O proteccionismo de Trump e outros ataques

Porque é que, na Quinta Avenida, em Nova Iorque, toda a gente tem um Mercedes estacionado à porta de casa e na Alemanha ninguém tem um Chevrolet?”

Resposta de Sigmund Gabriel, ministro da Economia alemão: “Fabriquem automóveis melhores.”

Este é apenas um exemplo da guerra de palavras entre Trump, o elefante, e o resto da loja de porcelanas do mundo, que já teve início com a China e se irá intensificar a partir do momento em que o “desbocado” tomar posse e fizer questão de mostrar ao mundo todo o seu deslumbramento com o novo universo em que se inicia e toda a sua ignorância.

Vale, por isso, a pena ler neste artigo do “The Guardian” as reacções (também as russas) à entrevista que Trump concedeu à Bild e ao The Times:

(Alguns excertos)

Germany’s deputy chancellor and minister for the economy, Sigmar Gabriel, said on Monday morning that a tax on German imports would lead to a “bad awakening” among US carmakers since they were reliant on transatlantic supply chains.

“I believe BMW’s biggest factory is already in the US, in Spartanburg [South Carolina],” Gabriel, leader of the centre-left Social Democratic party, told the Bild newspaper in a video interview.

“The US car industry would have a bad awakening if all the supply parts that aren’t being built in the US were to suddenly come with a 35% tariff. I believe it would make the US car industry weaker, worse and above all more expensive. I would wait and see what the Congress has to say about that, which is mostly full of people who want the opposite of Trump.”[…]

[…]“If you go down Fifth Avenue everyone has a Mercedes Benz in front of his house, isn’t that the case?” he said. “How many Chevrolets do you see in Germany? Not very many, maybe none at all … it’s a one-way street.”

Asked what Trump could do to make sure German customers bought more American cars, Gabriel said: “Build better cars.”

Sobre a referência de Trump à admissão de um excessivo número de refugiados pela Alemanha e sobre a Nato, foi esta a resposta alemã:

There is a link between America’s flawed interventionist policy, especially the Iraq war, and the refugee crisis, that’s why my advice would be that we shouldn’t tell each other what we have done right or wrong, but that we look into establishing peace in that region and do everything to make sure people can find a home there again,” Gabriel said.

“In that area Germany and Europe are already making enormous achievements – and that’s why I also thought it wasn’t right to talk about defence spending, where Mr Trump says we are spending too little to finance Nato. We are making gigantic financial contributions to refugee shelters in the region, and these are also the results of US interventionist policy.”

Repito que vale a pena ler este artigo. Trump também declara na entrevista que apoia o Brexit e acusa a Alemanha de ser hegemónica na Europa e de pôr o continente ao seu serviço. É verdade. No entanto, isto não pode deixar de nos levar a pensar que Putin não diria melhor e a considerar a existência real de uma marioneta loira. O que interessa a Trump e à América o desmantelamento da UE? Querem ver que ainda vou defender a União tal como está? Não.

28 comentários a “O proteccionismo de Trump e outros ataques”

  1. hum , ora deixa cá ver. tenho de recuar na história , primeira , segunda guerra , alemanha , alemanha , , valha-nos a rússia e a cavalaria americana… se calhar as loiras pensam que a ue controla a vontade de esmagar da alemanha , na volta é isso. o corno é sempre o último a saber , lá está .

  2. A resposta do social-democrata alemão mostra que é possível mostrar ao loirinho desbocado com quantos paus se faz uma canoa, como dizem os nossos irmãos brasileiros. Mostra que é possível contrapor às divagações do loirinho desbocado respostas e “promessas” inteligentes e baseadas em realidades, em vez da histeria ressabiada e parvalhóide do séquito clintoniano, tentando desesperadamente o impensável na América: um golpe de Estado preventivo. Porque é a isso que assistimos neste momento. Os inacreditáveis tempos que a América hoje vive ficarão registados na História com a originalíssima designação, na versão americana, de “preemptive coup d’état”, pois eles usam o franciú no conceito de base. Vou já registar a patente do conceito derivado e ganhar uma pipa de massa de cada vez que um gringo ou um tuga estrangeirado armado ao pingarelho arrote uma posta de pescada para épater le bourgeois. Se contar com o resto do planeta, arrisco-me a ultrapassar o Bill Gates na lista da Forbes.

    Já como inteligente não poderei classificar a presente cambalhota da loira Penélope (que na pirueta arrisca partir uma perna), quando, com impante triunfalismo, cita Sigmar Gabriel: “There is a link between America’s flawed interventionist policy, especially the Iraq war, and the refugee crisis”, afirmação com a qual concordo e que inúmeras vezes aqui despejei. Andou a nossa querida oxigenada, nos últimos dias, a martelar-nos as meninges com a culpa putinista na avalanche de refugiados a caminho da Europa, para agora dar um atlético pontapé na geografia e descobrir que a responsabilidade pela desgraça é da América e não do comedor de criancinhas Vladimir Putin, a palitar os dentes na taiga siberiana enquanto despeja avalanches de tweets com directrizes para a Redacção da RT. Duvidam? Sai um copy paste fresquinho para a mesa do canto:

    “[Putin quer] Criar condições para a vinda de mais e mais refugiados, que possam acentuar sentimentos xenófobos e levar ao desmembramento da União e/ou à subida ao poder de pessoas amigas e autoritárias como ele.”
    Penélope dixit, em 15 de Janeito de 2017 à 11:24, aqui:

    http://aspirinab.com/penelope/shame/

  3. Paul Craig Roberts, um conservador americano no ‘Pravda’, sobre o loirinho desbocado e sua equipa:

    http://www.pravdareport.com/opinion/columnists/16-01-2017/136627-trump_finished-0/

    https://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Craig_Roberts

    Porra, que estes russos são mesmo esquisitos! Atão não foram eles que empurraram o Trump para a Sala Oval? E agora publicam crónicas de tipos que o deitam abaixo? Não dá para entender… mas estou certo de que a CIA nos explicará brevemente a sofisticadíssima manobra que está por detrás disto.

  4. Isto de um gajo dar de vez em quando umas braçadas numa piscina pública tem as suas desvantagens. Uma delas é o ocasional cagalhão que por vezes lá aparece a boiar. Enfim, nada que um bom duche e um melhor sabão não resolvam satisfatoriamente.

  5. A Mercedes devia lançar uma série para o mercado americano inspirada nas falencias de Trump; Classe Casino modeloTaj Mahal , topo de gama, modelo Plaza, berlina etc… agora mais a sério, pelo menos a JJoplin merecia uma edição limitada.

  6. “… agora mais a sério, pelo menos a JJoplin merecia uma edição limitada.”

    diria mesmo, exclusiva pró gaspacho, com interiores nina hagen.

  7. Eheheh…Phodasse! isso era uma traição ao Putin, ainda aparecia aí com um picador de gelo enfiado na carola.
    Deixó estar sossegadinho senão vêm aí trinta traduções do Pravda mais a biografia do Staline em edição paperback e ficas com o scroll avariado.

  8. Falas tu em liberdade de expressão e pluralismo, Strummer. Onde é que já se viu, por exemplo, uma entrevista ou um texto de Paul Craig Roberts nos Main Stream Media europeus e americanos? Não são consistentes o suficiente para exercer algum contraditório e enriquecer o debate público?

  9. Joaquim Camacho: Essa tua paranóia com cabelos, cor de cabelos, etc., leva-me a interrogar-me se, além de intoxicado com a propaganda do grande democrata e pacifista Putin, não serás careca.

  10. “Paranóia”, Penélope? Era essa rapidez e simplismo no diagnóstico que permitia a hospedagem forçada, em confortáveis resorts para chanfrados geridos por Penélopes soviéticas, de cardumes de “paranóicos” e outros marados dos cornos que tinham o terrível hábito de mijar fora do penico das certezas ortodoxas e das bem-pensâncias obrigatórias. Isso é que são saudades! Velhos tempos, não é? E velhas e surpreendentes (ou talvez não) matrizes de pensamento, já agora, desgraçadamente actuais.

    Ó rapariga, “grande democrata e pacifista”, o Putin? Pelo menos pacifista não é, felizmente! Mas de uma coisa podes ter a certeza: bom ou mau, democrata ou não, a complexidade sináptica dele deixa a do comediante e entertainer idiota que no próximo dia 20 diz adeus à Sala Oval ao nível da de uma galinha tonta.

    E que porra tens contra os carecas, já agora? Não eras tu, com outros milhares de fartas cabeleiras, que há poucos dias partilhavas indignação com a Meryl Streep por causa da alegada troça que o Trump teria feito de um qualquer defeito físico de um jornalista? E agora diminuis os carecas? Pois é, nessa ultradialéctica cabecinha amarela impera cada vez mais a velha máxima “orwelliana” de que todas as porras são iguais, mas algumas são mais iguais do que outras. E há porras de todo o tamanho e feitio, de todos os géneros, para todos os gostos e ocasiões, para todas as épocas e estações. Os “handicaps” físicos são apenas uma dessas porras.

    Mas fica descansada, caríssima oxigenada: ainda que esbranquiçada, a minha cabeleira continua farta, apesar de com fartura me cair também o cabelo há dezenas de anos, o que me levou a recear, ainda antes dos 20, uma calvície precoce que nunca se confirmou. Renovação capilar permanente, explicaram-me, cai e volta a nascer.

  11. Ao contrário do decreto tweetado pelo despeito infantilóide do loirinho debocado, Meryl Streep é uma grande, uma enorme actriz, mas isso não a impede, infelizmente, de às vezes ser uma enorme idiota, o que poderás confirmar a seguir. O loirinho tinha toda a razão para se indignar com a idiotice, pena é que a tenha arruinado quando denegriu a Streep como actriz:

    https://www.youtube.com/watch?v=9m7iA7QZBi4&feature=youtu.be

    Não houve mainstream merdia, por cá ou por lá, por aqui e por acolá, que não exibisse, até ao enjoo, a indignação da diva, mas não vi um único que corrigisse a aldrabice. A propósito de diva, quem ainda não viu que veja o prodigioso “Florence, Uma Diva Fora de Tom”, com uma Meryl Streep que eleva a arte da representação a um nível estratosférico.

  12. Talvez seja demais para a tua amarelíssima mona, querida Penélope, mas sobre o teu amado Obamerda aqui te deixo, à borliú, uma bela dose de lucidez americana na RT (vade retro!). Este americano: “Robert Bridge, an American writer and journalist based in Moscow, Russia, is the author of the book on corporate power, “Midnight in the American Empire”, released in 2013”

    https://www.rt.com/op-edge/373950-obamas-legacy-reset-putin-russia/

    Teaser:
    “From Albania to Uruguay, Algeria to Uzbekistan, America’s most elite forces – Navy SEALs and Army Green Berets among them – were deployed to 138 countries in 2016,” according to figures supplied to TomDispatch by US Special Operations Command. That figure is a surge of 130 percent since the gung-ho days of the Bush administration.”

  13. Joaquim Camacho: Está a ser divertido, isto. Eu já desconfiava que abordavas tão bem as questões políticas como atribuis cabeleiras aos outros. Sabias que és um pândego? Então tu declaras que as loiras são burras, declaras que eu, apesar de não ser loira, sou burra na mesma, ao mesmo tempo defendes dois loiros, um deles oxigenado e o outro objeto da tua idolatria, eu confidencio-te as minhas legítimas especulações sobre o teu tipo de cabelo ou ausência dele, dada a tua repetida referência à minha hipotética cabeleira (que logo imaginaste semelhante, no tratamento, à da Michele Obama, um dos teus ódios), e agora acusas-me de ter um preconceito quanto aos carecas?? Ah, ah. Porquê, homem?

  14. é escalracho entremeado por vogais e consoantes por todo o lado. já era altura do jardineiro de serviço conter a praga.

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