O cúmulo do descaramento

Na sua acusação do processo contra Sócrates, o Ministério Público tem o descaramento de fazer 34 referências a “informações” do Correio da Manhã, o cano de esgoto tipográfico que desde sempre julgámos ser o órgão de divulgação das “informações” provenientes do Ministério Público.

Perante isto, torna-se urgente apurar se o Correio da Manhã é realmente a cloaca do Ministério Público, como se pensava até agora, ou se afinal é o Ministério Público que é a esterqueira do Correio da Manhã.

 

32 comentários a “O cúmulo do descaramento”

  1. Esta estória tem 4 protagonistas básicos: o Génio do Crime, a mãe do Génio do Crime (que há quem diga que é ele próprio disfarçado, na boa tradição hitchcockiana, até porque nunca foram vistos os dois ao mesmo tempo), o Trouxa Máximo (sempre visto em sombra chinesa) e o Primo Parvo (sempre visto de olhar vago e lábio inferior pendente).

    Para melhor se perceber a arte de sepultar suposições por provar debaixo de montes de queijos, barras, sacos de Tio Patinhas e desenhos animados, repare-se na frase-chave (meu itálico) perdida no meio da orgia de esquemas estatísticos:
    http://observador.pt/2017/10/14/a-conta-de-socrates-na-cgd-7-graficos-que-mostram-onde-e-quanto-gastou-e-quem-lhe-deu-dinheiro/

    «Segundo a acusação, o dinheiro obtido pela mãe de José Sócrates veio de Carlos Santos Silva, que lhe comprou o andar da Rua Braancamp, em Lisboa, por 600 mil euros, “concluindo um plano já anteriormente iniciado” e que consistia em usar o dinheiro depositado na Suíça em nome de Santos Silva para a compra do imóvel. Desta forma, os arguidos conseguiram colocar, de modo justificado, ao longo de 2012, um total de €600.000,00 na esfera de Maria Adelaide Monteiro, de forma a facilitar a transferência de fundos da esfera desta para a conta do arguido José Sócrates, operações estas sempre justificáveis por serem realizadas entre mãe e filho.”»

    Leia segunda vez quem não captar a subtileza à primeira. Eu dou uma ajuda: o dinheiro (600.000 euros) com que o Trouxa comprava andares à Mãe do Génio do Crime não era dele, era do próprio Génio. Os andares ficavam a ser do Trouxa, conforme as escrituras, mas os dinheiros com que eles eram pagos eram do Génio. Por outra palavras, a melhor forma que o Génio arranjou para ir embolsando devagarinho os seus milhões corruptos foi ir oferecendo andares ao Trouxa. Às tantas, as mentes simples podem pensar assim: «bom, mas se aquele dinheiro era de facto do Génio do Crime, não teria sido mais simples embolsá-lo de uma vez em notas ou metais sonantes, em tempo oportuno, e meter tudo no colchão? não seria mais prático e seguro do que ter as suas dezenas de milhões en nome de um amigo pobretanas, sem qualquer garantia do que lhes aconteceria em caso de falecimento (ou mudança de humor) do amigo?».

    Porque a novidade mais interessante que parece que emerge da acusação é que a disposição testamentária do Trouxa que, segundo as confusas alegações do Correio da Manha, teria existido, segundo as quais o dinheiro em caso de falecimento reverteria para um segundo testa de ferro, o Primo Parvo — coisa que de facto daria muito que pensar — afinal é falsa! O que existiu, durante um curto espaço de tempo, foi uma fundação, extinta em 2008 (!), que tinha sido do Trouxa e do pai do Primo Parvo, cujos escassos milhões tinham a ver com os negócios de terrenos angolanos em que ambos foram sócios e previa precaucionariamente hipóteses de falecimento, como é vulgaríssimo fazer-se em contratos desse tipo, em que existem dinheiros comuns de vários sócios.

    Por outras palavras, é mesmo verdade: a acusação confirma que o plano genial não continha disposições precaucionárias dos humores, doenças súbitas ou acidentes do Trouxa testa de ferro que colecionava andares oferecidos. É esta uma das conclusões de uma acusação que se recusa a acreditar que os amigos são para as ocasiões.

    Genial, não é?…

  2. Para evitar mais perplexidades aos perplexos, note-se que o apartamento da Braancamp referido acima não é o que Sócrates comprou em 1998 e depois teve de vender em 2015 (o comprador foi um advogado paquistanês), depois de hipotecas sucessivas e de se ter visto arruinado e embastilhado à margem da lei (talvez por lettre de cachet de sabe-se lá quem interessado em agitar as águas do congresso do PS para evitar a grande catástrofe que começava a perspectivar-se?).

    Nada disso. Esta compra, segundo a Acusação do MP ora parida depois de prolongada gravidez, foi uma OFERTA de Sócrates, através da sua mãe, a Santos Silva, uma vez que comprada pelo amigo com o seu dinheiro. Diz respeito a outro apartamento no mesmo edifício, propriedade da mãe que o vendeu em 2012 por 600 mil euros ao dito Carlos Santos Silva, conforme noticiado pelo Público em 11 de Agosto de 2015:
    https://www.publico.pt/2015/08/11/sociedade/noticia/jose-socrates-vendeu-apartamento-que-tinha-no-centro-de-lisboa-1704672

    Se bem me lembro, havia um ilustre magistrado do Ministério Público, valente caçador de javalis à distãncia e progenitor de todo um escol de não menos ilustres magistrados, que gostava de escrever romances com títulos como «O Amor em Armas» e «Estórias Bem Caçadas». Pelos vistos, não foi o único…

  3. Não, Júlio !
    O CÚMULO é mesmo a capa de hoje do esgoto a céu-aberto !
    Fava tenta negociar confissão … mas MP recusou delação premiada !
    http://www.jornaiserevistas.com/capa/8/correio-da-manha

    Pois é, leram bem, leram.
    Primeiro acredite quem quiser que uma mãe arriscasse a perder para sempre o amor dos seus filhos ao apunhalar de forma cobarde o pai deles (e ainda por cima depois de todas as provas que deu até hoje em sentido contrário), e depois …
    … e muito mais importante,
    … Acredite quem quiser que se o MP alguma vez tivesse tido a hipótese de comer desse prato o tivesse alguma vez recusado ! veja-se o trabalho ano qual se deram para trazer cá para testemunhar um bandido angolano …

    A tradução da capa do esgoto a céu-aberto para a realidade objectiva é esta:
    MP tenta negociar confissão de Fava … mas a Sofia mandou-os todos à Fava !

    PS: pelos vistos o Dâmaso e o Octávio não conseguem melhor que isto depois da entrevista provocatória de Sócrates; isto e o rabisco alegadamente desenhado pelo Ricardo Salgado — giras como o caraças aquelas partes ilegíveis.

  4. o melhor do rabisco é mostrar que salgado tinha dificuldades aritméticas:

    55m = (2 x 7,5) + (1 x 10) + (2×20)

  5. nã… aquilo são visões do médium de braga e do tarólogo teixeira quando saiu o joker salgado e resolveram fazer um boneco para partilhar com o povo que lê o sol.

  6. Ó ilegível …
    … tens razão pá, eu nem verifiquei as contas … deve ser o meu lado Guterriano !
    … mas sendo assim, está encontrada a razão pela qual o tio Ricardo levou o BES e o GES à falência – não sabia fazer as contas !

  7. É. É um golpe de génio. Possuidor de fortuna de dezenas de milhões não encontra melhor maneira de chegar ao seu dinheiro do que vender o património a si próprio, arcando com os impostos correspondentes e perdendo a sua titularidade e benefício.
    A acusação é ridícula. E quem não vê isso é ridículo .

  8. pelo algoritmo das provas directas carreadas ao marquês dá para avaliar a ilegibilidade das provas indirectas e o sucksexo dos mandantes do processo.

  9. Yo …
    Tás armado agora em fino, ou quê ?
    Os 55 M são para decompor na chaveta de 3 parcelas … a conta das 3 parcelas está errada pá !
    Os 10 milhões que estão em baixo são para outro “ilegível”. Não fazem parte dos 55 de cima.
    Mas que cena mais triste, f…
    E é este papelucho que vai ser uma das “provas mais essenciais da acusação” ?
    Há-de ser linda a malandrice que o tio Ricardo vai poder fazer com este papelucho de mercearia no tribunal, sobretudo naquela parte dos “ilegíveis”.
    Mas, f… ainda bem que o jornal SOL meteu esta merda na 1ª página AGORA. Já não vão poder corrigir a prova em tribunal. Passou a ser pública.
    E por aqui dá para começar a avaliar a “força da prova carreada para os autos”.

  10. poizé, oh burra do caralho. o total são 75 M e 55M não dá para pagar 65 aos de cima e + 10 ao ilegível de baixo.

  11. … de que os “ilegíveis” só o são na capa do SOL por conveniência …

    Vamos agora a um supor.
    A sigla PT só figura abaixo dos 55 (?)M e não figura no ilegível de baixo.
    Qual é a prova de que o ilegível de baixo recebe por conta da P.T. e não por conta doutra coisa qualquer ?

    2 x 7,5 + 1 x 10 + 2×20 = 5 parcelas … + … o ilegível de baixo = 6
    Como é que só há 3 suspeitos de terem sido corrompidos ? quem é a outra malta e porque não foi acusada ?

  12. não é nada , o ilegível de baixo já tinha recebido 10 noutra altura e atão é para diminuir dos 65.. são cáculos que misturam física quantica e álgebra abstrata :)

  13. Os ilegíveis são os nomes das “off-shores”.
    O Sol está a brincar aos mapas do tesouro com os leitores.
    Está visto que este é um do “Panama Papers”.
    Agora já só falta o Expresso ganhar coragem e começar a publicar um todas as semanas na capa.
    Podia ser que assim finalmente aumentasse as tiragens e evitasse a inevitável falência … economico-financeira … porque da moral já não vai a tempo.

  14. “Acredito que haja uma organização terrorista que esteja premeditadamente e organizadamente a incendiar o nosso país, é uma forma de criar instabilidade” – Marta Soares

    Se calhar é o partido dele e o daquela gaja que foi eleita vereadora.

  15. “Portugal está a arder! Basta de discursos e boas intenções! É imperioso apurar responsabilidades e agir” – Jorge Ortiga no twitter

  16. Mocinhos: não me incomoda nadinha que o emérito vadio sob vários disfarces, a Jasmim e o Lucas Galuxo sejam, como sempre, a parte + activa do patetismo-a-dar-para-a-burrice que eflui das vossas pobres monas (olha quem!) mas já me aflige que alguém tenha o azar de vos ler e que, por não ter a merda de 1 euro para comprar o jornal, permaneça na mais absoluta escuridão. Trata-se de um longo artigo da Felícia Cabrita sobre a exactidão dos fluxos financeiros indiciados no post-it e que foram parar aos bolsos dos tipos da PT, e as parcelas devem ler-se assim:

    «O documento – um apontamento rascunhado por Salgado
    num pequeno papel dirigido a
    Amílcar Morais Pires, seu braço direito na gestão do BES –
    tem a indicação de «55 M» (55
    milhões de euros), que são depois repartidos por três retângulos: um onde aparece escrito «2×7,5», outro onde se lê «1×10»
    e o último onde está «2×20». Ao
    fundo do papel aparece ainda,
    manuscrita pelo banqueiro, a referência «+ 10» – o que, somado
    à verba inicial, totaliza 65 milhões de euros, que é precisamente o resultado da soma das
    quantias inscritas nos três
    retângulos.»

    Sol, 14.10.2017, pp. 7-11.

  17. a aritmética ofereceu-se para delação premiada,
    pelos vistos é preciso alguém voltar a perguntar-te se pensas que estás a falar com a tua mãe?

  18. Estão desesperados a tentar descredibilizar a acusação e não estão a conseguir.
    Têm é de justificar o enriquecimento ilícito, só isso.
    (como não tÊm justificação tentam denegrir o trabalho dos procuradores)

  19. poizé, uma chatice. quem acusa tem de apresentar provas e aquilo que é conhecido não dá para julgamento. a descredibilização está na apresentação do processo, fezadas muitas, provas nada e crimes supositórios. não há vaselina que valha ao róró para 4.000 páginas, sempre pode partilhar com o calex.

  20. … essa é a tua interpretação (ou a da Cabrita, ou do Rórró & companhia), não quer dizer que seja a verdade.
    Vais ver que o Tio Ricardo tem outra explicação, o que não é difícil, até porque como aqui vês o enigma tem várias soluções … incluindo a da aritmética errada.

  21. O engraçado é o estribilho encantatório, por parte de quem não está a perceber patavina de nada, mas se inspira na maravilhosa Felícia: «vejam como os números rabiscados coincidem com os alegados subornos!»…

    Mas vai-se ver e, quando muito, segundo dizem, o rectângulo dos 2 x 7,5 poderia concidir com uns alegados 15 milhões em 2 fatias do Zeinal Bava, mas então e o resto? Que mais números, para além da correcção ou incorrecção aritmetica, é que coincidem com alguma coisa? Mais nada concide com coisa nenhuma?

    Não andará ainda a jornalista sob os efeitos traumáticos que lhe causou o contacto directo com o estripador de Lisboa?

  22. Ó Meirelles, compra a merda do jornal e tem pena de ti também (melhor: se quiseres deixa por aqui um mail que far-te-ão chegar o .pdf à borla, que para lá da minha filantropia alguma outra alma piedosa existirá no Aspirina B).

    Mas quero que saiba que aqui há dias pensei em ti, pelo que não leves a mal o que então pensei pois que, há muito, te tirei a pinta por cada vez que somos confrontados com as toneladas de animadas parvoíces que por aqui vais depositando sobre o trabalho do MP e o das jornalistas que se interessaram pela Operação Marquês desde o princípio (aliás, ainda estarás esticado no caixão e, mesmo assim, não deixarás de soprar com a cena do estripador, que é um linda forma de bater a bota!). Felizmente poucos convences, digo-te, para além dos poucos “corajosos” que vão exibindo por aqui a sua incompetência e má figura.

    ________

    Começo por assinalar finalmente a presença neste alegre cantinho de mais dois “corajosos” de nome Joaquim Camacho e imagine-se do Meirelles que se dava por desaparecido em combate, mas, lá está!, aparecerem assim sem avisar e quando o sol nasceu e voltou a nascer não abona muito nem pouco sobre suas excelências: “corajosos” são como muitas vezes acontece, mas da categoria dos cobardes.

    Cheers!

  23. Ó jpferra não sejas parvo mais uma vez e, se quiseres ter graça, diz antes alguma coisa que tenha uma relação politica directa com a tal incompetência dos “corajosos” do Aspirina B e a que penosamente vamos assistindo por estes dias.

    – Só canastrões, eu é que sou a ministra da Administração Interna.

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