8 comentários a “Linda em diversas versões”

  1. vale 6 meses de aluguer do barracão atlântico ao genro do cavaco para próxima festivalação.

  2. com a vitória do clã Sobral chegou-nos a esperança em um mundo melhor: são, pois, a metáfora do simples, do espontâneo, do diferente, da leveza, da beleza – da orquestra, pura arte, da vida.

  3. Num pais em que os principais musicos não foram capaz de criar uma unica canção bandeira contra o roubo a que fomos sujeitos com medo das editoras e da falta de convite dos media, um anti-heroi destes é um exemplo ético. O Salvador é um jarda, fez o que quis, cantou como quis, disse o que devia ser dito contra a formatação idiota da mais bela arte, e recusou o fatinho do herói, que ja estava feito a medida pelos media e pela insuportável e permanente necessidade de validação exterior. Quanto à música….no thanks, I’m sugar free.

    De sublinhar, (sem qualquer ironia, faz parte) também a excelente campanha de marketing, muito bem feita, logo a seguir a final nacional, tornou-se viral.

    Pro ano é no Estadio da Luz, o único sitio com bom feng shui Pentavision.

  4. Joe Strummer: Se houve, fui completamente imune ao marketing de que falas. Apenas me dispus a ouvir a canção na véspera da final e por influência familiar (há anos e anos que não ligava ao festival). E gostei. Achei que podia ganhar e, para não aumentar o descrédito daquele evento, devia mesmo ganhar. O arranjo e a interpretação dele (em vez dela) contribuíram para o agradável produto final.
    Festivais de rock penso que são noutro endereço, sim.

  5. Não me estava a referir a ti ou ao mercado interno mas ao europeu, o mkt foi mesmo bom e também na atea da comunicação temos excelentes carolas.
    Rock? Nem só, aposto que se o Salvador pudesse regressar no tempo escolher assistir a este gig em vez de cantar na Eurotreta. Ele é um jazzman.
    https://m.youtube.com/watch?v=uxdnQOs0BNo

  6. A melodia é linda, o poema é simples, bonito, fala de amor enquanto exala ternura e carinho. E, neste planeta infestado de Cains, é de amor em sentido lato que fala a generosa fusão daqueles dois irmãos em palco. Olhando para os sorrisos de puro deleite e prazer, quase diria êxtase, de muita gente na assistência, como por exemplo duas raparigas que as imagens mostram durante a actuação final de Salvador e Luísa Sobral, dá para entender, para quem duvidasse, que ainda há esperança para a humanidade. Quando tanta gente abre os ouvidos, o coração e a alma à harmonia pura e deita para o merecido caixote do lixo a chapa 5 plastificada do costume, é porque nem tudo está perdido. Desculpem-me o entusiasmo juvenilmente alzheimerizado, mas a humanidade é a minha praia, para o bem e para o mal, e desta vez foi para o bem.

    Isto dito, confesso que estou (estava) pior que a Penélope. Nunca tive paciência para o Festival da Canção, sempre tive, aliás, alguma aversão, e apenas por acaso ouvi Salvador Sobral pela primeira vez pouco antes do festival. Gostei logo. Ganhou porque a melodia é linda e a interpretação a transformou em linguagem universal, com tradução automática em todas as línguas do planeta. Trata-se de um lugar-comum, eu sei, mas raramente um lugar-comum terá atingido tal grau de rigor “científico”. Tenho a certeza de que a maioria dos que pela canção se apaixonaram sem entender patavina da letra, e que mais tarde acederam à tradução para as suas próprias línguas, tiveram a estranha e mágica surpresa de verificar ser essa, exactamente, a tradução automática feita pelas suas almas.

    Quanto ao patrioteirismo complexado e bacoco que inevitavelmente parasita mérito alheio, que o Strummer muito bem refere como “insuportável e permanente necessidade de validação exterior”, vamos ter de (continuar a) viver com ele. Para mim, o que “venceu” não foi “Portugal”, coisa diferente do que entendo por Portugal, sem aspas. O que triunfou foi a beleza pura, a harmonia, a sensibilidade e a inteligência, coisas por que tanta gente anseia sofregamente, muitas vezes sem se aperceber disso, à mercê que estamos de mercearias e merceeiros de todo o género, vendam eles chouriços, aplicações bancárias, mísseis ou bombas humanitárias, embotados e afogados como vivemos todos em modas e emoções de plástico que não nos deixam ver o que verdadeiramente importa. E o que verdadeiramente importa é o que viu quem ouviu Salvador e Luísa Sobral.

  7. E o Salvador acabou crucificado na unanimidade do hemiciclo e no Nexpresso. Na casa onde a liberdade individual é subjugada pelo respeitinho ao lider, ao partido, a patria, acabou a repetir o cliché “dinheiro para a cultura” a um sorridente Rodriguez já em fim de contrato. Em vez de Guy Fawkes, o conformismo. Ama por nos todos Salvador, que não te falte tesao meu cabrao.

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