fuck buddy

A amiga andava carente, faltava-lhe o sorriso bonito. E elas não descansaram até lhe arranjarem um amigo colorido. Primeiro sondaram no círculo de amizades mais próximas. Depois foi a vez dos anúncios nos periódicos e dum périplo pela internet. Acabaram por descobri-lo no centro de Lisboa, mesmo ao lado da caixa registadora, num estabelecimento do pequeno comércio tradicional.
Quando entraram não deram logo por ele. Vaguearam, indecisas, entre os expositores. Ao balcão, onde se dirigiram para perguntar se a loja dispunha de gabinete de provas, foram recebidas por um riso nervoso. E foi então que o viram, altaneiro, mesmo ali. Uma disse para a outra que embora os homens não se medissem aos palmos, aquele tinha um bom palminho de caras. Estava encontrado o amigo colorido. Era roxo, e usava pilhas AA. Em volta via-se o que pareciam ex-votos para a impotência, ou pilas de defuntos. A outra disse para a uma que se fosse viúva daquele, do lado esquerdo, também o teria entregado às mãos do taxidermista.
Radiante, a amiga agradeceu muito. Agora tinha um marido de bolso que, ao contrário dos homens, perdia status ao passar a objecto de segunda mão. Tinha a desvantagem de lhe sussurrar aos ouvidos como um robot de cozinha, mas isso até aumentava a familiaridade, dando-lhe a sensação de se conhecerem há muito. Entrou imediatamente ao serviço, embora na primeira noite não tenha entrado na totalidade.

28 comentários a “fuck buddy”

  1. Aposto que fica bem mais barato que marido e dá menos problemas, e no que toca ao desempenho, atendendo à crise, é bem capaz de ficar melhor servida.

  2. que bom q as pilhas sejam AA e a voltagem seja 220.em Lisboa..
    ele vem com estabelizador de corrente e bateria para suportar os piques de tensão…? ou pode perder o gás…e ir-se…assim… sem explicação

  3. luis eme, mais vale pouco que nada, não concordas?

    nik, eu também achei boa essa saída. enfim, entrada, mas saída.

    lolita, representas bem a posição feminina.

    joni, creio que perder o gás e ir-se sem explicação é mais comum nos homens. ou até ir-se sem explicação e sem ter perdido o gás…

    clara, é verdade. é que estou mesmo. sei que me compreendes.

  4. comendador, agradeço em nome dela, mas pareceu-me bem sorridente quando a vi ontem.

    joni, que queres dizer, que as mulheres governam o mundo porque roubam os brinquedos aos homens…? hum, subtil, bem visto. trata-se de um roubo sem eles perderem o seu, apenas a oportunidade, é isso?

    clara, creio até que o tempo não seria o principal problema.

  5. Habituem-se meninas, porque o futuro radioso conquistado pelo feminismo é isso mesmo que vos reserva: vergalhos tremelicantes de borracha com pilhas. Que bom, não é ? É a realização suprema do ideal do homem facultativo e descartável… Que magnífica vitória ! Bom proveito !

    Entretanto, os homens a sério vão escolhendo crescentemente beldades do terceiro mundo, ou do leste, que persistem em não prescindir de homens “machistas” com um bom vergalho natural like in the good old times…

    Umas reaccionárias, umas galinhas…

  6. susana

    rompi o silencio desde a soca pra assistir de comentario presente ao teu mais recente post. ou nao partilhasse da preocupação pelo bonito sorriso perdido, e agora reencontrado, da nossa querida amiga.

  7. euroliberal, quem te ouvir, até vai julgar que os homens andam por aí sempre disponíveis e empenhados em “realizar” as mulheres. pelos vistos andam todos atrás das beldades do terceiro mundo, deve ser por isso que por cá andam tantas à míngua.
    é pá, e se “homens a sério” forem tipos como tu, até a castração química seria mais vantajosa.

  8. Tu és má. Espero que o Comendador não leia isto. Ou por outra, espero que leia sim, ficou aqui patente quem de nós as duas é mais fiel aos afectos do Comendador.

  9. Susana, mesmo os maridos de bolso têm que ter nome…alguém que diga à amiga que a fase do meu amor, queridinho, lindo, gato e outros bichos normalmente acabados em inho, fofo e assim, há-de passar muito tempo antes das pilhas finarem totalmente.
    Tem nome???

  10. Susana, pois que folgo que a sua amiga tenha reencontrado o sorriso. (chapeau para a subtileza do tempo não ser o meu maior problema…)

    Clara, dommage, nunca entro em diálogo com ninguém que não seja o autor do post. Se abrisse uma excepção, o que não é manifestamente o caso, dir-lhe-ía que pelo menos me esforço nessa nobre acção de satisgfazer amigas e amigas de amigas…

  11. Os maridos de bolso não mudam pneus.
    Além disso, e aproveitando o citado, não é preciso um telescópio para encontrar por aí tresmalhados os recursos naturais que pelo menos permitem poupar nas pilhas.
    Com agá.

  12. joni, creio que tens razão, mas por vezes trata-se de escolher entre um mal maior e outro menor.

    valupi, obrigada. e, parece-me, o final não chegou a ser metido.

    clara, eu não sou má, sou boazinha. tão boazinha.

    isabel, vou indagar. de facto constou-me que por agora se chama chuchuzinho.

    comendador, claro que não seria, porque o menino – graças a deus – não é a pilhas.

    shark, tenho impressão que nisso de não mudarem pneus os outros estão cada vez mais parecidos com os de bolso. sou fiel adepta dos recursos naturais, nisso dou-te razão, mas quando se olha à volta vê-se muitos tresmalhados nos dois pólos de atracção, i.e. sem atracção.

  13. Sim Isabel Faria ,o unico problema é que as batterias sâo D.
    Chama-se Rambo e tem a vasectomia…faz o teu negòcio?

  14. A Susana é sem duvida a mais corajosa, divertidamente publicista do aspirina. Não canta chorosos fadinhos. Na sua guitarra consegue sons de por a macacada a chupar aspirinas. Ó senhor Burnay! é a vida e,… vibrar é viver.

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