Achincalhar o governo legítimo

A 10 de Novembro, em pleno Parlamento, o ainda vice-primeiro ministro Portas chamou por duas vezes “geringonça” ao alegado “governo ilegítimo” que António Costa se preparava para formar, insinuando que tal governo, além de desengonçado, iria ficar refém dos comunistas e trazer perturbação aos mercados – o fim do mundo em cuecas… de renda.

Carlos César respondeu bem a essa tentativa de ilegalizar um governo democrático em formação, metendo o Paulinho na ordem. O insulto chocarreiro da “geringonça”, porém, ficou sem resposta, talvez por César não desejar fazer descer o debate parlamentar ao nível da taberna do Caldas. Desde então, o termo “geringonça”, com selo da sacristia democrata-cristã, caiu no goto do bando de arruaceiros laranjas, que agora o usam habitualmente em sessões da Assembleia da República – hoje mesmo – para se referirem com grosseria ao governo legítimo de Portugal, legitimado por uma maioria parlamentar eleita há dois meses. Não se trata já de qualificar, embora em linguagem de tasca, um governo ainda em gestação, mas sim de ofender, em pleno Parlamento, a dignidade de um órgão de soberania democrático em função – e, de resto, ali representado pessoalmente diante do plenário.

Para lhes responder no mesmo tom não seria necessário puxar muito pela imaginação. O gosto fascistóide pelo achincalhamento dos órgãos de soberania democrática não deveria, porém, extravasar das hostes da direita onde nasceu, pois interessa aos democratas em geral e à esquerda em particular dignificar a sede da democracia, sobretudo quando esta é questionada com argumentos direitistas de “legitimidade” avariada. Ora alguns deputados socialistas, bloquistas e comunistas usaram já o termo “geringonça” para se referirem a vários abortos paridos pela cambada que governou o país de 2011 a 2015. Não se compara esta devolução indirecta do termo com o insulto dirigido ao actual governo enquanto tal, mas não lhes gabo o gosto. Em particular, os deputados socialistas deveriam, sim, exigir da mesa da presidência da AR, se ela precisar que lho lembrem, o respeito devido pelos deputados a um órgão de soberania. Para chamar malandros e cagalhões à corja de direita que nos desgovernou estamos cá nós, que não fomos eleitos.

10 comentários a “Achincalhar o governo legítimo”

  1. é a renda. cruzamento sucessivo de fios, poesia matemática, até aparecer um desenho pelas mãos das rendilheiras . isto é coisa linda.

    malandros e cagalhões, sim, ah!, sim!, é outra coisa e a coisa certa.n :-)

  2. O Paulo das feiras e romarias é especialista em “bocas” e, agarrou a
    coisa no ar fazendo uso da mesma, dado não ter capacidade para ser
    um criador mas, esperto é ele ! Sempre soube aproveitar-se do trabalho
    alheio para dar ares de ter feito algo de útil para o País, foi um fartar
    vilanagem nas voltas ao mundo a acompanhar os nossos empresários
    com os negócios já tratados e, zás lá aparecia a “melga” para a foto das
    assinaturas dos contratos!
    Os visados nas “bocas” devem guardar os vídeos com os “artistas” para
    em tempos de antena ou ocasiões próprias os mostrarem aos portugue-
    ses a competência e respeito que, os populistas mostram pelos Orgãos
    de Soberania do País e acima de tudo, como são broncos!!!

  3. se lhes devolverem a geringonça em 1/2 dúzia de intervenções parlamentares, à semelhança do que fizeram com a treta do governo ilegítimo e minoritário, os gajos baixam a bola, saem a ganir e a rosnar que é linguagem imprópria.

  4. 1 – Costa é o responsável pela inclusão da extrema-esquerda no arco da governação – dificilmente daí advirá qualquer mérito.
    2 – Como tem sido dito, será um governo profundamente anti-reformista.
    Entregar os transportes de Lisboa e Porto à péssima gestão e greves do PCP.
    Bloquear uma solução para a TAP e condená-la a uma reestruturação ou até a uma insolvência.
    Enfim, atirar o dinheiro público para a fogueira dos problemas, sem a menor coragem ou capacidade de os enfrentar.
    3 – Tudo comportamentos gravíssimos, que só podem entusiasmar quem tiver uma uma concepção Castrista, Kirchenista, Chavista ou mesmo Lulista/Dilmista do poder; e hoje já só os negacionistas desconhecem onde é que isso acaba – numa economia estatista, corrupta, totalmente paralisada.
    4 – Costa é o populista latino americano, vigiado pelas instituições europeias – triste sina política, de um medíocre em todo o seu esplendor.

  5. António Costa,mais que as decisões surpreendentes , brilha com a originalidade dessas mesas decisões.

    Enquanto fôr original, seu sucesso é garantido.

    António Costa não tem as qualidades nem os defeitos da maioria dos portugueses.

    Já tivemos alguns portugueses assim na história de Portugal, com ideias diferentes , e fora do comum.

    Uns foram bons para umas coisas, péssimos para outras.

  6. Mostraram bem a todo o país que são pessoas que não receberam educação, são uns casca-grossa, uns taberneiros. Está a prova feita. Julgam eles que, por porem gravata e uns fatinhos â maneira, subindo na vida encostados aos partidos e sustentados pelos dinheiros que roubam aos contribuintes, chega para se julgarem senhores. Vê-se bem de que extracção eles vêm. Muito baixinho e muito feio. Gente desta laia em lugares cimeiros só serve para nos emvergonhar.

  7. Tenho visto uns vídeos do paulinho das feiras ainda muito novinho e solto.
    Era mais engraçadinho assim em modo Cascais e gentil pose de mão.
    Realmente ficou muito casca-grossa e descomposto no falar.

    Melhor para a Maioria PS/BE/PCP e Verdes que agora sabe estar.

    Votos de Bom Ano Novo :
    – que seja por muitos e Bons.

  8. Fina ironia do cronista a propósito do primarismo político português:
    http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/ferreira-fernandes/interior/madrid-confirma-que-costa-e-mesmo-primeiroministro-4946850.html

    Mas parece-me que infelizmente se engana, porque em Portugal muitos ainda não conseguiram perceber completamente. Exemplo aqui:
    http://www.dn.pt/mundo/interior/pp-vence-mas-tem-de-dialogar-para-ter-um-governo-estavel-4946846.html

    «O ex-primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, felicitou ontem Rajoy pela vitória: ‘Espero, sinceramente, que a vontade dos eleitores espanhóis possa ser respeitada e que, nessa medida, possa ser bem-sucedido na formação do novo governo’.»

    É preciso uma paciência…

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