Les beaux esprits se rencontrent

É um chavão, e logo gaulês. Mas é também – pelo menos no caso da «Sininho» e do «Py» – uma grande verdade. Quando escrevi o post aí abaixo (esse com a foto do deserto em Marrocos), estava longe de imaginar que não estava sozinho, por aqui, e que estava até muito bem acompanhado.

Pois acontece isto: tanto a Sininho como o Py enviaram-nos fotos daquele país magnífico. E próximo. Segundo rezam os ditos, Rabat é a capital mais próxima de Lisboa. Não é, Madrid ganha-lhe por uns quilometrozecos. Mas quem repara nisso?… E faz muito bem.

Ora, o Py andou por Alcácer Quibir e foi ao local da batalha (que fica 16 km a nordeste da cidade de tão famoso e agoirento nome). Tirou lá esta foto, que comenta nos termos que seguem.

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Quando vi este post do Fernando, lembrei-me de uma coisa. O ano passado voltei a Alcácer-Quibir, lá fui a cheirar, até que voltei ao sítio da batalha. Fui fazer uma mijinha e fotografar. Fiquei de descobrir mais tarde o que estava na placa com as três coroas. Já que na batalha morreram os três reis, na versão mais corrente, e estão lá três coroas, pensei que podiam ser os três reis, mas os dois de baixo têm a estrela do Islão e o de cima tem um tracinho vertical e não iam pôr D. Sebastião por cima dos deles, logo será Allah? Não faço ideia do que está escrito na placa e infelizmente não fotografei de mais perto.

Os meus meios técnicos permitem chegar a isto. Já haverá quem possa ler?

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Entretanto a Sininho andou fotografando material culinário. Isto, por exemplo.

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E informa que as suas melhores fotos – «as do deserto» – não estão digitalizadas. Esta está, e tanto que, no jornal de cima, em letras vermelhas, pode ler-se, bem grande, «Les pays arabes e[xigent?] paix et réformes».

A reprodução, aqui, é… degueulasse.

32 thoughts on “Les beaux esprits se rencontrent”

  1. Bela jogada Fernando, e hoje joga a selecção! Se calhar tenho de lá voltar este ano, para fotografar mais de perto…

  2. Fernando, não é bem uma fotografia de matéria culinária… é de Alimento! É assim que vejo esta fotografia e… pelos vistos tu também viste… (repara no teu comentário)

    Py, para ler o círculo central nem preciso de atalho: é Allah. O primeiro risco vertical é um A, os dois segundos são os L, e por fim juntos tens outro A e o H. Da placa, não leio nada, nem no mail que me enviaste. Vou mandar a fotografia a uns amigos que, talvez, me saibam dizer de que trata este “monumento”.

  3. Ó sininho, se calhar a expedição já vai atrasada, pá! Ia jurar que o dom sebastião está ali pendurado à janela, tão implume e vulnerável como a pobre da espanhola o pariu.

  4. O maléfico dom do sebastião perdura no tempo. Ele come tudo, tudo, tudo e nós ficamos como a nêspera, à espera que algo aconteça. Importam-se de acender os faróis?

    Até já.

  5. Entendamo-nos,Renato C.!
    Nem tudo o que lembra sebastião é sebastianista.
    Eu, por exemplo, que falo dele todos os dias, com os meus botões.
    É que todos os dias preciso de encontrar qualquer coisa que me explique este país incompreensível em que vamos vivendo.
    E o exemplo de sebastião, avatar de quantos cretinos nos têm dirigido há séculos, apazigua-me.
    E espicaça-me, o que é que queres que eu faça?!

  6. Anonymous
    Com tantas, mas tantas, palavras que habitam um diccionário ou uma enciclopédia, será que não há uma que te sirva?
    Que tal Sebastião? Ou Espanhol?
    Anonymous há muitos, como as palavras…

  7. Só por curiosidade, sabem como é que os árabes provam as calças?
    Da mesma forma que nós verificamos se as meias nos servem (fechando a mão em punho e envolvendo-o com o pé da meia, tendo as extremidades que se sobrepor ligeiramente), eles agarram na cintura das calças e põem-na à volta do pescoço.
    Funciona e dá jeito! para os mais tímidos e frequentadores de feiras ou souks.

  8. Sininho,

    «Árabes»? Estou a ouvir bem? Viste muitos «árabes» em Marrocos? Eu vi quase só mouros… Como se vêem – sem desmerecer, e bem pelo contrário – no meu Alentejo.

    «Árabes» são a cultura dominante, a língua dominante, a religião dominante, a legislação toda. O resto é tudo marroquino. Mouro, repito. Berbere. Do bom.

    Também os iranianos não são árabes. E até falam uma língua indo-europeia, o farsi. Não confundas árabe com muçulmano.

  9. Oops!
    Ok, Fernando, não te zangues.
    Eu deveria ter escrito arabis. Mas se te agrada mais mouros podes trocar (dou-te absoluta autorização)

  10. Olá tuaregs! Hoje tive de andar às voltas por aí. Só para desfazer um equívoco lá para os andares de cima: eu sou sebastianista light, isto é, não quero o regresso de nenhum salvador reencarnado (muito menos eu), mas gosto da aura, do espírito poético da coisa, de um toque transcendente neste imanente chato!

    Quanto ao Sebastião é o contrário de mim, ou seja tem o signo oposto. Mas conheço bem a história do rapaz porque em certa altura estudei-a. Se quiserem fofoca…

  11. Quanto a essa das calças eu acho mais prática a dos pretos e faço como eles: desde o punho ao cotovelo para ver a cintura e já tá!

  12. Oy
    Então o perímetro do pescoço é igual à distância do punho ao cotovelo? Boa!
    O perímetro da mão em punho igual à planta do pé.
    Quem tem mais?

  13. Py,

    Ainda não desci àquela região, a de Sudoeste. Mas dizem que Essaouira é belíssima.

    Já Agadir, o orgulho dos marroquinos, não me atrai. Serve para ele dizerem, vaidosos, que também têm cidades modernas… Bendito terramoto, claro. (Aliás, penso agora, a Baixa de Lisboa… Cala-te, boca.)

  14. Py,

    Sobretudo a de El Jadida, que levou recentemente, como sabes, um grande arranjo. Então se descobriu, também, a belíssima cisterna portuguesa.

    Os interessados podem vê-la no Google Imagens, procurando por «jadida cisterne».

  15. La cisterne portugaise. O que eu acho engraçado é que quando era miúdo e me mostravam coisas parecidas nos castelos por cá, diziam-me ‘a cisterna árabe’! Mas parece que era a antiga sala de armas. O Orson W. filmou lá. Tem uma sonoridade incrível.

    Mas olha que ainda gosto mais da torre de menagem de Arzila. Em ponto mais pequeno faz-me lembrar a torre do castelo de Extremoz.

  16. E sabias que Chefchaouen, de facto uma das mais lindas cidadezinhas do Norte de Marrocos, e decerto a mais bonita do Rif, está geminada com… Mértola, uma das mais lindas (dizem, sou suspeito) do grande Alentejo?

  17. Gabriel,

    É por isso que não faz mal nenhum não conhecer mundo. A gente poupa-se ao sofrimento das saudades. Já me bastam as que tenho dos Açores, de São Miguel (o das Fürnas, o da Lagoa, o da Ponta da Madrugada, só o nome…), do belo Faial, das Flores. Sim: Ai que saudades…

    Bom domingo.

  18. Oy,
    Descobri que não tens razão… É que o antebraço não cresce, tal como a cintura e o pescoço que alargam na proporção. Próxima prova de calças pensa nisso.

  19. Eu não tenho barriga Sininho, assim tem funcionado bem. Hoje já trabalhei umas coisas e agora vou bazar, tá Sol! Bom domingo para ti.

  20. Deus vos abençoe!!! Ainda há quem se motive pelas questões em torno do sebastianismo, do imaginário lusitano em relação à berbéria e pela grande ressaca da jornada de 4 de Agosto de 1578 que marcou o fim de Portugal enquanto nação com algum orgulho! Hoje, a única forma de recuperarmos do estado espectral em que vivemos, consiste na recuperação do sonho sebástico…avante, à conquista do Marrocos…em breve recuperaremos aquelas terras QUE NOS PERTENCEM POR DIREITO!!!

    P.S. Já “invadi” Marrocos em anos anteriores, auxiliado por alguns destemidos, herdeiros do valoroso terço dos aventureiros. Porém, faltou-me a “logística adequada” para consolidar a conquista…

  21. Parece tudo apenas um facto histórico, mas há historias por detrás da própria historia de Portugal, que fazem com que cada vez que marchamos para a loucura, ela se veste de negro…

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