Alegra-nos, Alegre

Pedindo licença a Louçã e Seguro, os dois génios da grande esquerda que levaram Cavaco a escapar à mais do que merecida derrota para a reeleição, vou ajudar Manuel Alegre a fazer um brilharete esta noite e, finalmente, ficar com algo para mostrar que interesse ao eleitorado. Chega aqui e presta atenção, poeta.

Assim que te derem a palavra, vais dizer o seguinte:

Venho a este debate não para falar, mas para ouvir. Entrego todo o meu tempo ao Presidente da República, aqui presente, para me ajudar a compreender quem é o candidato presidencial Cavaco Silva, igualmente aqui presente. Porque sem os esclarecimentos do primeiro não podemos saber quem é, nem o que quer, o segundo. Infelizmente, a imprensa do meu país não fez o que agora vou fazer. E, desgraçadamente, Vossa Excelência não se dignou contar aos portugueses o que aconteceu, pelo que vou ser eu a exigir de si que cumpra o juramento que prestou ao aceitar o cargo. Revele sem margem para dúvidas: qual é a sua responsabilidade nas notícias que saíram em Agosto de 2009 descrevendo suspeitas de espionagem e escutas cujo alvo era a Presidência da República?

Se não tem qualquer responsabilidade, explique o seu silêncio após a saída das notícias, a poucas semanas das eleições legislativas, assim permitindo a continuação, e adensamento, da calúnia que teria inevitáveis consequências eleitorais. Se não tem qualquer responsabilidade, explique o pseudo-afastamento de Fernando Lima, apontado como o contacto com o jornal em causa para a montagem da conspiração, e diga se ele é inocente ou culpado para si. Se não tem qualquer responsabilidade, explique as variadas declarações que fez antes e depois das eleições, onde confirmava ter suspeitas de haver problemas na segurança das suas comunicações.

De quem tantas vezes exigiu aos políticos para falarem verdade, o mínimo que se espera é uma coerência mínima. Venha ela, Senhor Presidente da República, pois este é o momento em que não o deixo fugir das suas palavras.

Mas se tem alguma responsabilidade, assuma-a de imediato para que me possa levantar e sair. Não discuto com pulhas.

53 thoughts on “Alegra-nos, Alegre”

  1. De tirar o fôlego, Valupi. Parabéns. Muito admiro eu esta enorme capacidade de não ser óbvio. E o último parágrafo, mein Gott! Até parece simples.
    Schuack!

    :)))

  2. Valupi, o Natal foi a semana passada e, mesmo assim, um presente destes seria muito mais do que aquilo que algum dia eu poderia sonhar…

    (fazes o que só os génios conseguem, tu fazes o difícil parece simples. Consegues que nós nos identifiquemos com cada palavrinha que dizes porque são as nossas e são tal qual as que nós diríamos se as conseguíssemos pôr assim em carreirinha e com tamanha clareza e incisão. Gosto de ti, gaijo)

  3. pelo que tenho visto não será dificil descontrolar o cavaco em directo, até agora só tenho visto reverências ao presidente da republica, excluíndo o moura que se lhe tem dado com mais força fazia-o desatinar

  4. Ir ao casino, jogar tudo, incluindo a “CAVE”, e sair abastado para financinanciar O COMBATE AOS INIMIGOS; OS DETRATORES DAS REFORMAS.

    Um grande abraço do

    ACÁCIO LIMA

  5. Confesso perante todos que não acredito que o Alegre seja capaz de tal proeza mas prometo solenemente que lhe darei o meu voto se eu me enganar.Desculpa Defensor porque o voto era para ti.

  6. Val… eu estou sem palavras :)))
    Yes!!!!
    … mais logo vou fazer link com destaque para o Especial – Leituras Cruzadas – Blog d’Ouro 2010 :))
    Beijinhos e votos de um 2011 muito maior e mais feliz do que podem dizer todas as palavras :)))

  7. Pois a verdade é só para os outros; a criatura não fala verdade e oculta a verdade. Continuamso sem saber nada sobre o afastamento do «elo de ligação» no caso do «mail» madeirense. Safa!

  8. A clareza do texto e a sua mensagem, deixam-me aterrado. Estou como a Teresa: GRANDE PRENDA!
    Espero que o Manuel Alegre consiga mostrar a tenacidade que demonstrou na “ajuda” da saída da Ministra Mª. Lurdes Rodrigues e do Ministro Correia de Campos e consiga encostar o outro candidato às “cordas”, porque de contrário, parecerá reverenciador.
    Bom Ano Novo para todos, em especial para o Valupi, para que o manancial de ideias que verte para este Blog, sejam cada vez mais um prazer poder lê-las.

  9. Se o “poeta maior dos poetas menores” não tiver coragem para tanto, que o faça um dia Sócrates quando o que “nasceu duas vezes e está sempre acima dos portugueses” (isto é: o novo messias), começar a exercer a sua magistratura de influência «activa» para derrubar o governo.

  10. Val à presidência, é o que eu digo.
    tu é que devias candidatar-te e dizer de viva voz na cara do espantalho o que aqui tão inspiradoramente tens escrito. É que o Alegre, nem com a tua cábula debaixo do nariz lá vai.

  11. Uma declaração destas era, realmente, uma alegria para os socretinos. Dessa forma evitar-se-ia falar das posições dos candidatos à presidência da república naquilo que diz respeito às últimas medidas do governo do Pinto de Sousa, nomeadamente a lei que vai obrigar os desempregados e os pensionistas que não recebem menos do que o salário mínimo a pagarem taxas moderadoras (que o «socialista» Pinto de Sousa também decidiu aumentar, por razões de justiça social, claro). Ao mesmo tempo, sabe-se que dirigiu dois terços da despesa do Estado com a crise para ajudas à banca.
    Dentro do rumo que já lhe é conhecido, o Pinto de Sousa continua o seu ataque aos «privilegiados» e em defesa do Estado «Social» (mínimo), contribuindo assim para a alegria dos socretinos, que receiam que o Cavaco de novo na presidência encoraje e aprove a destruição do tal Estado «Social» e do SNS. Ou será que não é isso que receiam?
    Mas parabéns ao Valupetas por este post: mostra que sabe desviar as atenções…

  12. Explique-se, pois. Que a honestidade não se proclama, pratica-se. dás-lhe com força, Val.

    Já agora:
    Cavaco é assim uma espécie de artigo de revista científica sobre o evolucionismo na política: a sobrevivência, qualquer que seja o regime, assegura a continuidade da espécie; uma vida confortável não se compadece com problemas de consciência, sejam eles Maria Mendes Vieira, acções da SLN ou os amigos do BPN .
    Tudo isto servido com uma boa dose da superioridade moral pregada por Frei Tomás.
    Portugal vive assim numa espécie de enredo da Agatha Christie, mas sem o Poirot. E desconfio que isto termina mal, com a condenação do supeito do costume, sabendo-se que está inocente.

  13. Cantas bem, mas não me embalas. Falta muita letra nessa tua canção.

    Achas mesmo que uns minutos frente-a-frente podem decidir a derrota ou victória de um deles? Engano teu. Para mim e para muitos outros são os anos e as horas de vida pública destes dois homens que decidem o voto. O meu, decididamente, em Alegre. Não voto em “pulhas”, muito menos em “pulhas” com visão conservadora para o meu país.

  14. Muito bem, Valupi. Mas convém não esquecer que a moderadora é a Judite, se sabes o que eu quero dizer. De qualquer modo, seria giro, ver a Judite em parceria com Aníbal… a lutar por varrer o tema para debaixo do tapete.

  15. Não sei se aguento este debate até ao fim, é mau demais para ser verdade. O pateta Alegre ainda tentou, muito desajeitadamete levantar o assunto, mas deixou-o cair assim que o outro fez cara de mau a dizer que a resposta dele estava na internet. A Judite está impecavelmente no seu papel de anular o debate no que interessa. Deu mais tempo ao papel do presidente face às taxas moderadoras, do que à golpada…

    Vamos lá ver o que há na Fox…

  16. Está a dar o debate? Aqui vê-se “A Casa Fantasma” com uns bonecos muita giros mas acho que deve ser quase a mesma coisa…

  17. a judite puxa pelo bpn ao alegre que responde com pinças e o cavaco contra ataca com indignação. ganda faena, o manel foi bem lidado.

  18. Breves notas do debate, ainda a quente:

    Como, mas como é que foi possível este tipo ser o candidato do PS? Como? Que cordeirinho! Incapaz de atacar como deve ser, incapaz de inspirar, incapaz de tudo. Irra! Estado social isto, estado social aquilo, desde o 25 de Abril qualquer coisa, conspiração de “grandes interesses” não sei o quê! Ouviram aquela declaração final? “Convoco toda a esquerda”? Toda a esquerda? Tu és o candidato a presidente de todos os portugueses, sua besta! Não é só a esquerda que te interessa, anormal! São todos! Os do centro também! E os da direita, por muito que te custe!

    Irra! É assim tão difícil de perceber?

    De qualquer maneira, referiste a justiça como o principal problema a que te dedicarias. Só por isso, levas o meu voto. Bem jogado.

    Pronto, já deitei cá para fora, já me sinto melhor. Desculpem o tom.

  19. Mas que debate tão miserável! Não tinha visto nenhum dos outros, mas provavelmente fiz mal. Devem ter sido melhores. Alegre não percebe patavina de coisa nenhuma. É um espontaneista. Nem sabe, nem parece querer saber! Cavaco não diz nada, remete para o site da Presidência, acha que o Estado social se resume às associações de beneficência, em suma, não responde a coisa nenhuma e, pelo caminho, põe um ar indignado. Resta-me Defensor Moura, pelo que tenho lido…

  20. Eu olho e eu ouço aquela criatura e bem me esforço por lhe encontrar atributos, mas acabo sempre por esbarrar num engulho impossível de contornar: aquilo não é uma imagem de um Chefe de Estado à imagem do meu país.
    Ou então estamos mesmo mais escavacados do que sabemos…

  21. Este debate foi bem uma “alegro” patetice. Que falte de nível. Irra!
    O outro dava o flanco e o pateta, punhos de renda, nem isso aproveitava. Foi mau demais. Como pode o PS apoiar este homem, com tanto que de melhor tinha.

  22. bem josé,
    quem ,senão o vaidoso pateta ,ia o ps arranjar para fazer parelha com o pulha do sócrates na missa de finados?
    o defensor de moura não vale porque ainda não foi vacinado contra a raiva

  23. Concordo em pleno com a Penélope. Manuel Alegre, um desastre. Cavaco o insignificante do costume. Parece que Defensor de Moura é , realmente, a aposta ‘menos má’!

  24. Caros,

    Pode parecer brincadeira, mas o Coelho da Madeira será o mais esclarecido e surpreendente candidato a aparecer nesta eleições. Muitos estão à espera de ‘peixeiro’ e bota-abaixo, mas é um homem duro e experiente que espantará apenas quem não o conhece. Saberá falar para o momento em que lhe for dada a oportunidade.

    Sobre o debate de hoje, Alegre foi simples, franco e, realmente, pouco ‘peixeiro’. O Cavaco foi peixeiro o suficiente para parecer dinâmico, mas continuou sem responder a nada… vazio.. Ouhhhh…….. ouh…… u….

    Acho que Alegre, acima de tudo, precisava de mostrar uma imagem mais calma e ponderada e, na minha opinião, fê-lo… apenas um pouco demais ;-) Creio que segurou os seus eleitores, mas terá ganho poucos. Cavaco não perdeu e não ganhou e crê que isso é suficiente. Eu, que não votaria Alegre por razões semelhantes às do Val, perto de Cavaco… não precisava de fechar os olhos. Espero pela 2ª volta :-)

    Quem gostava de Cavaco, urrou, quem queria que Alegre humilhasse o Cavaco… bem, Alegre não é Sócrates (LOL).

    Alguém recomenda um bom tinto para um final de noite?

    Cumprimentos,
    EM

  25. Amigo Val, do tombadilho da minha fragata, cruzando o Estreito, em direcção ao grande mar oceano com a eventualidade do sonho pela proa, lanço-te três hurras por este comentário. Embora nada disto me apanhe de surpresa, a patetice e a pulhice atingiram niveis de monta neste diálogo alegre. Para o quadro ser perfeito só faltou o cenário ser algures numa qualquer leitaria/pastelaria da Avenida de Roma.

  26. Defensor e Lopes ensinaram.. com tantas deixas ensaiadas por Defensor e Lopes, como é possivel este gaju não ter aprendido a lição….

    mais uma vez, prestou um bom serviço a Cavacu…

    pateta alegre quiz continuar ele mesmo…

    patetico este debate, eu passei a um filme…

    Penso que nem o maralhal do BE terá gostado seu candidato…

    Bom artigo Val…

    abraço

  27. hum, eu não vi, mas já li as reações (ao abrigo do novo acordo ortográfico?); agora sou gamado em dos efeitos inferir as causas, ir logo às causas entedia-me.

    Portanto BPN soft.

  28. e a verdadeira razão da minha comentadice subsume-se neste portentoso comentário: a presença da ausência vê-se no … :)

    PS: prefiro Sólon a Licurgo.

  29. Vega,

    “Como, mas como é que foi possível este tipo ser o candidato do PS?”
    Como , mas como é que vais votar nele?

    E dizes que foi cordeirinho. Claro que foi, o homem só põe as garras de fora com gosto quando é para dar no Sócrates e no governo.

    Ao menos o outro arreganhou a dentuça, mas é um facto que a arreganha a qualquer um que vagamente sugira que ele não é o homem mais honesto à face da terra.

  30. edie, detesto votar nulo, e detesto ainda mais abster-me. Estive à espera que alguém, nestas eleições, me desse um motivo, qualquer um, para poder votar nele. Prestei atenção ao Nobre, mas a causa de salvar o pão das galinhas não me entusiasma, e o tipo provou ser um demagogo do piorzinho que há. O Cavaco é um pulha, embora tenha de admirar a eficácia com que resolveu estes debates, é um tipo previsível à n potência. É, se calhar, a sua melhor qualidade (tinha escrito uma resposta a este post do Val que dizia, quase ponto por ponto, a resposta que ele daria, e acertou em cheio. É pena não o ter publicado, tinha feito um brilharete). O Francisco Lopes nem esteve em consideração, eu cá gosto de viver em democracia e liberdade, obrigado. O Defensor de Moura parece bem intencionado, mas não me convence, atacar o Cavaco é uma obrigação, não é um programa, e tal como o Nobre, a presidência não é para amadores. Também não sou grande fã de votos de protesto, e desconfio da regionalização. Resta pois o imbecil do Alegre. Agora, acho que sou insuspeito de pretender gostar dele, é uma nulidade como político, uma ainda maior como candidato, e representa uma esquerda caduca que se recusa a perceber que o pais, e o mundo já agora, seguiram em frente desde os anos 60 e 70, e que as bandeiras da esquerda têm de ser outras. Bater nos capitalistas e na economia de mercado foi chão que já deu uvas.

    Mas no meio de tanta imbecilidade, disse uma coisa que para mim é importante: falou em resolver o estado da justiça como sua primeira prioridade. Que é precisamente aquilo que eu considero ser o principal problema do país, de onde depende a resolução de todos os outros. Teria capacidade de resolver o problema? Duvido. Mas ao menos poria a questão ao nível a que ela tem de ser tratada, a Presidência da República. E por isso, por ter mostrado pelo menos essa vontade quando mais nenhum outro o faz, leva o meu voto. De olhos semi-cerrados e cara feia, e ainda dependente de não ver nenhum cartaz do BE a caminho do local de votação, mas leva o meu voto. Lamento, sou um vendido por causas em que acredito, e acredito nesta. Desejava, mesmo muito, que fosse outro a defender isto para não ter de votar nesta aventesma, mas não há. Vou com o que que tenho.

  31. Compreendo e respeito, Vega. O teu voto no Alegre é tão triste e desencantado como o meu voto branco…Sacana de situação em que estamos metidos. Estou como o Val, devemos agradecer ao Louçã e ao Seguro. Com gente desta na esquerda, a direita nem tem de se esforçar para levar a água ao seu moinho.

  32. E o Cavaco podia contar isto (ah ah ah!)

    «O diploma que não existia
    22-12-2010
    Por Pedro Jorge Castro

    Cinco dias depois de se ter refugiado em Paris, em Julho de 1964, Manuel Alegre escreveu ao cunhado, António Portugal, marido da irmã, e fez-lhe um pedido: “Preciso urgentemente dos meus documentos universitários, inclusive as cadeiras feitas e respectivas classificações. Junto do meu padrinho tenho possibilidades de completar o meu curso. Seria óptimo se ‘arranjassem’ as coisas de modo a que o certificado dissesse ter eu o 3.º ano completo.”
    A seguir , juntou um alerta contra a PIDE: “Será conveniente que esses documentos venham por mão própria, para esses filhos da puta não os roubarem no correio.”
    Manuel Alegre não concluiu o 3.º ano de Direito, daí o uso de aspas no verbo “arranjassem”. A carta, manuscrita, foi interceptada pela PIDE e está arquivada na Torre do Tombo, tal como uma transcrição dactilografada pela polícia política”.

    Merdinhas….

  33. Sumo-me os merecidos parabens pelo post.
    Mais uma coisa, não há outra mulher/homem que não seja a Judite Souza. Não gosto dela nos debates, ela pregunta demais e por vezes opina , e acho que ela não é a protagonista, não sim.

  34. Porque sou doente e cuidadoso, fugi cobardemente ao debate – ver um espertalhão tourear um pateta, esfregar o chão com a cara do poeta, rematar a lide com um par de bandarilhas e saír em ombros pela porta grande, seria tormento penoso que, decerto, me mataria. Para mais, sem o consolo de voltar, por uma segunda vez, a nascer. Porque, nascer segunda vez, para isto, não me parece excessivamente aliciante e, também, porque me não interessa especialmente um concurso de seriedade com o Dr. Cavaco.

    Este mito, da seriedade do senhor, é, aliás assunto francamente menor, sobretudo quando comparado com o outro mito que inventou para consumo dos incautos, de que foi um óptimo, o melhor de todos, primeiro ministro. Se foi um bom, sequer sofrível, primeiro ministro ou, como suponho, o pior desastre que nos calhou em sorte, desde o senhor Marquês do Alegrete (não confundir com o senhor poeta Alegre), eis um debate que teria valido, há muito, travar, nem tanto para dizer mal (ou bem) da criatura, mas para entendermos as verdadeiras origens dos males que, inelutavelmente nos arrastam para as profundas e que, também inelutavelmente e creio que defintivamente, nos impedem de vir a uma superfície no mínimo decente. Assim como as coisas são, ficamos, na melhor das hipóteses, com a sensação, achamos, que o sujeito não terá sido tão bom como o pintam (porque criou o monstro, ou coisa semelhante) e que não é tão sério como teima em pintar-se (o patético caso BPN; o poético negócio da família nas falésias da praia da Oura; a alegre vivenda mariani e outras ocasionais tropelias).

    E o mais grotesco é que a esta extraordinária criatura, a alternativa que nos oferecem é uma amiba intelectual, um oportunista desvergonhado, inventado por outro espertalhão para atirar às canelas do Engº Sócates, para usar e deitar fora.

    Por isso, poque não tenho candidato em quem votar – no actual estado das coisas, teria gostado de ver apresentar-se, ou ser apresentada, a Dra. Isabel Jonet, que não seria outro Dr. Fernando Nobre – abro aqui uma subscrição, estendo a mão à caridosa solidariedade que me financie, em moderado luxo, uma viagem a um qualquer lugar, situado a mais de 12 horas de viagem da minha assembleia de voto e de uma tentação abjecta de colaborar na patuscada ignóbil que se prepara.

  35. Conheci outro Francisco Araújo, só que não escrevia tão bem como este. Uma boa denúncia da patuscada. Contribuo com 25 bolívares, bem merecidos.

  36. Sobre o pedido de M. Alegre ao cunhado, António Portugal, descrito acima, lembrei-me que à mana, Teresa Alegre Portugal, nem foi preciso pedir. Enquanto vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, espalhou nesta cidade, não apenas uma estátua em bronze, de homenagem ao mano, colocada no Parque Verde do Mondego, para assinalar os 40 anos de vida literária do poeta (apesar das críticas do próprio PS), como inúmeras placas com poemas de Manuel Alegre em jardins e outros espaços públicos da Cidade Universitária. Terá sido este o seu melhor «trabalho», uma vez que nunca se preocupou em mandar colocar, por exemplo, alguns vidros, a substituir os partidos, no Convento de Santa Clara-a-Nova, facto que mais agravou a deterioração da talha dourada e das belíssimas pinturas que podem observar-se naquele espaço. Quem é amiga, quem é? A maninha, pois!

    Uma perguntinha para ela: será que Coimbra vai votar no mano?

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