Aos 59 anos, Louçã descobre o que é a imprensa portuguesa

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O Correio da Manhã torna-se participante num processo judicial para assim criar as notícias de que quer fazer manchete – qual é então o limite? Uma ex-assessora de Passos Coelho é contratada pelo Diabo, um jornal que pensava que já não existia, para escrever intriga contra a esquerda – e qual é o limite? O Sol, jornal de donos angolanos, escolhe destacar uma fantasmagórica “tensão dentro do PS” a propósito do debate parlamentar sobre a prisão de Luaty Beirão e dos seus camaradas – e qual é o limite? A Sábado vai buscar a amargurada zanga de um académico, entretanto desaparecido, para tentar criar quinze anos depois um incidente com um ministro porque ele é ministro – qual é o limite? A resposta é que não há limite. Claro que, nestes quatro exemplos, se trata de imprensa especializada que agencia interesses particulares.

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A outra consequência é que, assim, terminada a notícia (ou prolongada agonicamente para ocupar tempo, o que tão frequentemente vemos na televisão: o Benfica ganhou e é uma hora de telejornal, o avião despenhou-se e é meia hora de informação sobre o facto de não termos informação, etc.), só resta ao jornalista ser um comentador e daí a tentação óbvia de se tornar o juiz, o que apimenta a análise com a sentença. As “setas” com que os jornalistas classificam os actos políticos ou sociais são um exemplo dessa assunção do poder punitivo, mas existem outras formas de o exibir, aliás cada vez mais banalizadas: quando o editorial determina que tal acção partidária é uma “estupidez” ou que tal político é um “fracassado”, quando um jornalista decreta que tal partido “não se leva a sério” (poderá ele algum dia entrevistar um dirigente desse partido?), chegamos ao ponto de não retorno, em que órgãos de comunicação social, anteriormente chamados de “referência” pela sua observação de regras profissionais, se aproximam de uma câmara política e mesmo por vezes partidarizada.

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Um dos riscos de degradação da comunicação social

19 thoughts on “Aos 59 anos, Louçã descobre o que é a imprensa portuguesa”

  1. “Confesso que o assunto me intriga e, agora que olho para ele sem ser protagonista nem ter qualquer responsabilidade de dirigente partidário, me assusta. ”
    Não é preciso nenhuma exegese para ler este parágrafo. Louçã, pense-se o que se pensar da sua personagem politica (e eu penso que é um falhado) tem tido uma intervenção muito positiva como cidadão e comentador.
    O partido que tem a responsabilidade de denuncia e o PS, não só porque é o mais atingido mas porque é o desequilibrador do sistema político- mediatico, mas nenhum dos seus presentes ou ex-notáveis consegue ter uma participação civica fora do cinismo institucional. Os media, as medalhas, os espelhos, agarraram-nos pelos tomates .
    A aceitaçao da continuação desta pantomima que resulta do respeitinho cinico perante os media para obter ganhos na percepção quotidiana é uma peça de teatro já quase sem público. Ninguém acredita naquilo. E um sinal de decadência do sistema político.

    A notícia que a comissão de censura não deixou passar;
    http://elpais.com/elpais/2016/05/20/ciencia/1463761683_817306.html

  2. Aos 54 descobriu o que era ser cavaquista, naquele momento ‘t’, com o seu voto contra,
    na moção de confiança que derrotou o último governo de Sócrates.

  3. A pasquinagem está em roda livre não só em Portugal mas em todo o universo que se pensa e diz tontamente livre.

    O Brasil acaba de demonstrar como se destitui uma Presidente eleita Democraticamente por um grupo de oportunistas que vão arrasar o País num ápice declarando os mais negros interesses :
    – desmatação da Amazónia
    – assalto às reservas energéticas…e por aí fora.

    Tudo muito natural com imprescindível apoio dos mais importantes media brasileiros.

    Por cá, alinhados com os “honestos ” promotores da destituição tvs e pasquins passam a mensagem que lhes ordenam.

    O artigo do tio louçã vem tarde.
    Redes sociais, gente sem pretensões a grande informação percebe a degradação da pasquinagem, mesas redondas, debates, sítios de humor canalha …etc…etc.. em arrogância galopante desde 2009.

    Coitado do “intrigado” compagnon de route e claque da direita nos debates que comandou.
    O que José Sócrates lhe aturou de desplante, agressão e má educação.

    Talvez daqui a uns dias só lhe reste o mãnhas para escrever os seus artiguelhos de inocentinho.

    Sobre o artigo em bom castelhano dando valor às energia naturais e o caminhar para a independência fossilizada : não interessa.
    Dr. Costa nem sabe aproveitar o impulso que Governo do seu Partido deu a esta realidade.
    Até o aprofundar do Simplex que herdou foi obscurecido pela piada da vaca alada.

    Dr. Costa&Dr. Marcelo gostam do kitsch.
    Oxalá não descambe a sintonia e venha a guerrilha pela piada mais estúpida.
    Seria fastidioso.

  4. O Louçã fez um jeitinho ao primo e depois e deram-lhe um palco no público para se lavar semanalmente em lixivia, branquear o chumbo do PEC IV – o que serve os interesses de si próprio e da direita, e ao mesmo tempo preencher a quota de cronistas de esqueda necessária para fingir que o público, um buraco empresarial de 200 mil euros ao mês negativos, é imprensa plural e independente.

  5. É óbvio que o ex grande lider sibilante não tinha tempo para ler jornais e
    revistas tão pouco, devia gastar os menos de 5 minutos que o Cavaco dizia
    gastar com a comunicação social nos seus tempos áureos de p. ministro pois,
    em Belém até tinha tempo, para armar inventonas com o seu especialista na
    matéria! No melhor pano cai a nódoa, o comentador agora na SIC-N tem sem-
    pre, uma crítica para o Governo do PS em funções … presunção e água benta
    não lhe falta!!!

  6. O Costa com a cena da vaca alada demonstrou que não sabe fazer piadas e, pior, não percebeu boi do álbum conceptual dos Floyd. Claro que não tem que perceber, nem sei se o José Magalhães, se lhe referia quando era secretario ou sub- secretario da Administração Interna, mas o que assusta e não ter ninguém que o ajude a ser mais preciso e o enquadre na cultura POP/Rock que é hoje a canção do homem comum. O álbum Animals e baseado no Animals Farm do Eric Blair vulgo George Orwell e o Roger Waters chefe- criativo e ditador no activo da banda aquando do seu lançamento ( e depois também) tem em comum com o Costa também ter tido um pai comunista, só que não era hindu, e a metáfora era feita com os porcos, que representam o povo no álbum.

    Concomitantemente as nomeações dos bancos feitas com claro com agrément governamental. Ao já velho fence sitter Mr.Vitorino temos uma nova entrada o ex-ministro da finanças que menos mexeu em finanças e mais conseguiu falar sobre elas sem enrubescer, Campos Ferreira ( e com hifen ou sem himen?).
    A propósito ainda me recordo da cena da cerimónia em que o Teixeira dos Santos toma posse e via-se o Costa a falar com o Ferreira. Não sei qual o motivo da conversa mas tempos depois Costa bateu com a porta, imagino que sorridentemente, porque sabia que precisava se distanciar de Sócrates. A traição final veio quando vestiu o casaco mais feio do mundo para o visitar em Évora.
    E o Braga ganhou a Taça, yupiieeee!

  7. Será que vale a pena perder tempo sobre os critérios dos tablóides?
    O único objectivo é o de propagar a voz do dono! Ponto final.

  8. ainda gostava de saber o que é que a lulubelle III tem a ver com a vaca do costa ou a relação dos pink floyd com o simplex. muda de fornecedor, talvez digas menos asneiras.

  9. Holstein, tu precisas de mudar de pasto, erva de aletria so da para trocadilhos marados com compreensão limitada. Vacas só checas.

  10. vá lá, deixa-te de merdas. explica aí ao estimado auditório qual o nexo e anexante da vaca simplex com a capa atom heart mother. deves andar a coleccionar pontos para te candidatares a érico de esquerda.

  11. Ignatz, mas por que é que eu tenho que explicar o que seja a ti ou ao auditório? Andas-te a candidatar a patrulheiro ? Toca-me algum?

  12. realmente não tens nada que explicar, o direito ao disparate é livre e universal. desculpa lá o excesso de consideração.

  13. Há muita gente que pensa que sabe, ou entende certo objecto, mal o descobre. No entanto, e embora grande parte das observações empíricas que acontecem no descobrimento possam estar correctas, existe a necessidade de serem constatadas ao longo do tempo. A isso chama-se certeza.

    Sabe, eu vejo “a coisa” de uma forma diferente da sua. Acho que a base para o meu raciocínio é bem patente no meu modo de pensar, exposto anteriormente. Porque, pior do que “chegar lá” após tanto tempo, após tantos anos é pensar-se que temos a certeza das coisas mal as conhecemos. É a partir dessa ideia que critico este título.

    Quando um indivíduo quer mostrar um elevado grau de omnisciência e, para tal, diminui a posição do outro com argumentos implícitos do tipo “eu já sabia há muito tempo”, só mostra a sua própria fraca qualidade cognitiva e argumentativa. Não percebe que a real certeza das coisas chega de uma forma mais consistente se for feita com certezas provadas e comprovadas e não através de percepções empíricas que se vão projectando aqui e ali.

    No fim ? No fim fica isto. Um ser aparentemente omnisciente, que pensa que sabe, mas que não passa de uma “fezada” que até pode estar certa. Mesmo que esteja, onde está a grandeza sobre essa conclusão. Meu caro, não passa de uma “fezada” e por mais certa que esteja também poderia estar errada. Aí, você calava-se. Mas, como a “fezada” até parece manter-se em pé, nada melhor – na sua cabeça – do que minimizar e diminuir aqueles que lá chegam através de factos e de conclusões lógicas que obrigam a pensar e a deduzir.

    O que vale mais ? Chegar a uma conclusão através da razão, da paciência em obter factos e demonstrá-los desinteressadamente, ou chegar a uma conclusão similar através de métodos empíricos, impressões, do diz que disse, do talvez aconteceu, do “sou mesmo bom” ? Sim, porque você já sabia como é a imprensa portuguesa. Aliás, aposto que sabe muito sobre tudo e em tudo parece ter razão. Não fosse o seu grau de egocentrismo estar a bater bem lá em cima.

  14. Marco G. tudo muito bonito e tal e coisa, mas demorar tanto tempo para obter factos e demonstrá-los sem interesse nenhum, é obra não?

  15. Até pode ser mas eu, na posição dele, não iria mandar papaias para o ar só porque “acho” que as coisas são assim. Porque se foram “assado” fica logo queimado politicamente. Não é preciso ser muito inteligente para perceber isso.

  16. A questão já nem é quando mas sim quem mais…nem que sejam vinte anos depois que apareçam, são bem vindos.

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