Desmistificando

Quando as coisas correm bem, aparecem o PSD e o CDS e dizem que isso se deve a eles, quando as coisas correm mal, é culpa deste governo. Ora Assunção Cristas devia ser a última pessoa a apresentar uma moção de censura motivada pelos incêndios, pois foi ministra da Agricultura durante quatro anos no último governo e não se notabilizou por ter tomado quaisquer medidas eficazes nessa área, muito pelo contrário (Constança Cunha e Sá hoje, na TVI, às 21h 30).

 

4 comentários a “Desmistificando”

  1. O ,dizem,diminuído António Costa devia dar uma lição a Marcelo que serviria de orientação para o resto da vida deste. Apresentava a demissão e obrigava Marcelo a convocar eleições gerais. Seria o susto da vida marcélica… Porém, como todas as dificuldades criadas mais não fazem que aumentar a união da geringonça… a direita terá que arranjar 1050 fogos num dia,discurso do Presidente e moção de desconfiança no dia seguinte mais um aparecimento de armas sofisticadíssimas num paúl da Chamusca… para que a geringonça se mantenha anos e anos a fio,levando Portugal ao lugar que merece!

  2. desmitificando o 25 de abril : o que aconteceu ao Pinhal , 700 anos de história , uma herança Inestimável ,
    pode muito bem simbolizar os resultados práticos da “revoluçao dos cravos”.

    nos livros , daqui por 300 anos , podem ilustrar o miserável capítulo dedicado à democracia corruptiva e desleixada com uma foto da chacina das árvores.

  3. O país realmente parece cada vez mais um clube de futebol. Como é que é possível um PM passar de bestial a besta num fim-de-semana? Como é que é possível Costa capitular politicamente perante o cadáver de um grupo parlamentar? Claro que para a canalhada que ajudou a vender e a desgovernar o país nos anos da Troika era óptimo arrastar também o actual PM para a cova. Mas vamos ao que interessa e não se falou só de incêndios ontem na AR. Não é verdade que a legitimidade deste Governo assenta exclusivamente no Parlamento. A verdade é que depois das últimas eleições os pafiosos ressabiados foram os primeiros convidados a formar governo. Acontece que nunca conseguiram reunir a maioria de deputados porque os portugueses não estiveram para aí virados. Porque não foi essa vontade que os eleitores portugueses deixaram bem expresso nas urnas. E não saiu mais verdade nenhuma das últimas eleições para o Parlamento. Em última análise o PS até foi o partido com mais votos. E acontece que conseguiu um acordo parlamentar com a maioria de deputados que os pafiosos não conseguiram. Esta é que é a verdadeira razão para o PS liderar hoje o Governo. Segundo a vontade dos eleitores portugueses!

    E agora sim, os incêndios. Tema para o qual esperei por dados mais definitivos. Sendo Portugal um dos poucos países em que a maior parte da floresta é privada, ainda recordo bem como se chegou a dizer em Agosto que Pedrógão nunca acontecia na floresta privada muito bem equipada. Façam então o favor de ver agora os números finais de área ardida. Para sermos claros, se há área em que o Governo falhou clamorosamente no último fim-de-semana foi na Comunicação! Nem admito a Governo nenhum que venha dizer que o Estado falhou. Porque o Estado somos nós todos! Sempre! Não é só quando dá jeito! Inércia na comunicação que já tinha acontecido aliás no Governo, também socialista, que a bem dizer viu rebentar-lhe a crise das dívidas soberanas nas mãos. Em suma, eu não acredito que a tragédia de que todos falamos hoje, fosse muito diferente fosse quem fosse o Governo. Já com chuva. E sobretudo um Governo que se especializou em cortes cegos. E para quem a Administração Pública está sempre a mais. Basta aliás atentar ao que se passa todos os anos com os nadadores salvadores nas praias concessionadas sempre que o verão se estende mais um bocado.

    Há pois que falar nas verdadeiras responsabilidades de cada um. UE inclusive. E sobretudo os portugueses dizerem todos que Portugal querem! Eu não acredito num país sem SNS ou Ensino Público de Excelência. Como hoje também não acredito num país sem Telecomunicações ou Energias. Até por uma questão de regulação, completamente impossível de outra forma. Finalmente e sobre o combate aos incêndios uma nota final. A maioria dos portugueses ao longo da vida precisa tanto de um bom corpo de bombeiros como de um bom corpo de polícias. Todos profissionais.

  4. P,

    Pois. Mas não caia na ilusão de acreditar que no estado em que as coisas estão possa ser mais profissionalismo dos bombeiros a chave do problema. Na verdade se olhar bem para a quantidade de ignições que são extintas em ataque inicial, quase não faz sentido supor que há falta de capacidade do dispositivo instalado, pelo contrário.
    Por outro lado há responsabilidades nestas situações de que ninguém fala. Desde logo das autarquias, que, estando no terreno, convivem pacificamente com situações que têm tudo para correr mal. Dou-lhe um exemplo: na entrada de Monchique existem duas estações de combustivel literalmente rodeadas por silvados, eucaliptal, e até dois depósitos de cortiça de grandes dimensões. Se um dia acontece algo ali também vamos “chutar para cima” e dizer que há responsabilidades do “Estado” como se a Autarquia fosse alheia á gestão directa da situação ?
    Outra das responsabilidades nesta matéria raramente referida é da EDP- Distribuição. Há kilómetros de cabos submersos em vegetação, que “descarnam” facilmente quando estão ressequidos, bastando para isso o roçar constante de uma ramo agitado pelo vento. Inúmeras ignições acontecem assim, e muitos dos misteriosos fogos nocturnos podem ser explicados por este fenómenos. Também aqui a culpa é do “Estado” em abstracto?

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