Vinte Linhas 787

Saudação a Marta em 19 de Maio nas montanhas azuis

Há no teu olhar a memória viva da luz do dia em que nasceste. Tal como acontece numa ilha pequena, nesse dia em 1985 choveu e fez sol com um breve intervalo. Havia no ar o prenúncio de trovoadas, as trovoadas de Maio que fazem rasgar o nosso firmamento.

Em 1992 os corredores do Hospital de Santa Maria pareciam não ter fim. A tua voz perdeu-se esmagada pelo silêncio da infecção, pela confusão dos médicos, pela balbúrdia do bloco operatório. Eu acariciava os teus dedos com a minha mão direita e com a esquerda segurava a mão dum menino, o Daniel, operado como tu de urgência mas a mãe dele precisava de trabalhar e ia-se embora cedo com as lágrimas nos olhos.

Numa pequena televisão a preto e branco, a nossa velha Sharp, eu e as enfermeiras vimos a saga da equipa de futebol da Dinamarca que só entrou no Europeu porque a Juguslávia se desintegrou em diversas guerras de vizinhos e de ódios à flor da pele. Eu levava queques quentes para acompanhar as bicas da enfermaria. Às vezes também provavam os bolos os dois médicos que te visitavam todos os dias, a Dra. Marília e o Dr. Labareda, a assim se disfarçava o pânico de te ver numa cadeira de rodas. Tinhas perdido o andar e pesavas trinta quilos.

A tua irmã escreveu e ilustrou um livro de contos, o teu irmão escreveu a biografia de um vice-rei da Índia portuguesa e tu escreves fotografias que mandas com frequência para o Facebook. Mais do que a cor ou o ângulo, o que as tuas fotografias mostram é o esplendor da Natureza, as flores e as árvores, as praias e as pedras, as casas e as montanhas azuis. Algures entre Sydney e Camberra, as montanhas azuis são a linha e o limite do teu futuro que todos os dias se convoca no teu olhar determinado.

16 comentários a “Vinte Linhas 787”

  1. Parabens Marta, com dois dias de atraso, na ternura das memórias de teu pai.
    Força, Marta, desculpa a familiaridade, e um queque quentinho, se por aí há.
    Jnascimento

  2. oh bronco! a grande infecção da vida da marta foste tu e não há cirúrgia que te remova do palco da asneira, não lembraria, nem ao relvas, dares os parabéns à garota relembrando o filme de horror passado no santa maria contigo a ver futebol e a engatar enfermeiras com queques. deve ser exorcismo para regastares a dores de parto, só pode. aproveito para dar os parabens à mãe pelo que aturou a este gabirú e dedicar esta musiquinha dos beatles à velha sharp http://www.youtube.com/watch?v=-SbCIFbJQDk

    oh cimento! que falta de chá, atão isso são perguntas que façam à filha de um amigo? és mesmo trogolodita.

  3. depois de exautivas pesquisas estou em condições de esclarecer que “ignatz” corresponde à designação oral dos aborígenes australianos para “Tasmanian devil “. O JCF alguma fez pra merecer o ignatz.

    parabéns marta.

  4. Ora bem, antes de mais o bincent voursan bai apanhare onde apanham as galinhas, que é no bico a fazer bicos. agora bejamos estes parabens á marta, o pa, aprende a escrebere, pá, olhá pontuaçãoe, meu cagamêlo, oube e aquela de tares a descrebrere o prugrama de telebisãoe «Numa pequena televisão a preto e branco, a nossa velha Sharp, eu e as enfermeiras vimos a saga da equipa de futebol da Dinamarca que só entrou no Europeu porque a Juguslávia se desintegrou em diversas guerras de vizinhos e de ódios à flor da pele.»ou seja pa, atãoe tu misturas alhos com cebolas e estas com carvalhos, sem v? Hein?
    Ataoe tue que exaltas a camponesa, mandas parabens á repolha desta forma? Ó meu, tu se fosses meu marido, pa, ( se eu fosse paneleiro, tás a bere), cumias uma lapada nessa fucinha candabas de lado, pá. Oube, aprende, bais ao corte inglês e compra um postal de anibersário, meu, e tá feito, tem cor, tem alegria, agora postas uma futugrafia do Largo do rato, cum catano, a cheirar a mofo, até parece que tás a parabenizar um fóssil, carago.Fogo, que insensibilidade, este gajo em vez de agardecer a DEUS o milagre do nascimento, da luz, da generosidade, fez um poste a descrever a provação que passou para chegar a bom termo. Ó pazinha, tu não vales os tomates de um cão, porra. Vai bardamerda, pá!

  5. «Eu levava queques quentes para acompanhar as bicas da enfermaria.»
    Era, era, pra acompanhar as bicas, muda-lhe o género pá, tu bem querias, as bicas, pois tá bem. Oube lá, tás aber o autocarro 15 ali na foto, tu debes ser um fossil, catano, por isso é que já num tens os cinco alqueires be medidos.

    O cagamelo dizes tu que a«o teu irmão escreveu a biografia de um vice-rei da Índia portuguesa», pois olham meuzinho, se foi o pinto albuquerque, bê lá bê, já te disse que nunca saves quem está do lado de cá. A viografia tá na rebista ber? É que já todos percevemos que tu tinhas que descrevere o curriculum de mais alguém, relacionado contigo chiaro.

  6. ignatz, pá, muito folgo em ver que estás por aqui a disseminar a mensagem. Sabes quem era a Martha my dear? A cadela do McCartney. Muito apropriado, pois.

    Depois dás-lhes com a minha favorita dos palmiers…pronto, não andei a pregar aos peixinhos. Mas por aqui, arriscas-te a desperdiçar o latim…

    Os animais são nossos amigos, fora os que se armam em animais, mas esses não contam…
    http://www.youtube.com/watch?v=mJUI-NRDflU

  7. oh edie! eu sou mais de inseminar mensagens, a mania é superior à melo e a ignorância bué d’atrevida. é bom ter alguém do nosso lado nestes momentos de fragilidade emocional e obsessão compulsiva, para nos dar apoio técnico-ò-táctico. és uma benção do dibino, bem hajas e cumprimentos ao macartnei.

  8. Não, se queres terapia abençoada vai ver o This must be the place, que aquilo deve estar a sair de cartaz. Depois não digas que não avisei.

  9. isso é bués de tantrico pra mim, ao fim de 15 minutos de enchimento de xóriços estou a dormir. curtas, onde até a maçaneta da porta tem história, é qué fixe e dá pra repetir à exautão até apanhar tudo. óspois todos gostavamos de ter sido rock stars, até a rebelo pinto.

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