15 de Setembro by Carlos Abreu Amorim

A actualidade está mais rápida do que a capacidade, ou a paciência, para a teclar. Foi assim que se perdeu um imperdível depoimento do Zé Manel, intitulado Não ganhamos nada com um clima de guerra civil. O tanto, e tão bom, que haveria para dizer sacrifica-se em hecatombe aos deuses da pastelaria fina e seus templos na Av. de Roma. Este probo que apela ao civismo e à concórdia é o mesmo que iniciou uma perseguição ad hominem no jornal que dirigia literalmente no dia a seguir a ter visto os seus patrões ficarem sem o negócio das suas vidas, e é o mesmíssimo que lançou uma conspiração político-mediática – nunca antes tentada em Portugal – com a gloriosa intenção de perverter dois actos eleitorais, acabando a berrar que o Governo tinha mandado os serviços secretos contra si e demais emails da sua rapaziada. Sim, este artista sabe bem o que é um clima de guerra civil.

O que não pode, apesar dos pesares, passar sem referência é a última obra-prima do mestre do nacional-chunguismo:

A manifestação de 15 de Setembro foi não tanto contra a TSU, o Governo e a situação atual presente mas contra as políticas dos últimos anos.

Carlos Abreu Amorim, 19 Setembro

E não é que o danado do homem tem razão? Só a má-fé e a falta de carácter típicas de todos aqueles que não lambem as mãos ao Passos Coelho será capaz de negar que o clamor da multidão estava direccionado contra esse tempo em que se gastava dinheiro público estúpida e aviltantemente com escolas renovadas, hospitais equipados, estradas a unir populações e territórios, computadores para crianças, cursos para adultos, apoios aos mais carenciados, apoios aos mais capacitados para descobrir e inovar, parques de energias renováveis, sistemas de simplificação da administração pública, apostas estratégicas no desenvolvimento da economia, modernização das exportações, políticas de negócios estrangeiros ousadas e ambiciosas, crescimento do prestígio de Portugal como país cada vez mais qualificado e até vanguardista em certas áreas. Esses foram anos terríveis, como o provam as estatísticas oficiais ao revelarem que em 5 anos se conseguiu reduzir a pobreza de 29% para 20% e que em 2009 o nosso jardim à beira-mar plantado registou a mais baixa taxa de pobreza de sempre: 17,9%. Acresce que também a desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres passou de 6,9 vezes em 2004 para 6,0 vezes em 2009.

E aqui está à vista, ofuscante, a verdade das palavras de Carlos Abreu Amorim. Porque isto de um país ter políticas que vão conseguindo baixar a pobreza e reduzir a desigualdade só pode conduzir ao caos. De repente, a continuar nessa loucura, corremos o risco de deixar de conseguir identificar os ricos dos menos ricos, ou até dos remediados. E, depois, como é que é? Como é que os Carlos Abreu Amorim deste mundo se conseguiriam orientar na selva social? Óbvio, isto é óbvio: precisamos de afastar a gente séria dos pés-descalços, precisamos de separar as águas, clarificar, ordenar e segregar. Para que não haja confusões, para que cada um possa finalmente ir à sua vida e ser para o que nasce.

Não foi outra a mensagem desse sábado, é inegável, em que centenas de milhares de portugueses saíram à rua para exibir toda a sua indignação contra essas políticas dos últimos anos, essas políticas e esses governantes malvados que atacaram a nossa querida pobreza. Mas podemos ficar descansados. Oh, se podemos… O senhor Carlos Abreu Amorim e seus amigos valentes tudo farão para recuperarmos o tempo perdido e até ir muito além. Aliás, com o entusiasmo com que eles estão, vai ser um tirinho até estarmos quase todos na miséria. E então, subnutridos e doentes, humilhados e assustados, já não teremos necessidade de ir para a rua fazer manifestações. Ficaremos à janela a dizer adeus aos bólides dos ricalhaços que passem na mecha em direcção aos palácios e às festas, muitas festas, que eles, coitados, têm de fazer dia sim dia sim de modo a conseguirem aguentar o fardo da sua riqueza.

14 thoughts on “15 de Setembro by Carlos Abreu Amorim”

  1. Pois é! quando aparecem numeros, a narrativa da direita reacionaria que nos governa,vai para a lixeira.O ZE Manel,(taxista de Belmiro de Azevedo) depois do apoio à invenção das armas de destruição massiva,ganhou-lhe o jeito, e passou a perseguir o politico da esquerda democratica, que teve a ousadia de ser eleito duas vezes pelos portugueses.

  2. “Esses foram anos terríveis, como o provam as estatísticas oficiais ao registarem que em 5 anos se conseguiu reduzir a pobreza de 29% para 20% e que em 2009 o nosso jardim à beira-mar plantado registou a mais baixa taxa de pobreza de sempre: 17,9%. Acresce que também a desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres passou de 6,9 vezes em 2004 para seis vezes em 2009.”

    Muito bem dito Val. É isto que eu acho que os partidos do arco da governação – PS, PSD e CDS – deveriam dizer à população. Apesar dos erros os nossos défices orçamentais são justificáveis, resultando, a sua maior parte, num aumento da qualidade de vida dos portugueses. Mas este discurso foi abandonado, especialmente pela direita, para justificar o chumbo do PECIV e a vinda da troika redentora que nos iria livrar dos socialistas gastadores.

  3. “.. escolas renovadas, hospitais equipados…”
    Essas politicas foram feitas uma redução real do défice de 6,8 para 2,6% em 2008. Sem truques.
    Em 2009 houve um aumento de despesa, apoiado pela UE, para combater a crise, a que acresce um raro ataque de eleitoralismo de Sócrates com os aumentos na função publica. Depois chegou em força a crise da dívida, mais o golpezito de estado e aqui estamos, entregues à bicharada, governados por lunáticos.
    Uma coisa é certa nunca nenhum governo fez tanto e tão bem para melhorar a vida dos portugueses.

  4. Os dois montes de banha, S. Bagonha: há dias vi o Zé Manel na Baixa – o homem deve pesar agora perto de 200Kg, tem três queixos e pinga óleo do cabelo (repelente, está a transbordar para fora o que é por dentro).

  5. Por enquanto ainda os vamos vendo na baixa. Estas enxundias ainda andam à solta, só que não se devem ter dado conta que o dia em que não vão poder sair de lado nenhum, se as coisas não melhorarem, pode estar bem perto. Então vão desejar não ter nascido e finarem se como os porcos que se engordaram para a matança. Cuidado, muito cuidado com a fúria dos mansos:a tolerancia de um povo nunca se repete…

  6. Mais de 200 k?!!!
    Xiça, tá explicado o veneno, se eu tivesse esse tipo de peso andava f***** da vida o dia todo.
    Ele que peça ao patrão merceeiro para lhe pagar uma lipo, com tanta espinha dobrada e rabinho aberto já deve ter recolhido o valor
    suficiente para o fazer numa privada de que tanto gostam.

  7. Estão um para o outro, são figuras que deviam ser erradicadas das televisões, nada de
    útil têem para dizer salvo, mostrar a sua sabujice sem o mínimo valor intelectual!
    Ambos se situam no grau zero nas áreas onde se mexem, seja na “porca” ou no dito
    “jornaleirismo”, sempre prontos a “morder” à menor tosse do patron! INVERTEBRADOS!!!

  8. vocês sabem que o zé manel (e o belmiro) já foram admiradores do sócrates. o zé manel foi tão admirador que até meteu o jornalista cerejo, que tomou sócrates por inimigo desde os tempos do ambiente, na prateleira. o belmiro elogiou o sócrates na tv. e não foram pequenos elogios: até a judite lhe perguntou se não se iria desdizer depois. mas veio a opa falhada à pt e tudo se alterou. o belmiro começou logo a atacar o socras e o zé manel tirou o cerejo da prateleira e deu-lhe primeiras páginas com força. a saga continuou tempos depois com a participação na inventona de belém. se fosse nos states a esta hora o zé manel estava na prisão por participação em conspiração.
    no meio disto é curioso verificar que o belmiro devia estar grato ao sócrates pois se a opa tem vingado o mais certo era ver o império sonae engolido pela dívida gigantesca, com os juros em constante subida.

  9. ap
    ainda não percebeste que se o Val fosse o CAA do Sócrates, não te dava entrada no blogue?

    Mas eu, que não sou o Val, digo-te: quando tiveres problemas de diarreia trata disso na tua casa de banho.

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