte da cronologia que te baralha? Achas assim tão difícil ter memórias do final dos anos 60 e nada poder saber deles a não ser pelos livros? Se isto para ti é complicado, como fazes para pedir um café ao balcão?

  27. 27 susana

    sílvia do carmo, acerta num ponto fundamental. embora não possa saber se o valupi foi ou não professor, o que se resumiria a ter conseguido que os seus alunos obtivessem as aprendizagens requeridas pela disciplina de acordo e em proporção com o seu potencial cognitivo, expressivo e intelectual (e isso a sílvia não sabe, deve saber apenas que não é a frescura o que diminui a competência, bem pelo contrário), acerta nesse problema de muitos ditos «professores» serem apenas licenciados colocados no ensino. a vocação não é fácil: implica que se seja apaixonado pelos conteúdos, pelas pessoas e pela transmissão. exige, também, muita estaleca e só posso concordar veementemente com quem, acima, refere a necessidade de o professor ter poder na sala de aula. este poder deve ser restabelecido.
    a quem, até no exercício da actividade docente, venha contestar o império da mediocridade nas fileiras dos docentes, recomendo o seguinte exercício: lembram-se de quando foram alunos do secundário? e qual a proporção de bons professores que tiveram? (vistos assim, rectrospectivamente, com o necessário distanciamento afectivo.) ah pois. pouquinhos, não foi? pois nada mudou. ou pelo menos não para melhor.

    temos ainda um outro problema na actualidade: os professores formados pelas escolas superiores de educação, aqueles que vão para os níveis de ensino acima do EB1. são professores que já vêm profissionalizados e que em muitos casos foram parar àquelas escolas porque não tiveram média para entrarem em cursos de especialização curricular. mas, no entanto, passam à frente dos licenciados nas matérias específicas, que têm que fazer o estágio para ficarem em pé de igualdade. algumas universidades, por causa disto, já criaram a «via ensino» no último nível de especialização, que se substitui à profissionalização, o que é uma reacção aconselhável.

    como anedota, lembro uma entrevista de rua a que assisti numa ocasião passada de protesto de professores. muitos tinham ficado de fora nas colocações e o repórter dirigiu-se a uma senhora. esta disse que era professora de português há vários anos e que agora a impediam de exercer a sua profissão, era a sua, não tinha outra. à pergunta sobre o seu grau académico, respondeu «ora bem, eu obti a licenciatura em…».

  28. 28 z

    Valupi, há um problema de fundo que tem de ser contrariado desde já. Admitamos para simplificar o exercício da excelência, a arête, que se traduz numa ‘aristocracia’, o governo dos ‘excelentes’ (nos serviços e nas escolas), como sabes isso degenera imediatamente numa oligarquia (o governo de uns poucos, que ficam agarrados aos tachos e manobram bem de bastidores: os medíocres, secundários, frustrados e vingativos, conservadores numa palavra).

    É essa degenerescência que em tempos neorwellianos pode ser muito perigosa, veneno substantivo de muito quotidiano, com a escalada subjectiva que poderás imaginar,

    só se contraria a transição aristocracia-> oligarquia com a democracia

    os dirigentes têm de ser um lugar transiente senão isto fica insuportável

    bom, vou preparar-me para o ataque

  29. 29 zazie

    A parte da cronologia que baralha não é a mim. A mim não me baralhas nada e nem tenho nada a ver com o teu legítimo desejo de disfarçar a careca.

    É apenas a lata com que tu dizes tudo e o seu contrário, combates um passado mal-arrepdendido, para andares para aí a vender a banha-da-cobra da situação, fazendo estes nºs de circo.

  30. 30 zazie

    Claro que sabes que estás a falar para a plateia das “modas & bordados” que fica de boca aberta com o “estilo” da redacção e nem se pergunta qual a responsabilidade dos governos na vergonha do Ensino que temos.

    Limitaram-se a bater palmas num corporativismo bacoco contra os profs que não são, sem se preocuparem em verificar a absoluta imbecilidade desta pseudo-reforma.

    Para o caso, também não sou parte interessada. Nem como prof nem como “encarregada-da-educação”.

    Sou parte interessada como cidadã dum país a ser escavado há muito por todos estes irresponsáveis a quem a tua redacçãozinha nem precisou de nomear- Fazes política de cordel, para vender aos corações cor-de-rosa.

  31. 31 Valupi

    Lata é a tua, que vives em suave esquizofrenia. De mim já disseste que tinha 50 anos, era católico, ou ex-católico, comuna, ou ex-comuna, gay, ou homossexual, de direita, ou de esquerda, e fora o que felizmente já esqueci, mais o seu contrário, pois.

    Enfim, o preço da fama, né?

  32. 32 andre

    É um copo meio vazio o que se mostra…

    Em 94/95 ainda havia escolas sem bibliotecas, sem cantinas, sem salas sem professores (com o 12 ano já se podia dar aulas…)Os objectivos não eram tanto a qualidade da educação mas o “meter” os alunos nas escolas…Neste contexto, mais importante que as “notas” dos alunos a cada disciplina eram outras competências mais transversais (e muito mais básicas mais vale um aluno na escola que fora dela). 97/98 foi há uma eternidade. Hoje o paradigma deve ser outro, já há escolas, pavilhões, bibliotecas, muitos professores (apesar de muitos casos dramáticos), os professores já estão mais estáveis (há apenas 2 anos!) e o 12 ano já é (sem ser obrigatório) uma meta dos alunos…

    Já há escolas mais exigentes (se calhar ainda exigentes demais, para a nossa realidade, ainda não somos a “Suiça”), mesmo nos novos (deste ano) Cursos Profissionais e nos CEFs, melhor preparadas, com melhores resultados…Comentar a Escola com os olhos de há uma década como professor, ou quando fomos estudantes é um exercício inútil e em muitos casos imbecil…

    No entanto as coisas ainda não estão tão bem como nós achamos que deveria estar (qual é o sector que em Portugal está), por isso amanhã irei de Faro até Lisboa à manifestação “salazarista” (conforme li algures por aqui) reivindicar , não só uma avaliação de professores útil (o menor dos problemas actuais, mas o que tem mais soundbytes), uma escola democrática (ver gestão das escolas), mais inclusiva (ver Lei da Educação especial) e multidisciplinar (ver Lei do Ensino Artístico).

    Não vou gritar “Ministra para a Rua” porque embora não lhe reconheça (nem à sua equipa) competência para o cargo, creio que a sociedade portuguesa tem mais a ganhar se se conseguir resolver uma crise sem proceder a uma chicotada psicológica…

  33. 33 zazie

    Eu não quero saber absolutamente nada de ti. Nunca tive a menor curiosidade. Apenas li os posts porque fui linkada.

    E, de ti, até posso confirmar que nunca teria a menor curiosidade em conhecer, precisamente porque já te “conheço” por escrito.

    O resto é feeling que vem com o tom misógino, e foi apenas a propósito da misoginia a defender a ideia de obrigar as mulheres a “chocarem filhos” para os outros quando os não querem que disse isso- que cheirava a léguas que não gostas de mulheres.

    Lê isso como entenderes. Por mim, é palha. Esta aqui, na redacçãozinha de encomenda à “inginheiro” é que não foi palha.

    Se assim não fosse podias continuar para aí com o nº de garino que era igual ao litro. E também não me atinges com reumáticos porque aí, sim, nota-se que a careca te incomoda.

  34. 34 z

    bem, para começar promova-se o meneses a Menezes, vá lá

    eu desde que me doutorei fui sempre avaliado pelos meus alunos todos os anos, numa sérir de itens, anonimamente, num inquérito processado por uma empresa, e achava bem, recebia os resultados no ínicio do ano subsequente e procurava melhorar coisas

    e acho

    mas antes de me porem na rua aconteceu lá uma coisa, contra todos os resultados anteriores, contra toda a lógica, e contra a experiência sensível, que só pode querer dizer que resultados desses podem ser manipulados pelos oligarcas do sítio, nos bastidores

    fico na dúvida se é Salazar ou KGB, very similar

  35. 35 Valupi

    Acho que é a ti que a careca incomoda. Para quem não quer saber nada de mim, dás-te a muito trabalho para encontrares folículos no meio dos posts. Talvez tenhas de impedir esse arriscado fenómeno de seres linkada, pois foge-te o chinelo para a peixeirada logo a seguir.

    Outra coisa: eu não sou responsável pelas tuas alucinações, por isso não me venhas pedir dinheiro para os remédios. Essa de me imaginares a obrigar mulheres a ter filhos não lembra, e de facto, ao careca.

  36. 36 zazie

    pois é… espalhaste-te ao comprido com mais esta lambidela ao inginheiro e sus muchachos…

  37. 37 Valupi

    andre, fazes muito bem em protestar. E não há vergonha nenhuma em se ser salazarista. Milhões de portugueses continuam a sê-lo.

  38. 38 andre

    Valupi

    Não sei se milhões de portugueses continuam a sê-lo, mas ao contrário de ti penso que é uma vergonha ser salazarista, em Portugal, no século XXI.

  39. 39 Ruy Ventura

    Para uma pessoa que se limitou a avaliar 700 alunos, tira conclusões pouco fundamentadas, logo, parte-se do princípio, baseadas em preconceitos ou em observações no mínimo impressionistas.
    1. Se foi realmente professor, sabe que legislação tem enformado a avaliação nestas últimas décadas e o quanto tem promovido a passagem dos alunos, mesmo sem conhecimentos solidificados.
    2. Se foi realmente professor, sabe que as “passagens ao colo” se devem, em grande medida, a essa legislação, que desresponsabiliza os alunos e as famílias, tornando-nos coitadinhos.
    3. Admito que existirão professores menos quantificadores na sua avaliação, mas a maioria está do outro lado, isto é, do lado do rigor e da promoção de um verdadeiro sucesso.
    4. Serão poucos os professores que rejeitam o princípio da avaliação. A maioria deseja-la, mas não deste modo. Quer por exemplos que os professores titulares não sejam os mais velhos mas os mais competentes e com melhor currículo académico e profissional. Quer que a avaliação não sirva para lhes cortar a possibilidade de promoção, mesmo que sejam excelentes. Quer que a avaliação não sirva para apagar das estatísticas o insucesso e o abandono que o governo deseja camuflar.
    Bom fim de semana!

  40. 40 andre

    …apesar de muitos de nós (incluindo eu) ainda nos deixarmos embrenhar numas teias salazaristas que nos toldam a razão e se atravessam no quotidiano…

  41. 41 susana

    isto que alguns têm dito também é verdadeiro: o «sucesso» escolar com “passagem administrativa” é algo que sucessivos ministérios têm advogado. e não se pode querer estatísticas favoráveis a par com rigor na avaliação; seria necessário aceitar um quadro realista das competências dos alunos, em primeiro lugar, e depois partir para a definição de estratégias a implementar. colocando-se, até, o cenário de uma escola diferente para alunos com menores capacidades, que a crença de todos terem o mesmo potencial já caiu em decadência. para aqueles que nunca aprenderão física, matemática ou literatura que se criasse, pelo menos, uma escola que lhes fosse de alguma utilidade. pois estes alunos passam por ali sem qualquer apreensão de coisa alguma. a isto, muitos respondem com a crítica de que é um princípio elitista, quando é apenas a realidade com que os professores se confrontam.

  42. 42 maria câmara

    Sou professora e das que mais contestam a classe. Porém, não posso deixar de me rebelar contra a leviandade com que aqui se fala dos professores. Não visto a carapuça nem acho que ela sirva à maioria de professores que eu conheço (e são muitos!). Só posso atribui-la ou a algum trauma, com efeitos retardados, de professor substituto, ou a ignorância ou a pura má-fé. De facto, quase ninguém, actualmente, com dois dedos de testa, e independentemente de ódios ancestrais, deixa de reconhecer que a política a que se assiste, no momento, contra a classe docente é uma autêntica caça às bruxas. Muito estranho, ainda, que relativamente ao ensino superior nem uma única alusão tenha sido feita. E, de facto, aí é que se encontram as maiores “misérias” a nível científico, pedagógico, humano. Creio que muitos dos que aqui comentam terão frequentado a Universidade e, facilmente, reconhecerão a verdade e justeza do que afirmo. Professores que dão umas aulas por desfastio, nos intervalos das suas verdadeiras e rentáveis ocupações; avaliações que são feitas arbitrariamente, mediante técnicas do tipo roleta russa ; um uso e abuso de poder a raiar o absolutismo e o despotismo; um desrespeito total pela identidade dos alunos… Enfim, um sem número de atrocidades que faz com que uma sem número de alunos reconheça, na fase universitária, que o(s) seu(s) antigo(s) professor(es) afinal era(m) um(uns) indivíduo(s) porreiro(s). Mas, quanto aos professores do ensino superior, “moita carrasco”. Se calhar, se não faltasse aos do básico e secundário a arrogância e desumanidade que aos do ensino superior sobejam e com que mascaram, muitas vezes, a sua incompetência, aqueles professores seriam mais apreciados e repeitados. É que, para uma certa mentalidade de parvónia, o “dar-se ares” continua a resultar.
    Alude o sr Valupi a uma experiência pedagógica por que passou, não tardando a extrapolá-la como se ela fosse prática corrente : um conselho de turma onde os respectivos professores ponderavam a retenção de um aluno com cinco níveis negativos. Ao invés de ver nisso alguma preocupação humanitária( excesso de zêlo, eu diria mesmo) larga de, num crescendo, cascar a torto e a direito numa classe inteira. Com efeito, é prática comum, sempre que um aluno está na iminência de reprovar, o Conselho de Turma ouvir os intervenientes a fim de com mais rigor percepcionar o perfil do aluno, as potencialidades dele, etc,etc… E isto por razões de vária ordem: receio de se cometer uma injustiça, de não dar uma oportunidade quando ela era tão oportuna( passe a redundância) e, até, por imposições legais pois a lei diz que a atribuição de qualquer nota é da competência do Conselho de Turma, sendo o professor de cada disciplina apenas um proponente de uma avaliação(a da sua disciplina). Além disso, das reuniões são lavradas actas onde constam as exclusões e as justificações dos professores que atribuiram percentagem de avaliações negativas iguais ou superiores a 50 por cento. Mesmo que a justificação seja a burrice e o desinteresse dos alunos generalizadamente reconhecidos. É claro que ocorrem, por vezes situações extremas como aquela que leva os professores a reapreciarem o caso de um aluno com 5 níveis negativos. Isso também me incomoda. Mas pergunto até que ponto essa não é uma situação extrema e ditada pela pressão de apresentar números para estatísticas de sucesso a que professores e escolas são constantemente submetidos numa política de faz de conta que vai, sucessiva e sistematicamente, promovendo o facilitismo e a mediocridade e em que “sob a nudez forte da verdade está o manto diáfano da fantasia”? A esse propósito, recordo que a nível do básico( só recentemente o soube) um professor só pode reter( eufemismo para reprovar)uma determinada percentagem (5 por cento, salvo erro) dos alunos e, só depois da aquiescência dos pais. E, mesmo, observando esses “extraordinários” requisitos, arrisca-se ele professor e ela, escola, a terem a respectiva reprimenda. Por causa dos números, exacto. E isto não é enfabulação, asseguro.
    Sabe-se que com a democratização do ensino, com os rendimentos mínimos, com a cada vez maior ocupação dos pais que não têm tempo para os filhos e , quando o têm não sabem o que hão-de fazer com eles, a Escola tornou-se um autêntico valhacouto. E os professores têm que endireitar o que muitas gerações e educações entortaram, num pluralismo de aptidões só rivalizadas com as dos palhaços nos circos: têm que ser literatos, cientistas, pedagogos, psicólogos, sociólogos, sexólogos e o diabo que os carregue! É muito mais que dois em um : é cinco ou seis em um. Convenhamos que mão de obra muito barata!
    Enfim, muitíssimo mais teria a dizer. Falta-me o tempo, por ora , e talvez uma dose de paciência ( que essa é-me esgotada pelos vossos filhos!).
    Assim, termino com uma advertência: RESPEITINHO QUE EU SOU PROFESSORA.

  43. 43 Valupi

    andre, ser salazarista é ser um português do século XX, nos moldes tematizados pelo José Gil. Claro que te estava a provocar, mas usando a realidade. Milhares de professores presentes na manifestação deste sábado serão profissionais de vocação e talento, nem discuto. Mas todos coniventes com o marasmo, isso é inegável. Porque errar é humano, como se aprende nas boas escolas.
    __

    Ruy Ventura, o teu raciocínio começa por invocar o argumento de autoridade, como é apanágio dos fracos. E depois lanças as culpas para o Governo, como é típico dos irresponsáveis. O facto permanece: nenhum professor se movimentou para implementar um programa de avaliação de desempenho docente, mas todos se apavoram com este Governo por ter ousado afrontar a miséria educativa.
    __

    maria câmara, agradeço a confirmação de tudo aquilo que eu escrevo acima. É algo pelo qual terei muito respeito.

  44. 44 andre

    desculpa não percebi a provocação…

    bom fim de semana para todos…

  45. 45 Marisa B.

    Excelente texto. Sou prof no superior mas tenho muitos ex-colegas no básico e secundário que sempre me contaram historias idênticas.
    É por isso que os gabirús já começaram a chegar as Universidades (não estou a falar da independente e quejandas). Nunca foram travados nem avaliados. Nem por pais nem por profs. E depois queixam-se da incompetência e da corrupção! Tudo isto se começa a fabricar na escola!

  46. 46 Lia

    Vou ter que voltar a ler este texto com atenção porque sou professora e fiquei muito magoada com o que li.Mas não quero ser precipitada porque li muito rapidamente.
    Só duas perguntas: é dos que acredita que o caos social é culpa dos professores?
    Qual o motivo pelo qual não ficou na escola a empenhar-se na tarefa de formar cidadãos conscientes?
    Mas como já disse, eu volto cá.

  47. 47 cândida

    tá bem, confesso: a culpa é minha.

  48. 48 zazie

    Por aqui foi preciso este senhor Valupi ser professor em 94 para conseguir compreender um sistema de ensino que conhece desde o início.

    E, falar-se em reformas de ensino por avaliação milagrosa de profs desta maneira atabalhoada, sem se tocar no gigantesco cancro do ensino que são as escolas de Ciências de Educação, com todo aquele eduquez da nossa desgraça só não é piada porque é encomenda.

    O Ministério da Educação está há décadas cativo do grande cancro- os pedagogos, todas essas pedagogias de Benaventes a presentes, todas essas reformas de Robertos Carneiros adiante; toda esta doutrina para inglês ver e preencher estatísticas.

    Não se tocar nisto e resumir esta avaliação a uma culpa de uma classe profissional, cujos males se descobriu enquanto recém-licenciado nos anos 90 e nunca se notou 30 anos antes, é gozar com as pessoas.

    Ainda que, no contexto de um blogue e no da “poesia” para quem se debitam estas enormidades, nem seja nada de especial.

    Uma mera brincadeira que só deve preocupar quem vem aqui para ler análise política escrita pelo Valupi, sem saber que ele só faz agit prop para tolinhos.

  49. 49 zazie

    Aliás, se ele tivesse escrito apenas isto: é preciso poupar e cortar e está tudo errado há décadas.

    Fechem-se todas as escolas de Ciências da Educação e mande-se para a rua todos os pedagogos do ME eu aplaudia.

    Só assim. Agora poupar nos fósforos mantendo o monstro bem vivo e ainda tendo o descaramento de dizer que os profs é que nunca fizeram nada, é gozar com o pagode.

  50. 50 susana

    cândida, essa é uma afirmação derrotista (sei que é irónica, mas está também a personalizar a crítica). repare: diz que há uma a estatística esperada nas reprovações. segundo diz, ela é mesmo imposta. no entanto, como sabemos, um dos erros crassos, que aliás também refere a respeito do ensino superior, é a passagem de alunos que nada sabem, por «compreensão das injustiças sociais, etc.». estes alunos vão parar ao ensino superior. se calhar acontecer nesse sistema situações análogas, estes podem inclusive chegar a docentes universitários, perpetuando o estado das coisas e por aí fora.

    ora não será a primeira medida de um corpo docente que se quer, a si mesmo, íntegro clamar pela alteração dessas condições? recusar-se a compactuar com tais directivas, essas que implicam a aprovação de alunos que não detêm as competências mínimas exigidas por cada disciplina? por que razão os professores não fazem manifestações por semelhante exigência? não será por adesão, calada, ao facilitismo?

    é algo que eu procuro sempre aferir, como docente, independentemente da simpatia, do reconhecimento do potencial e outras variantes individuais do aluno: quais são as aprendizagens que constituem os requisitos da disciplina que lecciono? a partir daqui não é difícil saber se aprovo ou não os alunos. e se não obtiveram as ditas aprendizagens só beneficiarão da continuação no mesmo nível de ensino, até que aprendam alguma coisa. a manutenção eventual da sua ignorância será mais um atestado de ter tomado a decisão certa ao não lhes ter permitido a transição para o nível seguinte.

    compactuar com um artificial nivelamento e com um simulacro de sucesso escolar, isso é que não, nunca. se essa é a prerrogativa do sistema, então combata-se o sistema.

  51. 51 susana

    desculpe, confundi a maria cãmara com a cândida. a cãndida não tinha ainda dito coisa alguma, pelo que as afirmações que lhe atribuí foram as da primeira.

  52. 52 sem-se-ver

    «compactuar com um artificial nivelamento e com um simulacro de sucesso escolar, isso é que não, nunca. se essa é a prerrogativa do sistema, então combata-se o sistema.»

    querida susana,
    e o que pensa que andamos nós a fazer? :-)

    (quer ir à manif comigo? :D

  53. 53 Mar

    Um texto muito bem escrito, sem dúvida. Muito generalizador também. Demais, na minha opinião, a de alguém que deu aulas ao ensino básico, secundário e recorrente nocturno, aleatoriamente, entre 1986 e 1992, em dezenas de scolas da Grande Lisboa e do interior profundo do País. Passando por centenas de reuniões de Conselhos de Turma, Conselhos Pedagógicos, Direcções de Grupo. Sob a alçada de dezenas de onselhos Directivos, Executivos, chame-se-lhe o que se quiser.
    Nem sempre acontecia assim, como descreve neste bem escrito texto, englobando tudo e todos num mesmo saco que pretende passar a mensagem de que os professores são maus, néscios, influenciáveis, corruptos mesmo, diria eu. Muitas vezes acontecia as 5 negativas permanecerem após horas de reunião, sim, porque é para isso que elas servem e nos pagavam, debater em relação a cada disciplina com nota negativa a prestação do aluno. Quando ela era mesmo má, era má e ponto final. Quando a avaliação global, aquela que engloba mais do que númerozinho 2 escrito numa folha de teste, justificasse uma reflexão conjunta, ela fazia-se e a decisão final reflectiria o conjunto de ponderações feitas em relação ao aluno e às perspectivas de obter sucesso no ano para o qual fosse transitar. Quantos acompanhei, nessa transição, nesse processo de crescimento que em anos subsequentes vinha a revelar, afinal, bons alunos onde antes tinha estado o miúdo distraído ou preguiçoso ou desmotivado.
    Só uma coisinha para terminar: nenhum professor que eu conheça refere que não quer ser avaliado. E muito menos pelos seus pares. Agora um profesor de matemática ser avaliado por um de Filosofia, ou vice-versa é que já não me parece muito credível…
    Já para não falar da “colaboração” dos pais e encarregados de educação no processo. O mesmos que invadem escolas e afirmam partir os cornos ao primeiro que lhes diga que o seu menino não pode atender o telemóvel nas aulas.
    Aí é que vamos ver o fartote de notas positivas, garanto-lhe.

  54. 54 z

    já agora vamos a caminho de partidos digitais,

  55. 55 z
  56. 56 susana

    sem-se-ver, lá está: como disse no meu primeiro comentário, há de tudo, como em tudo. o texto refere-se ao que há de perverso no sistema e faz referência aos englobados na excepção, no último parágrafo. é disto que importa falar, do que está mal, desde que se mantenha a devida salvaguarda. porque o que está mal é que deve estar sujeito a debate e alteração, enquanto o que está bem e funciona deve ser observado como exemplo a incrementar (e deve ser valorizado, até com atribuição de prémios de desempenho - como agora já acontece, se não erro).

    quanto à sua primeira pergunta: estão a lutar contra o sistema, mas as motivações da luta são tão diversas como as pessoas que a arvoram. não é claro que seja contra este sistema de manutenção artificial dos números, mais parece que é contra o que consideram a descredibilização da classe.

    a minha experiência é a de receber alunos que entram para a faculdade com média próxima de 18 e que pouco sabem do que seria suposto saberem naquele nível de ensino. e não só das matérias relevantes e específicas para o curso em causa, mas também a cometerem erros graves de ortografia, de aritmética, de conhecimento em geral. tive uma turma que se manifestou, numa grande percentagem, surpreendida ao saber, por um colega moçambicano, que em moçambique não se vivia em palhotas. «ai há lá prédios?!» foi a exclamação que se ouviu perante as fotografias que ele mostrou. (aqui também se coloca a questão da relevância de currículos: que importa que saibam os nomes das diferentes nuvens, que irão esquecer em breve, se não sabem em que mundo vivem? para que serviu a disciplina de geografia, neste exemplo?) claro que isto não pode ser atribuído apenas às falhas da escola, mas à inércia da sociedade em geral. a escola não pode é ser mais um factor de inércia. também admito que muitos professores se queixam da pretensão de fazerem deles terapeutas ocupacionais, e com toda a legitimidade, pois ao não se cingir a tarefa do professor ao ensino, a dispersão pelo resto reduz a focagem do problema que importa. mas outros (muitos) compactuam. e outros tantos, sabemos todos, por muito que se esforcem nunca serão bons professores. falta-lhes o saber e falta-lhes o gosto.

    claro que também existe o oposto e o intermédio. há alunos brilhantes, há alunos bons, medianos e esforçados. é disto que se faz uma turma, e que se consegue ensinar, como não será diferente no ensino secundário. é quanto aos alunos medíocres e sobretudo os francamente maus que eu me interrogo: como é que conseguiram lá chegar? mas, mesmo os maus - quando se esforçam, claro - acabam por aprender o mínimo. e então eu pergunto também: como é que não o aprenderam antes? tenho alunos que me perguntam porque nunca lhes foi explicado um problema «daquela maneira tão simples» ou «porque é que nunca nos disseram isto antes».
    constato que as discrepâncias entre eles são tão notórias que advêm de problemas no ensino anterior. e, atente-se, não noto aquilo que se diz de haver uma relação directa entre as condições económicas dos alunos e a sua aprendizagem. o que noto é a grande diferença conseguida pelos seus professores anteriores. nomeadamente no entusiasmo, na exigência e na seriedade para a disciplina, para além das aprendizagens propriamente ditas. claro que o nível cultural do meio em que cresceram também os ajuda, mas isto dispensa ser apontado pois é um dado adquirido.

  57. 57 z

    os professores só lhes faz bem serem avaliados, desde que seja um procedimento justo e transparente. Isso só pode acontecer se se arranjar maneira de que os avaliadores sejam também avaliados, provavelmente pelo universo desses mesmos avaliados.

    quando não, haverá a tendência da oligarquia se gerontocratizar

  58. 58 sem-se-ver

    z,
    «os professores só lhes faz bem serem avaliados, desde que seja um procedimento justo e transparente.»

    e os professores andam a pugnar por isso há anos… este modelo de avaliação tem qualidades. depurem-se os defeitos e estaremos conversados.

    (conversados é um oportuno vocábulo, no contexto actual de imposição de um sistema atabalhoado, incompleto e ainda imperfeito).

    susana,
    sabe qual é a principal e uniforme motivação de luta de todos os professores neste momento? serem tratados com respeito.

  59. 59 susana

    tenho que concordar com essa exigência porque todos são merecedores de respeito.

    o que nunca compreendo bem é o inverso, porque não há um discurso uniforme: como se consubstancia a falta de respeito de que se consideram alvo?

  60. 60 Valupi

    z, creio que o ideal democrático ambiciona a realização da aristocracia. É para manter essa alta exigência que a democracia é preferível, na sua dinâmica e poder de renovação, à oligarquia, a qual estagna e perverte.
    __

    Marisa B., é isso: a escola transmite a corrupção, por actos e, em especial, por omissões.
    __

    Lia, cá te esperamos.
    __

    cândida, sempre desconfiei disso.
    __

    Mar, tens toda a razão. Porém, o meu texto não pretende ser um ensaio ou um levantamento especializado. Trata-se de um testemunho, com as limitações e os erros inerentes. Também aceitarás que nenhum professor pode declarar-se adverso à avaliação, pois tal seria suspeito, socialmente incorrecto. Mas os professores ficarão tranquilamente à espera do dia de são nunca, dado que manter a avaliação apenas no papel evita muita chatice. É isto que está em causa, e a ministra e o Governo estão de parabéns pela coragem de afrontarem tão poderosa corporação.

  61. 61 Sílvia do Carmo

    Para mim, o Valupi é aquilo que escreve e nada mais.
    Lamento que uma breve passagem pela nossa escola pública o tenha desiludido. Na verdade ainda há muito a fazer na escola de “massas”, nomeadamente a avaliação dos professores, uma vez que esta escola necessita de bons exemplos para os mais jovens, bem como de pessoas vocacionadas para a missão da educação e ensino, como a maioria dos professores que eu conheço nas escolas onde tenho leccionado. Mas posso dizer-lhe que a escola pública nunca esteve tão bem como hoje, apesar de tudo. Sejamos honestos. Mas a verdade é que algumas estão melhores que outras e isso não se deve à “forte liderança” das escolas nem à excelente qualificação dos seus docentes. A verdade da nossa escola pública está nos alunos e seu contexto familiar e social. O resto são normativos de uma sociedade mercantilista em vias de desenvolvimento e tretas de “velhos do restelo” que teimam em aparecer.

  62. 62 João Cardoso

    A prosa é boa, inspira-se em verdades até aligeiradas, a demagogia, essa, é sublime.

    A prosa é boa pecando apenas por defeito. Por esses idos de 90 e até 80 uso para exemplo uma escola, na Figueira da Foz, onde na sala de professores se combinou uma quotização comum para haver um jornal diário, no caso o Público, escolhido por votação. Todos contribuíam. Três liam-no. Os restantes disputavam-no no primeiro intervalo para fazer as palavras cruzadas.
    Para complementar o ramo podia acrescentar profes de Português que nunca tinham lido um livro, pessoal de Matemática que achava a teoria dos fractais um problema linguístico, e… nem me apetece nem este é o espaço e tempo para contar factos ainda mais hilariantes com que convivi no dia-a-dia.
    A maioria dos professores era de uma ignorância confrangedora, e como tal vulneráveis a tudo o que é possível e imaginável em matéria de cedência perante qualquer pressão.
    Hoje são um pouco menos, mas não muito.

    O bom demagogo pega nestes factos com as unhas, e despeja-os com os dentes. Uma pessoa séria lembra-se de um pequeno pormenor, quase irrelevante: quando, no nosso caso, repentinamente o ensino básico passa de uma minoria para a obrigatoriedade, massifica-se: em alunos e em professores.

    O que se assina Valupi não reparou nisso. Por obra e graça do divino espírito santo seria possível conceber sem pecado os milhares de professores necessários para a escola passar a ser de todos. Infelizmente nem o invocaram, nem o anjo veio, e tivemos de viver com aquilo que tínhamos.

    E sim, ia dar aulas quem acabava um curso, ou nem isso, facto que de resto me permitiu alguma adaptação rápida às salas de profes: eram a repetição do bar da minha faculdade (a mais antiga e internacionalmente reconhecida do país), onde as rendas e bordados, a Maria revista e jornal da Bola mais a sueca ocupavam o ócio.

    Nunca achei que isso fosse exactamente um problema: fazem-se omoletes com os ovos que há. E servem, se soubermos distinguir o ensino de outras coisas. È que este faz-se por gerações; o resto, normalmente, tem prazos mais curtos.

    E sim, passei, e lutei por que passassem, alunos que não sabiam. Não sabiam o que os programas lhes exigiam, só que os programas não tinham sido feitos para eles. Digamos que dormi sempre tranquilo com isso: a primeira coisa que sempre inquiri numa turma minha, do 7º ou 8º ano, foi muito simplesmente contabilizar quantos deles tinham alguém em casa com mais habilitações que os filhos. Às vezes sempre aparecia um, ou dois. Eram a árvore, falamos da floresta. A floresta se permanecesse até ao 9º ano na escola alguma coisa devia levar para mais tarde. Suponho que se reproduziram biologicamente como os seus pais os haviam feito. Mas de uma geração para outra há avanços. Avanços que só se podem fazer geracionalmente. As dezenas de ministros que mentiram sobre isto deviam ficar de castigo no canto da sala com orelhas de burro, mas parece que tal prática além de ilegal não é pedagógica.

    Hoje as coisas já são ligeiramente diferentes. É mais fácil encontrar profes que lêem livros. A maioria teve formação para ensinar; má formação, é certo, filha de Boston e seus célebres mestrados mas alguma, o que costuma ser melhor que nada. Mas os filhos dos meus primeiros alunos, e já o verifiquei, têm alguns livros em casa, o que sempre lhes permite conhecer a palavra estante.

    Quanto ao resto, dispenso-me de ensinar a ignorância. Eu vendo aulas, não dou. É uma profissão remunerada, não é um sacerdócio. Dispenso-me portanto de explicar ao que se assina Valupi porque não faz a mínima ideia do que está neste momento em causa. Não, não é a avaliação dos profes, Não, nem é apenas o que perderam em termos de condições de trabalho, vencimento, de imagem social, e por aí.
    Estão a fazer na rua o que nunca fizeram porque voltaram a ser uma profissão com gente que gosta do que faz, e quer continuar a fazê-lo.

    Gosto da palavra dignidade, porque a entendo indissociável do género humano. Explicar isso até que é fácil, mas tenho exclusividade com o ensino público. Pois. Nem que me pagasses, tópas?

  63. 63 Valupi

    Sílvia do Carmo, não se trata de uma breve passagem por uma escola pública: entrei para a escola pública em 1977, como estudante, e por lá fiquei até 1988. Em 94 descobri os seus bastidores, mas do que eu falo é do sistema educativo que não educa.

    O teu comentário confirma o diagnóstico: os alunos mudam porque muda a sociedade, não é a escola que muda a sociedade ao mudar os alunos.
    __

    João Cardoso, muito obrigado pelo teu texto. Forte testemunho, e bem esgalhado. Creio que validas a tese: a escola são as pessoas, são as pessoas, são as pessoas.

    Também no Governo, e no Ministério da Educação, há pessoas. Que talvez não precisem de receber lições de dignidade de ninguém, vai na volta.

  64. 64 maria câmara

    ” Os gabirus”, no dizer insolente de Marisa B. que confirma a minha tese, não têm que ser avaliados por pais. Foi-o você? Aposto que não. Nem seria muita perspicácia da minha parte adivinhar que nunca lhes daria confiança para tal. Pois bem, não sei quais as suas habilitações nem qualificações mas asseguro-lhe que quaisquer que sejam, não me deslumbram nem incomodam. Incomoda-me sim a sua desinformação. Tenho uma licenciatura de cinco anos e mais dois de estágio e não admito que qualquer um me venha avaliar. Se tiver envergadura para tal que avance. As minhas aulas são de porta aberta, e só não o são quando o barulho circundante não o permite. E, quanto a ser avaliada, sim, já o fui inúmeras vezes, bem como a maioria dos professores. Saibam os srs. que temos que frequentar acções de formação sobre temáticas concernentes ao ensino e às pedagogias, amiúde, sobre as quais temos que elaborar trabalhos sujeitos a avaliação. Aliás, para que se processasse a mudança de escalão, era impreterível que o professor tivesse um certo número de créditos provenientes dessas acções de formação. Além disso, todo o professor que transitava de escalão tinha que fazer um relatório crítico que reflectisse a sua prática lectiva no decurso dos anos em que permanecera no escalão anterior, o qual era apreciado por uma comissão designada para o efeito. Ora, a menos que o vosso conceito de avaliação seja tão arcaico que só a imagine possível através do estafado método dos exames, digam-me o que isso é se não é ser avaliado. Recordo-me de ter pedido, na altura, ao órgão de gestão da minha escola para substituir o relatório pela observação das minhas aulas, nos dias que lhes aprouvesse, sem prévio aviso. Foi-me dito que não era possível porque não estava previsto esse modelo de avaliação.
    Não me furto nem nunca me furtei a ser avaliada. Nem é essa a leitura que faço das reticências dos professores em matéria de avaliação. Agora, em que moldes? Por quem? Com que móbil? São perguntas que qualquer professor tem legitimidade de fazer. Qualquer tentativa de reduzir a luta dos professores ao problema da avaliação é uma manobra tão rasteira e básica como a do hastear o papão do comunismo sempre que alguém discordava do regime. Haja maturidade política, meus senhores.
    Que há muita gente que nunca devia ter dado uma aula na sua vida, e que há muito a limar na classe docente… Pois há. Como, aliás, em todas as profissões e na sociedade em geral. A fasquia está muito por baixo. A começar pela família que, quer se queira quer não, é e será sempre a célula da sociedade. E, afinal, que é a escola, senão o espelho da sociedade?! São lugares-comuns, bem sei. Nem por isso deixam de ser verdades.
    Claro que circulam lendas e mais lendas sobre a classe docente: trabalham em part-time é uma delas. Que o trabalhador boçal não considere trabalho preparar aulas, fazer testes, corrigi-los, fazer recolha e selecção de material didáctico, pesquisa de informação, etc, ainda se compreende. Mas pessoas instruídas como os senhores me parecem, não têm desculpa. Ou não será?

  65. 65 Sílvia do Carmo

    Olhe que não, Valupi. Olhe que não…

    Se tivesse conhecido a escola privada e pública, como eu, antes do 25 de Abril de 74, provavelmente seria mais justo na sua avaliação da actual escola pública. Se calhar, o Valupi tirou a sorte grande da sua licenciatura na “farinha amparo”, uma vez que a escola pública que frequentou ” não educa” e, pelos vistos, também não ensina. Ou, então, teve a sorte e, quiçá, o privilégio de ter tido acesso a uma boa escola paralela.
    Deve saber que a escola reflecte a sociedade e o seu produto educativo reverte a favor dos alunos, pais e sociedade. Digamos que é uma empresa que visa satisfazer as necessidades de vários clientes.

  66. 66 susana

    maria câmara, o que refere como método de avaliação preferível - isso de virem assistir às suas aulas -, parece-me bem mais desejável e eficaz do que os relatórios e quejandos que afirmou terem estado em vigor. mesmo assim permite o esforço pontual que pode traduzir competência mas não a sua regular aplicação.

    um método possível seria o dos exames nacionais para as várias disciplinas e uma aferição dentro de cada escola dos resultados obtidos pelos alunos de cada professor. assumindo que a população de uma dada escola será heterogénea, as disparidades possíveis de resultados de professor para professor permitiriam retirar daí conclusões.

    tem toda a razão quanto a esse ponto da avaliação feita pelos pais. é coisa que não lembra a não ser por manobra dirigida ao eleitorado, que ao ser assim chamado à contenda fica automaticamente do lado de quem o chama. não reconheço aos pais a competência para avaliar o desempenho dos professores, embora alguns possam ter uma opinião válida a esse respeito. ponho-me nesse lugar e a ideia é absurda.
    por outro lado, sempre que, como mãe, me dirigi a uma directora de turma com uma queixa sobre um docente e o seu desempenho, encontrei concordância. no entanto recebi respostas tais como «ah, sabe como é, a senhora tem razão, mas não se pode fazer nada…!»

  67. 67 susana

    sílvia do carmo, diz que a escola reflecte a sociedade. e essa visão passiva do que é escola é um modelo que não pode ser alterado? não pode a escola alterar a sociedade?

  68. 68 maria câmara

    Susana,
    o facto de eu ter afirmado que a prática é a de ponderar a situação do aluno que é proposto para reprovar, não implica a alteração das notas. Diz-me a experiência que, na quase generalidade, os professores mantêm as classificações. Mas é natural que muitos professores, sobretudo, os mais jovens não se sintam muito à vontade, em início de carreira, para serem responsáveis por um ano de atraso na vida de uma pessoa. É natural e desejável, a meu ver: significa que há o receio de errar e a necessidade de ser justo. Avaliar é um acto que exige um enorme dispêndio de energia e muito, muito desgaste. E digo-o eu que já sou veterana.
    Quanto à cada vez pior situação académica dos alunos, mormente no que respeita a conhecimentos linguísticos, estou perfeitamente de acordo consigo. Recordo-lhe, porém que um aluno pode ter acesso á universidade tendo vindo sempre reprovado a língua portuguesa. No secundário, já os recebemos com um enorme défice nesse campo. É um processo em cadeia. Depois, a inexistência de hábitos de leitura, o ambiente culturalmente depauperado de que muitos provêm ( hoje em dia, a triagem é inexistente e um ambiente social e culturalmente desfavorecido são óbices de monta), para não falar na moda das mensagens e dos erros linguísticos a que a economia das mesmas conduz tudo isso são factores que contribuem sobremaneira para uma incorrecta utilização da língua. A carga lectiva a ela dedicada também me parece escassa, sobretudo atendendo ao estado a que as coisas chegaram. Isso para já não falar na desadequação dos programas. E numa multiplicidade de factores de ordem sócio-cultural.
    É que os órgãos das cúpulas estão totalmente alheados da realidade do ensino. Falta-lhes a experiência no terreno. Nunca a tiveram, alguns; outros, se acaso já a tiveram, esqueceram-na.
    Por isso que não me conformo com essa hipocrisia política de apresentar números de sucesso à custa da promoção de uma sociedade cada vez mais ignorante, mais néscia e mais destituída de sentido crítico. A eles, aos políticos, talvez lhes convenha que isso de livres pensadores custa muito a governar. A massa bruta é mais moldável.

  69. 69 susana

    maria câmara, não é o que tenho observado como “mãe de turma”. há professores que se recusam, outros que têm medo, e outros que encolhem os ombros. há ainda quem prefira que eu me limite a fazer quorum e não emita opiniões nem proponha alternativas para os casos problemáticos, mesmo quando me manifesto dentro da minha área de competência profissional. quanto ao dilema de avaliar e ao receio de se ser injusto, bem sei, porque me defronto com o mesmo, sempre.

    quanto ao português, pois é. o sistema inglês tem uma exigência que considero recomendável: só entra para a universidade quem tiver feito a disciplina de língua oficial a um nível equivalente ao 11º ano.

    sobre a inadequação dos programas também já eu falei, e com mais detalhe o joão cardoso. já uma vez por aqui (também num post do valupi sobre o “eduquês”, se não me engano) referi essa utilidade de repensar a democratização do ensino e a diferenciação de curriculos.
    e por enquanto, por cá, ainda se vai sabendo fazer umas somas e subtracções; faça-se compras em frança e veja-se a impossibilidade do nosso hábito de “ajudar nos trocos”, que gera uma entropia no sistema, dependente do que diz a caixa registadora e com ofensas colaterais de quem está por detrás desta.

    falando da leitura aí está um campo em que eu, como mãe, posso assinalar uma mudança. tenho um filho no secundário e outro no 1º ciclo. e tenho sido testemunha de como o plano nacional de leitura tem sido uma ofensiva séria e com excelentes resultados. os pais é que participam pouco, sempre que existe o espaço aberto à sua participação.

  70. 70 Sílvia do Carmo

    Susana,

    Nos últimos 30 anos a sociedade portuguesa tem vindo a transformar-se numa sociedade cada vez mais justa e equitativa, embora ainda muito longe da democracia concreta, desejada e idealizada por nós e, naturalmente, essa transformação tem vindo a reflectir-se na escola pública, mais por decreto do que por vontade cívica dos intervenientes, contrariando muitas vezes, por exemplo, a posição quase sempre conservadora da classe docente. Devo acrescentar que sou uma idealista e defendo uma escola pública de qualidade para todos, onde a igualdade de oportunidades, a modernidade, o sonho e a criatividade tenham lugar.
    Mas acho que esta escola está mais preocupada com as competências do saber fazer a fim de se construir uma sociedade onde haja pão para todos, o que é defensável, considerando a falta de qualificação de muitos portugueses. Quanto às rosas… o tempo o dirá.

  71. 71 Nik

    “Luta dos professores”, não. Sanha anti-ministra de uma parte dos professores, assim é mais correcto

    E de que é feita essa sanha?
    Do medo das reformas e da defesa do marasmo (”mais vale ficar tudo como está” dizia há dias o progressista Daniel de Oliveira).
    Da exigência de ‘democracia’ onde falta gritantemente gestão.
    Da defesa de ‘respeito’, onde não se avalia nem premeia o mérito.
    De chulice pura, como nessa questão do pagamento das aulas de substituição, exigido pela FENPROF.

    Oxalá chova hoje na Avenida da Liberdade!

  72. 72 Mar

    Valupi, essa da “poderosa corporação” desatou-me um sorriso rasgado e deu-me vontade desbobinar uma longa dissertação argumentativa sobre o meu desacordo (again). Como não tenho disponibilidade neste momento, só digo que claro que entendo que um testemunho pode ser diferente de outros, que os professores tal como as outras classes (os juizes são avaliados? dúvida minha, talvez burrice..) não têm que temer a avaliação, desde que a mesma seja feita com justeza, clareza, correcção (estou neste momento a passar na pele e a aplicar na de outros o temível porcesso do SIADAP) e que é precisamente a lacuna destes 3 factores que está em causa nesta (em mais esta) luta dos professores.
    Quan às propostas alternativas ao modelo de avaliação, os sindicatos foram chamados pela minist, numa lógica de democracia participativa, para dar palpites sobre a proposta (mais uma dúvida minha, talvez burrice…). :-)

  73. 73 Mar

    (a última frase leva um ponto de interrogação, peço desculpa pela falta de letras com as quais o meu teclado se alambaza às vezes…)

  74. 74 susana

    sílvia, o seu discurso é elíptico, bem à medida da discussão e da sua longevidade. fala da «transformação
    da sociedade, cada vez mais justa e equitativa» e acrescenta que esta transformação tem vindo a passar para a escola »por decreto» e ao arrepio da classe docente, «mais conservadora». explique lá se não é desejável que a escola se torne mais justa e equitativa e porquê acha que a classe docente obsta de tal modo a esta permeabilidade que esta justeza e equidade só lá chega por decreto. acaso reparou bem no tiro no pé?

    depois defende uma série de coisas para a escola pública e a propósito fala de «ideais». com ideais não se toma medidas, os ideais são um horizonte, as utopias a cenoura que este nos apresenta. fazem-nos andar, mas não são operativos. o importante não está dito: que escola é essa que idealiza, onde «a igualdade de oportunidades, a modernidade, o sonho e a criatividade tenham lugar»? em quê ela difere da actual, concretamente? como se concretiza e consubstancia, tem alguma ideia?
    estranho, por outro lado, porque a sílvia faz parte dessa escola e pelos vistos isso não a impede de sonhar… já a criatividade, por seu turno, não é para todos, nem por decreto. quanto à igualdade de oportunidades, tanto quanto vejo, como mãe, ela existe na escola pública. as diferenças estão em casa. finalmente a modernidade pede dinheiro e este escasseia.

    passemos ao ponto seguinte: «esta escola está mais preocupada com as competências do saber fazer a fim de se construir uma sociedade onde haja pão para todos». pois é defensável, sim senhora. surpreende-me é que a sílvia use o «mas» no início da frase; pelos vistos é “defensável” mas seria preferível «sonhar» a ter «as competências do saber fazer». as rosas, sílvia, continuam a ser as de todo o ano. talvez aqui sirvam melhor as roseiras de trepadeira.

  75. 75 Valupi

    Sílvia do Carmo, “que não”, o quê? Não está em causa negar algum tipo de benefício ao actual modelo, sistema e filosofia escolar. Que raio, até um mau dentista será preferível a dentista nenhum. O que importa é reconhecer a oportunidade de melhorar, pois, e pela primeira vez, há coragem política para tal.
    __

    maria câmara, confirmas que não aceitas ser avaliada. As acções de formação, os (des)créditos, sempre foram ocasião de gandaia. Com essa modalidade os professores vivem bem, mesmo com o tal relatório “apreciado” por comissão, pois nada arriscam e tal imposição não passa de uma fantochada hipócrita.

    Qualquer proposta de avaliação, venha de quem vier, pode ser boicotada com as mesmas dúvidas e suspeitas de sempre. Daí a unanimidade entre a classe, pois nunca um Governo tinha ido tão longe no combate à decadência do professorado.
    __

    Mar, ainda bem que há pessoas que lutam pelos seus direitos e pela melhoria da vida de todos. Mas talvez consigas entender que, num universo paralelo, calhando estares no lugar da ministra, terias dois caminhos: não tocar no assunto ou optar por uma qualquer proposta política. A manifestação de hoje é uma tentativa de se ir pela primeira opção: deixem tudo como está. Por isso, do lado dos sindicatos, as propostas nunca se preocuparam com a avaliação, só com as regalias. Os sindicatos vivem do bloqueio, não das parcerias. Fosses tu ministra, e viesses com o teu melhor plano reformista e a melhor das intenções, irias levar na cabeça e na honra.

    Que falta de educação, não seria?…

  76. 76 zazie

    A fraude deste post é que pegou numa série de verdades (que até estã muito atenuadas) mas não lhes atribuiu paternidade política.

    Porque pretendeu branquear esta palhaçada de pseudo-avaliações que é mais do mesmo das velhas palhaçadas de “acções de formação” para progressão na carreira.

    E sim, é bom que se diga e repita a farsa que isso sempre foi. Havia (e há e vai continuar a haver) acções de tudo: astrologia para profs de matemática; fotografia e cuilinária para profs de Filosofia e, por aí adiante.

    Num esquema manhoso de negócio entre sindicatos e Minstério que outorgavam benefícios e exclusividade de formadores a uma série de analfabetos por conta.

    Há mesmo colectâneas de anedotas dessas acções. Se alguém estiver interessado eu passo-as.

    Só que tudo isso é produto dos famigerados pedagogos, dessa patologia chamada eduquês, e das escolas de Formação, à ISCTE ou à Aberta.

    Autênticos viveiros político-partidários de tachos, com pé de clã nas universidades.

    Não falar em nada disto, como se se tivesse nascido hoje e pegar na incapacidade da generalidade dos profs serem capazes de pensar o próprio ensino em termos políticos é fazer demagogia.

    E foi isso que o Valupi aqui fez- demagogia para branquear responsabilidades políticas como se os profs fossem poder ou pudessem fazer refomas que apenas são ditadas de cima.

    Os profs trabalham para uma série de inúteis com tacho, que fogem do ensino e se limitam a estragá-lo, obrigando os profs a trabalharem para eles e não para os alunos.

    E os pedagogos são de tal modo o cancro do ensino que não se mudam por mudanças de governo. Ficam sempre lá, estão lá desde os anos 60. São o mal estrutural de tudo isto e nunca o acessório e pontual conjuntural.

  77. 77 zazie

    Era bom que alguém informasse o Valupi em que consiste esta palhaçada da dita avaliação.

    Eu sei que é coisa difícil de pedir a um prof porque também sei que se defendem pelo facilitarismo.

    Mas esta avaliação é apenas outra palhaçada onde qualquer meco por progressão na carreira, à tarimba de militar, pode avaliar alguém por via de mais eduquês e mais micro-acções de formação tão imbecis quanto as de sempre.

    Porque, se querem avaliação até é simples- bastariam uns testes feitos de fora, e corrigidos por matriz com meras perguntas acerca da disciplina que leccionam.

    Isto pode parecer básico mas não é. Conheço muitos profs que ganham umas coroas extra a corrigirem testes de provas globais que não as conseguem corrigir por nem saberem a