50 minutos preciosos

É das intervenções mais importantes que ocorreram na política portuguesa desde não sei quando à tarde. A entrevista de Maria João Avillez a Fernando Medina, se nenhuma outra utilidade tivesse, mostra que o PS tem ali um potencial secretário-geral da maior qualidade intelectual e política. Outro a juntar a um leque de vários talentos da nova geração socialista que, neste momento da história do partido, estão todos do lado de António Costa. No futuro do PS não haverá crises de má liderança, esse é um pesadelo do tempo presente.

A entrevista é igualmente de consumo obrigatório porque estará nela, provavelmente, a explicação mais clara até agora apresentada no espaço público sobre o diagnóstico da crise. Não se trata de ter sido proferida uma verdade, trata-se de se ter feito um argumento intelectualmente honesto. Como argumento que é, pode ser contrariado. Mas como a sua raiz nasce da honestidade da análise, exige igualmente um racionalização honesta por quem o quiser criticar. Isto leva a que os argumentos de baixa política ou se exibam ridículos nas suas deturpações primárias ou nem sequer apareçam por se reconhecerem como as inanidades que são.

Finalmente, a entrevista é de especial interesse pela pessoa da entrevistadora. Maria João Avillez, perto de fazer 70 anos, é uma típica representante da direita conservadora e da oligarquia. Nesta ocasião, ela faz o que sempre fez e fará: toma partido e camufla de intervenção jornalística o que é pura luta política. Sócrates é a sua obsessão, por via do tema “passado” que percorre a maior parte da entrevista. O que há aqui a realçar, por um lado, é o cardápio da atitude da senhora, o qual se resume à perseguição de um alvo odiado. As razões do ódio ficam imunes ao trabalho da inteligência, por isso a vemos a fugir sempre que as palavras de Medina a deixam encurralada e obrigada a contra-argumentar ou a assumir o seu erro de juízo. Contra-argumentar ela não consegue, assumir erros ainda menos, pelo que foge espavorida só para voltar a tentar ferir o adversário na próxima oportunidade. Nos minutos finais o espectáculo seja a ser literalmente patético, e hilariante, tamanho o descontrolo emocional causado pela raiva que transporta. Por outro lado, o elenco das retóricas baseadas na “culpa”, que é um automatismo antropológico universal nas contendas políticas, e que no caso português contemporâneo assumiu uma grandiosidade histórica pela força do carisma de Sócrates e do pânico que causou na direita, fica aqui com um documento anedótico para estudo ou divertimento. Ver as caras de repugnância da MJA, tanto ao colocar perguntas para as quais só admitia uma resposta como ao ouvir o que Medina tinha para lhe dizer, é desopilante. E trágico, bastando olhar para o que Seguro e os seus estão a fazer contra os próprios camaradas, copiando com zelo a cultura do ódio que tem moldado o debate politico em Portugal desde 2008.

Aqui fica uma caricatura da essência desta entrevista. E de tantas.

14 thoughts on “50 minutos preciosos”

  1. Valupi, o tema deste post está bem escalpelizado, por isso só tenho que aplaudir a sagacidade aplicada, e a clareza da análise à entrevista em questão.
    Quanto ao vídeo, creio que nada tem a ver com a entrevista feita pela D. Maria João Avillez, arruaceira ao serviço da direita.

  2. Evaristo Ferreira, o vídeo é uma caricatura daqueles jornalistas que deturpam o seu papel e já levam a entrevista feita. É precisamente o caso da MJA em tudo o que tenha a ver com Sócrates, como ela infantilmente mostra.

  3. casa de putas sem madame não é bordel. quanto à entrevista, acho que o medina anda a perder tempo no sítio errado, aquele cenário e o ambiente da casa é mais tipo isaltóino morais. o medina que se desinfecte bem depois daquela piolheira e se prepare para dêvêdês pirata dobrados pelos ramos e comercializados pelo zé manel na feira do relógio.

  4. maria joão avilez queria saber, se a antonio costa já tinha na cabeça a ideia de ser secretario geral há muito tempo.até é capaz de ser um desejo antigo,mas pergunto quem é que tendo obra e perfil para o lugar não deseja ser um dia o lider do seu partido? aconteceu agora a afirmaçao desse desejo,porque josé seguro se pôs a jeito por força de uma total incapacidade para o cargo que o ps e milhões de portugueses não podem suportar por mais tempo!

  5. josé seguro foi vitima mais uma vez, da sua falta de solidariedade para com o passado do partido que lidera,ao ver a “narrativa da bancarrota” ser aplaudida em delirio pela direita no parlamento, durante o debate quinzenal de hoje!

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