heterotopia salicílica

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Temos um post, no Aspirina, agendado para um futuro incerto, data marcada. Já se falou em apagá-lo, mas eu quis preservar-lhe a presença. Com o sugestivo título «Desta não estava à espera», mantém-nos expectantes, mesmo sabendo que esta não chegará. A escrever direito por linhas tortas. Cada dia que passa, o futuro fica mais grávido. Gosto de assistir a este fenómeno: a vida a somar-se e o tempo que falta aumenta. Um devir a inflar, uma data prevista cada vez mais distante. Longevidade acrescida, esperança de vida eterna. Envelhecemos e o nosso tempo aproxima-se do infinito. Rica cenourinha.
Se mais provas faltassem para a sua existência, certificamo-nos, aqui, de que Deus anda pelo Aspirina B.

9 thoughts on “heterotopia salicílica”

  1. além de bonito está excelente, abres espaço em multiplas direcções poéticas

    olha lá minha linda, somos todos Deus e fica resolvido

    havia um teorema numa estranha geometria, que já não consigo reconstituir, onde se concluía

  2. grunf, os meus dedos agora surfam sem ligar ao dono,

    dizia eu: onde se concluia que o centro de uma bola naquele espaço estava em toda a parte. Era mesmo assim, eu vi a demontração. Havia um santo qualquer, já não sei se Santo Agostinho ou S. Boaventura que dizia uma coisa semelhante a propósito de Deus: é um círculo cujo centro está em toda a parte e a circunferência em lado nenhum, ou parecido.

    (volto às minhas hibernações estóicas)

  3. Pois, susana, andámos às voltas com o enigma durante um bocado, até que tiveste a excelente ideia de conservar essa flecha em direcção ao passado. E ainda deu um poste, é só lucro.
    __

    Essa noção, z, vem de Parménides, da sua ontologia, e alguns teólogos cristãos pediram emprestada a ideia e nunca mais a devolveram. (desculpa lá a erudite, mas é tão raro poder falar de Parménides, um superbacano, que não podia perder a oportunidade)

  4. Li, gostei e lembrei-me logo. Na página 44 do livro «O último minuete em Lisboa» do Fernando Venâncio lá está a farse do Abelaira sobre Bush e Andropov: «O actual vice-presidente dos Estados Unidos é um antigo dono da CIA e o actual senhor do Kremlin dirigiu o KGB. Se isto não basta para provar a existência de Deus, prova pelo menos a existência do Diabo.»

  5. também acho essa muito certeira, z: somos todos deus. deus é isso mesmo, é nos homens.

    valupi, pois claro, ficamos sempre a ganhar. e que o bom do parménides passe por cá mais vezes, autêntico ou usurpado. gostei da visita.

    rodalivro, lagarto lagarto, não sejas agoirento/a.

    jcfrancisco, lá está – o diabo também é nos homens…

  6. fizeste muito bem em recordar Parménides, os mestres são queridos amigos, já agora também Heraclito de Efeso e o devir, e a substancia primordial do fogo.

    O diabo no brasiu é o capeta,

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