Ó Zé Manel, actualiza-te

O homem da intriga de Belém e do jornal Público à época e, depois, ferrenho apoiante de Passos mostra-se hoje muito descoroçoado com os dois candidatos à liderança do PSD – Rui Rio e Pedro Santana Lopes. Não admira. São, de facto, dois déjà vus para os quais nos custa olhar. O Passos ao menos ainda se apresentou com um livrito onde alinhavara umas ideias neoliberais inspiradas pelo António Borges, novidade em Portugal, naquele tempo em que foi fácil culpar os socialistas pelo desastre financeiro da selvajaria bancária (ironia: pelos abusos dos exactos neoliberais que o Zé Manel tanto preza), e uma voz bem colocada para mentir com estilo. Rio e Santana são, de facto, os marretas do camarote.

Mas o que enfurece a sério o Zé Manel é a falta de um programa verdadeiramente neoliberal, a que ele chama simplesmente “liberal”, o qual explicita por eufemismos.

[…]”Há quem no PSD dê indicações interessantes sobre as linhas de fractura com o PS – e não apenas com o PS da geringonça. Quem defenda, por exemplo, que o partido deve ser pela igualdade solidária, e não pelo igualitarismo social, que deve acreditar num Estado social que liberta, autonomiza e responsabiliza o cidadão e não num Estado social que o cativa, condiciona e infantiliza. Quem acredite que a exigência na educação pode tornar os cidadãos mais iguais em vez de presumir que o facilitismo os trata por igual, tal como defenda que a família e a comunidade devem guiar a educação em vez de ser o Estado a formatá-la. E por aí adiante, já que estas frases estão todas, quase palavra por palavra, num artigo recente de Paulo Rangel, um artigo que era quase um manifesto da candidatura à liderança do PSD que afinal nunca existiu.”[…]

 

Fonte: Observador

“Há quem no PSD” – leia-se “ele e os do Observador”.

Mas vamos aos eufemismos. Assim, “igualdade solidária” será o quê? Ora pois, a caridade. A caridade torna os pobres iguais aos ricos. Iguais no sentido em que têm o que comer e o que vestir. Mas, como pobrezinhos sempre houve e vai haver, o programa governativo deve visar, não a igualdade e a dignidade permitidas pelo acesso à educação e a empregos condignos, mas a”solidariedade social”. Instituições dedicadas a isso. No fundo, os pobrezinhos são precisos para fazerem baixar o custo da mão de obra.

“Um Estado social que liberta, autonomiza e responsabiliza” será então o quê? Nada mais do que um Estado que liberta tanto, que começa por se libertar, isso sim, a si próprio das suas responsabilidades e que promove o “cada um por si” e a insegurança total. Um Estado mínimo, de preferência inexistente, que tão apreciáveis efeitos teve nas recentes tragédias nacionais e na obsolescência dos transportes públicos. Mas onde é que existe tal Estado virtuoso no mundo civilizado?

E a “exigência na educação” será mesmo o quê? Escolas públicas com turmas atulhadas, professores mal pagos e os “filhos-família” nos colégios privados, misturados com três ou quatro pobrezinhos para disfarçar? Se “a família e a comunidade devem guiar a educação”, como se promove então a igualdade? Não se promove, não é? Nessa perspectiva, ganham as famílias e as comunidades mais ricas. Sendo assim, como se garante a laicidade e a neutralidade do Estado se deixarmos que a Igreja católica, a dita “comunidade”, ou as comunidades islâmicas (noutros países), por exemplo, deitem mão à educação? E que dizer do “facilitismo” alegadamente praticado por quem não segue a cartilha neoliberal? O suposto “rigor” traduzido em exames a cada esquina, como defendeu Crato, parece não ter dado resultados brilhantes. Qual facilitismo?

Enfim, este homem quer a Troica e o Passos de volta. Na falta de Passos, o Rangel serviria. Pequeno pormenor: a pobreza libertadora já foi chão que deu uvas, já se viu o que é, e nem a Troica já seria o que o Zé Manel gostaria que fosse. Basta olhar para o Centeno na Europa.

 

 

3 thoughts on “Ó Zé Manel, actualiza-te”

  1. que é que achas , P : o facto da maioria de acusados de assédio nos states serem judeus significa que há uma conspiração antisemita ou significa que os gajos são uns depravados à la mode do Strauss-Kahn ?

  2. Eu a mim paresseme que u gaju tá a ber mal a situassão pois u psd num preciza de lider pois j´áh lider da opuzissão que é u prezidente das lambuzidelas e fotos laiques ou se ele não puder dizer que é u lider da opuzissãp pois issu notasse pois ele é u prezidente das bananas todas então tem a Madrinha Cabaca que é uma çinhora muito xique pois até o custureiro dela é cumendador e ela que foi prufeçora refurmada sem dar aulas pode agora ter u descanço mereçidu nu psd e mais não digu.

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