Vinte Linhas 793

Os campinos do campo não se curvam como os mordomos de palácio

Outro dia, enquanto estive num consultório médico à espera de ser atendido entre as 11h 45m e as 14h, deu para ver muitas (demasiadas) vezes um anúncio que mostra um cacilheiro a caminho do Terreiro do Paço e o concerto do Toni qualquer coisa. Pois o anúncio tem um pormenor repugnante – mostra três campinos cumprimentando quem chega ao cacilheiro com uma vénia que só pode ser copiada de um mordomo de palácio e que nada tem a ver com os campinos – que são pessoas do campo.

Eu bem sei que a publicidade tem um importante papel social. Nos anos 60 em Portugal foi graças à publicidade que as pessoas passaram a comprar o chamado «ovo carimbado», deixando assim de adquirir os ovos sem a etiqueta de origem e isto sem esquecer o «Tio Safio» que mostrava aquilo que anos mais tarde aprendi com o especialista José Quitério – vale mais um bom congelado que um mau fresco.

Vi dezenas de vezes o anúncio da festa do Terreiro do Paço com os produtos portugueses e sempre aquele gesto horrível dos campinos me surgiu como repugnante – porque me repugna a ideia de que um campino pode fazer umas mesuras, uns salamaleques como qualquer mordomo de palácio.

Onde os campinos se curvam sem dúvida é na Ermida da Senhora de Alcamé. Aí, na porta ou perto do altar, entre o pó da lezíria e o cheiro feliz do incenso, o campino curva-se para rezar. Mas isso já é outra conversa, pois se trata de ligar de novo os Mundos que o Tempo separou. Entre a água dos esteiros do Tejo e a terra da Lezíria sem fim, quando o campino reza é a sua alma que respira mas isso não cabe nos anúncios publicitários. E ainda bem.

5 comentários a “Vinte Linhas 793”

  1. não digas asneiras, o toni mete mais gente no terreiro do paço que o papa, já o campino não curva bem porque anda enfaixado e quando dobra rebentam as costuras, mas tu querias era dizer à malta que eras íntimo do quitério e revelar a sublime máxima gastronómica “antes congelado que podre”. fónix, 2h15 numa sala de espera afectam com’ò caralho.

  2. Tem razão o Zé do Carmo, quanto à bizarria da vénia dos campinos no anúncio. Aliás, começa por ser estranho ver campinos com o traje que os identifica como tal, num cacilheiro.

    Mas, já agora, não lhe parece que está a chover no molhado quando escreve “Os campinos do campo”? Há campinos sem serem do campo?

    P.S. – Ó poeta, duas horas e um quarto à espera de ser atendido? Não foi nos SAMS, nem num médico da Médis (de que é segurado, suponho) com certeza.

  3. Meu Caro Jonas – tratou-se de uma questão de estilo. Escrever campinos do campo foi para frisar a diferença dos mordomos do palácio. Apenas isso… A cidade e as Serras. Ou a Cidade e as serras…

  4. ò TRAMBOLHO, cala-te, pá. Cala-te, pá. Já bistes que tens que explicare o teu estilo?! Hein? Cala-te pá, se tu fores explicare o que fez a merda da publicidade, bais a ber que chegas aos Morangos com açúcar, pa! Cala-te, meuzinho, este texto está uma póia de elefante, caraças, nem percebes que na contradição das imagens por vezes está a mensagem berdadeira. catano, até a Cavaca escreve malhore que tue, pá.
    Oube lá já bistes algum sapo berde a querer saltar prá cueca a gajas boazonas, pá?

    Salamaqueques, que sabes tu disso?

  5. Eh, pá Xico tás com um azar do caraças! Então os campinos são do campo? Cada vez tás pior. É o que dá passar horas no consultório dum psiquiatra.
    Então olha lá: tu já viste algum campino no Campo das Cebolas? No campo Grande? No Campo Pequeno? Em Campo de Ourique?
    Tás a ber? Nunca biste. Onde eu sempre vi campinos foi nas praças de touros, pá! Não percebes nada de horta!
    A propósito de horta: não achas que a ministra da agricultura deveria estar na Horta?
    E o que é que achas de eu ter aorta cá em cima e os tomates fora dela. cá em baixo! Ele há coisas do diabo!

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