Álvaro Cunhal não fugiu de Caxias

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A revista tem Denzel Washington na capa e chama-se Certa – mas, pelos vistos, às vezes não acerta. É distribuída nos supermercados Continente, publicada pela Edimpresa e tem como director José Fortunato. Os seus temas-base são: TV, Beleza, Culinária, Moda, Saúde e Actualidade.

Dentro da actualidade, surge uma coluna com sugestões para a quinzena. São três os livros referidos em breves notas de leitura: Salva-me, A criança que não queria falar e Máscaras de Salazar. Pois aqui é que bate o ponto. Sobre este terceiro livro, de Fernando Dacosta, há um texto que termina deste modo: «O ex-Presidente do Conselho não caiu de nenhuma cadeira, conservou, escondidas, duas cápsulas de cianeto fornecidas por Hitler, a PIDE matou Delgado sem o seu conhecimento, foi ele que sugeriu a fuga de Cunhal da prisão de Caxias.» Aqui está um erro crasso. Álvaro Cunhal fugiu sim, mas de Peniche.

No dia 3 de Janeiro de 1960, lembro-me muito bem, estava o meu pai no Montijo a descansar, e veio um guarda dos Serviços Prisionais chamá-lo a casa (na Rua Sacadura Cabral) para ir com um grupo de homens montar guarda ao cruzamento de Pegões. O meu pai não era polícia, mas sim motorista assalariado do Ministério da Justiça. Lá teve que ir, mas a resmungar, pois não fazia nenhum sentido Álvaro Cunhal e os outros fugitivos do forte de Peniche irem aparecer no cruzamento de Pegões, onde se juntavam as estradas do Porto Alto, da Marateca, de Vendas Novas e do Montijo.

Salvou-se disso tudo um bom vinho branco que eles trouxeram de Santo Isidro de Pegões. Ainda hoje quando sou entrevistado, digo que o meu vinho preferido é o branco de Pegões. Mas não confundo Caxias e Peniche.

José do Carmo Francisco

5 thoughts on “Álvaro Cunhal não fugiu de Caxias”

  1. Foi esse o único erro crasso que encontraste na história? Sim o homem realmente “fugiu” de Peniche, com uns quantos. E a “fuga” colectiva de Caxias também foi muito aparatosa e rocambolesca. Acredite quem quizer.Pode ser que daqui a uns anos se descubram papiros reveladores…

  2. Não foi na história que encontrei um erro crassso; foi numa notícia de uma revista. Não sou historiador; sou jornalista, carteira profissional nº 4149. Não vá o sapateiro além da chinela.

  3. Jé Francisco sempre atento e acutilante.
    Vieste aqui lembrar aquilo de que ninguém “já se lembra” ou tenta branquear:
    As ligações pouco perigosas mas muito convenientes entre a Pide e o PC.

  4. Não estou a ver grande futuro por aqui. O post do Valupi já vai com 179 orgasmos múltiplos a dividir por um punhado de raparigas e ainda não se entrou na prova oral propriamente dita.

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