O patifezinho Sarkozy

A extrema-direita francesa ficou a chuchar no dedo e a acusar os seus adversários de batota (magouilles). Depois de ser o partido mais votado em seis regiões na primeira volta, a Frente Nacional perdeu-as todas na segunda, graças à coligação negativa (onde é que eu já ouvi isto?) da esquerda com a direita republicana.

E para quem foram, na segunda volta, as seis regiões em que a extrema-direita liderava na primeira? Metade foi para a direita de Sarkozy, porque os socialistas, correspondendo ao apelo de Manuel Valls, votaram nos candidatos republicanos em três regiões. Nas outras três regiões a esquerda beneficiou dos votos dos eleitores republicanos, apesar de Sarkozy se ter recusado a desistir onde a esquerda estivesse melhor colocada. O cabrão esperava que a coligação republicana vencesse os socialistas com a ajuda dos votos da extrema-direita, mesmo arriscando-se a permitir uma vitória da Frente Nacional. Todavia, os próprios eleitores de Sarkozy preferiram nessas três regiões dar a vitória à esquerda. A extrema-direita teve votação idêntica (27%) em ambas as voltas, mas os seus eleitores cederam votos preciosos aos republicanos em algumas regiões.

Se idênticos movimentos de votos se repetirem nas presidenciais de 2017, e como as sondagens anunciam já uma segunda volta entre Sarkozy e Marine le Pen, a esquerda irá decidir a favor do primeiro, como já aconteceu no passado na votação entre Chirac e Jean-Marie le Pen. O patifezinho Sarkozy, mesmo sabendo bem que os votos da esquerda lhe serão necessários para ser eleito presidente em 2017, portou-se nestas eleições regionais como o canalha que é. No fim, ganhou-as (7-5), porque na região parisiense parte da extrema-direita votou republicano na segunda volta, permitindo uma vitória muito suada da direita na região que desempatou.

6 comentários a “O patifezinho Sarkozy”

  1. Os emigrantes portugueses na França preferem a esquerda, em portugal preferem a direita.
    Nós somos nós, e quem não precisa de emigrar entretém-se por cá a coçar a sarna.

  2. Tem piada ver pessoas que criticaram Cavaco por ter imposto condições que excluíam a extrema-esquerda a louvar a reedição do “cordão sanitário” em França…

  3. Com tantos votos cedidos pela extrema direita, de onde vieram os 700 mil votos a mais que FN teve entre a 1ª e 2ª volta?

  4. Ilusões sobre a França? Sem consultar livros de História (e para que serve a História? perguntava o militante PPD), em 1813 chegava a Paris o czar Alexandre a correr atrás de Napoleão; em 1870 Bismarck chegava a Paris,perdida que foi a guerra com a Prússia, em 1915 os Alemães chegam a Paris causando a perdição de Mata-Hari, ansiosa por sentir o vigor tedesco, em 1942 Paris acordou com os Alemães lá instalados, a blitz-kryeg é que não dormia, and so on… Uma Nação destas tem de ser avaliada com cuidado. As fanfarronadas e dislates não podem ser sub-avaliadas. E uma nota de humor: aquele deputado da oposição a De Gaulle (…)que chamava `à minúscula bomba atómica que o general conseguiu para a sua force de frappe, sa bombinette…

  5. Antonio Cristovao, não foram 700 mil votos a mais para o FN na segunda volta, mas sim 800 mil. No entanto, em certas regiões o FN desceu, como na parisiense (Ile de France), onde o FN desceu 60 mil votos da primeira volta para a segunda. Ora foi exactamente essa a diferença de votos que deu a vitória à direita de Sarkozy sobre os socialistas.

    Marco, a extrema-esquerda portuguesa será anti-UE, mas não é xenófoba, racista e fascista como o FN.

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