A moca de pregos do Chico Mota

Francisco Teixeira da Mota teve recentemente ocasião de publicar o seu entusiasmo pela existência de uma acusação contra Sócrates, a qual antecipa ir gerar condenações porque os “circuitos do dinheiro” chegam e sobram para engaiolar a bandidagem, é limpinho. Logo de seguida, expôs o seu êxtase resultante do excelente trabalho que o Correio da Manhã fez na recolha dos sinais exteriores da corrupção socrática, o qual carimba como jornalismo exemplar. Hoje, junta-se ao coro dos que pretendem que os juízes portugueses se dêem ao respeito e ponham na ordem Neto de Moura, um juiz cujos fundamentos para atenuar uma pena por violência sobre uma mulher causaram justo escândalo – a decisão e os fundamentos.

Que têm estes três artigos em comum? A temática das decisões judiciais e dos direitos dos arguidos e das vítimas de crime, para começar. E o Chico Mota e o jornal Público, para acabar ou recomeçar. Ficamos a saber que há juízes que não podem mijar fora do penico calhando a matéria envolver mulheres como vítimas de homens. Algo que não oferece dificuldade de maior para perceber e aceitar. Todavia, se um juiz apanhar certos arguidos envolvidos em suspeitas de corrupção, então não só pode fazer o que lhe der na gana como até deverá facilitar práticas criminosas que facilitem a condenação na opinião pública do arguido, haja ou não haja condenação em tribunal. O Chico não identifica qual seja a origem na sua pessoa da vigência do duplo critério, mas desconfio que não valha o gasto de calorias para dela tomar conhecimento.

O seu caso é apenas um de uma enorme maioria na imprensa dita de referência. Em colunas e espaços de opinião, de forma festiva, e nas linhas editoriais, de forma tácita, celebra-se o triunfo da imediata condenação de Sócrates num auto-de-fé jubilatório. Os abusos e crimes da Justiça, de que Sócrates é factual vítima, são silenciados, ou justificados ou aplaudidos. E até o espectáculo de vermos um juiz de instrução a dar uma entrevista onde goza com um arguido, sobre o qual tinha já tomado decisões judicias e outras mais teria de tomar, foi desfrutado com prazer infinito pela turba do linchamento. Carlos Alexandre, na entrevista à SIC, esforçou-se – ao ponto de repetir as alusões – em publicitar a sua convicção da culpabilidade de um cidadão na altura sem sequer ter acusação formada. Pelos vistos, e tal como os seus pares e demais decisores deliberaram, tal não chegou para pôr em causa as suas condições para ser “imparcial”, para “fazer justiça”. Uma justiça, portanto, feita pelas próprias mãos. Umas mãos isentas, limpas, probas, nascidas para apanhar a malandragem dos políticos e ricalhaços corruptos, como teve demorados minutos a explicar com detalhe biográfico ao povo.

A violência do Chico Mota ao usar o seu palco na comunicação social, e o seu estatuto de jurista, para se substituir à Justiça não é menor do que aquela que marido e amante exerceram com uma moca de pregos sobre uma mulher a partir da entusiasmada e extasiante convicção de culpabilidade desses dois valentes.

15 comentários a “A moca de pregos do Chico Mota”

  1. São os pachecos e motas de Portugal. São todos parasitários que vendem sua doxa fretista interpretativa uns conforme aos interesses dos donos dos media que os domesticam atafulhando a conta bancária (os motas) outros por tal mais o interesse próprio de por meio de um bode expiatório de todos os males portugueses poderem ocultar as culpas e corrupções próprias (os pachecos).
    E, talvez, assim seja aparentemente pois se examinarmos de perto o percurso dos motas certamente encontraremos interdependências de jogos de negociatas politico-financeiras.
    Para ambos todos o caso Sócrates está a tornar-se num frenético frenesim de culparem o homem salazarentamente já e em força para aliviarem o aperto de ventre do medo que sentem só de pensar Sócrates ilibado limpo e livre para contar a história da maior pulhice de perseguição política-jurídica do Portugal democrático.
    Contudo, aconteça o que for nunca tais truantes inquisidores se livrarão da condenação logo que a História seja contada segundo os factos e documentos.

  2. Muito bem Jose Neves!
    De facto, penso que nunca, em democracia, se terá visto tão grande pulhice, ou seja, a dita “perseguição político-jurídica”, apenas para os juízes se vingarem das medidas tomadas por Sócrates, que lhes retiravam benesses ilegais, entre outras mais genéricas!
    E mais não digo, mas repito, MUITO BEM Jose Neves, numa altura em que a população mais “distraída” já está completamente manipulada, considerando Sócrates culpado, quando ainda nem uma das acusações foi comprovada, ultrapassados que já estão todos os limites legais para o fazer!

  3. mas já saiu a sentença do marquês??? e tinha agravantes inspiradas no códigode hamurabi? está tramado o zézito , se assim for. é melhor começarem já a amanhar uma recolha de assinaturas.

  4. socrates fodeu.se quando se meteu com as mordomias de juízes.gente falhada que gostavam de ser advogados,mas não tinham pedalada nem elasticidade mental para tal.. como é que um gajo normal pode gastar 15mil euros por mês mesmo em paris? socrates vai morrer sem ser julgado.

  5. Obrigado, Jasmim, mas o que a CMTV vai mostrando chega e eu já não ando a dormir bem por causa do José Sócrates, de ti e de todos (e se em troca te interessa um pentelho erudito que seja o teu acento está errado, a propósito) .

  6. Ah, e viva o Francisco Teixeira da Mota!
    (quem sabe se, depois do best-seller sobre o Artur Alves dos Reis, a sua sapiência não será alargada ao passado-próximo com um conhecido youtuber?)

    Nota. Valupi, pensa se esta não é a ponta?

  7. De acordo com informações recolhidas pela SÁBADO, os procuradores da Operação Marquês estão a recusar, por agora, cumprir o despacho do juiz, considerando que do mesmo ainda há uma possibilidade de recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, o qual suspenderá a decisão.

    Ah-ah, e viva o MP!

  8. o chico zundapp e a(o) yo fazem-me lembrar aquela menina tão púdica , tão púdica, tão púdica, que pensava que desabrochar era tirar da boca.

  9. Do Código de Hammurabi: Aquele que acusa falsamente alguém da prática de um crime deve ser castigado com a pena correspondente a ele próprio o ter cometido.

  10. É só para avisar o dicionário de serviço aqui no Aspirina, que aquilo que se identifica por Yo, colocou cedilha por baixo do “c” de Spacey. Eu digo por baixo porque poderia ser por cima, mas não, foi mesmo por baixo.

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