Miséria de Judite

Ponto prévio: quando ainda não tinha as respostas a todas as perguntas que colocara na véspera às diferentes entidades envolvidas no combate ao incêndios do centro do país, não percebi ainda bem o que levou António Costa a ir ontem à TVI deixar-se entrevistar pela Judite de Sousa. Essa. A que resolvera ir para o terreno dos incêndios, no dia anterior, fazer directos ao lado de um cadáver.

Mas foi, está ido. Não foi tempo totalmente perdido, porque o seu tom é sempre apaziguador e a preocupação com o pragmatismo prevalece. Acontece, porém, que, do princípio ao fim, a única coisa que a Judite queria saber com aquela entrevista era verdadeiramente se o primeiro-ministro ia ou não ia demitir a ministra da Administração Interna ou o comandante da Protecção Civil. Pouco mais lhe interessava, por muito que Costa explicasse. Uns minutinhos de conversa e lá voltava à carga. Para ela era limpinho. Impunha-se sangue (ainda mais) e decapitações. O colega que tinha ao lado foi um mero elemento decorativo, insuficiente para lhe roubar o protagonismo que teimou em assumir. Não se percebe porque não estava sozinha.

Sem saber se algo correu mal ou o que correu mal no sistema de comunicações, sem perceber nada de fenómenos atmosféricos raros, sem estar minimamente informada sobre a processo de chegada de reforços estrangeiros, sem justificar o falso alarme criado pelos jornalistas da sua estação (correcção: parece que foram copiados) sobre a queda de um avião Canadair, baseando-se apenas em impressões próprias totalmente discutíveis e rebatíveis e arvorando-se em porta-voz de todos os portugueses (“os portugueses querem saber”), a pirosa da Judite queria ali deter o exclusivo da demissão de toda a gente em directo. Depois ia para o Marquês festejar esta derradeira e irrefutável prova de qualidade jornalística. Esse era o plano. Correu-lhe mal. Terá que recomeçar, voltar atrás, desta vez um directo da morgue em Coimbra, porque não?

Note-se que era toda a gente demitida menos ela, claro. O porquê de isto ainda não ter acontecido é o que os portugueses querem efectivamente saber. Ouviste, Judite? São demasiados anos de pouca seriedade e isenção e de busca de sensacionalismo ao som de “erres” (r) finais pronunciados como “dês” (d) .

11 thoughts on “Miséria de Judite”

  1. Também acho. Basta de fulanização e de reduzir tudo à pela telenovela do estrelato. Queremos informação autêntica, de fundo, com numeros, analises, debates, perspectiva. Coisas que nos dêem que pensar. Conhecimento objectivo, esclarecimento verdadeiro, e não circo. Basta de estupidez. Basta de nos considerarem como um mero polegar, que apenas pode apontar para cima ou para baixo e cuja função é so dar continuação ao espectaculo.

    Alcatrão e penas para a Judite, ja !

    Boas

  2. Quem tera mais motivos para ser demitida pela forma com tem atuado no papel de jornalista è ela. Com jornalistas destes nao precisamos de jornalismo

  3. É curioso! Esta senhora, (s) minúsculo, tão prazenteira em sensacionalismos televisivos com a vida (e a morte) dos outros, é a mesma que, na qualidade de mãe, que eu respeito, solicitou a maior descrição aquando da morte de um seu filho em condições menos claras. Curiosamente, nessa altura. toda a comunicação social (e muito bem) respeitou os seus desejos. Porque não respeita ela, agora , as trágicas situações de outros?

  4. O porco preto vai à TVI – o canal de TV oficioso do PS – dar uma entrevista à da desequilibrada Judite, que ontem se fez filmar ao lado de um cadáver nos incêndios de Pedrógão, e nem uma pergunta sobre os desastrosos negócios dos Kamov e do SIRESP que custaram milhares de milhão aos contribuintes adjudicados pelo Tó Chamuças enquanto MAI do (des)governo do camarada 44. Não admira, pois, que os xuxas escolham a TVI para botar discurso. E porquê? Porque não há perguntas incómodas, i. e., jornalismo sério e independente. Uma vergonha.

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