Enxotar as aves necrófagas

Só um esclarecimento, não vá alguém pensar que os vampiritos do costume desta vez até acertaram uma. Não. Se não “me reconheço” (raio de chavão que fui desenterrar…) no Aspirina actual, isso nada tem de censura ao meu amigo Valupi — aqui, a dissidência é visita bem-vinda. Tem sim a ver com o predomínio esmagador de posts como este, este, este e até este.
O meu projecto inicial para este blogue passava por combinar alguma reflexão politizada com intervenções mais intimistas, centradas em objectos artísticos, ou mesmo em torno de pequenos exercícios de humor ou ficções. Quiseram as correntes da vida empurrar o Aspirina B para outro lado. Hoje, ocasiões há em que ele surge quase como porta-panfletos, como veículo para proclamações várias, sem grande hipótese de servir de catalisador para discussões que me interessem. Por sentir essa tendência, já o João Pedro da Costa nos abandonou; e tenho eu também alguma dificuldade em continuar a considerar esta a “minha” casa. O que não vai impedir a sua continuação, em busca de outros caminhos e de outros estilos.
Já agora, pela centésima e provavelmente derradeira vez: não sou “bloquista”. Vai daí, e por muito que isto custe à pequenina imaginação do AAA, a minha saída não representa nenhuma “crise” no tal “bloquismo”. Folgo, no entanto, em constatar que o Aspirina, apesar do “gritante vazio de ideias” e do seu “estado de degradação”, continua a ser mais lido do que “O Insurgente”. Isso, para quem idolatra de tal forma a presciência do “mercado”, deveria encerrar importantes lições de humildade. Mas é muito mais fácil dar lições aos outros, não é, AAA?

16 comentários a “Enxotar as aves necrófagas”

  1. Como é costume, o Luís faz uma grande confusão conceptual.

    A noção que os factos determinam a verdade está bem mais próxima de Marx do que de Hayek.

  2. A confusão é toda sua. Não escrevi que o Aspirina é “melhor” ou “pior” por ser mais lido. Apenas que talvez devessem investigar o intrigante facto de o “mercado” de leitores continuar a preferir produto tão degradado e miserável ao vosso esplêndido esforço intelectual.

  3. Luís,

    Estaremos – nisso terás inteira razão – a investir menos no ASPIRINA do que era tua, e nossa, inicial intenção. Isto porque a «reflexão» capaz de ser «catalisadora de discussões interessantes» custa tempo, muito tempo. E tempo é o que não temos, nós que até somos absorvidos por outras coisas bem mais (cada um dirá porquê) importantes. Não que essas coisas (olha a nossa sorte) estejam longe de permitir-nos, nuns minutos roubados, vir aqui dedilhar umas cenas. Mas – e é uma hipótese – se não houvesse essas outras coisas absorventes, não é líquido que tivéssemos OUTRAS coisas interessantíssimas com que ocupar-nos, e que nos inspirassem outras, e essas grandes, cavalarias aqui. Conclusão, a minha: prossigamos, Luís. O Aspirina faz-se fazendo.

  4. Os morangos com açucar também têm muita audiência! Será que o Rainha queria só diminuir o insurgente pelo facto de ter menos visitas que o aspirina? O facto de ter mais visitas não significa que seja “melhor” ou que tenha mais qualidade. Mas enfim, há que desculpar estes devaneios patéticos ao Luís que está triste e irritado por lhe chamarem nomes naquela que ele considerava como a sua casa. Volta sempre!

  5. Participar num blogue colectivo é como viver numa república, nem todos gostamos de encontrar a pasta de dentes vazia. Exige um grau de tolerância, que nem todos temos para dar. A alternativa é criar o próprio e “egoísta” blogue pessoal.

  6. Lá tinha de aparecer alguém a acusar-me de escrever o que acabei de afirmar não ter escrito. A quantificação das audiências como medida de “qualidade” não me parece fazer grandde sentido. Isto porque não sou eu quem atribui ao “mercado” todas as virtudes e toda a sapiência do universo conhecido… essas teorias andam mais lá pelos lados do “insurgente”.

  7. Este blog está a tornar-se interessante.

    Espero que o Mateus não abandone o barco e venha com outro cartoon provocador.

  8. Quem falou nas audiências como medida da qualidade foi o Luís. Não me recordo do AAA ter escrito o que quer que fosse sobre o assunto.

    Para além disso a imputação que nos quer fazer derivo de um profundo desconhecimento do que é o liberalismo. Nada de novo portanto.

  9. Ó Miguel, aqui para nós que ninguém nos ouve, quer-me parecer que até os liberais, especialmente os patéticos e patetas “liberais” portugueses, sofrem dum “profundo” e quiçá incorrigível “desconhecimento do que é o liberalismo”.

  10. Vocês são peritos em duas artes difíceis: colocar palavras nos teclados alheios e inventar novas versões para o comovente fado “Ai que as nossas ideias são tão boas e ninguém nos entende”.

  11. Caro Jorge, aqui para nós e para os que nos estão a ler, há quem invoque o liberalismo atribuindo-lhe coisas estranhissimas.

    Esta doença não conhece fronteiras nem auto-classificações.

  12. Boa sorte ao Luis Raínha nos seus projectos futuros. Não conheço ninguém que incorpore no seu dia-a-dia com tanta mestria os conceitos liberais de destruição e mudança. Os blogues de esquerda vivem em constante reinvenção, o que denota uma forte vitalidade, embora também uma enorme dificuldade em coexistir colectivamente. Um abraço,
    Rodrigo Adão da Fonseca

  13. Se o Luís Rainha antes de sair fizer o favor de desbloquear a proibição à tal sigla PNU…D nas caixas de comentários, pelo menos, eu agradecia. É que ainda há dias numa discussão num dos “sinistros” do Valudi reparei que o bloqueio se mantinha… e não se sabe se não terei de deitar mão a relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e usar a sigla sempre facilita.

    Antecipadamente lhe agradeço, se o fizer antes de sair, claro.

  14. Até podias ter tido piada Capitão Porão, mas acabaste por te ficar apenas pelo adjectivo “estúpido”.
    estúpido | adj. e s. m.

    estúpido

    do Lat. stupidu, admirado

    adj. e s. m.,
    falto de inteligência, de juízo ou discernimento;

    que está sob a impressão de estupor;

    atónito;

    ant.,
    entorpecido, insensível.

    Acrescentaria ainda cavalgadura, apenas e só porque me apetece. Quando ao assunto, excelente post e boa resposta de um excelente “cronista”.

  15. O que eu leio no blogómetro é que o Aspirina B tem uma média de 244 visitas e O Insurgente, 600. Mas compreende-se, esta esquerda nunca foi muito boa a lêr os sinais do mercado…

  16. Karloos,

    Limpa as lentitas, rapaz: como é óbvio, o Blogómetro anda hoje avariado. Ou achas que o Abruto tem uma média de 33 visitas diárias?
    Há meses que o Aspirina fica acima do Insurgente.

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