Indigência messiânica

Rui Rio, o eterno Messias nortenho, deu anteontem uma conferência. Nela declarou que o actual “regime está desgastado” e por isso são necessárias “reformas que lhe dêem uma revitalização”, tendo afirmado simpatizar com a proposta que o PSD apresentou esta semana relativamente à introdução do voto preferencial.

“Se os dois grandes partidos, acrescidos preferencialmente também dos mais pequenos e da sociedade como um todo, não se conseguirem entender para introduzir reformas no regime, se deixarmos as coisas correrem num ‘laissez faire laissez passer’, o que é vai acontecer? Na minha opinião caminharemos para uma ditadura”, alertou.

Segundo Rio, não se trata de “uma ditadura clássica”, onde há “um general, um marechal ou um coronel ou um professor de Coimbra” a mandar, mas esta passa pelo “enfraquecimento da democracia”, onde “o tal poder político é mais fraco e sempre que tem um outro interesse pela frente, sucumbe perante ele”.

“O ditador é aquele que se vai sobrepor à vontade dos órgãos legitimamente eleitos. Hoje é um, amanhã é outro e são esporádicos. É um totalitarismo diferente, sem rosto, não há ninguém em concreto”, esclareceu.

Rio avisa, por isso, que “não é possível dar um tiro num ditador e restabelecer a democracia no dia seguinte”, mas trata-se de “um funcionamento inquinado que não permite aos órgãos legitimamente eleitos cumprirem integralmente aquilo que devem fazer”.

Resumindo: ou os partidos grandes e pequenos mais a sociedade como um todo se juntam para fazer as reformas que o PSD propõe (e outras que RR tem na manga*) para se revitalizar o regime, ou caminhamos para uma ditadura, para um totalitarismo sem rosto, caracterizado 1) por ditadores esporádicos, hoje um amanhã outro, que se sobrepõem aos órgãos legitimamente eleitos, e 2) por um poder político mais fraco, que sucumbe perante qualquer interesse que lhe apareça pela frente.

Genial. Merece um doutoramento honoris causa em Ciência Política.

* Revelou uma: as eleições legislativas, as autárquicas e até as europeias (!?) deviam ser de 5 em 5 anos, porque actualmente “quem está no exercício do poder está sempre muito em cima dos ciclos eleitorais”.

 

3 comentários a “Indigência messiânica”

  1. “quem está no exercício do poder está sempre muito em cima dos ciclos eleitorais”.

    eh eh eh eh, imagina se não estivessem.

  2. Na opinião deste “inteligente” Rio quem governar com maioria na A.R. é um ditador!?!
    A democracia tem aviltada por alguns arrivistas que trepam à base da mentira progra-
    mada e dolosa! Onde é que os políticos eleitos recebem os seus eleitores? Será que os
    eleitores se sentem respeitados e ouvidos? O que faz mal à democracia é ver o compor-
    tamento acéfalo de algumas bancadas no Parlamento em que se nota serem os depu-
    tados meros paus mandados dos “chefes” de fila ou patrões dos partidos!!!

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