“Assunto encerrado” e que vigore o absurdo e o desacordo

Quem for ler o que diz a Wikipedia sobre o Acordo Ortográfico de 1990, e julgo que o que lá se diz está correcto, fica com uma ideia de irreversibilidade do Tratado Internacional que o estabelece. De facto, ainda que o processo tenha sido demorado, a verdade é que os vários países, começando por Portugal e pelo Brasil, foram-no ratificando ao longo do tempo, já só faltando Angola. Nada a fazer, portanto, dir-me-ão. Está em vigor, queira isso dizer o que queira. Mas «nada a fazer» é, neste caso, uma expressão demasiado assustadora para ser aceite. Estarão as próximas gerações condenadas a não fazer distinção entre «para» (imperativo e presente de «parar») e «para» (preposição)? A não saber onde pôr os hífenes, se em «cor de laranja», se em «cor de rosa», se em «cor de chumbo» ou em «cor de burro a fugir»? A sentirem-se intrigadas por «concessão» (ou «recessão») não ser o mesmo que «conceção» («receção») e pelo facto de a segunda palavra ter o «e» aberto? Estas e outras aberrações e dificuldades não fazem qualquer sentido. Não fazem para os brasileiros, que se borrifam, pois não têm que escrever os vocábulos da forma agora imposta neste lado do Atlântico, e sobretudo não fazem para nós, que os escrevíamos como os brasileiros.

No blogue Causa Nossa, a propósito da recente tentativa de revisão do acordo, Vital Moreira diz que ainda bem que o Governo veio dar o assunto por encerrado. Bom, diplomaticamente, cabe a Augusto Santos Silva dizer que o acordo está em vigor e tem que ser respeitado, havendo apenas que esperar pela sua ratificação por todos os signatários. No entanto, se bem entendo, não fecha a porta a uma revisão (DN: “O Acordo Ortográfico está em vigor em Portugal, é um acordo internacional que obriga o Estado português”, referiu o ministro, acrescentando que “evidentemente que nada está isento nem de crítica nem de possibilidade de melhoria“.). Logo, o assunto pode felizmente não estar encerrado, ao contrário do que é dito.

Em Portugal, poder-se-á dizer que o AO90 vigora, mas o facto é que não é amado. Só os organismos públicos (e os professores, mas excluindo muitos universitários) o cumprem, ou tentam cumprir, e muitas vezes mal e com dúvidas. Se isto não é razão para pôr as autoridades a refletir sobre o que está mal e a admitir que se questione a irrevogabilidade do acordo internacional, pelo menos na parte que nos toca, não sei o que poderá ser.

Esta afirmação de Vital Moreira que passo a citar tem muito que se lhe diga:

A língua portuguesa é um património plurinacional dos países que a compartilham, de que Portugal nem sequer é o maior dos condóminos“.

Isto equivale a dizer que o Brasil, o país da CPLP com maior número de habitantes e de falantes, ditará sempre as regras de futuro do português, por ser o “condómino” de maior peso, limitando-se a ouvir os outros por uma questão de boa educação e a conceder-lhes uma migalhas da sua própria grafia. Um absurdo. Sendo a língua a mesma na sua estrutura gramatical e vocabulário de base, é impossível não reconhecer a cada comunidade de falantes o direito de a ir enriquecendo e utilizando de acordo com lógicas e contextos próprios, coisa que, aliás, reconhecemos aos brasileiros. As harmonizações, a fazerem-se, só deveriam ser fruto de uma necessidade comum, que não parece existir, pelo menos no que respeita à maior parte dos vocábulos abrangidos.

Os assuntos da língua já não se decretam autoritariamente em Lisboa” – acrescenta ainda Vital Moreira.

Então? Foi o Brasil ou Cabo Verde que nos propuseram a queda das consoantes mudas? Difícil de acreditar. Impossível.

Dizem-nos que havia também um objectivo económico (venda mais fácil de livros de Portugal nos outros países), mas, segundo leio, também esse não se está a concretizar. Não houve diferença.

Importante mesmo é que, se o objectivo principal invocado era harmonizar e simplificar a ortografia, esse objectivo gorou-se logo à partida, pois, para além das muitas grafias facultativas, em muitos casos até se verifica o oposto de uma harmonização – fica diferente o que dantes era igual.

Voltemos a Vital Moreira: “Primeiro, tendo endossado o AO de 1990 (como se relembra nesta excelente comunicação), a ACL (Academia de Ciências de Lisboa) carece de qualquer legitimidade para, passados estes anos todos, vir questionar a autoridade e legitimidade científica do Acordo.”

Esta crítica só aparentemente é certeira, porque, se o acordo não está a cumprir os objectivos visados nem está a ser aplicado por uma parte dos países membros, estamos de facto perante um problema, eventualmente imprevisto, cuja solução não pode ser a ignorância do mesmo ou a pretensão de que tudo está a correr às mil maravilhas. Não está e há razões para que a própria Academia dê a mão à palmatória.

Segundo, antes de propor qualquer “aperfeiçoamento” do AO, a ACL deveria apresentar essa iniciativa na sede própria da CPLP, que é a Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).”

Muito certo, nada obsta a que isso aconteça, mas o facto de dentro de Portugal andar uma grande embrulhada à volta do acordo, merecendo este até o desacordo de quem o propôs, é a prova provada de que o seu principal promotor deve primeiro definir o que quer.

Enfim, eu que até já escrevi em conformidade com o AO durante algum tempo por a tal ser profissionalmente obrigada e, fora da profissão, ter entrado em modo “piloto automático”, deixei-me agora disso, pois verifico que o acordo emperra de facto em alterações absurdas, que, em Portugal pelo menos, dificultam em vez de facilitarem a pronúncia e a compreensão.

Portanto, senhores do IILP, reúnam-se por favor e quanto antes melhor. Mas Portugal deveria apresentar uma proposta internamente consensual. Facilita que muitos defensores do acordo reconheçam haver nele absurdos.

 

39 comentários a ““Assunto encerrado” e que vigore o absurdo e o desacordo”

  1. Phoda-se, la vamos ter mais conversas de _______ acerca do acordo ortografico. Este assunto não tem NADA a ver com ortografia, nem com amor à lingua ou preocupação pelo patrimonio lingusitico. O problema é apenas sobre a relação que os portugas (sem maiuscula) têm com a lei. O acordo não é eterno, nem a lei, nem a constituição, nem a biblia, nem sequer o Vital Moreira, vejam so…

    Mais uma coisa : nem no acordo, nem na lei, nem em parte nenhuma, ha obrigações gerais, absolutas, ou mesmo apenas incomodas. Façam o que quiserem e escrevão como bem entenderem. Eu não aplico a ortografia do acordo, não porque o ache mau, mas porque ainda não me dei ao trabalho. Até agora, não fui multado ! Não fui preso ! Não ha crise !

    Estão mesmo preocupados com a cultura lusofona ? Então dediquem 1/1139 do tempo que ja consagraram a debater o acordo, a ler livros escritos em português. Pode ser português de Lisboa, da Beira interior, do Brasil, de Timor, da Galiza ou do século XVII.

    Boas

  2. Vital Moreira mais uma vez absurdo e a merecer total desacordo.

    A Língua Portuguesa até pode ser o tal Condomínio da balbúrdia que o ilustre Constitucionalista Vital Moreira quiser que seja. É uma mera questão de nomenclatura.

    Outra coisa bem diferente – e muito mais importante – é a Língua Oficial que se deve falar e ESCREVER em Portugal, chamem-lhe lá o que chamarem.

    E essa coisa bem diferente pode e DEVE ser decidida preferencialmente em PORTUGAL e, se tiver que ser, APENAS pelos eleitores portugueses!

    E se por acaso um belo dia essa velha língua ficar diferente do “português” do Brasil, ou do “português” de Goa, de Malaca, ou até da Guiné Equatorial, pois santa paciência. Não vejo que os suecos, ou os galeses, sejam infelizes por a sua Língua não ser “a quinta mais falada no Mundo”!!

    Mais, se os vitais moreiras e outros especialistas tivessem mandado em Portugal desde o tempo de Gil Vicente e de Camões, seguramente ainda estaríamos todos a falar Castelhano. E pior ainda, se tivessem mandado na Lusitânia desde o tempo das Invasões visigóticas, ainda estaríamos todos a falar um perfeitíssimo Latim!…

    As Línguas evoluem “por si próprias”, sim. A língua que se fala hoje no Brasil é já quase uma língua brasileira. Parecida com a portuguesa, muito, como aliás também a espanhola, mas visivelmente (e audivelmente!) diferente. A língua que se fala e escreve hoje em Portugal separou-se oficialmente do Castelhano no Séc. XVI e separar-se-á sem dúvida da primeira agora, no Séc. XXI. Não há vitais moreiras, nem acordos diplomáticos, que o possam impedir. Daqui por algumas décadas, isto será uma banalidade da História…

  3. Ola Penélope,

    Mais uma ideia que participa da teatralização conveniente para encher paginas de jornais. Conheces alguém que tenha chumbado por dar erros de ortografia ?

    Na pratica, os miudos vão ser obrigados a empinar uma ou duas pequenas novidades, uma ninharia perfeitamente negligenciavel quando se fôr aferir o que interessa, que são as competências para ler e escrever. Acredita em mim, que sou muito mais eterno do que o Vital Moreira : NINGUEM vai chumbar, nem perder um lugar na universidade, se escrever “acto”, da mesma maneira que nunca ninguém chumbou até hoje por escrever pharmacia…

    Muitissimo mais preocupante para a preservação da nossa lingua é o seguinte : carradas de miudos vão continuar a sair do ensino secundario sem ter lido um livro do Machado de Assis e sem saber quem é o Mia Couto, outros tantos vão continuar a sair de la convencidos de que os livros do José Rodrigues dos Santos são literatura. Mais preocupante e mais estupido ainda, 90 % de entre eles vão armar-se em Che Guevaras anti-acordo ortografico, apesar de não terem aberto um livro ha mais de 12 meses e de não terem lido nem ouvido outro português do que o que é falado no telejornal (onde tudo se escrutina) e na novela das nove (brasileira)…

    Portanto, não estejas preocupada com os miudos, que eles sobrevivem a tudo…

    Boas

  4. Mais uma vez o caso do pára e do para sem se preocuparem que não há problema com sêde e séde, rôlha e rólha e um nunca mais acabar de casos semelhantes. A gramática portuguesa muitas vezes é complicada mas nestes casos é simples: as palavras graves não são acentuadas. É uma excelente regra que nos simplifica a vida pois a grande maioria das palavras portuguesas são graves. Há algumas exceções, mas lá estão as regras a dizerem quais são. E não são essas, são outras.
    Também concordo com a eliminação das consoantes mudas, facilita a vida. Não há qualquer possibilidade de ler de maneira diferente a palavra direto, tiremos-lhe o c. Mas se a palavra não for grave, como diretor, aí vai haver problema. Daqui a 20 anos o e estará deglutido e dir-se-á dirtor. Haverá quem proponha escrevê-lo assim. E porque não? Não sei.
    Foi pena não terem aproveitado a oportunidade para eliminar as consoantes mudas também no princípio. Preferia escrever ómem, umberto ou élder como os italianos já fazem e a língua deles está mais próxima do latim do que a nossa.

  5. gosto muito do novo AO. agrada-me de sobremaneira o facto de ter aumentado o número de palavras homógrafas e isso cria ambiguidade e necessidade de interpretar através do contexto, ótimo. agrada-me ainda que haja confusão sobre a grafia correta, ainda bem que passou a haver gente com mais dúvidas. freud constatou que os neuróticos teem aversão à ambiguidade, nota-se. o argumento das criancinhas a chumbar todas por causa do novo AO auiahauahuahauhuhuahuaha aheheheheehe heheheheh auahahuauhauhahuhuaaauahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaauhauhuaahuuauhauahuh que gozo, que indigência

  6. sou suspeita para falar sobre atrocidades nas palavras e nos sons porque sou apaixonada pela língua portuguesa. e o que sinto, cada vez que vejo os desenhos das letras violentados e as ouço em sofrimento – como se elas, as letras que dão corpo às palavras, fossem (e estão) proibidas de cantar – palpita-me a tristeza pela ignorância. porque a inteligência nas questões da língua mora em um lugar feliz. desassosseguem, por favor, o acordo. façam-no tropeçar e cair aos pés dos que, nada percebendo de letras e de palavras, podem tudo. quero que possam, por tudo o que de bom a língua me faz, nada.

  7. “… porque sou apaixonada pela língua portuguesa…”

    deve ser por causa dessa paixão que só escreves asneiras ou indecifráveis a armar ao cagalhão. compra uma gaita de beiços e vai limpar retretes prá autoestrada, pode ser que te proponham para esfregona douro.

  8. João Viegas: Estás a ser superficial. As regras de escrita existem, têm uma função e não partiram da cabeça de malucos.
    Sabes bem que qualquer miúdo é penalizado por escrever com erros.
    Esta reforma não era necessária nem cumpre nenhum dos objectivos enunciados.

  9. Come de cstume, fala sedalhos e rspondse bugalhs. Avernavios até inventou a palavra rólha, para justficar o “para” sem acento…. Estaria a pensar em ronha? Impossível saber.

    Mais ainda, axa justficável, soh pa simplificar, qe cumcems a falar já com crédito a vinti anos, inventando as brilhants palavras do feturo: dirtor, prujtar, currto (do verbo currgir – aliás tornado inútil, porqe deichará daver errs), conçção (do verbo conçber), contato, egício, fatual, atrassão, impate (ou impato), até o ser declarado inato (contrário de estar ato), tud pa simplificar, claro.

    Já o froidiano prefere declarar o seu amor às palavras omógrafas, por ser adeto da ambiguidade i d interpretar através do contesto. Ainda bem qe, como dzia o otro, á gosts pra tud….

  10. Os miúdos não dão erros por causa do AO, eles já aprenderam no AO. Dão porque sempre deram, com estas regras ou com as anteriores. “Essa discussão é de cotas”, como ouvi um miúdo de 9 anos dizer há dias.
    Nota para os inconsoláveis: a D. Carolina Michaelis, na discussão do amado acordo de 1911, achava que se deviam também alterar todos os ge e gi para j (marjem, ajir) e tirar o u do qu – dava boas razões, mas os restantes membros é que não qiseram.

  11. «Não há qualquer possibilidade de ler de maneira diferente a palavra “direto”». Tal como “coreto”, correto?

    Nem há qualquer possibilidade de ler de forma distinta as palavras “amuleto”, “começo”, “abjeto”, “farelo”, “cabeço”, “projeto”, “trajeto”, “correto”, “ereto”, “caneta”, “valeta”, “proveta” e “proveta” (idade…), como é ÓBVIO.

  12. Então, muitos parabéns aos “restantes membros”!

    E aí está: se a pressurosa D.ª Carolina Mikaelis vivesse hoje, também estaria “ferriamente” do lado do Acordo. Esperemos assim serenamente que voltem novamente a triunfar os “restantes membros”.

  13. “As regras de escrita existem, têm uma função e não partiram da cabeça de malucos”.

    Nunca contestei a primeira afirmação. Saber qual é a “função” das regras é mais do que meio caminho andado para saber de onde elas “partiram”. O que achas que seja a tal “função” e de onde consideras que partem as regras ?

    E’ que se tiveres ideias claras a respeito dessas duas questões – as duas unicas que interessam, de facto – não vejo bem porque te preocupas com o Acordo, nem alias porque é que defendes que ele é “mau” (pior do que existia antes, por exemplo).

    Boas

  14. Começo e proveta podem ler-se de modos distintos. Mas só proveta (idade) dispunha do c para abrir a vogal.
    Quanto a rolha com vogal aberta, encontra-se no imperativo do verbo.
    Gosto das diferenças sem que seja necessário marcá-las com um acento. No Porto diz-se óito sem escrever o acento, em Lisboa diz-se dezóito sem escrever o acento.

  15. por falar em paixão, ignatz, não há coisinha mais ambígua e vazia do que as reticências. quando falares, portanto, da minha paixão, isola as reticências com parêntesis para que a tua imbecilidade ganhe um pouco mais de dignidade.

    de resto, vai meter um ferro bem quente no cu e bater uma punheta ao som de uma gaita de foles. :-)

  16. a vaca apaixonada por língua portuguesa não faz puto de ideia para que servem as reticências e quando se usam, depois caga umas asneiradas acompanhadas dois pontos hífen fechar parêntesis para exemplificar. não tarda temos aí cartões de boas-festas feitos com pontos de interrogação a concorrer ao trotil da literatura.

  17. O troll do igonorraitz deve ser uma exceção ao normal masculino…a cabeça cimeira está definitivamente programada em função do que não tem em baixo…

  18. Para quem não compreendeu a referência aos miúdos aprendizes: No processo de aprendizagem, pode ser mais fácil ou mais difícil perceber a grafia das palavras em causa e distinguir ortograficamente vocábulos com pronúncia parecida (ou idêntica). Tal como agora ficam, é mais difícil. Só isso. As consoantes mudas não seriam para eles, que aprendem inglês ou francês (ou mais tarde latim), nem absurdas nem inúteis. O acento em «pára» acabará por voltar. A este propósito, lembre-se que na língua portuguesa existem acentos, ao contrário da língua inglesa.
    Posto isto, o mais importante para mim, nesta matéria, é a absoluta falta de necessidade destas mudanças e o inteiro falhanço dos objectivos visados.

  19. O troll do igonorraitz deve ser uma exceção ao normal masculino…a cabeça cimeira está definitivamente programada em função do que não tem em baixo… diz:

    para mais detalhes pergunta à tua mãe.

    ps – deixei-te €5 na mesa da cozinha para comprares xupa-xupas

  20. Troll continua com as acrobacias, pirolito no buraco do nariz, porque é o único sítio onde consegues entrar…yawn. Depois disso come um paio da beira, que a tua imaginação precisa de ser alimentada.

  21. Concordo plenamente com o artigo.
    Numa “democracia crítica” (GUSTAVO ZAGREBELSKY), não há decisões irreversíveis (ou só as há raramente, como a proibição da pena de morte).
    Em 2011, houve uma interrupção inconstitucional e ilegal da ortografia leccionada.

  22. ASSINE e dê a assinar a Petição “Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990″, acedendo à hiperligação http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90.
    DIVULGUE através dos seus contactos e email, para convidar a assinar a Petição, clicando no ícone do envelope (abaixo de “Assinar Petição”).
    Depois das declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, de 7 de Fevereiro, só há um caminho para acabar com o AO90 (ou, pelo menos, responsabilizar os Partidos antes das eleições autárquicas): ASSINAR e PEDIR PARA ASSINAR esta Petição (colocada no dia 23 de Janeiro no “site”).
    b) Precisamos de chegar às 20.000 assinaturas, para equivaler, política e simbolicamente, a uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, uma vez que uma ILC não pode ainda ser assinada electronicamente (está dependente da criação de um Portal no “site” do Parlamento).
    http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90

  23. Para rebater o argumento do facto consumado inconstitucional na “aplicação” do AO90 nas escolas:
    “Como o Acordo nunca seria implementado pelo seu mérito nas escolas e no Estado, onde muito pouca gente o aceita como seu, forçou-se a sua aplicação ‘manu militari’, com ameaças e sanções mesmo que de legalidade muito contestável. Admito que isso signifique que para uma faixa etária de portugueses a sua maneira de escrever fique numa espécie de limbo, mas estão longe de ser a maioria dos portugueses, jovens adultos e mais velhos, que nunca seguiram as regras da nova ortografia. Por isso, limbo por limbo, mais vale corrigir o mais depressa possível aquele que é de centenas de milhares |ALUNOS​; CONCEDENDO QUE APRENDERAM BEM, O QUE NÃO É VERDADE​|, em vez de forçar o de milhões. É o custo desta operação de engenharia da língua pago pelos mais novos? É. Mas iriam crescer num mundo em que a escrita de qualidade, os jornais de referência, o português de todos os países africanos de língua portuguesa, seria o da ortografia anterior ao Acordo. ” (PACHECO PEREIRA, A reversão mais valiosa para o futuro: Acabar com o Acordo Ortográfico, in Público, https://www.publico.pt/politica/noticia/a-reversao-mais-valiosa-para-o-futuro-acabar-com-o-acordo-ortografico-1731229?page=-1)
    http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90

  24. Pnélope,

    Não respondes à pergunta, mas ja sabes que o novo acordo vai ser ineficaz. Tal como o anterior, o objectivo é facilitar, aproximando a grafia da oralidade e, neste caso especifico, procurando implementar uma grafia harmonizada entre diversas variantes do português. Como sempre, sacrificam-se alguns preciosimos pouco compreendidos na pratica (as consoantes mudas cuja função é marcar a abertura da vogal, no inicio do século era o “ph” que assinalava a origem no “phi” grego). Como sempre não se alcança uma simplificação absoluta, impossivel uma vez que a pratica oral (ou seja o que é primeiro na lingua, a gramatica e a ortografia apenas são anotações praticas) é multipla e irredutivel.

    De forma simples : os miudos não vão ter que decorar o “c” em acto e mais duas ou três merdas do mesmo estilo. Sera que vão deixar de compreender os textos, ou que vão passar a dar mais erros quando escrevem ?

    Tu ja sabes. Vão. De certeza. E é o fim do mundo.

    Seja. Bom proveito.

    Boas

  25. “e mais duas ou três merdas do mesmo estilo”…é o estilo de V. Ex.ª, ou será isso uma nota de uma qualquer famoso e centenário escritor que alegada e distraidamente lê?

  26. O “acordo” de acordo nada tem. Trata-se de uma farsa que tem o nome de “acordo ortográfico”. Esta farsa é afinal uma jogada geopolítica que nos querem impor a todo o custo. Gostem ou não os minoritários defensores do “acordo”, o “acordo” irá ser revogado, faltando apenas saber quando. A recusa do “acordo” é transversal à sociedade portuguesa. A maioria dos linguistas é contra, tal como os escritores. E, imagine-se, quando foram pedidos pareceres científicos, 25 foram desfavoráveis ao “acordo”, sendo que apenas 2 foram favoráveis. A maioria é, de facto, contra o “acordo” e é uma questão fundamental, mandar este “acordo” para o lixo. Os defensores do “acordo” andam tão desesperados que nem aceitam alterações ao “acordo”, mesmo questões flagrantes, caso do pára, do Egipto e afins. Mobilizemo-nos contra o “acordo”, pois quem manda na língua são os portugueses e não políticos corruptos, que pensam que nós não somos competentes para gerir o nosso país e o seu património.

  27. “e não políticos corruptos, que pensam que nós não somos competentes para gerir o nosso país e o seu património.” ehehehehhehehehe É cá uma competência….

  28. E pronto, la vêm os Che Guevara da resistência linguistica. Que falta de pachorra para estas merdas. Durante décadas, ligaram pevas à coisa (aprovada no fim dos anos 80 ou no inicio dos 90). Agora que se trata de talvez fazer com que um papel não fique guardadinho na gaveta dos projectos, é vê-los de repente incomodadissimos. Ai minha mãe que vou ter de escrever “acto” (vais ? desde quando ? eu não escrevo, mas enfim, passemos). Agora ja inventaram que a “maioria dos linguistas é contra”. Nunca abriram um livro de linguistica, ou apreceber-se-iam do absurdo da afirmação, mas são contra.

    Porquê ? Porque de repente, o “patrimonio” esta em causa. Esta maltosa, não abre um livro do Camilo ha mais de 10 anos, vive tranquilamente num pais onde é NORMAL uma livraria, mesmo com pretensões, ter à venda apenas dois ou três livros dos grandes autores disponiveis (exceptuando os do Fernando Pessoa que são para turistas, portanto esses estão todos na montra, mesmo quando nem sequer são da sua lavra). Tanto assim, que vemos a Penguin Books investir o mercado português do livro de bolso, tal é a falta de comparência das editoras nacionais. Esta gente fina, lê os romances da moda vindos das américas e dos parises ou das londres, enche a boca com inglesismos, ou ontem com francesismos, e ignora com soberba quem seja Machado de Assis ou Guimarães Rosa, mas se tirarmos umas consoantes mudas, alto la que entramos em guerra. Saca da pa de Aljubarrota contra estes sonhadores que querem aquetualizar o que quer que seja. O quê ?! um tratado ou uma lei (aprovados na altura, mas o que é isso ao pé da “maioria dos linguistas” ?) são para aplicar. Esta tudo doido ou quê ?

    Vamos supor que era necessario explicar o que muda na ortografia do NAO (as duas ou três merda – sim assumo perfeitamente, e a palavra “merda” ja existia antes do acordo, tenho pena, e a realidade também) a um Sueco ou a um Alemão. São capazes de o fazer em menos de meia-hora ?

    Mas pronto, caiu o Carmo e a Trindade. Vivemos em ditadura lingistica. Eia avante Portugueses, avançar ou perecer, pela santa liberdade, triumfar ou perecer !!!

    Tenham calma, meninos. Têm tempo a perder e preocupam-se com a cultura portuguesa ? Porque não vão antes comprar um livro de literatura ??!

    Boas

  29. emenda : “vou ter de deixar de escrever “acto” (vais ? desde quando ? eu não deixei, mas enfim, passemos)”

    Desculpem uma ou outra gralha, acordistica ou pré-acordistica. E é isto.

    Boas

  30. “E pronto, la vêm os Che Guevara da resistência linguistica. Que falta de pachorra para estas merdas. ”

    Cala-te comuna! Conta aí: o “phoda-se” é de onde? Das berças? Ou de algum livro com mofo que continuas a ler?

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