Objetivamente, a Grécia

No clímax de tensão a que chegaram as negociações, Tsipras tomou a única decisão possível – convocou um referendo à proposta dos credores.  Se, neste referendo, o Não vencer, o país sairá provavelmente do euro (sairá?) e Tsipras manterá a liderança, agora reforçada, tendo, sem dúvida, muito que fazer para merecer uma menção de destaque na História. Se o Sim à proposta vencer, Tsipras, que anunciou ir fazer campanha pelo Não, terá de se demitir, pois não terá condições para executar as medidas que rejeitou. Neste caso, haverá novas eleições e a direita ganhará, voltando-se ao «business as usual» dos últimos cinco anos, isto é, a sangria, desta feita expressamente consentida. Resolve-se alguma coisa na Grécia? Não, apenas se vai pagando aos credores. Com os seus empréstimos. Isto é um negócio.

Mas os gregos devem saber em que estado se encontram. Possivelmente será, para a sua maioria, tão mau continuar com a austeridade imposta como mandar os credores «dar uma volta ao bilhar grande» e divertirem-se com (enquanto negam) o que ganharam durante anos com os empréstimos à Grécia e com as grandes obras, e seja o que Zeus quiser. Possivelmente Zeus e Tsipras serão, em 5 de julho, a mesma pessoa.

Foi preciso a Grécia chegar até aqui, ou seja, a uma situação tal que o único crédito a dar pelos eleitores aos políticos foi a eleição de um partido radical de esquerda, para pôr finalmente às claras o espírito europeu nesta crise – na Europa, em especial na zona euro pós-2010, com mais ou menos salamaleques, existem os credores e existem os devedores. Para além disso, mais nada. Se a receita aplicada pelos credores (e a Grécia aplicou-a, ao contrário do que diz a direita desde fevereiro) provoca pobreza, destrói a economia, afunda o PIB, mata a democracia, torna os países escravos de uma dívida crescente e impagável e, a prazo, transforma a união europeia numa farsa, se é que não dita o seu óbito, que importa? É assim. O povo deve pagar os desmandos da banca e as decisões preconceituosas de quem manda.

Entretranto, não há ferramentas soberanas. Com a moeda única, todos os países se submeteram a Berlim. Como conviver bem nesta União?

A hipótese mais óbvia é aliar-se a Angela Merkel, obedecer cegamente às suas ordens, aceitar que as mesmas defendem em primeiro lugar os interesses dos alemães que a elegeram, fingir que tudo vai bem por cá e esperar a proteção eterna das instituições, controladas pela Alemanha, incluindo em caso de nova crise. É o que faz Portugal, com o governo de Passos e Portas. Com a agravante de os executantes terem verdadeiro prazer no chicote. Objetivamente, estamos condenados a mendigar as boas graças do patrão.

Objetivamente também, esta forma de a «Europa» lidar com os efeitos de uma grave crise financeira internacional foi uma estreia, atendendo à existência da união monetária. O clube não estava preparado para o que sucedeu. Não havendo mecanismos de combate e de estabilização, e havendo grandes discrepâncias entre os países, o país mais rico foi quem ditou as regras. E, evidentemente, nesse processo defendeu os seus interesses. Pode objetivamente dizer-se que correu bem? Sim, até agora, para o comandante. Para a soldadesca, não, não pode objetivamente dizer-se que correu bem. Para os lambe-botas há a ilusão de que sim.

Para onde se caminha não se sabe ou não interessa. Mas o facto de haver alguém que questiona e desafia só pode merecer aplauso. Quando já não há nada a perder.

29 thoughts on “Objetivamente, a Grécia”

  1. nah… acho que não vai haver referendo, a europa aceita uma manigância qualquer que dê para pôr o problema em banho maria e entretanto vai fazendo a cama ao syriza. acho que a europa só aceitará um referendo quando tiver a certeza que os gajos votam sim europa e para isso precisam de tempo para os pôr a morrer de fome.

  2. li agora que o dj de serviço à rave deu o baile por encerrado. portantes o referendo grego é para encaixilhar antes que os ingleses se lembrem que lhes prometeram um e depois deixam de poder fazer chantagem.

  3. Os sistemas em que todos pagam tudo , todos eles faliram; sejam grandes pequenos, com muitas armas com poucas armas, com petróleo a jorros, sem petróleo, ilhas isoladas ou rodeados de paises.
    Querer que os europeus paguem as opções dum grupo legitimo de cidadãos pode parecer uma solidariedade saudável, mas a mim parece-me uma chantagem ilegítima. Como felizmente estamos com adultos a volta da mesa , os líricos vão dar uma volta ao bilhar grande e fazer o que tinham rejeitado meses a traz . fazer uma consulta ao pobres gregos.Se não fosse ter tantos amigos lá até achava bom para nós podermos ver em tempo real como é sair do euro; poderiamos aprender algo com isso.

  4. É mais correto falar em emprestar do que em pagar. Tudo é para ser reembolsado e com juros. As exigências de quem empresta têm sido tão razoáveis que os gregos continuam sem dinheiro para honrar as dívidas e sem economia. Nada melhorou na situação grega, apesar das medidas de austeridade. Há quem pense que por causa delas. Sair do euro? Possivelmente é melhor. O problema, para a Europa, é se a mudança traz bons resultados para os gregos. Evidentemente que irão tudo fazer para que não.

  5. Impecável, era impossível pedir melhor que isto, a súmula da esquerda são os seguintes parágrafos:

    “Para onde se caminha não se sabe ou não interessa. Mas o facto de haver alguém que questiona e desafia só pode merecer aplauso”

    Entra o Syriza, rebenta com a fraca recuperação que o país estava a ter, rebenta com a boa vontade que os parceiros do europgrupo e que os europeus tinham para com o país, rebenta de vez com as finanças do país e mete-o na falência.

    O partido que foi eleito com o mandato de pôr fim à austeridade não acha que tem a legitimadade para dizer não, mas pede um referendo a destempo onde fará campanha pelo não. O pcp grego diz aos seus eleitores para se absterem, incapaz de se vincular a um dos dois “males”, sendo que sempre fez campanha pelo fim da austeridade e saída do euro…

    O que é que a esquerda Portuguesa pensa nisso, desta política de arrebenta e de total irresponsabilidade? Não pensa, não quer saber dos resultados, aplaude a “coragem” dos muitos que fxderam a pouca esperança que os gregos podiam ter no futuro, e mandaram mais uns milhões para a pobreza e indigência.
    E a Venezuela 2.0, a Miséria da Coreia do Norte, a pobreza ignóbil da Cuba Comunista.

    Aplausos, aplausos, aplausos.

  6. “O problema, para a Europa, é se a mudança traz bons resultados para os gregos. Evidentemente que irão tudo fazer para que não”

    Parece que temos o Maduro aqui, a culpar o “império” pela pobreza da Venezuelana.

    A esquerda parece calquitos, são todos igualzinhos, saídos do mesmo molde.

  7. Tenho orgulho no governo grego. Se sairem do euro, vai ser muito dificil, mas antes sofrer assim do que neste neo feudalismo.

  8. não deixa de ser triste, imensamente triste, que a matriz monetária tenha determinado a trajectória evolutiva do processo de construção europeia – pensou-se, ou talvez se tenha idealizado, que esta tivesse sido construída paulatinamente sobre outros alicerces. que é feito do gradualismo e da cautela?

    mas, sim, questione-se e desafie-se.

  9. olha um referendo, no contexto de mais um esquerdalha que prometeu mundos e fundos e que ia comer a troika, para afinal não ter coragem de cumprir o que prometeu – teve que perguntar outra vez. É mais um democrata ( marreco que quer viver à minha custa).

  10. milagre, o ambilopes vê referendos que a europa numquerber. não tarda estão a pedir eleições até ganhar o partido que eles querem, a menos que o rodinhas tenha algum com pernas para andar.

  11. O anapaula, Portugal também está sob esse jugo neo feudalista, já fez planos para emigrar para a Venezuela ou para a Coreia do Norte. Ide ide cxralho, lá é que se está bem !

  12. Na gíria militar um “básico” é um individuo de fracos recursos intelectuais, que tem dificuldade de ver o óbvio. Aparentemete circula por esta caixa de comentários quem como tal se auto-denomine sem que seja claro se sequer tem consciência disso.

    «E a Venezuela 2.0, a Miséria da Coreia do Norte, a pobreza ignóbil da Cuba Comunista.»

    Mas esta referência ao insucesso de paises de governação comunista para exemplificar a inconsistência das ideologias de esquerda, não tem nada de básica – é apenas velhaca! E é velhaca porque se apoia nos resultados sem levar em linha de conta as condições que os produziram. Como se Cuba nunca tivesse estada sob bloqueio económica imposto pelo imperialista Americano, ou como se as multinacionais americanas e a CIA nunca tivessem interferido em nada com os governos de esquerda da américa central e do sul.

    Dirão muitos: mais palavras para quê, se o básico representa o pior de que a direita é capaz ?

    Bem, o problema, e nisso justiça lhe seja feita, é que o básico sabe que as ideias básicas alastram muito mais, e mais facilmente, que as explicações mais elaboradas das coisas. É por isso que quem lhe lê as falácias e se cala, peca por omissão. Estes velhacos sabem o que querem e como consegui-lo.E quem disso ainda tiver dúvidas, basta que reveja os resultados das ultimas sondagens para as tirar: as falácias e a mentira rendem votos.

  13. Básicas são as eternas desculpas para os falhanços da esquerda… Rússia, China, Venezuela, Coreia do Norte, Cuba… Não há um único exemplo de sucesso…

    E depois vem os contra argumentos, que uma criança de 3 anos desmonta.

    “Como se Cuba nunca tivesse estada sob bloqueio económica imposto pelo imperialista Americano”

    O modelo econômico socialista de Cuba só funciona se puderem negociar com os eua? Para que é que precisam dos americanos, não lhe bastam os amigos bolivaristas na América do Sul?

    A Venezuela também culpa o império de todos os seus problemas.

    Agora os marxistas gregos também queriam fazer política com o dinheiro dos outros… Entretanto o PIB caiu a pique desde que lá estão, os depósitos estão a fugir, os atm vazios. Ele é sucesso após sucesso pá!

    Parecem daquelas desculpas dos maus alunos…

  14. Novamente a falácia, sempre a falácia.
    Qualquer análise da evolução concreta da situação cubana que não seja apenas velhaca, decerto descortinará que o chamado “bloqueio” vai muito para lá das relações “comerciais” convencionais com os EUA. Basta consultar qq Wikipedia para perceber isso.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Embargo_dos_Estados_Unidos_a_Cuba
    Para quem não lhe apeteça abrir o link, aqui ficam alguns exemplos do significado concreto do bloqueio a Cuba:
    «É proibido a empresas de terceiros países a exportação para os Estados Unidos de qualquer produto que contenha alguma matéria-prima cubana (A França não pode exportar para os Estados Unidos uma geleia que contenha açúcar cubano).
    É proibido a empresas de terceiros países que vendam a Cuba bens ou serviços nos quais seja utilizada tecnologia estadunidense ou que precisem, na sua fabricação, produtos dessa procedência que excedam 10% do seu valor, ainda quando os seus proprietários sejam nacionais de terceiros países.
    Proíbe-se a bancos de terceiros países que abram contas em dólares norte-americanos a pessoas individuais ou jurídicas cubanas, ou que realizem qualquer transação financeira em essa divisa com entidades ou pessoas cubanas, em cujo caso serão confiscadas. Isso bloqueia totalmente Cuba de utilizar o dólar em suas transações de comércio exterior.
    É proibido aos empresários de terceiros países levar a cabo investimentos ou negócios com Cuba, sob o suposto de que essas operações estejam relacionadas com prioridades sujeitas a reclamação por parte dos Estados Unidos da América. Os empresários que não se submetam a essa proibição serão alvo de sanções e represálias como o cancelamento, ou não renovação, de seus vistos de viagem aos Estados Unidos16 17 .»

  15. Ou seja, o bloqueio e somente sobre produtos ou serviços Norte americanos, pelo que temos de nos perguntar, como pode uma revolução socialista ficar refém do bloqueio econômico dum só país? Poderia esse bloqueio justificar tantos anos de insucesso e pobreza ? Não podem os países bolivares safar os amigos insulares? Os russos não injectam também dinheiro na revolução das revoluções?

    Mais perto de casa, após 6 meses de ser eleito, quais são os resultados economicos e sociais da partido neo marxista Syriza?

  16. “Mais perto de casa, após 6 meses de ser eleito, quais são os resultados economicos e sociais da partido neo marxista Syriza?”

    pergunta à lagardere e ao dijay que têm andado a animar a rave dos empréstimos com mix, remix e samplage do varoufucks e agora mudaram para o hino à bubadeira do wolfgang.

  17. querolasabonetes,

    Ouve, aproveita os conselhos da malta do 44 – pega num sabonete e toma banho. Não esqueças a língua. Esfrega bem, retira toda essa camada que te confere o dom da ordinarice e da manifestação da ignorãncia.

    Deves querer mesmo sabonete e não persistires na sujidade pensadora.
    Pastar bem.

  18. Olha, olha, outro COMUNA com novo nick- ó pá, estás a ficar com falta de imaginação, então agora é josé dias? Hum?

    Toma lá um berssozitu, feito sólo para tie:

    Eu sou o josé dias
    o gajo das patacoadas
    gosto muito da trampa
    não dispenso as carbalhadas

    Sou tal e quale o ótro
    tenho a boca com muito sarro
    num há detergente que me balha
    eu sou um grande carbalho

    É só carbalhos na minha boca
    baselinas na minha escrita
    querola sabonetes
    ai que lingua tao badalhoca

    Ó repolho do ultramar
    és cheio de filosofia
    que sabes tu de falácias
    tu que sofres de hipotrofia

    oqueie, bá.
    Pastar bem.

  19. Basico,

    Acha que o dólar é apenas um “produto americano ” ? Acha mesmo que a impossibilidade de um pais se financiar nos mercados internacionais em dólares ( que é, por exemplo, a moeda corrente nas tansacções de petroleo….) é uma questão irrelevante ?

    O problema destes seus dislates nem sequer é a idiotice que eles poderiam revelar; mas a má-fé que lhes está subjacente !

  20. Claro, e essa impossibilidade de se financiar em dollars que tem lixado a alemanha, ve la tu que ate ha pouco tempo a divida deles ate negociava com juros negativos…

    E, rebatendo o outro solido argumento apresentado, nao me parece que a Venezuela alguma vez tenha tido problemas em vender petroleo a Cuba, petroleo e coisa que nunca faltou la na ilhota.

  21. Basico,

    Comparar um pais que não esteve embargado com outro embargado, ilustra bem a sua má- fé neste debate. Vc está fartinho de saber que a sua tese original, que associa o sucesso económico dos países aos seus regimes politicos, é uma falácia grosseira. Um minimo de honestidade mandaria reconhecer que nas ultimas décadas não houve nenhuma via alternativa que não tenha benefiado da hostilidade internacional da hegemonia capitalista instalada. Portanto, ideologias à parte, como é que podemos comparar o que não é comparável ? O que vc faz é a mesma coisa que comentar os resultados de uma competição entre dois atletas em que um deles é obrigado a correr descalço: vc conclui que o gajo que correu descalço perdeu pq tinha um mau programa de treino.

    Sobre a Venezuela e o “seu ” pretroleo, aconselho-o que tente perceber quem são realmente os donos desse petroleo. Dou-lhe desde já uma pequena ajuda. Veja , por exemplo, se paises como a Venezuela ou o Irão são os proprietários das refinarias que processam o petroleo que produzem.

  22. Toma lá, pá, ó gajo das ex – colónias…para ti

    É o rodrigues da falácia
    Com o repolho na cabeça
    É o das baboseiras
    Todas sem acurácia

    Amanda sempre com a má fé
    Diz-se o dono da verdade
    Sabe tudo e mais alguma coisa
    Mas dá sempre tiros no pé

    Ao básico e companhia
    Ele agradece o ensino
    É tamanha a porrada
    tipo pancada do sino

    Marreco. Comuna. Xuxa. Esquerdalha.

  23. “Um minimo de honestidade mandaria reconhecer que nas ultimas décadas não houve nenhuma via alternativa que não tenha benefiado da hostilidade internacional da hegemonia capitalista instalada.”

    Um mínimo de inteligência asseguraria que a afirmação acima não teria sido escrita.

    Vias Alternativas nas últimas décadas?

    1 – experiências chavistas na América do Sul – nenhum bloqueio, falhanço total
    2 – experiências socialistas em África – nenhum bloqueio, falhanço total
    3 – experiências socialistas na Ásia – nenhum bloqueio, falhanço total
    4 – experiências comunistas na Europa – nenhum bloqueio, falhanço total
    5 – experiências comunistas na Eurasia (Rússia e afins) – nenhum bloqueio, falhanço total

    A esquerda e um falhanço gigantesco, uma grotesca experiência que já condenou milhões de seres humanos a morte, fome e pobreza abjecta.

    Aceito contra argumentações com casos de sucesso, afinal, a revolução comunista russa já deve ter uns 100 anos, em quatro gerações alguma coisa deve ter resultado…

  24. Básico, então concretizemos :

    América do Sul ? Tipo Chile e o governo de Allende ? Uma experiencia falhada onde os EUA nada tiveram a ver, é isso ? Já leste H Kissinger sobre o caso ?
    Africa? Tipo Angola e Moçambique ? Quem financiou Renamo e Unita ? A minha avó ?

    Continuamos ?

    Não sou expert em geo-politica nem barra em história. Mas tenho do mundo a noção bastante para perceber que não é sério estabeler relações lineares de causa efeito entre o sucesso/ insucesso da implementação de politicas publicas e as respectivas ideologias de suporte. De resto, não fosse a sua má fé e tb descortinaria muitos problemas politicos no seio de ideologias liberais. Veja os casos da Grécia, Islandia, Portugal, Irlanda, etc. Não vai dizer que a crise de 2008 teve origem em regimes comunistas, ou vai??

  25. “Neste caso, haverá novas eleições e a direita ganhará (…)”

    Duvido. É mais fácil a direita ganhar em Portugal do que na Grécia mesmo com a vitória do não no referendo. A meu ver o Syriza ganha novamente e com mais votos.

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