Rui Ramos está sempre a errar. Por mim, pode continuar

Passos Coelho faz muita impressão à oligarquia portuguesa“, começa por dizer Rui Ramos, que termina o seu artigo no Observador de hoje com uma acusação contra desconhecidos de “futilidade oligárquica”. Primeira pergunta: a que “oligarcas” se estará Rui Ramos a referir? Segunda pergunta: quem reprova Passos é oligarca? Querem ver que o país é um bem escondido fenómeno?

 

Rui Ramos, o intelectual que, num jornal passista, mais defende o passismo, está tão viciado na propaganda que nem se apercebe das inanidades que diz. E hoje são demasiadas.

 

Por exemplo, reconhece que não há, de momento, alternativa a Passos dentro do PSD, mas conclui que, sendo as coisas o que são, também não é preciso porque ele é perfeito. E é perfeito porquê? Pois porque tinha razão: as suas políticas foram tão acertadas que agora foi possível reverter os “cortes” (e não percebo a razão das aspas; não terá havido cortes?). Não reparou, contudo, que o próprio Passos veio ontem dizer, na Newsletter do PSD, no final de um palavreado oco e a carecer de especificações, que há que “enterrar as políticas de reversão“. Ou seja, a dose do chamado “ajustamento” que estava a aplicar era para continuar eternamente, alegadamente para tornar Portugal mais competitivo e mais resiliente. Na ponta da Ásia, o Vietname, na ponta da Europa, Portugal. Perfeito. Mas, assim, onde estava o acerto das suas políticas, se o futuro e a estratégia para Portugal eram o eterno empobrecimento, sem perspectiva de reversão da trajectória de miséria? Ou será que Passos enganou Ramos e o amor é mesmo cego?

 

Acontece, entretanto, que nem os nossos credores europeus estão alarmados, nem a maioria dos portugueses está insatisfeita com aquilo a que Rui Ramos continua a chamar “manobra” pós-eleitoral. Refere-se ao acordo político entre as esquerdas com vista a garantir uma maioria duradoura no Parlamento, alternativa à da “falta de alternativa”. RR continua a achar que Passos tinha condições para governar com os votos obtidos nas eleições apesar de não dispor de maioria parlamentar que lhe aprovasse as propostas. Nunca explica como. Será porque pretendia que o PS servisse de (na expressão reprovadora que utiliza para o papel actual do BE e do PCP) “escudeiro” de Passos Coelho? Se assim for, muito me conta.

 

Alega Ramos que o governo sobrevive graças ao BCE e à sua política de compra de dívida, que mantém os juros baixos. Só que o mesmo já acontecia durante o governo de Passos. E até já tardava demasiado, como toda a gente reconhece hoje. Claro que, na altura, o que diziam os PàF era que os juros baixavam porque os mercados estavam entusiasmadíssimos com as políticas de austeridade e sentiam-se confiantíssimos, e que Portugal recuperara a credibilidade. Tretas que Rui Ramos, se não estivesse cego, deveria identificar. Não consta que o país tenha perdido agora a credibilidade. Assim como devia ter percebido a encenação que foi a “saída limpa”. Não viu. Continua a dizer, apesar da banca e da terra queimada que nos legou a coligação, que Passos cumpriu com esmero e sucesso o programa de resgate.

 

Para Rui Ramos, Passos foi um ás porque soube recuperar “a credibilidade externa” (pressupõe-se que perdida). Não diz é que a subserviência, a submissão e o apelo à auto-flagelação dos portugueses foram os presentes inaceitáveis oferecidos para apaziguar a ira dos (considerados) deuses. Coisa irónica, não só não havia deuses, como também os presentes eram absolutamente desnecessários, pois a verdade e o mais extraordinário é que José Sócrates não estava mal visto nem era desconsiderado nas instituições europeias, que até com ele tinham acordado um plano de sustentabilidade que evitava o resgate, plano esse atirado para o lixo porque sim e porque se mentiu. Por outro lado, Costa soma e segue sem qualquer subserviência nem reverência.

 

Ramos diz que Passos pode continuar onde está. Eu digo que deve. Por favor.

13 comentários a “Rui Ramos está sempre a errar. Por mim, pode continuar”

  1. pronto, já contei até dez para não me irritar com isso de que o que passos fez, fez por bem e bem. puta que os pariu a todos que pensam assim. ando-lhes com um pó.

  2. o ramos foi aquele gajo contratado pelo tio balsas para fazer uma história de portugal em fascículos distribuída à borliú com o espêsso. aquela merda era tão má e o branqueamento da ditadura fascista do botas era tão descarado que a promoção borregou nos primeiros exemplares. se não fosse o asilo neoconeiro do observas morria à fome ou ia dar aulas.

  3. Eu só não percebo porque se dá atenção a pessoal que vive um efémero apogeu com determinado poder político e depois desaparece. Com algum dinheiro amealhado, fruto da publicidade, e pouco mais.

    É perfeitamente natural que defendam o seu líder, a voz que os comanda, mas não merecem, por isso, mais do que notas de rodapé neste blogue.

    Um excelente 2017 para todos.

  4. Não se estará a dar demasiada importância ao escriba do pasquim
    da direita ressabiada? Já faltou mais para começarem a assobiar só
    para disfarçar a falta de argumentos!!!

  5. «Coisa irónica, não só não havia deuses, como também os presentes eram absolutamente desnecessários, pois a verdade e o mais extraordinário é que José Sócrates não estava mal visto nem era desconsiderado nas instituições europeias [tal como o seu traidor Pedro Passos Coelho, o mentiroso Penélopiano mas por maioria de razão], que até com ele tinham acordado um plano de sustentabilidade que evitava o resgate, plano esse atirado para o lixo porque sim e porque se mentiu. Por outro lado, Costa soma e segue sem qualquer subserviência nem reverência.»

    https://tecnoblog.net/wp-content/uploads/2015/09/beijing-smog.jpg

    Palavras sábias (a primeira parte sobre o José Sócrates até merece um sublinhado: antes do diploma de filósofo, portanto; e a frase final sobre o António Costa também: é verdade sim senhora, e senão faz toda a diferença de igual maneira em relação aos dois anteriores, o quadro político mais claro e sem nuvens em que o PS do António Costa desempenha as suas funções é em todo diferente).

    É sempre um gosto, cara Penélope.

  6. Penélope, o meu comentário era também uma crítica sobre os lunáticos que comparam o PS de Sócrates com o PS de António Costa. Em especial, as nuvens que marcaram toda ou quase toda a vigência do seu primeiro e segundo governo… em relação às esquerdas. A história não está feita, mas tenho ideia que para além de gostos pessoais o actual PS de António Costa com o acordo parlamentar com o BE e o PCP leva larga vantagem.

    Um gosto.

  7. Penélope, disse que o meu segundo comentário era também uma crítica sobre os lunáticos certo?
    E disse bem: os lunáticos que constituem a troupe do Aspirina B, nomeadamente.

    Como disse, a história não está feita e, quando é feita em cima do acontecimento, é normalmente apressada. Toda a gente está “em movimento”, nomeadamente as esquerdas, mas a leitura unívoca sobre o chumbo do PEC 4 pela tal “coligação negativa” vale a pena ir sendo repensada.

    De uma forma simples, sem perder de vista o contexto em que as coisas decorreram, porque se há necessidade de comparar tempos diferentes para não se ficar parado também existem uma série de exercícios que têm de ser obrigatoriamente feitos quando se abordam os assuntos. Como fiz assim de repente desenhando os factores internos e externos, por exemplo:

    – externos para além de não ser correcto centrar-se a acção de um governo no PM que, por natureza, é um cargo transitório (gente do passado: Sócrates e Passos Coelho; actualmente o Costa) existe uma entidade suficientemente concreta que se chama “país” ou assim que, esse sim, é portador da continuidade. E, surpreendentemente, as equivalências entre os dois primeiros casos (Sócrates/Passos) parece ser maior do que se analisarmos os três (junte-se o Costa). Assim sendo, o que os torna um conjunto? A traço grosso, avento a possibilidade de uma praxis institucional do PS do António Costa.

    – internos em que o quadro político português é em tudo diferente, e quer-me parecer que esta experiência do acordo parlamentar do PS, BE e PCP poderá ajudar a reescrever o passsado… no presente. As contas far-se-ão no final mas, à anteriormente referida praxis institucional do PS do António Costa, junte-se a do BE para surpresa de muitos (o exemplo nevrótico de uma esquerda radical que se esperaria poder-se-á ver actualmente no Podemos, em Espanha) e do PCP. Idem, do CDS da desmiolada Assunção Cristas, enquanto o PSD do Pedro Passos Coelho de vitória em derrota até à derrota final será obviamente outra coisa.

    É sempre um gosto, já disse isto?

  8. Podes aprender alguma coisinha com o aeiou já que o teu comentário está todo broncado, Ignatz.
    É verdade que isso prova que aí na tua taberna se vende mau vinho, o que pode ser moral e clinicamente desculpável, mas deverias passar por um cena que vendesse também umas pílulas para a cachimónia.

    http://1.bp.blogspot.com/-C46J2t-fQWk/UhOrjvwp4VI/AAAAAAAAJ5w/e_j7N7YGLW8/s1600/pink.JPG
    (as Pílulas Pink estão á venda em todas as pharmacias pelo preço de 800 réis a caixa, 4$ 400 réis as 6 caixas)

    Ou poderias pedir à Penélope que tas oferecesse, pois a prenda de Natal do Valupi já se sabe qual foi (estou com o jpferra e o Joe Strummer, gostei bué de te ver).

  9. Infelizmente para Passos, a vida corre bem demais à esquerda e Satanás não foi descoberto a infernizar os Portugueses.
    Ele bem tenta todos os dias aparecer na comunicação social (até parece que já implora para isso), pintando uns quadros em tons muito escuros, mas até os jornalistas já lhe prestam cada vez menos atenção.
    Como o fim do mundo anunciado não se concretiza, os vassalos de serviço prestam-se a estas figuras, tentando adiar o fim da carreira política de Passos Coelho.
    Rui Rio, está na bancada, sem saber se há-de rir ou chorar, e devorando pipocas.

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