Catalunha: “I say Yes, you say No”

Oh, como é bom estar a observar o que se passa em Espanha sentada num cadeirão. Aquele senhor do risco ao meio e óculos, Puidgemont, Carles, parece-me demasiado exaltado. Haverá motivos para tanto? Estariam os catalães tão oprimidos que ninguém, nem eu, deu por nada? Que mal lhe terão feito os de Castela? Ou a Andaluzia, que até lhes fornece mão de obra barata? Os cravos vermelhos também ficam ali muito mal. Não gosto. É usurpação abusiva.

Por outro lado, o Rajoy onde pensa que vai a fazer-lhes o favor de pôr umas pessoas a sangrar? Não há diplomacia entre as autonomias? Devia haver.

Irónico que o “sangue quente” típico dos nosso vizinhos abranja afinal também os catalães. Vejam lá isso. Nós, sim, estamos de fora, “hermanos”. Ventos do Atlântico, estão a ver?

Bom, visto daqui, não me parece que a declaração unilateral de independência sobreviva às contas que teriam que ser saldadas (em desfavor da Catalunha), às purgas que teriam que ser feitas, às transferências de populações, ao imbróglio com a UE, à exclusão do FC Barcelona do campeonato espanhol, às eleições locais (enfim, nacionais). Uma coisa é criar um inimigo externo para criar unanimismo (vd. Coreia do Norte, Putin), outra bem diferente é haver-se com o que há, sem mais sacos para bater. Mas, ó gentes, admito estar enganada. Temos o exemplo do Brexit a lembrar-nos que o passo para a irreversibilidade não custa a dar.

E, no entanto, um dizer Sim e outro dizer Não não pode senão conduzir a uma mesa de negociações, que é por onde se devia ter começado, digo eu aqui do cadeirão. Arranja-se um mediador ou a mesa é para partir?

14 thoughts on “Catalunha: “I say Yes, you say No””

  1. jugoslávia, checoslováquia ou rússia: bora lá com a autodeterminação e libertação dos povos.

    irlanda, país basco, escócia ou catalunha: eh pá! cenas separatistas não são admitidas pela constituição e põem em causa a unidade nacional. se teimam muito, cachaporra pra cima.

  2. As autonomias em ESPANHA custam uma fortuna, e mesmo assim assim, ainda há gente que aspira ao separatismo, enfim, quanto a península “quebra”, como disse alguém, quebra pelas bordas .
    As línguas regionais, proibidas no tempo do franquismo, foram permitidas e foram concedidas amplos poderes autonómicos . Não estão satisfeitos ?
    Separatismo em Espanha, equivale a problemas no país vizinho, e de algum modo, vai sobrar para Portugal …

  3. um palhaço , esse tipo berloque à catalão. qual o plano de saída da espanha ? que moeda vão adoptar ? o que vale o porto de barcelona fora da ue ? qual o interesse que espanha tem em colocar lá indústrias se já não vai ser porta de saída de mercadorias ? o que vale a catalunha sozinha sem os investimentos feitos pelos palermas das outras regioes por ser local estratégico de transporte de mercadorias ? são a região mais endividada e não têm acesso aos mercados desde 2010 . bye bye , vete y no vuelvas cuando se te acabe la pasta , vale ?

  4. Para mim, este assunto é lá mais com os catalães.
    No entanto, não deixo de achar curioso o tipo de argumentação contrária à independência desta província espanhola, com a nossa própria situação. É que estes argumentos levam-nos a deduzir que para Portugal o melhor mesmo teria sido que continuasse anexado pela Espanha, pois, pelos vistos, a nossa situação hoje seria muito melhor, não?. Estranho patriotismo e estranha falta de solidariedade para com um Povo que há 377 anos atrás muito contribuiu, embora indirectamente, para que recuperássemos a nossa independência.

  5. W. Churchill uma vez disse , (vai em Inglês, que tem outro sabor) :
    ” We have always found the Irish a bit odd. They refuse to be English.”
    É o que os Espanhois pensam dos Catalães. ( e dos Portugueses… )

  6. Triste figura a tua, Penélope, e mais triste ainda é não te aperceberes disso. Estás cada vez mais reaça, e nem a troglodita companhia dos cretinóides residentes nesta caixa de comentários parece servir-te de alerta. Lamentável.

  7. Não me parece reaça.
    O bucha e o estica são duas figuras de opereta bufa de final trágico.
    Os mossos e a moçada descabelada mais os muitos pujois mais as ladies de má educação democrática, tudo à mistura fazem parecer o jovem líder de Cidadanos um criatura brilhante, bem formada e de boa e sensata voz catalã.
    Observar in loco abre o ângulo de percepção.
    Ouvir e sentir a raiva separatista arrepia.
    Estudar e analisar o tema sem slogans ajuda a compreender.
    As tvs em Portugal como é sabido afundam no mais reles populismo do slogan obtuso. Desinformam.

  8. Peço perdão pela distracção, só agora me apercebi de que havia argumentos na tua prosa, e da imperiosa necessidade de a eles responder. A força esmagadora, porém, de um argumento como “Aquele senhor do risco ao meio e óculos” deixa-me sem fala, absolutamente incapaz de articular uma resposta. Como dizem os americanos: “çpitchalece”. Oh yeah!

    E que dizer deste: “Os cravos vermelhos também ficam ali muito mal. Não gosto. É usurpação abusiva.” Çpitchalece ao quadrado! Quem te manda a ti, sapateiro… perdão, Joaquim Camacho, tocar rabecão?

    Ou deste: “Que mal lhe terão feito os de Castela? Ou a Andaluzia, que até lhes fornece mão de obra barata?” Sim! Que mal? Çpitchalece ao cubo! Ou, em americano erudito: “Phoda-ce!”

  9. bom , com esta história da catalunha , reparei que há uma mole de homens , à volta dos 60/70 anos , que tiveram o seu momento alto no 25 de abril e na “resistência” ao salazarismo , e prontes , pararam aí , não evoluiram um centímetro , engordaram foi uns kgs valentes , e aproveitam tudo e mais um par de botas para se sentirem jovens e com sangue na guelra. patéticos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *