As notícias da revolução Cristas talvez tenham sido um bocadinho exageradas

Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho chegaram de lugares muito diferentes à campanha eleitoral autárquica e saíram dela em direcções opostas. Assunção quis usar Lisboa como trampolim no seu processo de afirmação na chefia do CDS, dispondo de recursos financeiros para fazer brilharetes mediáticos. Teresa aceitou ser a última e desesperada escolha de Passos, tendo como missão marcar presença e despachar a coisa gastando apenas uns tostões. A primeira teve um sucesso estrondoso, saindo aclamada pela comunicação social e elevada ao título de líder provisória da oposição dada a demissão do Pedro. A segunda teve uma derrota estrondosa, saindo esmagada por um resultado histórico pelas piores razões para a sua imagem como candidata e para o destino político de Passos. Todavia, partilhavam três características: serem mulheres, serem de direita e terem personalidades públicas marcadas pela projecção de assertividade belicosa.

Aquilo que as fazia equivalentes foi também, em parte decisiva ou relevante, o que acabou por causar o surpreendente lugar e a castigadora distância a que ficaram. Para um eleitorado à direita que não queria a vitória de nenhuma, e que esperava com agrado a vitória de Medina, a motivação para escolherem entre as duas esvaziou-se de apelo ideológico e interesse prático. Transformou-se num concurso de simpatia. E aí a fotogenia, entusiasmo e material de campanha de Cristas eram muitíssimo superiores aos de Leal Coelho. Também não ajudou a estratégia de Passos (isto é, a falta de estratégia do PSD), obsessivamente ocupado no exercício de baixa política.

Os comentadores comentam. O comentário político é feito a quente e destina-se a ser esquecido no minuto seguinte. Há uma constante necessidade de inventar assunto e apostar; sendo que os comentadores profissionais apenas apostam nas suas próprias previsões, são poupadinhos. Então, no rescaldo das eleições autárquicas, vários começaram a apostar em Cristas. Raios, a mulher até tinha eclipsado Portas num escrutínio idêntico, não estaríamos em vias de assistir à primeira revolução partidária na direita portuguesa? Ora, a presidente do CDS tem qualidades, mérito e potencial genéricos, como se reconhece desde que se filiou no CDS em 2007. Mas basta recordar como entrou na campanha eleitoral autárquica a prometer 20 novas estações de Metro – algo que, se tivesse aparecido antes na boca de algum socialista, a teria levado imediatamente a disparar os canhões contra alvo tão fácil de atingir – para darmos de caras com uma sua crucial fraqueza: quer imitar os rapazes, e, para piorar, está a tentar imitar os rapazes maus.

Os rapazes maus são aqueles que apenas querem o poder pelo poder. Têm um discurso para cada ocasião, sendo no fundo o mesmo: os outros não prestam. Apostam no esquecimento, na voragem mediática e nas paixões políticas para se protegerem de serem apanhados como os inveterados medíocres e hipócritas que são. Não será um mercado nadinha de nada fácil para Assunção Cristas, como o próximo líder do PSD lhe irá mostrar nas primeiras 24 horas da sua presidência.

5 comentários a “As notícias da revolução Cristas talvez tenham sido um bocadinho exageradas”

  1. quando os políticos têm os pozinhos do fama show há rampa garantida para a popularidade. é o populismo, de categoria nacional, no seu melhor.

  2. Também achei um bocadinho exagerado o numero de mortes que aconteceu desde Pedrogão ate à presente data, sem que nada fosse feito. (a não ser admitir pessoas incompetentes para os cargos).
    Também achei exagerado o PM não escolhido pelos Portugueses, desresponsabilizar-se de tudo, falando como se de uma fatalidade se tratasse, antes do puxão de orelhas do Sr. Presidente da Republica.
    E mais não digo.

  3. Valupi,
    desde um título desengraçado, estilo da exposição («Os comentadores comentam. O comentário político é feito a quente e destina-se a ser esquecido no minuto seguinte.», wow!, «Ora, a presidente do CDS tem qualidades, mérito e potencial genéricos, como se reconhece desde que se filiou no CDS em 2007.» e, ainda, «Os rapazes maus são aqueles que apenas querem o poder pelo poder», pores exemplos) até pensar-se que se reconhece na prosa uma argumentação assim tão fraquinha… tens a certeza que não és a Penélope, pá?

  4. C ara “a verdadeira anónima”: com a boa visão que patenteia, tenha a caridade de mostrar,a mim pobre presbita que pouco mais que sombras distingue,onde está,preto no branco, o puxão de orelhas de que a senhora e a sua gente fala. Não o vejo,está claro,nem o cheiro,ainda que ao apagar-se um sentido outros cresçam. Não me fale em impressões,acho que bonda de impressões,na justiça e no resto. Mostra como o Marcelo lhe agarrou nas orelhas e lhas esticou até doer,até ao grito!!! Senão mostras, sem admissão de dúvida razoável,pode ter sido um afago,uma carícia,e tudo muda de figura! Anónima,ou és positiva e falas como deves ou então falarás como o MP: teria sido um puxão de orelhas…

  5. Não fosse a Cristas e Marcelo, a desgraça nacional já tinha passado à história.
    Vá lá que a adormecida Catarina já estrebuchou um pouquinho para a vida, só os jurácicos do PC, é que ainda não acordaram.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *