Mau e bom terrorismo islâmico?

O conceito elástico e paranóide de “ofensa ao islão”, invocado por psicopatas terroristas para matar humoristas, é usado pelas autoridades da teocracia saudita, aliada do Ocidente, para aplicar sentenças terroristas a quem questione o papel da religião islâmica ‒ tal como essas autoridades a entendem ‒ na condução da vida pública e privada. As 1000 chicotadas a que o blogger Raif Badawi foi condenado, em prestações de 50, todas as sextas-feiras durante 20 semanas, são apenas o exemplo mais recente dessa barbaridade institucionalizada. Uma sinistra paródia de justiça, em que o advogado de Raif foi condenado a 15 anos de prisão por o ter defendido! Parece que, privadamente, tudo isto incomoda algumas autoridades ocidentais. Onde estão as condenações oficiais, sem ambiguidades nem condescendências políticas, de tal terrorismo? Haverá um terrorismo mau e um terrorismo bom ou, pelo menos, desculpável?

Uma boa notícia é que a Assembleia da República, por proposta do Bloco de Esquerda, aprovou hoje por unanimidade um apelo à libertação de Raif Badawi. Outra é que as autoridades da Arábia Saudita, parece que preocupadas com as suas public relations, suspenderam as chicotadas de hoje por uma semana, por “razões médicas”. Quer isto dizer que quando Raif estiver de saúde, ficará novamente pronto para ficar sem ela.

O ancestral “crê ou morres” é literalmente lei na Arábia Saudita. Uma Santa Inquisição de keffiyeh chamada Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício encarrega-se de denunciar qualquer aparência de contestação ou desobediência aos líderes religiosos, que depois é punida em moldes medievais. Dizem muitos que o islão autêntico é uma religião pacífica e tolerante, que condena o assassinato de inocentes, etc. Mas onde é que está no mapa-mundo real esse islão fiel ao preceito do Corão segundo o qual “A religião não é imposição, porque a verdadeira via se torna claramente distinta do erro. Aquele que rejeita falsas divindades e abraça a crença em Deus fica firmemente ligado a ela para sempre. E Deus tudo ouve e tudo sabe” (versículo 2:256)? Como é que este preceito se conjuga com a existente condenação à morte por “renúncia à fé”, numa antecipação terrena do fogo do inferno em que os descrentes terão de penar? Será que esse preceito é abrogado por muitos outros versículos do Corão que preconizam a jihad contra os infiéis? E que autoridade infalível sabe apontar o que é o “erro”, do ponto de vista da religião, em todas as questões públicas e privadas?

16 thoughts on “Mau e bom terrorismo islâmico?”

  1. Sabemos como o Islão chibateia,corta mãos,apedreja mulheres adúlteras e mata e aterroriza inocentes, não se discute. Nem se discute que Mr. Nataniau matou 2.500 palestianos, só em Agosto de 2014, a grande maioria mulheres e crianças, tão inocentes como as vítimas de Paris. Nenhum destes acontecimentos tem justificação, é obra de …, classifica-os tu!!! Não tenhas medo!

  2. O mundo Ocidental hipócrita desfilou em Paris a favor de Charlie, mas esquece, com toda a facilidade, tudo aquilo que o Júlio acaba de apontar. Aqueles políticos de Paris bem pode ir lamber as botas e o resto aos sauditas amigos do ocidente. Estou a ver se fosse um francês, por exemplo um cartonista do Charlie, a alombar com as mil chibatadas. Iam deixar de comprar petróleo saudita? Não!!! Possivelmente até iam dizer que o cartonista não tinha nada que insultar Maomé. Estou a justificar os assassinos? Não!!! Estou a denunciar os hipócritas!

  3. esse caminho que segues não me parece nem certo nem adequado, Júlio. Lembras-te da Rita, primeiros resquícios de religiosidade no mundo muito lá atrás na pedra lascada, a Deusa mãe da terra e da natureza? e o que é que o Homem fez à natureza e à terra? a resposta está aí toda.

  4. E o que esta senhora andará a fumar? SG Gigante não é de certeza. Estes comentários começam a estar pelas ruas da amargura. Um escreve em esperanto ou lá o que é. Esta última expressa-se por enigmas. Não há c* que aguente.

  5. As chibatadas quando ficam entre eles, eles que se desemerdem.

    Eles têm as leis deles que se entendam à maneira deles, pqp.

    Mas quererem trazer as leis deles com veus, grinaldas e burkas para uma França francesa?

    A França usar apenas estes mosqueteiros de lapis na mão numa luta medieval, numa era em q

  6. Claro que Teixeira da Mota põe bem o assunto colocando-o no plano do pensamento.
    Mas com certeza, mesmo antes de ser um problema do pensamento foi, é, um problema das ideias.
    À Ideia de bem absoluto de Platão os religiosos, a partir do cristianismo, chamaram Deus; precisamente todos os deuses, existentes e mortos, não passam ou passaram de uma ideia. Ideia até variável segundo cada época antropológica.
    E o erro original que nos impõem à nascença é essa do conceito de “blasfémia”; mas qual blasfémia qual carapuça quando estamos criticando, ridicularizando, apoiando ou desprezando simplesmente uma ideia que imaginamos representar algo que outros dizem, e querem impor, como sagrado?
    Querem fazer-nos crer que praticamos blasfémia quando insultamos a ideia de deus mas se for a ideia de diabo já não assim como ninguém se insurge se se gozar com a ideia de atributos como o “absoluto”, “o infinito”, “o imóvel” “o omnipotente”, “o omnipresente”, “o omnisciente” ou outros atributos que nunca ninguém jamais viu ou sentiu que justifique a presença ou existência de um deus.
    Portanto, a crítica religiosa é, especialmente desde o racionalismo grego, uma crítica das ideias e é nesse plano que o devemos entender; a única sagração que existe é a natureza que nos proporcionou a capacidade de ter ideias e submetê-las à racionalização.
    A “blasfémia” é outra ideia, tal como a de “deus” que a imaginação do homem inventou para obter, assegurar, manter e engrandecer um poder de grupo.
    A “blasfémia” um dia será um arcaísmo tal como os deuses do olimpo.

  7. estarei, portanto, perante algumas pessoas de pensamento e de ideias tão básicas que não conseguem estabelecer a ponte entre a destruição do planeta – o Deus mais primitivo – com a destruição de uma essência religiosa, boa, pelo terrorismo, pela mão do Homem e que compromete a liberdade. está bem. viva a inteligência! :-)

  8. A religião e outras crenças largamente divulgadas foram desde sempre utilizadas para jogos de poder. O Império Romano adotou o Cristianismo, o Império Soviético adotou o comunismo…
    A fé e o império andam sempre juntos…

  9. “A blasfémia um dia será um arcaísmo tal como os deuses do Olímpo”! Definitivo. Deixo o Olimpo apenas porque é claramente metafórico e nada mais!

  10. é só charlies fanaticos pela ofensa como terroristas fanaticos pelo diabo, resumindo o seu verdadeiro pendor atrás da liberdade de expressão. São estes que decidem a democracia e aqueles que decidem o terror. hum, num maptece falarre cum intalactuaize da treta, gandas malucus.

  11. Só com unhas e dentes é que a Europa se pode desenrascar deste abraço afro-arabe maometano.

    Porque estes paninhos quentes de certos jornalismos pseudo-doutrinários, pseudo-intelectuais, por muito boas intenções que tenham. não chegam a lado nenhum.

    Falar em liberdades jornalísticas quando se aplica apenas a um lado, não passa de conversa fiada.

  12. julio,os chalies que saltem para cima dos gajos que mandaram dar o 1000 chicotadas. o maomé se existiu,já foi à vida há muito tempo!deixem o gajo em paz!

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