Ventura – O que resta a Passos?

Não me espanta que Passos Coelho, a manter-se na liderança do PSD, transforme o partido num partido populista, arriscando-se, porém, a dividi-lo. E populista como? Com discursos contra os ciganos (ou outras etnias), contra os imigrantes, contra a linguagem politicamente correcta, até contra o “sistema”, como já vimos noutras paragens. Se virmos bem, Passos já era, para ser branda, um embrião de um populista – ignorante q.b. é a primeira característica que me ocorre, mas também o grande à-vontade que sempre demonstrou com as falsidades: antes de ganhar as eleições em 2011, mentia com quantos dentes tinha, não só com promessas que sabia nunca poder nem ter intenção de cumprir, mas também negando, por exemplo, factos importantíssimos, como a situação financeira do país ou como uma reunião com Sócrates num momento crucial em que este lhe comunicou o resultado das negociações com Bruxelas para evitar o resgate.

Enquanto primeiro-ministro, sempre acusou os que chamava de subsídio-dependentes (podiam ser ciganos, mas na altura eram outros, os mais pobres, o que era claramente uma generalização “à André Ventura”) e os portugueses que chamava de preguiçosos (que não deixavam a sua zona de conforto, convidando-os a emigrar, ironicamente para países onde dirigentes não populistas os acolhessem), sempre foi muito pouco contido na linguagem (sendo mesmo facilmente boçal e nisso se comprazendo) e só isto bastaria para nos esclarecer sobre aquilo a que vinha.

Agora que foi apeado do poder, não hesita em inventar suicídios em consequência de uma tragédia natural para produzir efeito mediático e político, em não reconhecer tudo o que não fez em matéria de segurança e prevenção, em negar que tudo o que fez em matéria orçamental e laboral durante o seu mandato o fez por convicção e não por obrigação (não tendo grande intenção de mudar de rumo, caso ainda governasse), em acusar Costa de austeridade e de falta de austeridade, enfim, alegres alarvidades e patetices ditas com a impune ligeireza de um Trump. Exemplos de afinidades com o André Ventura não faltam, portanto. Não percebo, pois, qual o espanto com o seu apoio ao candidato do PSD de Loures. Os dois são o futuro possível. Para o nível deles, claro está.

Quanto ao PSD, se é certo que, enquanto no poder, Passos não logrou dividir o partido, nem tal era previsível que acontecesse, aparecendo só as tradicionais válvulas de escape nas pessoas de Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio e, por vezes, Marques Mendes, na oposição talvez as coisas não se passem exactamente assim. O problema para o PSD e a sorte para ele é que, enquanto o actual esquema de governo pragmático se mantiver e tiver sucesso, não haverá muitos interessados em liderar o principal partido da oposição. Creio, no entanto, que haverá uma linha vermelha para algumas facções do partido e Passos anda alegremente a testar a cor dessa linha. Desconfia, como eu desconfio, que mesmo essas facções terão dificuldade em formular propostas sociais-democratas muito diferentes das do actual partido socialista, mormente dados os resultados visíveis da política seguida. A única bandeira que restará a esses PSD não populistas será a recusa de entendimento com os chamados radicais de esquerda, no que têm um ponto pertinente. E aí António Costa poderá ter um problema, embora não demasiado grave se o PSD der lugar a dois partidos, dividindo-se a sua base de apoio.

Ao pateta alegre do Passos resta, pois, jogar com o populismo do seu coração enquanto não houver capacidade da ala não populista do seu partido para o afastar. Mas quem sabe se transformam todos, ou a sua grande maioria, em populistas, agora que o CDS parece ter pudor?

8 comentários a “Ventura – O que resta a Passos?”

  1. Concordo! O sujeito tem todas as características de um populista e os militantes do partido “popular” democrata são um bom campo de sementeira do populismo primário. Já vimos outros com menos condições que se transformaram em autênticos pesadelos humanitários. Façamos votos que tal não suceda mas, com a evolução que o mundo e a vida política está a ter, tudo se assemelha demasiado ao “triunfo dos porcos” do George Orwell.

  2. Muita coisa vai depender do que acontecer no dia 1 de Outubro. Se houver ainda muitos “pategos” a deixar-se enganar, como aconteceu nas últimas legislativas, o populismo (chamemos-lhe assim, por enquanto), vai ter caminho facilitado, para nos voltar a incomodar.

  3. Pudor no CDS? Adonde? Ainda há três ou quatro dias Conceição ( como a trata familiarmente a candidata por Castanheira de Pêra, habitante de Chaves) Cristas criticou os que vivem à custa do RSI mas têm carros de luxo. E noutra intervenção pouco depois disse que a lei da imigração nova traz bandidos para cá.

  4. a cena gira é o berloque deixar os bandidos pobres entrar na boa e fazer berreiro com os vistos gold porque não quer cá os bandidos ricos :) :) quer dizer , são parvos todos dias , não intervalam : com os bandidos ricos sempre pode pingar algum , e as hipóteses de sermos assaltados por eles quase nulas , os bandidos pobres vão-nos custar uma pipa de massa ; além disso discriminar bandidos pela riqueza é capitalistofobia e penso que deve ser anticonstitucional :) :)

    ps) vendo promessas de trabalho , não discrimino por ricos e pobres , vendo a todos.

  5. Um bandido é o que assalta, que rouba, não?
    Um bandido rico será o que assalta muito ou rouba em grande.
    Ora, sendo assim, porque carga de água as hipóteses de sermos assaltados por bandidos ricos são quase nulas e ainda por cima nos podem render algo.
    O mesmo com o bandido pobre que nos vai custar uma pipa de massa em assaltos tão mesquinhos que não o fazem sair da pobreza.
    Parece que alguém está a pensar que o assalto ao banco pelo administrador não tem nada a ver com o Zé mas o assalto ao frango no super mercado, esse tem muito: o pensamento educado.

  6. bem , acha que um oligarca russo ou um mafioso chinês me vai roubar a mim ????? coitados , não os vejo andar às migalhas. roubarao russos , chineses e aqueles com quem negoceiam ou traficam droga , armas , arte e o que for. quanto aos pobres …. pergunte às suecas porque é que vão ter um festival só para mulheres lá no país do politicamente correcto por excelência ou vá ler as notícias e conte os idosos mortos e roubados por bandidos pobrezinhos.

  7. pode pingar porque gastam ,gastam , gastam a comprar e a consumir do bom e do melhor.
    custam-nos uma pipa de massa porque para além da cantiga do subsídio , mandam gente para o hospital , vao para a prisa e tal . consomem recursos sem dar nada de jeito à troca.
    mas não sabem fazer contas custos / beneficios para decidir uma acção? assim andamos.

  8. Racistas, homofóbicos, fascistas, hooligans, juve leo…têm a mania que gays, ciganos e pretos se juntaram para os tramar.

    Cambada, estão tão enganados, pois a única coisa que une boys, ciganos, e pretos é o cachimbo da paz !

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