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	<title>Comentários em: contemporização</title>
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	<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 15:49:52 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Reflexos</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33644</link>
		<dc:creator>Reflexos</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 00:33:35 +0000</pubDate>
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		<description>E perdeu tempo com sms??? 200 ???? Que desperdício, não admira que os latinos sejam tão populares por aquelas bandas entre a populaça feminina. Pelo menos costumavam ser.... Há por aí alguém actualizado nesta matéria?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E perdeu tempo com sms??? 200 ???? Que desperdício, não admira que os latinos sejam tão populares por aquelas bandas entre a populaça feminina. Pelo menos costumavam ser&#8230;. Há por aí alguém actualizado nesta matéria?</p>
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		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33627</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 16:42:43 +0000</pubDate>
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		<description>certo, eu também estou a escrever sobre isso, daí aquelas dicas, estou quase a acabar</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>certo, eu também estou a escrever sobre isso, daí aquelas dicas, estou quase a acabar</p>
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		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33622</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 14:50:30 +0000</pubDate>
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		<description>TRÁFICO DE SOLOS (A Opinião de Paulo Morais, Professor universitário)

«A gestão do Urbanismo nas câmaras municipais transformou-se na mais rentável fonte de corrupção. Constitui o maior cancro da democracia. As práticas mais comuns e perversas consistem na alteração, sem regra e contra o interesse público, da capacidade construtiva de terrenos. Áreas agrícolas que apenas permitiam uma actividade de subsistência a pobres agricultores mudam de mãos (e para que mãos!) e, como que por milagre, aí nascem edifícios de vinte andares. São as alterações aos planos directores municipais, feitas a pedido ou por ordem de quem domina o poder político. Mas há mais. Quantas vezes são licenciados edifícios de seis ou mais andares, onde os instrumentos de planeamento apenas permitiriam a construção de vivendas. Tudo graças a uma conivência promíscua entre promotores imobiliários e vereadores do Urbanismo; também devido a um caldo legislativo confuso que incita a arbitrariedades; e a uma burocracia que ajuda ao descontrolo. Com estas práticas conjugadas, terrenos de cem mil euros podem passar a valer dois milhões. O ‘negócio’ do Urbanismo gera assim margens de lucro de dois a três mil por cento, só comparáveis em Portugal às do tráfico de droga. Não é de admirar que se instale, na política local, o mesmo tipo de mecanismos perversos, as mesmas máfias.Traficando a capacidade construtiva excessiva, os vereadores do Urbanismo convertem-se em dealers, sequazes dos hábeis promotores imobiliários – são os artífices de todas as burlas, dominam os partidos e financiam-nos. Ou, mesmo que não sejam convictamente corruptos, são cúmplices, fecham os olhos – são os medrosos, muitos e muito baratos. Há excepções: os resistentes, que combatem esta vergonhosa permeabilidade da gestão da coisa pública a interesses privados. Inconformados, acabam por sair, desiludidos ou saneados.»</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>TRÁFICO DE SOLOS (A Opinião de Paulo Morais, Professor universitário)</p>
<p>«A gestão do Urbanismo nas câmaras municipais transformou-se na mais rentável fonte de corrupção. Constitui o maior cancro da democracia. As práticas mais comuns e perversas consistem na alteração, sem regra e contra o interesse público, da capacidade construtiva de terrenos. Áreas agrícolas que apenas permitiam uma actividade de subsistência a pobres agricultores mudam de mãos (e para que mãos!) e, como que por milagre, aí nascem edifícios de vinte andares. São as alterações aos planos directores municipais, feitas a pedido ou por ordem de quem domina o poder político. Mas há mais. Quantas vezes são licenciados edifícios de seis ou mais andares, onde os instrumentos de planeamento apenas permitiriam a construção de vivendas. Tudo graças a uma conivência promíscua entre promotores imobiliários e vereadores do Urbanismo; também devido a um caldo legislativo confuso que incita a arbitrariedades; e a uma burocracia que ajuda ao descontrolo. Com estas práticas conjugadas, terrenos de cem mil euros podem passar a valer dois milhões. O ‘negócio’ do Urbanismo gera assim margens de lucro de dois a três mil por cento, só comparáveis em Portugal às do tráfico de droga. Não é de admirar que se instale, na política local, o mesmo tipo de mecanismos perversos, as mesmas máfias.Traficando a capacidade construtiva excessiva, os vereadores do Urbanismo convertem-se em dealers, sequazes dos hábeis promotores imobiliários – são os artífices de todas as burlas, dominam os partidos e financiam-nos. Ou, mesmo que não sejam convictamente corruptos, são cúmplices, fecham os olhos – são os medrosos, muitos e muito baratos. Há excepções: os resistentes, que combatem esta vergonhosa permeabilidade da gestão da coisa pública a interesses privados. Inconformados, acabam por sair, desiludidos ou saneados.»</p>
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	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33614</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 11:46:36 +0000</pubDate>
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		<description>eu acho, um abraço também para ti.

z, não respondi, desculpa lá. é que entretanto fiquei a pensar se não seria coisa para post, acrescentada pela expressão que usaste: «o valor da paisagem», que me deixou aqui a pensar numa data de coisas. não me esqueci e lá irei, isto tem é andado demasiado tumultuoso para matérias tão apolíneas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu acho, um abraço também para ti.</p>
<p>z, não respondi, desculpa lá. é que entretanto fiquei a pensar se não seria coisa para post, acrescentada pela expressão que usaste: «o valor da paisagem», que me deixou aqui a pensar numa data de coisas. não me esqueci e lá irei, isto tem é andado demasiado tumultuoso para matérias tão apolíneas.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33610</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 10:21:58 +0000</pubDate>
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		<description>eu acho: desculpa lá, deve ser porque os corajosos têm uma certa jovialidade que eu pensei que eras macho jovem. Assim, com o teu cv, quem pedia conselho era eu.

Desejo-te felicidades. Tenho esperança que a geração da Susana consiga ajudar a endireitar o país, realmente ficar direito mesmo é uma utopia, mas pronto ficar um pouco mais direito não é pedir demais.

eu também acho que nasci assim, provavelmente, como dizes, abraço para ti

susana: já escreveste sobre a paisagem e eu não dei conta? Ou ficou para um momento de inspiração posterior?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu acho: desculpa lá, deve ser porque os corajosos têm uma certa jovialidade que eu pensei que eras macho jovem. Assim, com o teu cv, quem pedia conselho era eu.</p>
<p>Desejo-te felicidades. Tenho esperança que a geração da Susana consiga ajudar a endireitar o país, realmente ficar direito mesmo é uma utopia, mas pronto ficar um pouco mais direito não é pedir demais.</p>
<p>eu também acho que nasci assim, provavelmente, como dizes, abraço para ti</p>
<p>susana: já escreveste sobre a paisagem e eu não dei conta? Ou ficou para um momento de inspiração posterior?</p>
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	<item>
		<title>Por: EU ACHO</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33608</link>
		<dc:creator>EU ACHO</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 02:10:31 +0000</pubDate>
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		<description>Gostei de vos ler, susana e Z.
Mas nada do que me dizem, nem os conselhos do Z, são novidade para mim. Já sofri na pele represálias bastantes por assumir a «minha coragem».
Há uns anos atrás, num determinado congresso, nomeei, na minha comunicação, um nome que não agradou a dois ou três dos presentes. A sala estava cheia, não só de portugueses, e várias pessoas vieram felicitar-me e pedir-me uma cópia do texto, que foi publicado pelo director de uma revista literária. No entanto, logo no dia seguinte, a jornalista que fazia a reportagem, como punição, anunciava no seu jornal que «eu estava lá, mas fora do congresso»! Mentira: havia sido convidado pelos organizadores! É claro que pedi ao jornal, «ao abrigo da lei de imprensa» a rectificação, que foi feita.
Noutra ocasião, fui convidado a escrever uma série de episódios para a RTP – nessa altura o único canal existente. A dada altura, achei por bem parar. Fui chamado ao director de programas, a quem transmiti a minha opinião – em vez de me “abotoar” com os honorários. Resultado: a pessoa responsável pelo Departamento que me havia convidado – e que guardava, ao que parece, os textos na gaveta, sem se incomodar com os custos –, não gostou e disse abertamente: «Enquanto eu cá estiver, ele nunca mais cá entra»! E assim aconteceu. Só lá entrei muitos anos depois, quando «ela» atingiu a reforma.
De outra vez, devido a duas páginas centrais que escrevi num conceituado jornal diário, fui chamado à Assembleia da República. Queriam saber mais pormenores sobre o assunto, importante e grave que abordara. Foi instaurado um inquérito a um determinado organismo do Estado. Com efeito, alguma coisa mudou. Mas não tanto. Eu? Fiquei na «lista negra»! As pessoas visadas no tal organismo, não mais me perdoaram a «coragem».
Outro organismo, particular, do qual sou membro, encomendou-me um determinado trabalho, que me obrigava a várias deslocações. Passado mais de um ano, ainda não tinha recebido um chavo, conquanto o trabalho fosse pago, antecipadamente, ao tal organismo, por uma certa Câmara Municipal. Exigi, junto do presidente do organismo o pagamento. Passaram oito anos. Não voltei a ser convidado.
Muito mais teria a dizer, mas creio que basta. A coragem de tomarmos certas atitudes tem quase sempre um preço. Às vezes bem alto. Mas sinto-me optimamente com a minha consciência. Provavelmente, já nasci assim. Com a mania de querer endireitar o Mundo com a minha «coragem». Como diz o Z, custa um pouco, mas já estou vacinado.
Como já reparaste, «gajo jovem», não tanto. Mas tento!
Abraço para a susana e para ti, Z. Foi um prazer, acreditem, esta longa conversa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei de vos ler, susana e Z.<br />
Mas nada do que me dizem, nem os conselhos do Z, são novidade para mim. Já sofri na pele represálias bastantes por assumir a «minha coragem».<br />
Há uns anos atrás, num determinado congresso, nomeei, na minha comunicação, um nome que não agradou a dois ou três dos presentes. A sala estava cheia, não só de portugueses, e várias pessoas vieram felicitar-me e pedir-me uma cópia do texto, que foi publicado pelo director de uma revista literária. No entanto, logo no dia seguinte, a jornalista que fazia a reportagem, como punição, anunciava no seu jornal que «eu estava lá, mas fora do congresso»! Mentira: havia sido convidado pelos organizadores! É claro que pedi ao jornal, «ao abrigo da lei de imprensa» a rectificação, que foi feita.<br />
Noutra ocasião, fui convidado a escrever uma série de episódios para a RTP – nessa altura o único canal existente. A dada altura, achei por bem parar. Fui chamado ao director de programas, a quem transmiti a minha opinião – em vez de me “abotoar” com os honorários. Resultado: a pessoa responsável pelo Departamento que me havia convidado – e que guardava, ao que parece, os textos na gaveta, sem se incomodar com os custos –, não gostou e disse abertamente: «Enquanto eu cá estiver, ele nunca mais cá entra»! E assim aconteceu. Só lá entrei muitos anos depois, quando «ela» atingiu a reforma.<br />
De outra vez, devido a duas páginas centrais que escrevi num conceituado jornal diário, fui chamado à Assembleia da República. Queriam saber mais pormenores sobre o assunto, importante e grave que abordara. Foi instaurado um inquérito a um determinado organismo do Estado. Com efeito, alguma coisa mudou. Mas não tanto. Eu? Fiquei na «lista negra»! As pessoas visadas no tal organismo, não mais me perdoaram a «coragem».<br />
Outro organismo, particular, do qual sou membro, encomendou-me um determinado trabalho, que me obrigava a várias deslocações. Passado mais de um ano, ainda não tinha recebido um chavo, conquanto o trabalho fosse pago, antecipadamente, ao tal organismo, por uma certa Câmara Municipal. Exigi, junto do presidente do organismo o pagamento. Passaram oito anos. Não voltei a ser convidado.<br />
Muito mais teria a dizer, mas creio que basta. A coragem de tomarmos certas atitudes tem quase sempre um preço. Às vezes bem alto. Mas sinto-me optimamente com a minha consciência. Provavelmente, já nasci assim. Com a mania de querer endireitar o Mundo com a minha «coragem». Como diz o Z, custa um pouco, mas já estou vacinado.<br />
Como já reparaste, «gajo jovem», não tanto. Mas tento!<br />
Abraço para a susana e para ti, Z. Foi um prazer, acreditem, esta longa conversa.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33599</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 20:05:40 +0000</pubDate>
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		<description>e também não dá para resistir a este redondo!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>e também não dá para resistir a este redondo!</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33598</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 20:03:19 +0000</pubDate>
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		<description>sim, Susana, e seguir em frente. Nós que gostamos da coragem não gostaríamos de nós próprios se nos sentíssemos cobardes. É verdade que também é preciso coragem para engolir umas coisas em nome da salvaguarda do bem de entes mais frágeis e sobre os quais temos responsabilidade.

Depois também é verdade que se consegue mesmo mudar o rumo a certas coisas.

Agora não vale a pena iludir que pode ter um preço, e mais vale estar algo prevenido.

Depois também se pode dizer que a vida tem mistérios, não fora porem-me na rua e não teria o projecto que agora estou a alinhavar, e que se se vier a concretizar terá sido uma volta feliz. Olha o exemplo desse médico cubano.

Quanto à justiça, vamos a ver, não faço idéia como conseguem dar a volta a um despedimento inconstitucional, mas sei lá, num país em que não houve um único político julgado culpado por corrupção nos últimos trinta anos... 

Eu só meti a acção porque o meu sindicato me convenceu, com um argumento relevante, de que a minha omissão seria pactuar com o que me fizeram e poderiam fazer a outros. Foi esse 'outros' que foi determinante, porque eu estava enojado com aquilo.

Uma vez acompanhei de muito perto um caso de herança de que a minha mãe seria herdeira, de um tio bisavô. Não havia dúvidas sobre o que ele queria dizer no testamento, mas como era uma deixa condicional houve que esperar pela concretização da condição, que só aconteceu 50 anos depois de ele morrer. Entretanto outra parte da família abarbatou-se com as coisas. Muita coisa, muitos papéis, pareceres, etc., e a Relação deu-nos razão, mas obrigou a prova extrínseca para esgotar os mecanismos. O ónus da prova impendia sobre a minha mãe, e fazer prova extrínseca sobre algo que tinha sido escrito mais de 50 anos é um absurdo, quando já nem eram vivas as pessoas que poderiam testemunhar. O tribunal de primeira instância considerou que não foi feita prova e pimba, lá ficou tudo para os abarbatadores, com o pormenor de que não ouviram os testemunhos que tinham sido produzidos noutro tribunal porque a gravação tinha ficado inaudível! O Supremo passou ao lado disto tudo, quase que se lamentando que não tivesse sido produzida a tal 'prova'.

Não tem nada a ver, mas muitas vezes o 'crime' compensa. Mesmo assim decerto que somos pessoas mais felizes que os outros, porque lhes fica a pesar na moleirinha, quando a coisa dá para o torto, lá mais à frente.

E pela parte que me toca, como eu quero envelhecer com as minhas filosofices a aprofundarem-se, já se sabe que um filósofo tem que ser pobrezinho senão não dá, portanto(s) ...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>sim, Susana, e seguir em frente. Nós que gostamos da coragem não gostaríamos de nós próprios se nos sentíssemos cobardes. É verdade que também é preciso coragem para engolir umas coisas em nome da salvaguarda do bem de entes mais frágeis e sobre os quais temos responsabilidade.</p>
<p>Depois também é verdade que se consegue mesmo mudar o rumo a certas coisas.</p>
<p>Agora não vale a pena iludir que pode ter um preço, e mais vale estar algo prevenido.</p>
<p>Depois também se pode dizer que a vida tem mistérios, não fora porem-me na rua e não teria o projecto que agora estou a alinhavar, e que se se vier a concretizar terá sido uma volta feliz. Olha o exemplo desse médico cubano.</p>
<p>Quanto à justiça, vamos a ver, não faço idéia como conseguem dar a volta a um despedimento inconstitucional, mas sei lá, num país em que não houve um único político julgado culpado por corrupção nos últimos trinta anos&#8230; </p>
<p>Eu só meti a acção porque o meu sindicato me convenceu, com um argumento relevante, de que a minha omissão seria pactuar com o que me fizeram e poderiam fazer a outros. Foi esse &#8216;outros&#8217; que foi determinante, porque eu estava enojado com aquilo.</p>
<p>Uma vez acompanhei de muito perto um caso de herança de que a minha mãe seria herdeira, de um tio bisavô. Não havia dúvidas sobre o que ele queria dizer no testamento, mas como era uma deixa condicional houve que esperar pela concretização da condição, que só aconteceu 50 anos depois de ele morrer. Entretanto outra parte da família abarbatou-se com as coisas. Muita coisa, muitos papéis, pareceres, etc., e a Relação deu-nos razão, mas obrigou a prova extrínseca para esgotar os mecanismos. O ónus da prova impendia sobre a minha mãe, e fazer prova extrínseca sobre algo que tinha sido escrito mais de 50 anos é um absurdo, quando já nem eram vivas as pessoas que poderiam testemunhar. O tribunal de primeira instância considerou que não foi feita prova e pimba, lá ficou tudo para os abarbatadores, com o pormenor de que não ouviram os testemunhos que tinham sido produzidos noutro tribunal porque a gravação tinha ficado inaudível! O Supremo passou ao lado disto tudo, quase que se lamentando que não tivesse sido produzida a tal &#8216;prova&#8217;.</p>
<p>Não tem nada a ver, mas muitas vezes o &#8216;crime&#8217; compensa. Mesmo assim decerto que somos pessoas mais felizes que os outros, porque lhes fica a pesar na moleirinha, quando a coisa dá para o torto, lá mais à frente.</p>
<p>E pela parte que me toca, como eu quero envelhecer com as minhas filosofices a aprofundarem-se, já se sabe que um filósofo tem que ser pobrezinho senão não dá, portanto(s) &#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33595</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 18:58:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/susana/contemporizacao/#comment-33595</guid>
		<description>eu acho e z, sim, a coragem. no entanto naquele exemplo que o z deu dos que engolem porque têm filhos para sustentar há também alguma coragem. dependendo do que engolem, claro. uma coisa é, por exemplo, estar numa instituição em que se passam algumas irregularidades e continuar lá, impoluto e crítico. (bom, e de outro ponto de vista só de dentro é que se pode fazer alguma coisa a favor da boa mudança.) outra será compactuar com elas, ou mesmo permitirmo-nos fazer parte da corrupção. aí já não contemporizaria. fui uma vez pressionada, com ameaças de processo disciplinar e eventual despedimento. agradeci os amáveis avisos e não cedi. surpresa: por lá continuei, nada aconteceu. mas bem que penei enquanto pensei que ia perder o trabalho que sempre quis ter e que tanto me tinha custado alcançar. há quem ceda a ameaças que nunca seriam concretizadas e fique para sempre preso, por ter aberto o precedente. é preciso confiança na justiça, mesmo se a realidade muitas vezes nos diz que não dá para confiar, como a tua experiência nos conta, z.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu acho e z, sim, a coragem. no entanto naquele exemplo que o z deu dos que engolem porque têm filhos para sustentar há também alguma coragem. dependendo do que engolem, claro. uma coisa é, por exemplo, estar numa instituição em que se passam algumas irregularidades e continuar lá, impoluto e crítico. (bom, e de outro ponto de vista só de dentro é que se pode fazer alguma coisa a favor da boa mudança.) outra será compactuar com elas, ou mesmo permitirmo-nos fazer parte da corrupção. aí já não contemporizaria. fui uma vez pressionada, com ameaças de processo disciplinar e eventual despedimento. agradeci os amáveis avisos e não cedi. surpresa: por lá continuei, nada aconteceu. mas bem que penei enquanto pensei que ia perder o trabalho que sempre quis ter e que tanto me tinha custado alcançar. há quem ceda a ameaças que nunca seriam concretizadas e fique para sempre preso, por ter aberto o precedente. é preciso confiança na justiça, mesmo se a realidade muitas vezes nos diz que não dá para confiar, como a tua experiência nos conta, z.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33593</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 18:36:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/susana/contemporizacao/#comment-33593</guid>
		<description>eu acho: sim, acredito que sejas corajoso pela maneira como falas, interpelando directamente sem subterfúgios, e olha que se eu não tivesse gostado não teria sido nada meigo.

Imagino que sejas um gajo jovem, gostava de te dizer uma coisa: a coragem tem muito poucas vantagens, então num país tão corrompidozinho como Portugal - a maior vantagem que tem é que é bonito, mas isso só os corajosos e idealistas é que acham, e associado a isso tem outra, que é a nossa desforra, não sei lá se é do cheiro mas dá bons engates e romances.

De resto é só desvantagens, porque os gajos corajosos não lhes passa pela cabeça a safadeza que os cobardolas, eles e elas, são capazes de fazer, a trama urdida durante anos na sombra disfarçada de sorrisos pela frente, a hipocrisia. Conta só contigo, o que vier a mais é bónus, porque quando a casa cai até descobres que só tens muito poucos amigos, se é que, e embora isso já seja sabido, custa sempre a constatar.

Olha aqui um corajoso:

«Eu desafiei as autoridades e paguei caro. Fui impedido de trabalhar. Eu era cirurgião no Hospital Universitário de Havana e senti-me injustiçado pelo sistema cubano», lamentou Miguel Pinto, referindo que encontrou abrigo em Portugal nos anos 1990.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu acho: sim, acredito que sejas corajoso pela maneira como falas, interpelando directamente sem subterfúgios, e olha que se eu não tivesse gostado não teria sido nada meigo.</p>
<p>Imagino que sejas um gajo jovem, gostava de te dizer uma coisa: a coragem tem muito poucas vantagens, então num país tão corrompidozinho como Portugal - a maior vantagem que tem é que é bonito, mas isso só os corajosos e idealistas é que acham, e associado a isso tem outra, que é a nossa desforra, não sei lá se é do cheiro mas dá bons engates e romances.</p>
<p>De resto é só desvantagens, porque os gajos corajosos não lhes passa pela cabeça a safadeza que os cobardolas, eles e elas, são capazes de fazer, a trama urdida durante anos na sombra disfarçada de sorrisos pela frente, a hipocrisia. Conta só contigo, o que vier a mais é bónus, porque quando a casa cai até descobres que só tens muito poucos amigos, se é que, e embora isso já seja sabido, custa sempre a constatar.</p>
<p>Olha aqui um corajoso:</p>
<p>«Eu desafiei as autoridades e paguei caro. Fui impedido de trabalhar. Eu era cirurgião no Hospital Universitário de Havana e senti-me injustiçado pelo sistema cubano», lamentou Miguel Pinto, referindo que encontrou abrigo em Portugal nos anos 1990.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: EU ACHO</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33591</link>
		<dc:creator>EU ACHO</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 17:39:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/susana/contemporizacao/#comment-33591</guid>
		<description>Z: ora ainda bem que tens a moleirinha aliviada. Eu tinha um pressentimento que a reunião havia de correr óptimamente.
Pela tua «noção de bem comum» e por não «te teres negado a afrontar lóbis», parabéns!
Dizes «que te afrontei, mas não fui sacana nem encomendei a terceiros». Gostei, pá, porreiro. De cobarde não tenho nada, acredita.
Um dia destes talvez volte à conversa contigo, aqui no Aspirina, Z.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Z: ora ainda bem que tens a moleirinha aliviada. Eu tinha um pressentimento que a reunião havia de correr óptimamente.<br />
Pela tua «noção de bem comum» e por não «te teres negado a afrontar lóbis», parabéns!<br />
Dizes «que te afrontei, mas não fui sacana nem encomendei a terceiros». Gostei, pá, porreiro. De cobarde não tenho nada, acredita.<br />
Um dia destes talvez volte à conversa contigo, aqui no Aspirina, Z.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33583</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 10:11:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/susana/contemporizacao/#comment-33583</guid>
		<description>pois, não sei se três, se cinco</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>pois, não sei se três, se cinco</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33574</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 20:05:13 +0000</pubDate>
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		<description>isto já o meu pai dizia pouco antes do 25 Abril: os melhores empregos são os de ex-ministro

susana, já fiquei com umas comichões nos olhos a olhar o danadinho, bem equipadinho, mas achei piada ao olho straight

vou ler para o lit</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>isto já o meu pai dizia pouco antes do 25 Abril: os melhores empregos são os de ex-ministro</p>
<p>susana, já fiquei com umas comichões nos olhos a olhar o danadinho, bem equipadinho, mas achei piada ao olho straight</p>
<p>vou ler para o lit</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33572</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 20:00:49 +0000</pubDate>
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		<description>já agora, este post dá para tudo: sou eu que estou a ver mal ou 10 anos de incompatibilidade entre cargos políticos e privados é convidar a roubar o mais possível enquanto lá se está?

eu pensava para aí três, que é a conta que Deus fez e gosto de coisas práticas

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&#38;op=view&#38;fokey=ex.stories/285862</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>já agora, este post dá para tudo: sou eu que estou a ver mal ou 10 anos de incompatibilidade entre cargos políticos e privados é convidar a roubar o mais possível enquanto lá se está?</p>
<p>eu pensava para aí três, que é a conta que Deus fez e gosto de coisas práticas</p>
<p><a href="http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/285862" rel="nofollow">http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/285862</a></p>
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	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33566</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 17:02:22 +0000</pubDate>
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		<description>(hum, cacei-a :))</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>(hum, cacei-a :))</p>
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	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33565</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 16:48:29 +0000</pubDate>
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		<description>atão como ficou a kpk? Este contador é um mistério encapuçado. Coincidimos sim, agora fizeste-me rir</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>atão como ficou a kpk? Este contador é um mistério encapuçado. Coincidimos sim, agora fizeste-me rir</p>
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	<item>
		<title>Por: Elypse</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33563</link>
		<dc:creator>Elypse</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 16:33:19 +0000</pubDate>
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		<description>Ops - não tinha reparado neste teu último post sobre o "eu acho". Referia-me á coincidência das 17:21h</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ops - não tinha reparado neste teu último post sobre o &#8220;eu acho&#8221;. Referia-me á coincidência das 17:21h</p>
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	<item>
		<title>Por: Elypse</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33562</link>
		<dc:creator>Elypse</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 16:30:09 +0000</pubDate>
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		<description>Quase que me atropelavas, Z :)

deixa-me cá matar à minha maneira...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Quase que me atropelavas, Z :)</p>
<p>deixa-me cá matar à minha maneira&#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33561</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 16:27:40 +0000</pubDate>
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		<description>foi o 'eu acho' Susana, mas gostei, afrontou-me directamente e não foi sacana nem encomendou a terceiros. Também não sei se é homem, mas pensei que sim.

Seja como fôr conversa-se com muita liberdade aqui, o que é sempre saudável.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>foi o &#8216;eu acho&#8217; Susana, mas gostei, afrontou-me directamente e não foi sacana nem encomendou a terceiros. Também não sei se é homem, mas pensei que sim.</p>
<p>Seja como fôr conversa-se com muita liberdade aqui, o que é sempre saudável.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/susana/contemporizacao/#comment-33560</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 16:21:57 +0000</pubDate>
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		<description>eu acho: eu perdi o meu emprego exactamente por não me negar a afrontar lóbis de interesses, em nome da minha noção de bem comum, que inclui os vossos filhos. E não estou sequer arrependido, embora tenha esperança que os tribunais me façam justiça um dia, porque senão fica uma mácula tramada no Estado de Direito. 

E até lá tenho que mudar de vida, e até de poiso, mas tudo bem. Agora eu não tenho filhos (que eu saiba, mas pelo menos não tenho essa preocupação directa), se tivesse se calhar teria sido bem mais comedido e ter-me-ia obrigado a calar, não sei, mas sei que não posso cobrar aos outros que têm filhos pequenos em pé de igualdade, a não ser que tivessem recursos extraordinários.

a reunião correu bem, obrigado, e até já acabou o que é o melhor sinal e um alívio para a minha moleirinha

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Sobre o suicídio, é uma questão bem difícil, para Camus era mesmo a única questão, depois de ter escrito O Estrangeiro e antes de ter morrido no acidente de viação. Em A Obra ao Negro da Yourcenar está contado o caso de Zenão que bem dá que pensar, em qualquer caso é sempre uma nova triste para mim, mas respeito e até posso compreender e, se necessário, até defender o direito da pessoa, embora prefira que a questão nem se ponha. Se a pus, foi porque a Susana colocou um enunciado radical (radical vem de raiz) que me levou até aí, a pensar em voz alta, digamos</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>eu acho: eu perdi o meu emprego exactamente por não me negar a afrontar lóbis de interesses, em nome da minha noção de bem comum, que inclui os vossos filhos. E não estou sequer arrependido, embora tenha esperança que os tribunais me façam justiça um dia, porque senão fica uma mácula tramada no Estado de Direito. </p>
<p>E até lá tenho que mudar de vida, e até de poiso, mas tudo bem. Agora eu não tenho filhos (que eu saiba, mas pelo menos não tenho essa preocupação directa), se tivesse se calhar teria sido bem mais comedido e ter-me-ia obrigado a calar, não sei, mas sei que não posso cobrar aos outros que têm filhos pequenos em pé de igualdade, a não ser que tivessem recursos extraordinários.</p>
<p>a reunião correu bem, obrigado, e até já acabou o que é o melhor sinal e um alívio para a minha moleirinha</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Sobre o suicídio, é uma questão bem difícil, para Camus era mesmo a única questão, depois de ter escrito O Estrangeiro e antes de ter morrido no acidente de viação. Em A Obra ao Negro da Yourcenar está contado o caso de Zenão que bem dá que pensar, em qualquer caso é sempre uma nova triste para mim, mas respeito e até posso compreender e, se necessário, até defender o direito da pessoa, embora prefira que a questão nem se ponha. Se a pus, foi porque a Susana colocou um enunciado radical (radical vem de raiz) que me levou até aí, a pensar em voz alta, digamos</p>
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