Porque é que não ouço ninguém a falar da necessidade de um inquérito aos últimos incêndios?

Já aqui me insurgi contra o jornalismo vergonhoso que por estes dias se faz. Não disse, mas digo agora, que melhor fariam os jornalistas se, em vez de fazerem jogos políticos e acusações, fossem investigar as horas a que os incêndios começaram, a quantidade de acendimentos por concelho, as queimadas confirmadas e outras questões que conviria apurar, para além das condições meteorológicas concretas. Porque a questão é a seguinte: metade de Portugal ficou de repente a arder, num só dia, e o prejuízo em vidas humanas, vidas animais, explorações agrícolas, indústrias e florestas foi incomensuravelmente maior do que em Pedrógão Grande. Se, no caso dessa tragédia, se abriu um inquérito sério, por que razão não se faz o mesmo para esta tragédia de dimensões nunca vistas?

Inúmeras pessoas (os chamados populares) residentes nesses locais são peremptórias em afirmar que nada daquilo foi normal. E não hesitam em avançar teorias da conspiração de contornos políticos. É certo que a terra, o mato, a vegetação em geral estavam para além de secos. O vento também só acrescentou desespero à impotência. Mas a distribuição generalizada dos fogos pelo território já não parece a ninguém coincidência. Por isso, o mínimo que se deveria fazer seria mandar investigar. O Governo deveria, por assim dizer, contra-atacar. Começando, dado não ter ainda outros dados, com a falta de educação das populações e a incúria das autoridades municipais, em vez de se torturar com sentimentos de culpa, ir atrás da conversa do Marcelo e gizar grandes planos de ordenamento florestal. Porque a verdade é esta: quem quiser pôr uma mata a arder (ou duas, ou três), põe, haja caminhos ou não haja caminhos, bons acessos ou maus acessos, muitos ou poucos bombeiros e equipamentos de combate. Não há que ter medo de lançar um inquérito. A extensão da tragédia mais do que o justifica. Ainda há pouco ouvi na TSF um agricultor da região de Penacova que perdeu todas as suas plantações de medronheiros. Bem tratadas, limpas, suficientemente dispersas para garantir que algumas se salvariam em caso de fogos. Não adiantou. Perdeu tudo. Ordenem o território, limpem as florestas, mas não tenham ilusões de que quem quer fazer o mal o fará novamente.

Na Idade Média, matavam-se (queimavam-se) três ou quatro judeus na sequência de um terramoto e o assunto ficava arrumado. No século XXI nada fica arrumado com a “queima” de uma ministra. Por isso, caro António Costa, como vítima que também sou destes incêndios, eu quero saber o que aconteceu no fim de semana passado.

21 comentários a “Porque é que não ouço ninguém a falar da necessidade de um inquérito aos últimos incêndios?”

  1. Entretanto o salta poçinhas presidencial, passada a pica de despachar a ministra, já acha que o que se viveu no último fim de semana em Portugal foi uma situação absolutamente extraordinária. Porquê? Porque parece que até os nossos grandes amigos europeus já estão a pensar em permitir que as compensações com os incêndios não englobem o défice. Chama-se a isto solidariedade europeia. Nós pagamos e a Europa diz como contabilizamos?! Fundos europeus de solidariedade nada! Força de combate a incêndios europeia nada! Entretanto o pinhal de Leiria que já chegou a ter 700 funcionários tem hoje menos de uma dezena. Sem dúvida um bom retrato da função pública em Portugal hoje.

  2. Já chega!
    ZONAS DE SEGURANÇA:
    -» dinheiro mal gasto… podia ter sido utilizado na compra de maquinaria florestal… no sentido de serem criadas zonas de segurança para que a população possa ficar em segurança face à eventualidade de ficar cercada por um incêndio.
    .
    .
    Foram mestres/elite em economia que enfiaram ao contribuinte autoestradas ‘olha lá vem um’, estádios de futebol vazios, buracos da máfia dos calotes para tapar (ex: BPN, etc), etc…
    Ora, quem paga – vulgo contribuinte – não pode deixar de ter uma palavra a dizer!
    —»»» Leia-se: O CONTRIBUINTE NÃO PODE PASSAR UM CHEQUE EM BRANCO A NENHUM POLÍTICO!!!
    .
    .
    Democracia Semi-Directa!
    -» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo ‘resolve tudo e mais alguma coisa’… o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)… de forma a que… o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
    -» Dito de outra maneira: são necessários mais e melhores canais de transparência!
    .
    Exemplo:
    Todos os gastos do Estado [despesas públicas superiores, por exemplo a 1 milhão (nota: para que o contribuinte não seja atafulhado com casos-bagatela -» a Democracia Directa tem precisamente este inconveniente!!!)], e que não sejam considerados de «Prioridade Absoluta» [nota: a definir…], devem estar disponíveis para ser vetados durante 96 horas pelos contribuintes na internet num “Portal dos Referendos”… aonde qualquer cidadão maior de idade poderá entrar e participar.
    -» Para vetar [ou reactivar] um gasto do Estado deverão ser necessários 100 mil votos [ou múltiplos: 200 mil, 300 mil, etc] de contribuintes.
    {ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »}

  3. Eu também quero dar conselhos ao Costa, tal como faz Penelope: Costa, como o “diabo” aparece de várias formas, e ele aí está em forma de fogo infernal, integra-o na GERINGONÇA, pode ser que o consigas enrolar como fizeste com os outros parceiros.

  4. É preciso um inquérito porque eu e muitos queremos saber que organização será capaz de programar e executar,num só dia, 540 fogos numa área definida do território português. Não são amadores,mas pessoal altamente especializado e em número bastante para um sucesso tamanho. Gente tão qualificada tem que ser gente conhecida,com provas dadas a nível de organização e logística. Comecemos a pensar e os nomes são muito poucos com tais capacidades. Que excelente oportunidade para um polícia sério e corajoso ! …

  5. sim , claro , foi o bando de arguidos da operação marques , danados com o país , com o ps e com o costa . em alternativa podem explorar a pista dos ribatejanos que querem a independencia. ou entao foi o isis , mas esqueceu-se de reclamar o atentado. ah , já sei , foram as brigadas do pcp por causa das autárquicas… não … foi o paulinho das feiras com a cristas e uns os submarinistas amigos . que tinham assaltado tancos , a atear os fogos. as tartarugas ninja ? o rui rio e psd? o jocker?

    a não assumpção de culpas é um sinal de baixa autoestima e fraco carácter , isso sim.

  6. Não é preciso mais inquéritos :
    – isso foi chão que já deu uvas

    Oh, oh, oh, Dr. Costa quem será que andou a deitar fogo ao país!
    En España se habla de “terrorismo incendiário” para aplicar las leis.

  7. http://www.elmundo.es/economia/2017/09/15/59b27a1222601d43128b4580.html

    Jornal EL MUNDO – 15 de Outubro de 2017

    ¿Quién gana dinero cuando arde Portugal?

    … El ‘cartel del fuego’ – En los momentos cruciales de un macro incendio forestal, el apoyo aéreo es imprescindible. Portugal, al ser un país relativamente pequeño, incapaz de mantener una flota que pueda responder a todos los incendios registrados cada verano, recurre al sector privado. El problema surge cuando las empresas conspiran para manipular los concursos públicos, delito que la Policía Judicial lusa cree que ha sido cometido por la rama portuguesa del conocido cartel del fuego español.

    La investigación de la PJ confirma la información adelantada por EL MUNDO hace un año: empresas nacionales amañaron los concursos públicos en España, Portugal e Italia.

    Según fuentes judiciales, en Portugal el cartel contó con un coordinador nativo que, a lo largo de los últimos 12 años, podría haber amañado contratos públicos por valor de 821 millones de euros. El precio, obviamente inflado por muchas de las adjudicaciones, dio lugar a una investigación del Tribunal de Cuentas portugués…

  8. ” el cartel contó con un coordinador nativo ” , quem será este tuga , que numa dúzia de anos , amanhou os concursos ? alguém sabe ?

  9. trabalhei mais de 30 anos numa empresa florestal,com muitos HA comprados ou arrendados ,para a exploração de eucaliptos ou pinheiro, para nossas fábricas de celulose.eram raríssimos os incêndios e muitos desses incêndios eram combatidos com os nossos próprios meios. um tanque de agua atrelado a um jeep e 5 ou seis trabalhadores de mata da Portucel. o que ardia era pouco significativo,o curioso é que os incêndios começavam quase sempre nas matas dos vizinhos.

  10. o país está bem.os portugueses andam felizes,como tal, há que desestabilizar! a direita não olha a meios, para atingir os seus fins.

  11. Ou se faz uma investigação séria ou então terão que provar que foi a ANPC que
    mandou fazer deflagrar mais de 500 fogos a começarem durante a madrugada!
    Há que queira surfar sobre estes funestos casos e, verta lágrimas de crocodilo
    pelas vítimas, como já foi dito a moção de censura avançada, com apoio presi-
    dencial, pelo CDS não passa de uma manobra grotesca!
    Por mais que a comunicação social atire com culpas e procure atear mais fogos,
    o Povo está a dar uma boa resposta, até diz que, da forma que aconteceu no
    último fim de semana, nem com mais 10 mil bombeiros se poderia combater!
    A anunciada subida de popularidade do Presidente Celinho é algo efémero e,
    já se vão agradecendo os muitos beijinhos e abraços pois, começa a roçar o po-
    pulismo e alguma demagogia!!!

  12. «Ainda há pouco ouvi na TSF um agricultor da região de Penacova que perdeu todas as suas plantações de medronheiros. »

    Bem, um pouco de rigor não faria mal: o senhor perdeu certamente a produção deste ano e a dos dois próximos anos; mas não perdeu as plantações de medronheiros. O Medronheiro é uma arbustiva adaptada à ecologia do fogo. Tal como o eucalipto, tb ele rebenta na toiça logo após os fogos, e muitas vezes até agradece ( ganha nutrientes e livra-se da concorrência ). Em caso de dúvidas é pedir ao jornalista da TSF que fotografe agora e volte lá em Junho próximo.

  13. m.azevedo, muito bem. O eucalipto é a única cultura com extensão que oferece exemplos de gestão racional do território. Tudo o resto são fantasias. Não é a titular do MAI que deveria ser demitida, é quem permite a barbaridade de proibir a solução que, até agora, gerou mais receitas para gerir a floresta e que, quando beneficiada de gestão competente, sofreu, proporcionalmente, menor área ardida. E quem permite que a desinformação, a ignoranica e o obscurantismo façam caminho na sociedade portuguesa e sejam tomados como politicamente correctos.

  14. Na Idade Média, matavam-se (queimavam-se) três ou quatro judeus na sequência de um terramoto e o assunto ficava arrumado

    Consegue-me indicar uma sentença nesse sentido? Não vou crer que repita clichés demonstradores de superficialidade e ignorância, por isso vou acreditar que leu algures esses episódios.

  15. Pinto: Terramoto de Lisboa de 1531. “O terramoto foi seguido por severos choques e o medo de outro era intenso. Um rumor, aparentemente encorajado pelos freis de Santarém, de que o desastre era punição divina e que a comunidade dos marranos era a responsável. Gil Vicente responsabilizou os monges por um possível massacre.[5]”

  16. mas o massacre aconteceu ou era só possivel ??? ? estas meias tintas , não posso com elas.

    é que também detesto judeus , a mercantilização do mundo é obra deles e da sua cultura rasteira e primária de serpente maldita , mas não me passa pela cabeça matá-los a sério.

  17. Penélope, em primeiro lugar o séc xvi não é Idade Média. Em segundo não me demonstrou onde e quem queimou quem. Vou aguardar.

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