As pessoas que vão a Fátima são melhores do que as outras?

Resposta: não. Há de tudo, como “cá fora”. A comprová-lo basta lembrarmo-nos dos mexericos e da maledicência que era habitual ouvirem-se pela boca das pessoas que iam à missa em relação a outros frequentadores do templo. Findas as rezas, à vidinha, pois aquela que acabou de vir da Sacristia é cá uma fingida, de facto. E o padre? Ai, sabe-se lá.

A característica bizarra de certas pessoas acreditarem na existência de uma entidade sobrenatural que as pode castigar ou que, de uma outra perspectiva, vela por elas e as ajuda – mas, note-se, só quando lhe apetece, ou quando a concentração é tanta que o suplicante experimenta transformações físicas benéficas (por vezes não, a comoção pode matar) – é uma coisa lá delas. Se se sentem bem assim, se gostam da companhia de amigos imaginários, se para elas funciona, tanto melhor! Haja liberdade, desde que, obviamente, não me obriguem ao que não quero nem me façam mal em virtude da crença em causa (aconteceu durante demasiados séculos). Por isso, ir de passeata até à Serra de Aire pode até fazer bem à saúde de quem leva uma vida sedentária. O facto de o Governo ter concedido tolerância de ponto faz parte da política de não hostilização de fenómenos de massa inócuos, mas que geram dividendos económicos, e de boas relações diplomáticas com empresas poderosas na manipulação dessas mesmas massas.

O que distingue o homo sapiens (com 50 000 anos apenas) dos seus antepassados neanderthal, denisovo ou erectus é precisamente uma capacidade fundamental entretanto adquirida – a de criar ficções (ler o interessante livro “Sapiens – História Breve da Humanidade“, do israelita Yuval Noah Harari). Por uma questão prática de ordem organizativa, de sobrevivência, defensiva, afirmativa, de domínio, identificativa, etc., a invenção de realidades, de histórias – também chamado pensamento abstracto – deu-nos uma vantagem decisiva sobre as restantes espécies. Como não podia deixar de ser, com a distribuição dos sapiens pelo mundo, tipicamente em grupo, e com o seu estabelecimento em locais precisos, cada comunidade criou as suas próprias ficções, que a necessidade de supriorização, de marcação do território ou de combate a invasores depressa transformou em antagónicas. Em certas zonas do mundo, como na Europa, houve a genialidade de pôr de parte essa razão para antagonismos. Outras haverá e já nos chegam. Instituiu-se, pois, a liberdade religiosa – cada um acredita no sobrenatural que entende ou não acredita em sobrenatural nenhum e vamos ao que interessa, ou seja, organizarmo-nos segundo as regras do direito (lá está, outro exemplo de abstracção) e procurar perceber, já que estamos aqui, como é que aqui chegámos e o que é isto do universo. E o que fazer com a nossa inteligência e os conhecimentos de que dispomos.

Sugiro, pois, que se olhe para estes fenómenos das peregrinações a lugares considerados sagrados não só como comuns a múltiplas e variadas crenças desde tempos imemoriais, experiências místicas (possíveis de serem vividas, eventualmente com maior proveito, em contextos artísticos, amorosos e outros), como também algo sem efeito de maior na sociedade, a não ser uma breve, mas bem-vinda dinamização da economia, o reforço do espírito caritativo entre alguns (mas que se dispensa se vier acompanhado de proselitismo; além de que há alternativas laicas) e sobretudo o da recolha de fundos valiosos para a perpetuação da empresa ICAR, que, hoje em dia, não faz mal – embora talvez pudesse fazer melhor se os seus representantes pudessem acasalar com outros adultos. Mas enfim, lá está, para esta comunidade concreta, parece que o sexo é bom demais para não ser pecado para os seus pastores.

21 comentários a “As pessoas que vão a Fátima são melhores do que as outras?”

  1. muito mais impresssão me faz toda a mitologia acerca da democracia representativa e a participação na farsa das eleições em pleno científico sec.XXI , mas lá está , cada um acredita nas historietas que quer acreditar.
    ciúmes de que não vão em peregrinação à imagem de são zézito , salvador da pátria ?

  2. Um dia destes ainda vemos o Bosta de Carvalho da SICuta a ascender a um qualquer cargo só para inteligentes.

  3. Mais uma questão que revela a ignorância da sua autora na matéria. Noto que só li o título que me basta, atento até as manifestações desrespeitosas desta autora para com a FÉ dos outros.

    Basta ler alguma literatura mariana e reprodução de videntes, que se resume assim: Maria nem sempre escolhe os melhores, mas entre estes há os que a deixam tentar abrir a porta pesada e grossa de medoe de desconfiança que os prende.

    Note-se: Maria não se impõe, pergunta se pode, diferentemente da besta que toma tudo como seu.

  4. Lucas Galuxo: Obrigada (apesar de não ter a ver com o tema do post). Vale, de facto, a pena ver o depoimento de Lula.

  5. Reduzir a existência do homo sapiens a 50.000 anos é mesmo uma sneak preview da história da humanidade.

    Para alem da cena das igrejas e das heterodoxias, uma coisa e inegavel, todas as religiões construíram um enorme patrimonio filosófico e civilizacional. Ha ali uma construção enorme que vai muito além da adoração e crendice, e quem o negar e melhor estar preparado para o poder contestar, porque só não acreditar vale de pouco perante a obra. Nesse, e só nesse sentido, não acreditar é ser bizarro.

  6. Quanto ao depoimento do Lula, coitado se tiver inocente, (a condenação de alguém inocente é uma barbaridade uma autêntica abominação, vamos ver no que dá, com o Brasil prestes a tornar-se numa gigante Venezuela) hmmm! Parece-se mais com um episódio reles de uma novela brasileira. O poder cega e faz perder a cabeça a muito amador, nem todos podem ser PUTINs

  7. Caro Joe Strummer, precisamente no sentido em que aqui coloca a religião como construtora de um enorme património filosófico e civilizacional é o caro que se coloca na posição de defender uma verdadeira bizarria.
    Desde que Tales de Mileto, pela observação da Natureza, iniciou a tentativa de explicar essa mesma natureza através de raciocínios lógicos sobre os elementos base existentes na própria Natureza, e não por critérios mágicos, mitológicos, ou divinos, que a religião entrou na defensiva e decadência até hoje.
    O Corpus filosófico cristão é uma adaptação, especialmente, de Platão e Atistóteles através de vários helenistas nomeadamente Plotino, Clemente, Paulo, Agostinho e Aquino. E também do pensamento religioso judaico.
    Pelo que conhecemos da dependência da filosofia cristã relativamente aos grandes pensadores gregos podemos pensar, igualmente, que as religiões anteriores, do tipo mágico, desde os primitivos feiticeiros também usavam o pensamento de sábios coetâneos para elaborarem as suas posições religiosas: veja-se o confucionismo tal como a religiosidade egípcia. Nem pode ser de outra maneira pois há várias religiões ao longo da histórias e cada uma corresponde um pensamento desse tempo.
    E à medida que o tempo avança o pensamento religioso torna-se obsoleto e outro o irá substituir. Ao contrário o Corpus filosófico grego, porque tem base lógica e não religosa continua viva como desde o primeiro dia.
    Isto no que diz respeito à filosofia que, quanto ao aspecto civilizacional, há muitas dúvidas se o saldo será a favor da religião ou contra. Pelo menos na era moderna e, especialmente depois de Galileu, a religião não pára de recuar na sua tentativa de se opor ao conhecimento científico.
    Portanto, meu caro, se ver bem a natureza do património filosófico e civilizacional das religiões não ficará muito seguro que não acreditar é ser bizarro.

  8. PREPARAI-VOS VALUPIAS E PENÉLOPAS QUE O GRANDE IMPOSTOR ESTÁ QUASE A CHEGAR PARA DELEITE (AOS SALTINHOS) DO FINGIDOR CHAMUÇEIRO O GRANDE BEIJOQUEIRO DA JUNTA PARA LHE BEIJAR O ANELAR, IRMANDADE MUÇULMANA JÁ PODEIS DESCANSAR.

  9. que post tão confuso – as ideias, que são muitas, perdem-se na gana de expulsá-las. devias fazer uma terapia, Penélope, para aferires de onde vem essa cólera com a religião. falo sério. :-)

  10. Olinda: Cólera?? Francamente, a questão não merece. Mas, minha cara, serve-te à vontade. Tens várias religiões à escolha.

  11. O GRANDE IMPOSTOR ESTÁ QUASE A CHEGAR E SOLZINHO A DANÇAR NEM VÊ-LO SÓ CHUVA EM GELO, VEM PARA ALERTAR O MUNDO E O LUISINHO QUE SE NÃO HOUVER JUIZINHO O OLHO NO TOPO DA PIRÂMIDE PODE ZANGAR-SE E DAESHAR-LHES UMAS BOAS GASADAS E QUEBRA-VOS TODOS OS OSSINHOS ATÉ AO DEDO MINDINHO, PORTANTO, TOCA A TRABALHAR E A CONSUMIR ATÉ O X-MEN VIR. –

    Com Alto Patrocínio da A SICuta que A-Poia o X-MEN.

    (O Coiso com a Coisa em casa manda dizer que hoje são todos anfitriões do X-MEN mas é favor não perder muito tempo no toilet ou na manicure porque não vai haver “selfish” pra ninguém.)

  12. A POPULAÇA, A GAJA E O FINÓRIO DIZEM COISAS EXTRAORDINÁRIAS:

    Os primeiros dizem preferir este pela redundância quase ao abvsurdo, “Perdoai-lhes Senhor que não sabem o que fazem”, ao caso o que dizem/proferem/vomitam, em boa medida influenciados pelos Media, idiotas manipuladores de serviço.

    “É um líder credível, muito sorridente, reintroduziu a alegria na igreja, não anda com cara fúnebre”, dizia a gaja. O que quererá dizer a gaja com o andar com “cara fúnebre”?

    E o FAGgócito finório da SICuta acrescenta uma lasca de “pedofilia + igreja” para ver se enobrece a conversa de insufla cus.

    E é esta a NATA AZEDA que ingurgitam uns sobre os outros, a populaça, em catadupas de pura idiotia, tudo patrocinado pela escumalha dos Media.

  13. José Neves, não é uma questão de defesa nem de opinião é uma questão de facto. A minha opinião quanto à religião já a deixei aqui varias vezes e se tiver lido com a mesma atenção deve saber qual é. O que diz não contradiz em nada a importancia das religiões, nos seus varios aspectos, pelo contrario só o reconhece. E difícil que a religião deixe de existir, porque ela é inerente ao ser humano, pode transmutar-se mas não desaparecer, a necessidade de transcendencia está um pouco para o humano como a maquina tecnologia para a racionalidade cientifica, são exemplos de um duplo exterior perfeito. Agora vou almoçar fazendo por esquecer como este ritual e influenciado pela ultima ceia e espero que logo mais a tarde os deuses estejam com o glorioso para festejar o tetra no Olimpo marquês “mata frades” de Pombal.

  14. cólera, sim, Penélope – são vários os teus textos que o mostram e que já serviste aqui. e eu provei, claro, apreciei e comentei.

  15. Olinda: A santa ignorância não me deixa bem disposta. Sobretudo no mundo de hoje, com tanta informação disponível, nomeadamente sobre a história das religiões.
    E as práticas medievais equiparáveis à auto-flagelação que são filmadas e transmitidas em directo em Fátima e, pelos vistos, consentidas e até respeitadas, quando não louvadas, não me podem deixar indiferente. O que é aquilo? Não vejo ninguém na Igreja a proibi-las, nem às crianças.
    Mas enfim, registo que uma parte da Igreja já começa a falar em visões, em vez de aparições, e a condenar os sofrimentos auto-infligidos que visam comprar favores às divindades. É um avanço. Já não falta tudo, embora ainda falte uma eternidade, para reconhecerem que as figuras do cristianismo são tão ficcionadas como aquelas em que os primeiros cristãos se basearam para estabelecerem a sua narrativa.

  16. nem se percebe , o Papa Francisco até deu uma mexida aliviando os pecados da carne , aceita tudo no seio da Santa ,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *