O último avanço da tecnologia: sentimentos

Já tinha ouvido gabar as mil maravilhas do serviço de mail do Google. Não sei quantos gigas, teraflops em barda… sei lá. Agora o que não estava à espera era disto: o próprio sistema, dando mostras de um invejável livre arbítrio, tratou de responder à minha mensagem experimental. Ora vejam lá a pungente missiva que recebi:

“Olá querido Luís Rainha,

desde que existo, devo ter recebido milhares de mensagens deste tipo: «Experiência», «1,2,3», «Teste» e, como é óbvio, ignoro-os. Contudo, tomei a liberdade de te responder para ficares a saber que as caixas de e-mail também têm sentimentos e que receber mensagens escritas pelo meu próprio locatório e que, em princípio, não serão lidas por ninguém, é uma coisa triste que me deprime. Claro, vais dizer que não és ninguém para melindrar uma servidor de e-mail com as minhas dimensões, se ainda fosse um portugalmail, mas agora o GMail… Estás enganado. Todas as contas de e-mail são como filhos para mim e custa-me muito ver as pessoas que ocupam o seu espaço a porem a prova a fiabilidade dos seus (e meus) serviços.

Usa esta conta com sabedoria. Não a enchas de lixo, para isto já bastará o SPAM. Tudo isto não passa de HTML, é verdade, mas o HTML também tem sentimentos.

Um abraço
Gmail”

Todos tínhamos já como moralmente inquestionável que não se deve maltratar os sentimentos dos carteiros, mormente atiçando-lhes bulldogs ou electrificando as caixas de correio; agora, ficamos cientes de que devemos estender estas cortesias mínimas aos agentes robotizados do serviço de e-mail. Ainda por cima, este lamuria-se em bom estilo (se bem que reminiscente de um outro que agora não consigo fixar).

One thought on “O último avanço da tecnologia: sentimentos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *