Um chavão: a política tem muito de hipocrisia

Que desilusão, que hecatombe, que desgraça. Muito me divirto e também me espanto com o clamor de escândalo das pessoas ligadas ao PSD, e de vários comentadores, em relação ao resultado das autárquicas. Como se não estivessem nada à espera. Por favor, meus caros. Então a escolha de Teresa Leal Coelho para candidata à Câmara de Lisboa não era, desde o início, uma aposta perdida? A sério que não? Ainda por cima depois da antecipação de Assunção Cristas, feita carro de combate, e dos seus propósitos e discurso populistas impossíveis de bater por Teresa Leal Coelho? Alguém no seu perfeito juízo achou que Teresa poderia pontuar acima da Assunção, ela que desde o primeiro minuto e até durante a campanha não conseguiu disfarçar o cumprimento de um frete? E no Porto? Por acaso alguém tinha sequer ouvido falar no candidato do PSD? Ainda hoje apenas sei que tem Almeida no apelido. Por acaso é motivo para espanto a sua derrota com uma votação insignificante? E na Figueira, em Faro, em Oeiras, em Sintra, em Viana, em Gaia, em Coimbra, etc., etc., nunca ninguém imaginou que os candidatos do PSD pudessem ser atropelados? Claro que sim. Qual é então a grande derrocada, a grande hecatombe, a grande surpresa?

Não é, evidentemente, nenhuma. É farsa e simultaneamente um grito de impotência, que pode, ou não, ter consequências na liderança do partido. Não se sabe. A verdade é que há muito que o PSD de Passos está sem identidade e à procura de uma. É neoliberal ferrenho, como pretendia António Borges? É populista e demagógico como o CDS? É de extrema-direita? É como o André Ventura gostaria que fosse? É social-democrata, como desejam muitos dos seus mais destacados militantes, que também andarão às voltas com uma definição de social-democracia distinta da de António Costa? Neste momento, estamos sem saber. Certo é que todo este clamor não passa de um enorme charivari abstruso, a meus olhos. É impossível ninguém ter visto, até anteontem, o bom momento que o país atravessa e o quão mais importante seria, para o PSD, desenhar uma estratégia inteligente para contrapor à actual aliança governativa e sobretudo escolher candidatos fortes para derrotar os socialistas. É claro que toda a gente viu. O problema é que uns se recusaram a ver em Passos Coelho o bluff que sempre foi (os do Observador ainda não vêem e o João Miguel Tavares deseja-lhe, por hipocrisia ou insanidade, que faça a maratona do deserto e depois volte), se recusavam a ver que seria difícil ter do seu lado gente com qualidade, e outros precisaram de um motivo invocável para pressionar a saída de cena de um indivíduo que viveu sonhando que a maioria obtida em 2015 e o desastre que fatalmente se seguiria ao entendimento conseguido entre o PS e a extrema-esquerda o colocariam de novo no poder. Passos, pelo seu lado, não saiu porque não percebeu nada. Nada do que aconteceu ao PSD nestas autárquicas foi inesperado. É uma grande chatice, mas ou deixam lá o Passos, e para isso calam-se, ou pensam numa estratégia alternativa e mexem-se. Mas não se mexerem também é uma hipótese.

2 comentários a “Um chavão: a política tem muito de hipocrisia”

  1. Desde sempre foi evidente a impreparação de Passos Coelho para as funções. Para uns tantos, foi a marionete, que manipulavam consoantes os mais diversos interesses, financeiros e politicos. O desastre
    era inevitável, e a escolha dos candidatos autárquicos veio a confirma-lo. À chamada, os ditos pesos-pesados, olharam para o lado e fizeram-se desentendidos, restaram só as figuras secundárias, mesmo essas só lá foram por amizade ou em paga de favores recebidos. A governação requer mais lastro e experiência, Passos julgava que rea o mesmo que chefiar a ramboiada da Juventude Social Democrata.

  2. Seria muito bom que não seja O Passos Coelho a rir por último.

    Cuidado com a geringonça «costista» não nos esbarre a todos e tenha que vir outra qualquer troica e outro qualquer «passos»
    salvar a jangada.

    O Jerónimo pode vi a pôr a cgtp em campo! depois é que são elas!

    Depois não é o diabo, passa a sermesmo o «passos» ao quadrado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *