O que o temperamento arisco da adolescência faz em nós. Chega a casa, abre os braços e fecha-os à volta dos meus ombros, sem apertar. Fica assim alguns segundos, aconchegado. Filho, aconteceu alguma coisa? Nada, mãe, vinha só com vontade de te abraçar. Dá-me um beijo, escolhe um livro e deita-se no quarto, a ler. Precisamente, e pelo contrário, está muito bem.
Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.
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Que querido!
Mas passa… Aproveite-se bem enquanto há. O que há.
E que dizer de um já não adolescente que vem a casa quando calha mas que eu descobri a ver desenhos animados? Era uma coisa assim «Será que não nos perderemos com um cicerone como ele?» E os bonecos, claro. Como o tempo passa, como está longe o verso «nunca a morte se tinha assemelhado a um passeio escolar»…
Susana, isso diz tudo a respeito da Mãe e do Filho.
Acabei de deixar, em cima das camas, a roupa para as minhas filhas vestirem amanhã. Pensei quanto tempo mais vou poder fazer isso sem que elas o considerem um crime de lesa majestade…
Não posso opinar que não tenho filhos, mas tenho uma mãe-galinha :-)
fernando, já “passou” mais do que agora. parece estar a perder o receio de que se confunda o mimo do menino com o menino mimado. e sim, eu aproveito tudo, tudinho.
jcfrancisco, não te esqueças que até o vasco granja gostava de desenhos animados. e, como o tempo passa, que se passe bem.
daniel, não sei. dirá alguma coisa, mas não tudo, infelizmente. as coisas boas não explicam as que o são menos, só as justificam.
ernesta, raparigas. são tramadas. há coisas que recusam vestir, os meus. que lhes prepare a roupa não se importam nada, tudo o que lhes poupe trabalho é bem-vindo. sabes, são da espécie masculina.
é isso mesmo claudia. não tens filhos, mas tens a sorte de ter sido filha e de te lembrares disso.
Sei bem como é a espécie masculina, principalmente a nacional, por isso vê lá se fazes um favor âs minhas filhas e às filhas de muito mais mães - não lhes poupes muto trabalho….
eu tento, ernesta, se tento. mas sabes qual é a cultura vigente, não é? os homens deste país têm sempre uma rica mãezinha. e, ainda por cima, eu tendo a ser uma delas… :D
ricas mãezinhas dão ricas sogrinhas… vê lá se começas a mudar isto que já não há paciência para tanta ineptidão masculina a arrastar-se por sofás.
Não entendi essa do arisco. Estás a dizer que ele é arisco? Ou o contrário? Que foi e já não é? Um texto ambíguo e intrigante. Não percebo.
ernesta, claro, brincava contigo. e tu, não te esqueças de ensinar às tuas filhas como se usa um berbequim.
nik, eu explico: grande parte dos adolescentes passa por uma fase em que se furtam às meiguices. seja por orgulho (eu já não sou um bebezinho), por desconforto (mal-estar no seu corpo), ou por uma ideia estereotipada de valentia e masculinidade. por isso, quando me abraçou ao chegar a casa (coisa que não fazia espontaneamente nestas circunstâncias há algum tempo) pensei que alguma coisa grave acontecera. afinal é apenas mais um sinal de uma mudança que tenho observado, uma maturidade. resumindo, era um bom e não um mau sinal.
Susana, quando há três anos fiquei a viver sozinha no meio de nada, deram-me o melhor presente de todos - uma caixa de ferramentas. Sei usá-las todas e as miúdas também. Para além disso, por aqui, arranjam-se os aspiradores e as máquinas de lavar, desentopem-se as fossas, caia-se a casa, faz-se crochet, ponto cruz, tricot, roupas para as bonecas e quadros para as paredes, as melhores wafles dos arredores, pão e uns cozidos à portuguesa como não há. Para além disso, estamos “oficialmente” convocadas para fazer os bolos de aniversário de meio mundo e para acolher animais perdidos. Nas horas vagas ouve-se música, escreve-se nos blogs e corta-se a relva. Quando, em desespero de causa, tenho de chamar o nosso santo Machado para mudar algum cano mais complicado, digo-lhe logo qual é o calibre, para vir prevenido.
Acredita que é divertidíssimo, mas manda lá o curriculum dos rapazes que isto está a ficar sério…
Só mais um acrescento. Por aqui a clara é a nossa técnica em electrónica - monta os DVD, WII, aparelhagens, televisões, computadores e afins. Ontem, porque achei que o devia fazer, pus a Clara no meu blog. Vai espreitar. Está em http://cabradeservico.blogspot.com/search/label/Vamos a eles Clara
por alguma razão, falhou o link. fica o correcto
http://cabradeservico.blogspot.com/search/label/Vamos%20a%20eles%20Clara
Uma técnica em electrónica? Não gozem comigo… Tirei um curso de letras, mas a minha vocação real era picheleira ou arranjadora de caldeiras.
ernesta, os meus parabéns. sinceros. mesmo. com inveja e tudo. (hum. e continua a falhar o link.)
claudia, pois então fazes mal. há um futuro maior na pichelagem que na literatura. eu não hesitaria, se fosse a minha vocação. ter uma profissão com um nome desses: picheleira. sempre adorei essa palavra tão nortenha.
pois falha, mas já desisti. desenrasca-te!
[já tinha lido o post e achado muito bonito. e claro, desenrasquei-me num instante... :D já está corrigido acima. susana]
Cláudia
Picheleira é uma das palavras que não gosto. Vivi anos demais nas Olaias, mesmo ali ao lado, e as memórias são todas más.
Agora, lá no sítio de onde vim, havia dois “picheleiros” - o Zé Badalo e o Ti Virgílio. Soldaram muitas asinhas das panelas das bonecas da minha irmã e ajudavam-me a mim e ao meu irmão a fazer uns submarinos de lata fabulosos, mas que foram sempre ao fundo na vala da Fervença.
De qualquer forma obrigada pela achega, que nunca se sabe quando se precisa de uma picheleira. Vamos trocar cartões?
hum. cozido à portuguesa
Com muitos enchidos ou mais para os legumes, z?
muito tudo e galinha também, com ovinhos de preferência
já sei que estou a meter uma mãozinha de cabidela, mas no gerês comia assim
entretanto estou a augar e vou tratar disso, mas é mais sobre o presunto e grão
ver um bocadinho de apocalypse que tenho ali
e depois xonex
mas antes disso…
galinha faz parte, ovinhos só na canja…
mnham. já tenho saudades de um cozido. z, coragem, só faltam mais nove.
hum, agora ao pequeno almoço, é um yogurth líquido. Lá mais para a frente falamos :)
eh pás,
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=316149
Já cá cantava…
http://cabradeservico.blogspot.com/2008/01/sandokan-o-tigre-da-azambuja.html
(e lembram-se do leão de rio Maior?)
OK, Susana, já percebi. E que bem que eu te percebo. Eu não tenho um abraço desses da minha filha há cinco ou seis anos, dos dezassete que ela conta.
(adoro tigres, ainda bem que não aconteceu nada, mas ela andava nervosa…)
nik, desculpa a pergunta: e tens cultivado? é que nestas coisas não convém desistir. o meu é mais novo uns anos, mas vai abraçando a miúda. mesmo que seja meio desajeitado, meio à má fila. vais ver que um dia destes tens uma surpresa.
e beijos de raspão, também contam? acabei de levar com um e quero saber se posso fazer um entalhe na cabeceira ou não….
conta sim
obrigada, z. Só por esta, levas os ovinhos no cozido.
hehehe
ernesta, eu não te respondi para deixar a capicua para o z. afinal levaste-a tu…
e se conta ou não, acho que tu é que sabes. presumo que sim, pois contaste… ;) para mim tudo conta, tudo faz parte. mesmo quando a intenção é depreciativa. ontem parti-me a rir porque o meu me dirigiu uma crítica com uma expressão de grande compaixão.
já topei tudo, ele como é um belo exemplar e está muito bem tratado, tem amor pelo tratador e não quer cá confusões a caminho da reforma. Já ela ainda é rapariga e tá de filhotes. Concordo que vai acordar com dor de cabeça com aquela dose. O pai é que é melhor não perguntar quem é.
http://dn.sapo.pt/2008/01/31/cidades/cinco_horas_para_capturar_tigre.html
os mindinhos já estão a bulir e mandaram uma chispa ao cerebelo. O cabrão do neocortex agora está com dor de cornos, maricas! Mas vai dar ao gold que se lixa.
Ernesta : essa da vala da Fervença fez-me lembrar uma história deliciosa ali na Nazaré. Quando apareceu o cinema uma família vai quase toda ao cinema local. No outro dia de manhã ouve-se a voz da mãe para o filho que não foi «Ó Toino ouviste os cães a ladrar esta noite? Éramos a gente…»