Meninos e meninas – este norueguês fez o trabalho

No vídeo que se segue, e que descobri no blogue “Natureza e Sociedade“, um norueguês, mais conhecido no país por programas de humor, resolve deixar o humor, mas não a boa disposição e a frontalidade, para ir investigar junto de cientistas do seu e de outros países a pertinente questão da igualdade ou desigualdade entre géneros. Entre o factor “biologia” e o factor “cultura e educação”, fica pouco por abordar. Devo dizer que o vídeo, que demora cerca de meia hora, vai ganhando interesse à medida que avança, uma espécie de thriller. Ora vejam lá (as legendas são em inglês).

 

 

** Só para que não restem dúvidas, está para mim fora de questão que livros de exercícios para miúdos e miúdas apresentem um maior grau de dificuldade para eles do que para elas. Assim como estou certa de que todos os intervenientes neste vídeo, seja qual for o seu ponto de partida, arrepelariam os cabelos com tal perspectiva.

9 comentários a “Meninos e meninas – este norueguês fez o trabalho”

  1. adoro este volte face da ruptura epistemológica com o senso comum e as explicações naturalista s :) :)

    ainda me lembro de ler uma mulher género masculino no jugular a lamentar-se que uma percentagem elevada ( não me lembro ao certo ) de mulhere s , muito provavelmente de género feminino , ainda gostava de ficar em casa … só visto , ainda me proibiam de gostar de casa e cozinhar :)

    mais logo vejo isso.

  2. Um dos aspectos em que video nos poderia ajudar, seria a extrapolar para muitas outras situações esta relação dos cientistas com a ciência. Fácil é perceber que boa parte dos trabalhos que se fazem na área da ciência procuram, antes de mais, escorar um ponto de vista prévio. E quando é apenas isso e não enveredam por “martelar” os dados ( ou o método de os obter… ) para produzirem as conclusões que pretendem, já nos podemos dar por felizes. Lamentável é que não haja mais trabalhos jornalísticos noutras áreas que se dêem ao incómodo de fomentar este género de confronto de perspectivas. Percebe-se que é muito mais fácil servir de “pé-de-microfone”: Mas o resultado para a cidadania não é o mesmo.

  3. JRodrigues: Nada de anormal em haver “um ponto de vista prévio”. O que é preciso é conseguir demonstrá-lo fundamentadamente e rebater outros trabalhos. Também se poderia discutir, a propósito do vídeo, o problema de os cientistas se fecharem, com o seu ponto de vista, de tal maneira num casulo que perdem a noção da realidade e já só dialogam entre os seus. Percebe-se pelo vídeo que alguns nem sabiam o que outros andam a fazer e o que já deram como provado. Enfim, coisas interessantes.

  4. Penélope: eu não defendo que haja algo de “anormal” em ter um ponto de vista prévio. Apenas digo que isso existe. E que, consequentemente, e à semelhança do comum dos mortais, tb os cientistas se podem sentir tentados a “ler” a realidade de acordo com os seus desejos.
    Uma ultima nota sobre dar “como provado”: em muitas áreas da ciência a “prova” não consegue ir além de alinhar uma narrativa com um determinado sistema de crenças ( nomeadamente na adequação dos métodos) . Dissertando sobre ” A força da falsificação”, H. ECO dizia algo como a verdade cientifica “é” aquilo que vem na enciclopédia. Para logo a seguir acrescentar,entre parêntesis, que grande parte da História tem sido escrita graças a crenças e afirmações que a enciclopédia factualmente desmente.

  5. tenho pena de não conseguir ver aqui neste PC, mas certamente que verei depois. fora do contexto específico deixo dois pensamentos de desigualdade de género:

    – os homens pensam em linha recta; as mulheres fazem curva contra curva a pensar;
    – as mulheres sentem em linha recta; os homens fazem curva contra curva a sentir.

    só no viver, no direito de viver em igualdade, portanto, é que é há igualdade. aqui, nestas duas premissas acima, é que reside o paradoxo da igualdade desigual. se assim não fosse , não poderia haver almas de mulher em corpos de homem e vice-versa. um mistério.

  6. Ola,

    1. So vi o fim da peça (por enquanto) e ja ca volto.

    2. O JRodrigues confunde o Umberto Eco com o Humberto Coelho.

    3. Como disse, ja ca venho outra vez, mas quer-me parecer que incorres (e o programa) num erro comum, que notei também num texto recente da F. Câncio. Ninguém nega que existam diferenças “naturais”, “fisiologicas”, “biologicas” entre homems e mulheres e que elas possam influir no seu comportamento. Alias a igualdade juridica conduz a introduzir tratamentos diferentes em razão dessas diferenças ( por exemplo a licença de parto). O que se nega – e o que interessa em termos de igualdade – é que essas diferenças tenham uma correlação com o tratamento diferente que as regras sociais impuseram, e continuam a impor, entre homens e mulheres. Quem pretende justificar estas ultimas diferenças (as unicas problematicas) com a prova “cientifica” de que existem “diferenças” (em abstrato) fisiologicas, biologicas, ou “naturais”, entre homens e mulheres, esta a ser desonesto, intelectual, cientifica e moralmente.

    Lembrete : a regra, ética, da igualdade entre os homens (e entre as mulheres e os homens), não é universal e não deriva da ciência, nem tem base propriamente “cientifica”. Julgo que não estou a dizer nada de novo, mas às vezes…

    Boas

  7. a cultura não impõe só regras de tratamento diferente entrre homens e mulheres… também impõe entre crianças e adultos , ente jovens e velhos e por aí , é os tais dos papéis e como se representam , e claro que mudam com os tempos . não obstante…. posso fumar beber e ir ao cinema sozinha , mas gosto tanto que me abram a porta do carro ou do restaurante como gostava a minha mãe ou avó . e apesar de fazer questão de dividir a conta a meias :) :)

  8. A questão que foi aqui referida sobre a ciência ser feita “a partir de um ponto de vista prévio” é indispensável ao método cientifico. Não se pode testar uma hipótese, neste caso diferenças biológicas entre sexos, sem uma hipótese.

    Sobre o tópico em questão, é transversal no reino animal, em particular em animais que se associam em grupos, que os diferentes géneros desempenhem tarefas diferentes, como muito bem explicou a investigadora britânica. Cabe-nos, enquanto sociedade, lutar para que as mulheres /homens possam fazer aquilo que bem entenderem de uma forma natural.

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