Espiritismo eleitoral

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Primeiro, foi Manuel Alegre. Confortado pela presença da viúva do capitão de Abril, tratou de o arregimentar para a sua causa: “Sei que o Salgueiro Maia gostaria de me ouvir dizer o que estou aqui a dizer”. Agora, outra viúva ilustre, Matilde Sousa Franco, tratar de anunciar aos viventes as vontades do esposo: “toda a gente sabe que foi um grande amigo de Mário Soares, estando certa de que, se fosse vivo, o apoiaria”. Mas, com tamanha alergia ao que chama “oportunismo político”, que terá passado pela cabeça da senhora quando aceitou fazer parte das listas eleitorais do PS, escassos meses após a morte do marido?

1 comentário a “Espiritismo eleitoral”

  1. É próprio dos vivos arregimentar os mortos. Milan Kundera fala disso na Insustentável Leveza do Ser. Perante a morte de Franz, a viúva a quem ele fôra infiel apodera-se do seu cadáver e faz missa de corpo presente, enquanto que a rapariga que o amava fica a assistir na sombra.

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