Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

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The Presence of Sexual Violence in Neighborhoods Erodes Feelings of Safety for Women — but Not Men
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Why women hesitate to report sexual misconduct
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Why we keep difficult people in our lives
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Don’t hold your nose and close your mouth when you sneeze, doctors warn
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Flu may be spread just by breathing
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Miles Davis is not Mozart: The brains of jazz and classical pianists work differently
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New Research Finds Drinking 100% Fruit Juice Does Not Affect Blood Sugar Levels
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Pedro Mexia, caçador de blogues socratistas

«O problema é se o PS não quer que ela continue. Quem lê blogues, e outras plataformas, Sócrates, já nem digo socratistas, mas mesmo do PS, sabe que o PS não gosta de Joana Marques Vidal. Ou uma parte significativa do PS, não vou generalizar. Portanto essa suspeita foi criada de uma forma um bocadinho absurda e o Governo podia-se ter poupado a esta suspeita criada de que quer correr com a procuradora.»


Pedro Mexia – Governo Sombra

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Pedro Mexia fez parte da primeira equipa do Eixo do Mal, em 2004. Não sei o que o levou a sair após a 1ª temporada mas o Ricardo Costa avançou uma explicação: “não gosta de fazer televisão”. Realmente, era essa a ideia que passava. O Pedro, personalidade reservadamente simpática no ecrã e ao vivo, aparecia então desconfortável naquele programa, como se não soubesse que registo crítico assumir e sentindo nos ombros o peso da imagem de “intelectual”, de “escritor” e de herdeiro de uma tradição aristocrática que se expressava pela pose contidamente dandy. Mandar bocas a políticos em modo chocarreiro não estava de acordo com a sua marca, era então óbvio. Só que esse desconforto viria a desaparecer completamente com a sua participação no Governo Sombra poucos anos depois. Os primeiros quatro anos foram apenas de exibição sonora, deixando de existir qualquer desconforto, muito menos incongruência, na pessoa mediática do Pedro Mexia quando o programa salta também para a TV. Tinha encontrado a sua gente: de um lado, o mais talentoso dos humoristas portugueses depois da era Herman; do outro, um profissional da indústria da calúnia lançado para a fama por Sócrates. Dito de outro modo, Mexia agora sentia-se protegido pelo brilho do palhaço rico e pela verborreia do pobre palhaço.

Havendo um tratamento estatístico dos temas e termos usados por este trio, confirmaríamos a conclusão a que se chega empiricamente de ser o Governo Sombra um espaço televisivo especializado em José Sócrates, o corrupto. Os autores declaram abertamente a sua convicção de culpa baseando-se no que outros colegas da indústria da calúnia publicam, muitas vezes cometendo crimes e aviltando a decência, e talvez ainda não tenha existido uma emissão em que o seu nome tenha estado ausente. Este o quadro em que se insere a citação acima. Interessou-me a referência que o actual consultor para a cultura da Casa Civil do Presidente da República faz aos “blogues socratistas”, e ainda “outras plataformas”. Eis uma figura da elite política e intelectual portuguesa a referir-se a algo que eu pagaria 10 euros para conseguir identificar. A que blogues e outras plataformas “socratistas” se estava a referir? A mera ideia de existirem é só por si extraordinária, mas ver o Pedro Mexia não só a garantir a sua existência como a declarar-se consumidor dos seus conteúdos leva-nos para um plano de contemplação maravilhada. Esta pessoa, que tal consegue descobrir e fruir, talvez já não seja apenas humana.

Como bem sabemos, Sócrates tinha um plano diabólico para condicionar as massas votantes e não votantes a partir dos blogues. E bastavam dois ou três, é falar com o Pacheco que estudou o fenómeno a fundo e tem gosto em explicar. Claro, muito dinheiro corrupto foi gasto para manter essas homéricas máquinas de propaganda a funcionar mas, raios, valia bem a pena. Os blogues socratistas, e até alguns apenas socráticos, espalhavam mensagens hipnóticas que por pouco não alteraram profundamente a natureza do regime. É com base nesse conhecimento já inscrito na História que o nosso Pedro consegue descobrir o que se passa no PS ou, já que teve o cuidado de não querer generalizar, numa “parte significativa do PS“. E quem são os trastes com a coragem de fingir não perceber o que a expressão quer dizer? É tão simples: parte + significativa + do PS = malandragem que não gosta de uma Justiça finalmente livre do mal = PS.

Pois é. Há dias em que desce sobre os ingénuos uma friável nostalgia daquele tempo em que o Pedro Mexia não gostava de fazer televisão.

Crónica de um valentão adiado

Há um ponto de vista, largo, onde O verdadeiro momento Watergate da democracia portuguesa entra para o anedotário nacional como um dos mais ridículos textos alguma vez escritos pelos fanáticos direitolas. Há um outro ponto de vista, mediano, em que esse ridículo aparece como inevitabilidade lógica quando nada mais se pretende para além da diabolização dos adversários. E há um outro ponto de vista, apertado e esquivo, onde a peça é um exercício típico do que está em causa neste registo: enganar o patego e tratá-lo como uma alimária.

No caso, o patego foi servido com a recordação do episódio Lopes da Mota. Rui Ramos usa-o para colorir um pilar central da estratégia caluniosa a que este tipo de direita está reduzida, a politização da Justiça e a judicialização da política. Atente-se como no parágrafo em causa se começa por falar numa “sensação” e depois se termina a falar de um “ambiente”:

«A Dra. Joana Marques Vidal foi a Procuradora Geral da República que pôs termo a algumas das mais sérias dúvidas que existiam sobre a justiça em Portugal. Entre 2006 e 2011, houve a sensação de que uma parte da justiça funcionava como guarda-costas jurídico do primeiro-ministro, José Sócrates. Era assim, não era assim? Nunca foi investigado, mas houve pelo menos um procurador-geral adjunto, Lopes da Mota, condenado pelo Supremo Tribunal Administrativo por pressões exercidas sobre os magistrados que tratavam do caso Freeport, a quem terá alegadamente ameaçado, em 2009, de que se Sócrates perdesse as eleições por causa da investigação, “alguém iria pagar caro”. Com a nova Procuradora-Geral da República, este ambiente acabou. Finalmente, como se costuma dizer, houve justiça também para os “poderosos”.»

Assim, havia uma “sensação”, “nada foi investigado”, “Lopes da Mota foi castigado” e “Joana Marques Vidal acabou com o tal ambiente”. Faz isto sentido? Nenhum, a eficácia do registo falacioso dependendo do estabelecimento da sua incoerência para a calúnia ser produzida. Quem é que tinha essa sensação para além dele e da sua malta? Ramos não identifica para levar o patego a esquecer-se do sectarismo sensorial inerente. Se “nada foi investigado”, quantos responsáveis será possível elencar para aquilo que se tenta deixar como cumplicidade corporativa e institucional? Ramos utiliza os poderes do pensamento mágico para apagar as autoridades com a capacidade e a obrigação de denunciarem qualquer ilícito ou irregularidade, onde se inclui o Conselho Superior do Ministério Público, o Parlamento e o Presidente da República, aqui metidos no saco das suspeições difamantes e alucinadas deste passarão. Quais os factos que se podem apresentar para defender a suspeita “de que uma parte da justiça funcionava como guarda-costas jurídico” de Sócrates? Ramos não explicita, sequer os lista, porque não os pode apresentar. E não é por falta de espaço ou de ocasião lá no blogue em que escreve, é mesmo porque sabe que não dá sequer para começar a falar do assunto pegando nos processos em causa. Daí encher o patego com sensações, pressentimentos, cheiros, sonhos. Como é que a nova Procuradora-Geral da República acabou com o “ambiente”? Com pesticidas, limitou-se a abrir as janelas, teve de ameaçar que “alguém iria pagar caro” caso os magistrados continuassem a tentar corromper magistrados? Ramos poupa-nos a esses detalhes por estar cheio de pressa para agitar a garrida bandeira de, “finalmente”, haver “justiça também para os «poderosos»”. Ou seja, antes da Joana o Ministério Público era um local mais perigoso do que Chicago nos anos 30, vende ao patego o espertalhão do Ramos.

O caso Lopes da Mota é exemplar da obscenidade com que a direita decadente explora a ignorância, as dificuldades cognitivas e a distracção das audiências. Ramos faz tiro ao alvo a Pinto Monteiro usando um caso em que foi o próprio Pinto Monteiro a abrir o inquérito disciplinar, em que o CSMP recusou as pretensões da defesa de Lopes da Mota e em que este foi suspenso durante 30 dias poucos meses depois, o que o levou a abandonar a presidência do Eurojust. Uma tareia num caso de diz que disse passado num almoço. Mas há mais, e num certo sentido ainda melhor. Francisca Van Dunem, na altura procuradora distrital de Lisboa, corroborou a versão de Lopes da Mota a respeito do incidente, tendo este defendido que a conversa em causa não teve o sentido e a intenção que os seus colegas alegaram. Van Dunem acabaria a votar vencida contra a pena aplicada. Pois bem, porque será que Ramos sonega este aspecto do caso ao usá-lo para dar palha a mastigar ao patego? É que os factos implicam, na sua distorção dos mesmos, que a Francisca é uma mais poderosas e funestas obreiras da tal sensação-ambiente que desapareceu a golpes heróicos da santa e guerreira Joana. E o valentão do Ramos é um macho cheio de bravura para açoitar tudo o que é socialista corrupto mas até ele consegue perceber quando tem de ficar caladinho não vá meter-se com alguém que, definitivamente, não é da sua laia. Nem do seu tamanho.

Alguns pressionam pela positiva, equiparando Rio a Passos*

Lendo os principais ideólogos do agrupamento que se poderia intitular “Estado mínimo” ou “Portugueses contra zonas de conforto”, que publicam (e espumam) no Observador – o Rui Ramos e o José Manuel Fernandes -, ou Rui Rio faz como eles querem, a saber, defende que se “reforme o Estado” despedindo todos, que se privatize tudo, desde a saúde à educação, passando pelos transportes públicos, que se extingam as chamadas “clientelas do Estado”, como bombeiros, guardas florestais, assistentes sociais, operadores de Kamov, professores ou médicos, e que se dê a iniciativa a entidades privadas (como já fizeram, para agora se queixarem da falta de pessoal em todos os serviços básicos que o Estado tem obrigação de prestar aos cidadãos, como a protecção e a defesa, além dos serviços postais), ou eles, a direita desmiolada e os promotores do derrotado Santana Lopes fazem-lhe uma guerra tal que, se o homem não cair com os disparos, formam um outro partido. Poderá ser o… deixa cá ver… PPD. O segundo «P» valeria por «populista». Estaria na moda e diria ao que vinha. Seria politicamente incorrecto, elitista, grunhista e anti-distribuição. Defensor dos salários baixos. Um partido de direita a sério. A apoiá-los, contariam com pessoas como o André Ventura e o Passos Coelho. Estás feito, Rio. Se não fazes demagogia com a sustentabilidade da Segurança Social, o chamado “direito de escolha” no ensino, as gorduras do Estado, os direitos adquiridos, o salário mínimo e o próximo Procurador-Geral do Ministério Público, cuja nomeação os socialistas querem (sempre) viciar, o futuro PPD faz-te a folha.

 

*Por exemplo, este

A direita é da Joana

Todos sabemos que não são assim tantas as pessoas competentes, sérias e independentes para preencher os altos lugares do Estado. E, sobretudo, todos sabemos que não falta quem queira preencher esses mesmos altos lugares com pessoas, no mínimo, pouco independentes.

O lugar de procurador-geral da República, nos tempos em que vivemos, é central na nossa vida em sociedade e, na minha opinião, Joana Marques Vidal tem sabido exercer esse lugar com competência, seriedade e independência. Não faltarão candidatos a esse lugar e seguramente que, neste momento, forças e interesses diversos, alguns certamente pouco recomendáveis, já estarão a porfiar para conseguir colocar no lugar da actual procuradora-geral uma pessoa que lhes seja útil.


Francisco Teixeira da Mota

É verdade que não se percebe bem porque é que Francisca Van Dunem se lembrou de dizer tal coisa numa altura destas — para mais, com a infelicidade acrescida de ter concedido a entrevista um dia depois de o Presidente de Angola se ter atirado de forma desbragada à justiça portuguesa. Até admito que tenha sido apenas ingenuidade e inépcia. Às vezes acontece. O que não admito é que Van Dunem não saiba de cor e salteado qual a opinião de António Costa sobre o tema. Logo, 1) as suas declarações comprometem todo o Governo, 2) o desejo de afastar a procuradora é bem real, e 3) Joana Marques Vidal precisa de ser defendida.

Dir-me-ão: não haverá outros magistrados habilitados para desempenhar o cargo com idêntica competência? A minha resposta é simples: em 44 (curioso número) anos de democracia não houve. Se fosse fácil ser independente, outros teriam sido. Não foram. Portugal precisa que Joana Marques Vidal continue até 2024. Doze anos de magistrados livres para investigar a corrupção que há décadas sufoca o país não é muito — é muito pouco.


João Miguel Tavares

Uma das principais especialidades do primeiro-ministro António Costa consiste em fazer dos cidadãos parvos. Anteontem abri o PÚBLICO online e deparei com a notícia — “Ministra da Justiça abre porta de saída à actual PGR”. Bingo! Há meses que se especulava se António Costa teria a coragem — ou o desplante — de não reconduzir a actual procuradora-geral, Joana Marques Vidal, empossada no cargo em Outubro de 2012. Van Dunem, ministra da Justiça, essa limitou-se a fazer de porta-voz da decisão de António Costa de expelir Joana Marques Vidal da PGR (o argumento invocado é risível, e lá irei mais adiante). Ou mais exactamente: coube à ministra ir preparando o terreno para a decisão talvez mais controversa e suspeita de todas quantas decisões controversas e suspeitas Costa já tomou até hoje.

Tudo aconselhava o prolongamento do mandato de Marques Vidal, desde a sua competência, lisura e coragem, até à notória inconveniência de a remover numa circunstância em que a Justiça portuguesa passa pela sua maior prova. Paradoxalmente, é precisamente por causa desta circunstância e por causa das raras qualidades da procuradora-geral que esta se torna um estorvo para António Costa.


M. Fátima Bonifácio

No mínimo, é uma questão de elegância: quando nos despedimos de alguém, não lhe batemos com a porta na cara. Despedimo-nos e dizemos: “Foi bom. Obrigado.”

No limite, podemos dizer que a dúvida não chega em boa hora: é que o MP está prestes a levar a julgamento o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o ex-banqueiro Ricardo Salgado e o ex-vice-presidente de Angola, com uma promessa de represálias pendente.

Apesar de tudo, apesar do limbo, as reacções à polémica deixam-nos uma certeza: até Outubro, a actual líder do Ministério Público terá o apoio do sector para manter a independência e determinação que tem mostrado ter para proteger a Justiça. O que ficámos foi com esta dúvida: depois de Outubro, que tipo de PGR quer António Costa?


David Dinis

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Quatro excertos de quatro publicistas notáveis num jornal dito de referência. E mais não tivemos no semipasquim porque rapidamente se descobriu que não ia ser possível contar com o cinismo de Marcelo para transformar o fogaréu num incêndio descontrolado, e ainda porque se foi buscar Joana Marques Vidal a dar razão a Francisca Eugénia da Silva Dias Van Dunem. Entretanto, o próprio Marcelo de 2018 vai ter alguma dificuldade em contrariar o de 1997 se estiver para aí virado. Que fica desta exaltação dos caluniadores do costume?

Para começar, a facilidade com que tratam António Costa como um primeiro-ministro corrupto ao serviço de um partido corrupto que, berram, vai tentar perverter a Procuradoria-Geral da República para alcançar objectivos corruptos. Esta mensagem desmiolada e paranóide é comum aos quatro textos, oscilando entre o registo bronco e raivoso de Fátima Bonifácio e JMT e o registo difamante e sonso de Teixeira da Mota e David Dinis. Para continuar, o exibicionismo com que assumem querer um Procurador-Geral da República politicamente orientado e especialista em José Sócrates e demais socialistas que se possam arrebanhar na larga malha de um Ministério Público que opera em parelha com a aberração Carlos Alexandre, actuando este como um super-procurador em vez de juiz dos direitos, liberdades e garantias. E para acabar, a luminosa percepção de que a actual procuradora-geral da República tem uma tribo à sua espera para vir salvar a direita decadente.

Com a poderosíssima indústria da calúnia a fazer-lhe a campanha, a santa Joana é uma espectacular promessa política. Pode lançar uma cruzada contra a “corrupção socialista”, garantir que vai limpar Portugal dos bandidos socráticos que andam para aí a esbanjar dinheiro em obras públicas e fundações, aeroportos e TGV, escolas e formação de adultos só para encher os bolsos dos amigos e jurar que conseguirá ilegalizar o partido do Rato pois aquilo não passa de uma escola de crime. Com isso, esvaziaria o CDS e talvez metesse o PSD em condições de causar problemas ao PS, pois para além da monopolização do voto à direita ainda iria buscar votos de protesto e populistas à abstenção.

Força nisso. É o que vocês merecem, é o que vocês são.

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Objectification of women results in lack of empathy
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Women survive crises better than men
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Linking Success in Certain Fields to Intellectual Talent Undermines Women’s Interest in Them
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Toys and gender: Pretty in pink and boisterous in blue?
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The complicated gender history of pink
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Jeans Made with Child Labor? People Choose Willful Ignorance
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Writing a “to-do” list at bedtime may aid in falling asleep
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Bons sinais

Usando os números provisórios, a vitória de Rio deve-se a 22 611 pessoas, o equivalente a 0,2335231214329527% do universo eleitoral nas legislativas de 2015. Esta percentagem minúscula pode vir a ter uma influência gigante no regime caso os sinais de fecho de ciclo e de mudança de cultura se confirmem. O ciclo que parece fechar-se é o que foi aberto em 2008 com a presidência de Ferreira Leite em tandem com Cavaco, onde a estratégia política da direita se passou a limitar às mentiras, às golpadas, às calúnias e ao ódio. Passos foi o seu mais destrutivo executante, tendo afundado o País quando o aparelho laranja o exigiu e tendo traído o eleitorado e a comunidade ao serviço da oligarquia nacional e de fanáticos estrangeiros. A mudança de cultura está prometida na recusa da demagogia e do populismo e na obediência ao interesse nacional, precisamente o inverso do que se chama “fazer política” no PSD e CDS onde os respectivos fundadores são desprezados há décadas. Acima e antes de tudo, a mudança de cultura aconteceu, mesmo que tão-só episodicamente, quando Rio ousou expressar um juízo negativo acerca do Ministério Público; agravado pelo contexto dessa declaração que fica agora associada à sua presidência do PSD.

A direita portuguesa está decadente desde o Cavaquismo, este sendo um outro tipo de decadência nascido do controlo do Estado. A nossa actual direita não tem projectos, não tem ideias, não tem líderes nem recursos humanos de qualidade, mas tem Sócrates. Logo, não o podem largar, como não largam desde 2004. Daí as cenas desvairadas que já pudemos ler e ouvir só porque a ministra da Justiça não foi hipócrita e disse em público o que pensava tecnicamente a respeito da situação de Joana Marques Vidal. A brutalidade e basicidade com que esses infelizes exigem ter uma Procuradoria-Geral da República entregue a um comissário político que lhes garanta o máximo de dor e cárcere para Sócrates e qualquer outro socialista deixa-nos sem saber o que mais admirar: se a sua estupidez funcional, se a sua paixão fatal. Por essa exaltação furibunda se poderá medir o choque de verem Rio a mostrar-se livre e a ser frontal a respeito de uma das mais políticas das dimensões do Estado, a administração da Justiça. Foi um terramoto de magnitude 11 na escala de Richter lá na Pulhalândia.

O Observador reúne a fina flor desta direita decadente, embora ela esteja presente na maioria dos órgãos de comunicação social. Fizeram do pasquim do Zé Manel uma plataforma de apoio a Santana Lopes. A ideia seria meter o Pedro em palco e ir gastando o tempo até que Montenegro pegasse no partido depois da derrota do PSD em 2019. Único plano conhecido desta degradante gente, aproveitar as oportunidades para continuar a espalhar ódio e a boicotar o País até que uma crise política qualquer os levasse para São Bento. É consolador testemunhar que os tais 22 611 militantes do PSD são muito mais fortes do que a tremenda força mediática dos que já só querem ver o Estado de direito democrático a arder.

N gargalhadas e um funeral

Rui Ramos, hoje, no site Observador

[…]

“Descontemos a lenda das “trapalhadas” de Santana. Em 2004, para facilitar o trabalho ao presidente da república, toda a gente teve interesse em fingir-se muito chocada com os incidentes e gaffes governativas do costume. ” […]

 

Cinco gargalhadas, só num período:

a lenda

trapalhadas entre aspas

para facilitar o trabalho ao presidente da República

fingir-se muito chocada” (o homem chegou a ir de férias 20 dias depois de ter tomado posse)

do costume” (qual costume?)

 

 

Ataque de riso, felizmente não fatal:

[…] “No fim, quando o presidente o derrubou, Santana cometeu ainda outro erro: resolveu exibir sentido de Estado, foi respeitoso, resignou-se. Ajudou assim a causa dos seus inimigos, ao parecer ele próprio dar razão ao presidente. ” […]

Chama-se a isto fidelidade canina. Até ao enterro. Irra!

O mundo da Comunicação Social é um circuito fechado que procura a diversão

Parecem uns putos sem nada que fazer, que vêem passar um gato e desatam a inventar tropelias para fazer ao pobre bicho. A direita vê, alinha, sugere mais outras e assim vamos. Aconteceu com a Ministra da Justiça como com vários outros alvos recentes.

Não houve um único canal de televisão que, ontem à noite, não estivesse debatendo a “gravíssima” questão da recondução, ou não, da actual PGR – cujo mandato termina apenas em Outubro. Isto devido a uma pergunta sobre esse assunto feita por um jornalista à ministra numa entrevista desse dia, a que ela respondeu com a sua leitura estritamente jurídica da questão.

À tarde, enquanto Hugo Soares se excitava na Assembleia da República inventando fins para o Estado de direito caso a PGR não fosse reconduzida, já os canais noticiosos faziam alguns ensaios de exploração do tema, com comentadores mais à mão. Mas, para a noite, a noite, já se elaboravam as listas de convidados que, aí sim, saltariam em grande para o palco para protagonizar o inesperado festival. Foi assim que vimos um desfile considerável de especialistas em Constituição e em leituras políticas de rostos e frases, os quais incluíram desde o Paulo Baldaia, a Ana Drago e o José Eduardo Martins até gente séria como o advogado Saragoça da Mata. Eram tantos e em tanto lado que lhes perdi a conta (e o nome).

 

A TVI24, então, levou a palma, antes, suponho eu, de passar ao futebol: convidou, a páginas tantas, nada menos que um painel de quatro analistas, quatro, além do moderador, para debaterem as interpretações do parágrafo da Constituição sobre esta matéria, que, desculpem lá, não são nem podem ser trezentas, nem cem, nem duas. Há uma e única interpretação: o mandato é de seis anos, mas, como nada mais é dito, subentende-se que não é inconstitucional renová-lo. Chegou a acontecer uma vez, há mais de vinte anos. Não voltou a acontecer. Pode voltar a acontecer. Ponto. Mas, para preencher a noite, discutia-se também se Costa estava ou não sintonizado com a Ministra da Justiça, ou se a afirmação dela tinha sido combinada com ele (não sei se alguém chegou a dizer que a Ministra devia ser demitida, mas tal seria totalmente plausível naquele ambiente insano), se a PGR ficava ou não fragilizada até Outubro, se o Presidente da República estaria informado e não sei quê e sabe-se lá que mais. Admito que tenha perdido um conjunto de teses importantíssimas sobre a indispensabilidade da doutora Joana para o bom funcionamento do nosso sistema judicial ou sobre o conceito de ofensa do PR, mas não tive paciência para aturar aquilo.

O Ferreira Fernandes, no DN, diz bem o ridículo do que se passa:

 

Escândalos para tansos

Pesquisa rápida na nossa Constituição

Artigo 220.º
Procuradoria-Geral da República

 1. A Procuradoria-Geral da República é o órgão superior do Ministério Público, com a composição e a competência definidas na lei.

2. A Procuradoria-Geral da República é presidida pelo Procurador-Geral da República e compreende o Conselho Superior do Ministério Público, que inclui membros eleitos pela Assembleia da República e membros de entre si eleitos pelos magistrados do Ministério Público.

3. O mandato do Procurador-Geral da República tem a duração de seis anos, sem prejuízo do disposto na alínea m) do artigo 133.º.

Artigo 133.º

Competência (do Presidente da República)

[… ]

m) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o presidente do Tribunal de Contas e o Procurador-Geral da República;

A direita decadente adora um auto-de-fé logo pela manhã

Ricardo Costa a mostrar como a direita mediática e política vai mungir nos próximos meses tetas tão úberes – O que é preciso clarificar sobre a não continuação de Joana Marques Vidal na PGR: o comentário de Ricardo Costa – de forma a que nem uma gota da politização da Justiça, mas também da judicialização da política, se perca:

– Apagar a prática recente de se conceber em mandato único o cargo de Procurador-Geral da República.
– Convocar o texto da Lei onde ele for genérico, ambíguo e omisso.
– Defender que Joana Marques Vidal fez um trabalho extraordinariamente bom e que Pinto Monteiro fez um trabalho extraordinariamente mau.
– Sugerir que Joana Marques Vidal combate a corrupção e que Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento foram cúmplices da corrupção.
– Indicar que a eventual substituição de Joana Marques Vidal no final do seu mandato resultará de um interesse político do PS.
– Apelar a que se abra uma polémica política, corporativa, mediática e social sobre esta questão no sentido de pressionar o Governo a manter Joana Marques Vidal como PGR.

Uma coisa é certa, este processo de substituição ou manutenção irá definir parte essencial dos trajectos e legados políticos de Costa e Marcelo.

Os jornalistas como rede social

Outro aspeto que me parece importante referir tem que ver com a metodologia e a linguagem do combate político. Creio que os portugueses não serão recetivos à violência verbal e ao insulto próprios de forças extremistas. Têm dado constante exemplo de preferirem a moderação; a enorme popularidade do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa mostra que tipo de político tem a preferência dos portugueses. Ou seja, não convém confundir a maioria dos cidadãos com os que destilam as suas frustrações nas redes sociais e nos tabloides.


Proença de Carvalho

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Apesar da insustentável leveza da análise, falhando propositadamente no que diz acerca de Marcelo, é fértil o rabisco acerca das redes sociais e dos tablóides. Porque, por um lado, o uso da expressão “redes sociais” por jornalistas e publicistas em órgãos de comunicação social operou uma transformação semântica em que de um substantivo genérico, vago e ambíguo se fez um estigma, um papão, uma alucinação. E, por outro, porque o tabloidismo invadiu o chamado “jornalismo de referência”, gerando esta cena patarata de vermos a protestar contra as “redes sociais e as caixas de comentários” aqueles que, sonhando-se a referência opinativa na Grei ou ignorando por completo em que consistem essas maléficas redes, vendem a sua disponibilidade para produzirem caudaloso sensacionalismo e/ou calúnias.

Do que se fala quando se fala em “redes sociais”? Nunca tal se esclarece, embora a resposta mais provável seja Facebook e Twitter. E do que se fala quando de fala do Facebook e do Twitter? Apenas das impressões subjectivas que se recolhem da observação de um número indeterminado de publicações e comentários. Não há absolutamente nenhum tratamento qualitativo, quantitativo, estatístico e projectivo acerca do que se diz estar a ser dito e a “acontecer” nas “redes sociais”. Que significa encontrar 0, 20, 100 ou 500 comentários numa notícia? Que se pode concluir sociologicamente dessas manchas de caracteres? E se numa notícia com 100 comentários 50 tiverem origem em dois utilizadores, e 30 em mais 2, e os restantes em 5? Que importância, seja para o que for, terão esses 9 maduros? Quem são eles, em que estado mental estão, qual a consequência para si e à sua volta do que deixaram numa caixa de comentários de uma notícia que irá desaparecer do mapa em poucas horas? Disto não há notícia. O resultado é vermos jornalistas, supostamente profissionais da informação, a alimentarem deformações grotescas ao serviço da exacta repetição do que chicoteiam no povoléu. Preferem investir a galope contra esses moinhos de vento, que apenas giram sobre si mesmos sem conseguirem sair do mesmo sítio, em vez de fazerem o esforço de pensarem no que dizem a partir do seu estatuto de especialistas em comunicação.

A procura do sensacionalismo serve as agendas demagógicas e populistas de intento comercial e político. O Correio da Manhã, em papel e imagem, é o mais poderoso produtor de sensacionalismo em Portugal, tendo uma influência que talvez acabe por condicionar a classe jornalística por atacado (pun intended). Seria uma explicação, pelo menos, para o vexante espectáculo de vermos jornalistas com cargos directivos em títulos históricos a mergulharem de cabeça no expressionismo tóxico onde se esquecem da sua principal responsabilidade, condição mesma da objectividade: protegerem a racionalidade das disfunções e sua degradação.

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Female professors asked for favors more than male professors
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Women Can (and Should) Seek Male Mentors in the Post-#Metoo Workplace
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People Who Sleep Less Than 8 Hours a Night More Likely to Suffer From Depression, Anxiety
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Will people eat relish made from ‘waste’ ingredients? Study finds they may even prefer it
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Perfectionism Among Young People Significantly Increased Since 1980s, Study Finds
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Concrete or Vague? How CEOs Talk Can Send Stocks Up or Down
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People with high social status are perceived as insincere when they apologize for a transgression
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Lapidar

[...]

Mais do que críticas normais em democracia que podem ser feitas às opções do legislador ou à forma como um procedimento legislativo decorreu, interessa-me estar atenta ao fenómeno da ignorância perigosa e militante sobre o que é uma democracia representativa.

É essa ignorância ativa que é explorada pelos populistas, aqui e pelo mundo fora, para capitalizar a raiva de quem precisa de culpados pela sua circunstância. Surgem então os novos atores da política, alegadamente “fora do sistema”, sistema que tratam de caluniar, para finalmente se apoderarem do mesmo.

[...]

desespera-me – o termo é mesmo esse – que se tenha assistido a um festival de falsidades sobre o conteúdo da lei e que o mundo se tenha mostrado contrário aos Partidos Políticos. Porque foi isso que aconteceu. Não aconteceu uma defesa do financiamento exclusivamente público ou, ao contrário, uma defesa do financiamento privado (a juntar ao público) devidamente titulado e fiscalizado. Pelo contrário, com a ajuda por vezes escabrosa da comunicação social, os Partidos Políticos foram reduzidos a sacos de boxe, sem direito a um cêntimo, num lodo desmemoriado da luta travada para que existisse democracia e, com ela, precisamente, os Partidos Políticos. Passou a ser impopular assumir que a democracia tem custos e que é bom que os Partidos Políticos estejam de boa saúde.

Foi triste ver o BE a pôr-se de fora do diploma antes mesmo do veto do PR.

Foi triste ouvir Assunção Cristas, que depende exclusivamente do OE, não vamos ser ingénuos, dizer que a aprovação da lei foi “escandalosa”. A líder centrista não se limitou a dizer que não concordava com duas normas – perfeitamente legítimo -, antes pôs-se de fora de um procedimento legislativo que aceitou e com o qual colaborou. Vai daí e clama por um veto político do PR, o qual evidentemente não teria acontecido se não fosse a coisa mais popular de se fazer. Alguém tem dúvidas?

Esteve bem, muito bem, Ana Catarina Mendes a explicar o conteúdo exato do diploma e a assumir a adesão do PS ao mesmo.

[...]

Isabel Moreira