Gente de segunda (versão revista)

Nunca votei no Bloco de Esquerda. Também é verdade que, por razões de documentação (ou deverei dizer de tragédia pessoal), nunca votei em nenhum partido português. Mas sempre arregimentei gente que votasse por mim – e por eles. Algumas vezes no BE, até em Francisco Louçã.

Hoje sei que nunca votarei, nem ninguém votará por mim, em Louçã. Isto, se for verdade o que leio no «DN»de hoje: ter-se ele recusado a cumprimentar o novo Presidente da República. E não creio que o «DN» inventasse isso.

Eu não votei Cavaco Silva. Também ninguém votou nele por mim. O meu – o nosso – candidato foi outro. Mas acontece que Cavaco é desde ontem presidente do meu País.

Que um hoje paisano, como Soares, tenha deixado o Palácio sem ir ao beija-mão, eis o que, achando feio, não me ofende. Mas que representantes do povo não tenham aplaudido, nem mesmo no fim, nem mesmo sentados, nem mesmo visivelmente incomodados, um discurso presidencial, eis o que já acho degradante. Agora que o dirigente-mor de um partido que sempre respeitei, e mesmo admirei, tenha dado prova de tamanha falta de civismo, aí está o que me ofende. Profundamente.

Não só, como dirigente, provou falta de sentido democrático, como demonstou a posteriori a falta do ‘sentido de Estado’ que, como candidato, fazia crer possuir.

[Indevidamente informado pelo «DN» de hoje, incluí, em versão anterior deste post, uma referência a Jerónimo de Sousa. Lamento-o e peço desculpa].

49 comentários a “Gente de segunda (versão revista)”

  1. Está visto que o «DN» o desinforma. Leia o «PUBLICO» e está lá escarrapachada uma fotografia do Jerónimo de Sousa a cumprimentar o presidente eleito. De facto há pasquins que só inventam.

  2. Muito obrigado, Abel Gomes. Do «Público», o ‘meu’ jornal, só leio os títulos, pois teria de pagar para ler mais, e recuso-me a fazê-lo, esperando que – tal como fez «El País» – regressem ao acesso grátis.

    Vou refazer o texto. Para que se compreenda o seu comentário, insiro aqui a primeira versão, que você leu.

    ********

    Nunca votei no Bloco de Esquerda. Nunca votei no Partido Comunista. Também é verdade que, por razões de documentação (ou deverei dizer de tragédia pessoal), nunca votei em nenhum partido português. Mas sempre arregimentei gente que votasse por mim – e por eles. Algumas vezes no BE, até em Francisco Louçã.
    Hoje sei que nunca votarei, nem ninguém votará por mim, em Louçã ou em Jerónimo de Sousa. Isto, se for verdade o que leio no «DN»de hoje: terem-se eles recusado a cumprimentar o novo Presidente da República. E não creio que o «DN» inventasse isso.
    Eu não votei Cavaco Silva. Também ninguém votou nele por mim. O meu – o nosso – candidato foi outro. Mas acontece que Cavaco é desde ontem presidente do meu País.
    Que um hoje paisano, como Soares, tenha deixado o Palácio sem ir ao beija-mão, eis o que, achando feio, não me ofende. Mas que representantes do povo não tenham aplaudido, nem mesmo no fim, nem mesmo sentados, nem mesmo visivelmente incomodados, um discurso presidencial, eis o que já acho degradante. Agora que dois dirigentes-mor de partidos que sempre respeitei, e mesmo admirei, tenham dado prova de tamanha falta de civismo, aí está o que me ofende. Profundamente.
    Não só, como dirigentes, provaram falta de sentido democrático, como demonstaram a posteriori a falta do ‘sentido de Estado’ que, como candidatos, faziam crer possuir.

  3. Não me parece grave que não tenham aplaudido o discurso do Presidente.

    Gravíssimo é terem ficado em silêncio no momento do juramento de posse.

    No primeiro caso podiam estar a por em causa o conteúdo do discurso.

    Mas no segundo, o que fizeram foi insultar as próprias instituições.

  4. Cumprimentar o Sr Presidente da República é uma coisa, concordar com ele é coisa completamente distinta. Se não se concorda respeita-se mas não se aplaude. No entanto deve-se cumprimentar. Assim acho deselegantíssimo que Sua Excelência o ex-Presidente da República com Tiques de Monarca Absolutista, não tenha cumprimentado o seu adversário ganhador, tanto mais que é membro do seu Conselho de Estado, aceito e compreendo a posição de quem, tendo dito do Presidente Cavaco, na campanha, o que Maomé não disse do toucinho, não aplauda o seu discurso de posse, mesmo que, como li por aí, tenha sido um discurso que o Sr Ex-Presidente Sampaio poderia ter lido.

  5. Pedro Almeida: Como eu creio ter dito desde o princípio, um módico de boa educação é necessário para qualquer debate, na AR ou num simples blog; peço-lhe por isso que não use linguagem como a das “palas” se quiser que eu lhe responda; como também creio ter deixado claro desde o princípio, o meu comentário referia-se apenas à questão de os deputados do PCP e do BE não terem aplaudido o discurso, e a nada mais; como escreveu o comentador anterior, “se não se concorda, respeita-se mas não se aplaude”. O confronto democrático deve ficar à vista: as easy as that.

  6. Podes-te gabar, de que fizeste a maior borracheira de que a estupidez lusitana se pode gloriar. Alguns como tu quando contrariados atribuem-no à estupidez e à “incultura” do povo.

    Vocês, com a vossa arrogância, pensam que os outros são uns mentecaptos sublimes no meio de vós que vêm o mundo como ele é. Indícios de desequilíbrio mental no Aspirina B.

  7. Tim,

    Por uma questão de ordem: esse teu «tu» é quem? Quem é que deve sentir-se atingido/ofendido: o António Figueira ou eu?

    [Já que falamos, Tim. Eu apago todas as tuas porcarias pré-fabricadas. Este teu comentário fica, evidentemente. Volta sempre. Assim. Só um pouco mais claro, please].

  8. Não sei se ficou mesmo… Cá a mulher a dias apaga tudo o que vem dos riaposos , sem prestar atenção a eventuais tentativa de sentido em que eles se aventurem. Desculpem lá se dei cabo de um desses irrepetíveis momentos de lucidez.

  9. Hipocrisia. O Fernando Venâncio parece ser um admirador da hipocrisia social. Aprecia mais aquelas pessoas que à frente são todas sorrisos, aplausos, abraços e grandes apertos de mão, e por trás criticam, insultam, caluniam e achincalham os mesmos que antes tão publicamente “acarinham”. Eu prefiro quem é honesto: o aplauso e o aperto de mão mostram concordância e respeito. Se alguém não concorda e não respeita alguém, seja por que razão fôr, e todos têm direito à sua opinião, então prefiro que essa pessoa o demonstre. Ainda para mais sendo político! Prefiro políticos honestos e transparentes a políticos hipócritas e manipuladores. O Fernando Venâncio parece preferir aqueles que efectivamente mentem quando demonstram sentimentos (ex. apreço) que não possuem. Há quem goste de viver na doce ilusão da mentira de que tudo está bem e somos todos porreiros…

  10. O comentário do António Viana deslocou a discussão do plano político para o moral: das virtualidades (para mim) do confronto democrático aberto para as virtudes da franqueza entre os homens. É um debate em que não me aventuro; mas quero deixar de novo claro que aquilo que disse sobre esta questão tinha que ver com os (inexistentes) aplausos e não com os apertos de mão; entrando nessa outra questão, eu diria que quem me pareceu mais sensato em tudo isto foi o Jerónimo de Sousa: soube distinguir o gesto político do gesto social, não aplaudiu mas foi aos cumprimentos; Francisco Louça portou-se de uma maneira mais extremista, e a meu ver mal: mas este é um juízo estético e não político – e um entendimento estético da política, tanto quanto sei, já só é praticado pelo Rodrigo Moita de Deus…

  11. Ah, Viana, você é espectacular. Agora as coisas põem-se no plano da «honestidade». Estamos lindos. Bem é verdade que quem não sabe melhor… moraliza. Mas você vai mais longe: faz-me a radiografia moral.

    Oh homem, que é que você sabe do que eu acho bem? Conhece você lá os hediondos poços em que o meu ser moral se move! Acredite que são de mais para a sua carroça.

    Agora o que você parece não perceber é a palavra «institucional». Que se refere a uma coisa simples: às nossas regras de convivência, aquelas que todos com todos combinámos.

  12. Acho que a boa educação não deve incluir o beija-mão.
    Frases como o “Presidente de todos os portugueses”, o “símbolo da nação”, são, só por si,uma declaração ideológica que só tem que a engolir quem concorda com elas. Quem votou cavaco que o lambuze, a mim basta-me ter que o aturar, porque a maioria dos votantes o elegeu.

  13. Oh Nuno, não exageres: aquilo a que tu chamas o beija-mão é um honesto shake-hands, sem carga erótica nenhuma… (começo a detectar sinais de algum jansenismo em ti: será a frequência de tantos ex-católicos progressistas?)

  14. Nuno,

    Como não se trata de «honestidade», também não se trata de «boa educação». Eu não disse que Louçã foi mal-educado. Foi, mas não foi isso que eu disse. Afirmei que ele como chefe de um partido com lugar na Assembleia, o ‘outro’ poder do Estado, teria, mesmo arrastando-se e fazendo figas, de ir cumprimentar o Presidente.

    De resto, Louçã teria toda a comunicação social a seus pés para uma ‘declaração de voto’: explicava que tinha ido SÓ porque o seu posto a isso o obrigava. Brilhava de novo, e não se falava mais nisso.

    Mas não: revelou apenas… não estar à altura. Havia gente que já sabia. Eu sei agora.

  15. António Figueira,
    Longe de mim realçar a carga erótica entre o Jerónimo e o Cavaco. Mas consegues explicar-me o texto do nosso caro Fernando? Parece-me, ele sim, muito católico: o menino Louçã não foi dar as boas noites ao menino Cavaco, tem que ficar sem a sobremesa,já!
    Acho que esta política que considera a necessidade de cumprimentar as instituições, porque o respeitinho é muito bonito, é um pouco bafienta e um pouco contraditória com a vivacidade e inteligência do Fernando.
    Vamos lá ver, é preciso ter alguma coerência, não se pode dizer toda a semana que o Cavaco é o pior para as pessoas, e a seguir fazer bicha para lhe desejar a melhor sorte para a sua política.
    Eu acho que se o Fernando mandava as pessoas votar no Louçã com base na sua esmerada educação, é melhor não o voltar a fazer, porque é um motivo pífio, para um voto delegado tão sério e importante :))

  16. “Agora o que você parece não perceber é a palavra «institucional». Que se refere a uma coisa simples: às nossas regras de convivência, aquelas que todos com todos combinámos.”

    Em não combinei coisa alguma. O Fernando não fala por mim. Mas tenho pena que haja gente que gosta de “combinar” uns com os outros a hipocrisia social e o faz-de-conta. Se o Fernando se encontra entre estes, então realmente andou muito engando ao julgar que encontraria gente semelhante no BE. O BE não é um partido “rico, giro” para “tias”, que se eacandalizam com a falta de apertos de mão. Daquelas que ficaram escandalizadas quando o Carrilho se recusou a cumprimentar um Carmona de mão estendida “todo-sorrisos-a-pensar-anda-cá-fdp-que-te-quero-tramar”. Caro Fernando, já pensou em aconselhar o voto no CDS-PP? Olhe que lá realmente “toda” a gente concorda consigo em que mais importante que a sinceridade é o respeitinho pelas Instituições, e que os apertos de mão são algo de crucial na políica e da vida em sociedade!…

  17. Nuno:
    Eu não partilho a indignação do Fernando, mas julgo perceber o fundo do seu raciocínio e, até certo ponto, dou-lhe razão: o problema é que a democracia tem duas dimensões, se quiseres, uma substantiva e outra procedural; as pessoas podem estar em desacordo substantivamente mas, se jogam o jogo das instituições, devem aceitar as regras procedurais (passe o galicismo) e as normas de convivência que elas implicam. Em percebo isto: não fiquei indignado, como o Fernando, mas acho que teria sido aconselhável que todos tivessem cumprimentado urbanamente o novo Chefe do Estado. Agora o catolicismo: eu não me estava a referir à religião idólatra das beatas (certamente melhor representada na direita política), mas ao catolicismo “exigente” dos jansenistas, ao catolicismo de “compromisso” da esquerda católica e ex-católica (que sabes melhor do que eu onde é que mora…); referi-as ao de leve e por brincadeira, porque não quero ofender ninguém e porque, não tendo sido abençoado pela fé, me posso permitir isso; mas, porque muito que isso te custe, parece-me que o “rigorismo” moral de que o Francisco Louçã deu (mais uma vez) provas me parece ter um fundo mais religioso do que a indignação do Fernando…

  18. Nuno, quando eu precisar de um advogado – de alguém que diga com clareza aquilo que eu pretendia dizer – aí está o António. Abraço a ambos.

  19. Na minha opinião Louçã deveria ter cumprimentado Cavaco, na minha opinião Louçã não deveria ter utilizado o argumento de que Paulo Portas nunca tinha gerado um filho para falar sobre o aborto.

    No entanto, e na minha opinião também, existem coisas muito mais importantes em que concordo com Louçã. Essa é a razão porque votei nele, essa é a razão porque provavelmente voltarei a votar nele ou no partido onde ele milita.

  20. Ke Giro!… Esta á outra ‘performance’! LOL! … Bem unidos façamos/Nesta Luta final/ Uma terra sem amos/ A Internacional …
    Beijinho! Direitos iguais para os Emigrantes!

  21. Concordo com o que escreveu Fernando Venâncio e estou quase na mesma situação que descreveu. Já votei no BE e não devo voltar tão depressa a fazê-lo, estou a ficar desiludido com o Louçã e seus pares e esta campanha das presidenciais encheram-me o saco.
    Admito, compreendo que não s aplauda o discurso seja de quem for e foi isso que já disse na posta anterior do António Figueira. Agora não se ir apresentar cumprimentos a quem, bem ou mal foi quem foi eleito e passa a partir de agora a ser o Presidente da República e o mais alto representante do País, é não ter fair-play, é estar muito ressabiado e uma posição incompreensível. Se Louçã como deputado achou que não devia ou não deve sequer ter um cumprimento duas palavras nesta hora da tomada de posse, que irá ele ou alguém do BE fazer ao Palácio de Belém quando o PR convocar os representantes com assento parlamentar? Vai amuado, a fazer caretas, não abre a boca nem cumprimenta, como alguém infantilmente chama o beija-mão? Recusa-se sistematicamente a ir lá quando forem convocados?Mas se estas situações causam assim tantos pruridos, para que se metem nestas coisas da política o BE? Não compreendo, quando o Louçã até admitiu que poderia vir a usar gravata se fosse eleito Presidente da República e agora teve este gesto de desalinhado, que já não lhe fica bem, ele que vai a vários países fazer conferências, inclusivé aos EUA e que segundo uma entrevista que deu até seria o País que escolheria para viver se não vivesse em Portugal. Ou isto é só para a fotografia estes gestos de desalinhamento, esta rebeldia para satisfazer clientelas partidárias, ou Louçã e o BE andam a meter-se em carruagens para as quais depois não têm o estofo suficiente para as aguentar e frequentar. E de certeza que o Louçã ao ir naquele dia com a camisola de gola alta, que raramente usa, não foi porque era um dia solene na AR, foi por mero acaso. Ir depois apresentar cumprimentos é que já era pedir muito.
    São estas atitudes que levam muitas pessoas de pois a não acreditarem na sinceridade de algumas propostas do BE, porque sabem que nunca as vão colocar em prática. Como poderíamos acreditar que Louçã estaria mesmo pronto para a eventualidade de ser Presidente da República? Então na hora da apresentação de cumprimentos mal visse Cavaco Silva na fila, fugia? Não lhe passava Cavaco como dizia o cartaz? E outros embaixadores e outras figuras? Metia as mãos nos bolsos e recusava-se a cumprimentá-los?
    Não faz sentido e demonstra que não está em condições de assumir cargos de responsabilidade em representação do estado português.
    Quanto a Mário Soares já nem vale a pena falar, o homem está sorumbático e julga que isto é o seu reino e que ele é o monarca. Mas também ele, como membro do Conselho de Estado, quero ver se vai comparecer nalgum e se fala ou se entra calado e sai mudo como fez agora no dia da tomada de posse.
    Figuras tristes e que alguns “inteligentes” de esquerda ainda aplaudem. Confundem correcção, respeito, obrigações com os cargos que exercem, com beija-mãos e lambuzices.

  22. N caso de Mário Soares creio que o «amuo» se deveu a uma questão de protocolo. Não faz sentido que ex-chefes de estado fiquem em centésimo lugar na fila para os cumprimentos da praxe, enquanto um qualquer amigo possa ser o primeiro. Em protocolo tão rigoroso seria elementar haver precedência.

  23. Acho que é uma questão a rever, nomeadamente também para embaixadores, agora não me parece que tenha sido essa a razão de Mário Soares.Ele como em muitas outras circunstâncias, ultrapassava isso, ultrapassando as regras do respeito pela fila, tal como o fez no dia das eleições autárquicas que apelou ao voto no seu filho para a Câmara de Sintra. Não foi porque ainda não digeriu uma derrota humilhante infligida por dois candidatos e pela maioria do povo português, pelo menos dos que se deram ao trabalho de ir votar.

  24. Cenas de deselegância na vida política portuguesa: A atitude do BE (e em parte do PC) é inqualificável; Soares está mesmo precisado de Rennie (viram como passou à frente de Aelgre?); e abancada do CDS voltou às suas garotices, com Ribeiro e Castro genuinamente embaraçado.

  25. Isto parece o manual de etiqueta da Paula Bobone.
    Cavaco tambem não compareceu na posse de Sampaio e foi o principal contendor.
    Na altura não se ouviram estas vozes. E se formos a ver bem ,bem, estas vozes nada têm a ver com a hipocrita etiqueta, têm mais a ver com a “oportunidade” de denegrir Soares e Louçã.Tem a ver com a tendencia dos media nos imporem comportamentos, opiniões, poses, pensamentos.E farto-me de rir quando vejo esses comentadores/jornalistas de direita e neo-liberais (comme il faut) a defenderem a guerra contra o Iraque e agora contra o Irão a todo o instante e depois “indignarem-se” com a falta de civismo e etiqueta de quem frontalmente discorda.Isto é o novo “salazarismo” encapotado de critica social que eu me recuso a aceitar.O autor deste post fez um favor a esses senhores, eu nunca discordarei nem deixarei de votar em ninguem por “fait-divers” destes. Porque o que é importante, o autor deste post não vê. Está demasiado perto do quadro para poder apreciar o conjunto.

  26. O João Pedro quer explicar, s.f.f. porque é que a “atitude em parte do PC” é inqualificável? De que “parte” é que fala? Ou falou só para denegrir?

  27. É uma manifestação folclórica de Louçã como muitas outras. Mas não se passa isto só no B.E.; TODOS os outros partidos do sistema adoram “dançar” estas músicas.

    Um abração do
    Zecatelhado

  28. Ao contrário do iniciante deste post, eu fico preocupado é quando vejo laivos de “boa educação” e “desportivismo democrático” no BE.
    A boa Esquerda será sempre a esquerda maldita. A outra “esquerda” é igual aos outros.

  29. Margarida, não pretendo denegrir ninguém. Falo evidentemente da parte em que não aplaudiu cavaco, se bem que Jerónimo tenha corrigido o tom ao cumprimentar o novo PR.

  30. Eu não percebo, Joáo Pedro. Não concordamos, achamos mesmo que é mau para o País e… aplaudimos? Cumprimentar é que é a cortesia, aplaudir é dar sinal de concordância, de agrado.

  31. compreenderá que não cumprimentar (o que implica não ir para uma fila de dezenas de pessoas) é pouco comparado com o que senhor Cavaco fez, ausentar da (primeira) tomada de posse de jorge sampaio. é uma minudência isso do louçã.

  32. Fil2,

    Há alguma consistência no seu raciocício. E não posso chamar elegante a essa ausência de Cavaco.

    Mas o meu ponto de vista, aqui, foi sempre ‘institucional’, ou mais simplesmente ‘formal’. Portanto, ao nível de atitudes de convivência democrática.

    Segundo julgo, Cavaco era nessa altura, além de ex-candidato, e apesar de ex-primeiro ministro, simples cidadão, como é hoje Garcia Pereira. Não é, obviamente, o estatuto de Louçã.

  33. Caro senhor há dez anos o actual presidente Cavaco Silva nem sequer se dignou ir á tomada de posse do seu adversário e então novel presidente Jorge Sampaio, depreendo das suas palavras que o dito senhor pela sua atitude há dez anos hoje não deveria ser Presidente da Republica.

    Por ser mal educado, não saber perder, e acima de tudo ter mostrado falta de respeito pelo seu adversário.

    Francisco Louçã esteve no Parlamento, ouviu o Presidente , se entendeu ou não bater palmas ao discurso do dito está no seu direito.

    Se não foi no final da cerimónia ao beija-mão isso não representa nem desrespeito pelo cargo que Cavaco Silva actualmente exerce, nem uma atitude de má criação.

    Julgo que damos neste pais demasiada importância ao secundário, talvez porque não queiramos encarar de frente os reais problemas que o país enfrenta.

    E fazer uma recepção para QUATRO MIL CONVIDADOS no momento grave que o país atravessa com 500.000 desempregados e 2.000 .000 de pobres é quase PORNOGRAFICO.

  34. Louçã não foi ao “beija-mão”??? Ainda bem! Se fosse, quem deixava de votar nele era eu! A esquerda continua a fazer mossa, dai o facto de a quererem denegrir com fait-divers, a politica essa não interessa à comunicação social, que, com este tipo de noticias consegue demonstrar o incómodo que o Bloco faz ao seus patrões.

  35. Vamos lá, Zellig, a ter um bocadinho de tino. Quem é que, AQUI, quer denegrir a Esquerda, e ainda mais com fait-divers?

    Além disso, notícias – e você diz bem, notícias – reportam factos. Você é que parece ter medo deles.

    Quanto ao «incómodo» que o Bloco causa aos patrões da comunicação social… ora. ora, Zeillig. Em que mundo vive você?

    Com gente assim, o Bloco – lamentemo-lo ou não – não irá longe. E veja que eu ‘votei’ nele, e estou longe de me envergonhar disso.

  36. Quem demonstrou falta de ética politica, e de sentido de estado ,foi Cavaco Silva, ao recusar estar presente há 10 anos na cerimónia de investidura de Jorge Sampaio.

    Por isso atirar pedras a Mario Soares e a Francisco Louçã como o fizeram algums comentadores, não criticando ao mesmo tempo Cavaco Silva revela dois pesos e duas medidas.

    Alguem acredita que se Cavaco Silva tivesse sido derrotado, e mesmo que o seu adversário ganhador, lhe enviasse um convite pessoal ,ele teria estado presente?

    DUVIDO

  37. Votei sempre Bloco de Esquerda e Francisco Louçã, não só, mas nem que só, por serem os únicos que não mandariam agentes policiais alcoolizados mandar-me prender por fumar uma ganza. Admito que este partido tem andado a envergonhar-me por ser mais republicano que a própria República e claro, mais revolucionários que a própria Revolução. Continuo, claro, a admirar-lhes a coragem política, mas para ir às urnas votar neles, melhor me serve sempre um período de nojo… que de reflexão.

  38. Aquela looooonga sessão de beija-mão ao Recém-Empossado é dum ridículo ensurdecedor. Seja quem for o Recém-Empossado, Cavaco ou qualquer outro. Um resquício do tempo em que tudo valia para cumprimentar Sua Excelência e aproveitar para pedinchar um lugarzinho para o afilhado na regedoria.

    Devia ser eliminada, pura e simplesmente. Enviada de vez para o caixão das tradições parvas. Hoje, na era da internet e do telemóvel, ficar infindas horas na bicha para ir apertar as mãos suadas do Recém-Empossado é, simplesmente, idiota.

    Um email, um telefonema, olhe meu caro muitos parabéns e que faça um bom mandato, e basta. Muito francamente, toda aquela gente devia estar mas era a trabalhar. Recém-Empossado incluído.

  39. É impressionante como estes actos simbólicos dão tanto pano para mangas. Embora entenda a postura de FL, que certamente agradou ao seu eleitorado, concordo com o FV, impunha-se o cumprimento institucional. Senão também quando CS fizer reunbiões com os lideres partidários, ele não irá cumprimentá-lo. E por exemplo nos debates da campanha, ele cumpimentou-o, como se exigia. O jogo democrático tem de ser feito com respeito pelo adversário e o cumprimeento é disso sinal.

  40. Ricardo não se impunha qualquer cumprimento institucional.

    O Presidente eleito , apresentou-se perante o Parlamento, fez o seu juramento, apresentou o seu discurso, ponto final.

    Ninguem o vaiou, ninguem assobiou, ninguem o interrompeu.

    O contactos entre orgãos de soberania mão se fazem de beija-mãos serôdios, nem de salamaleques de outros tempos.

    Fazem-se com respeito pelo poder que cada agente politico está instituido, e pela educação que cada um assume nos contactos institucionais.

    Louçã entendeu e bem que o beija mão nada tinha a ver com mais ou menos respeito pelo cargo que Cavaco exerce actualmente e não se dispôs a fazer figuras ridiculas.

    Mas o que estranho é o sr. Ricardo não CRITICAR Cavaco Silva por dez anos atraz ter IGNORADO a tomada da posse do seu adversário Jorge Sampaio.

    Aí sim houve FALTA DE RESPEITO POR JORGE SAMPAIO, E SOBRETUDO PELO CARGO DE PRESIDENTE DA REPUBLICA.

  41. A insuspeita Mª João Avillez disse que nunca tinha visto tanta desorganização e achou muito bem que o Mário Soares tivesse abandonado aquele horror sem cumprimentar. Pelo caminho foi chamando incompetentes aos assessores de Cavaco. Se a Mª João Avillez o diz, quem sou eu que nem no homem votei, para a contrariar?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *