Vinte linhas 486

Príncipe Real – António Costa bem pode dizer «o jardim não foi destruído»

Foi inaugurado no passado dia 22-5-2010 o cemitério do Príncipe Real que outro nome não merece o jardim morto depois de uma falsa requalificação. Mais ainda do que o Vereador dos Espaços Verdes, o presidente António Costa bem se esforçou em repetir uma ladainha – «o jardim não foi destruído» – mas quanto mais repete a frase mais se torna óbvio que ela não altera a realidade: o jardim, criado por volta de 1870 cujo nome é uma homenagem a D. Pedro V, já não existe. O que existe no seu lugar é uma área devastada por uma febre de destruição (um arboricídio), por uma sanha de ódio às árvores em geral, por uma pressa em facturar exemplares novos a todo o custo mesmo contra o parecer da Autoridade Nacional de Florestas. Mas não só. Primeiro os da CML cortaram as árvores, depois apresentaram um cartaz com fotografias que não eram destas árvores nem podiam ser. Só algumas (poucas) estavam mesmo doentes mas foram todas abatidas as da cercadura do lado da Escola Politécnica e as do lado da Rua de O Século. Mas não contentes com o arboricídio criminoso ainda se propuseram mudar o pavimento substituindo o empedrado e o asfalto por um saibro que já provou não servir no antigo jardim de São Pedro de Alcântara, hoje simples miradouro. E parece que estão felizes com o facto de o saibro voar para dentro das chávenas dos cafés dos pobres que aqui são obrigados a viver além de sujar a nossa roupa e os vidros dos nossos automóveis. Bem pode António Costa repetir que «o jardim não foi destruído» que a realidade ali está para o desmentir – o jardim de 1870 morreu e é hoje apenas um cemitério de árvores mortas. E os da CML esqueceram-se da capela mortuária.

8 comentários a “Vinte linhas 486”

  1. Eles bem sonham ser os novos Fontes Pereira de Melo, Elias Garcia, Duarte Pacheco, Ressano Garcia, Keil do Amaral, Faria da Costa, Peres Fernandes mas isto não é para quem quer – é para quem pode. E eles não têm dimensão, rasgo,capacidade, talento. Ao pé desses vultos da Ciadade eles não passam de uma tropa fandanga.

  2. Um idiota, o Costa, que não tem perfil para autarca. Ainda por cima, apoiado nas opiniões do deslumbrado Zé – que não serve para nada – Fernandes, que desde que foi para a política só faz disparates. São a merda das elites que temos…

  3. apenas uma ideias…

    para se “arrancar” árvores, é necessário haver um estudo onde é verificado o seu verdadeiro estado, estudos estes feitos por agrónomos especializados nas patologias das árvores em causa…

    a verdade é que as árvores estavam doentes e algumas já mortas, aliás as árvores que lá estavam plantadas tem uma esperança de vida muito curta, em comparação com outras espécias…

    e havia risco de queda e havia risco de morrer alguém debaixo delas

    do meu ponto de visto, o saibro é uma opção muito mais “ecológica” do que o alcatrão… e sim, suja e voa com o vento, isto porque ou não foi bem aplicado, ou porque ainda não estabilizou…

    eu moro a 100m do principe real, e sim, a recuperação poderia ter ido muito mais à frente, mas não estou de acordo com o que foi dito aqui

  4. Apenas uma certeza…

    “para se “arrancar” árvores, é necessário haver um estudo onde é verificado o seu verdadeiro estado, estudos estes feitos por agrónomos especializados nas patologias das árvores em causa…”

    Neste caso o tal estudo (relatório do estudo fitossanitário feito pelo Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida do Instituto de Agronomia) só deu à Costa, e – pior ainda – só foi requerido depois de um grande número de árvores terem sido abatidas. Para além disso concluía que, afinal, não eram tantas as árvores doentes como as que foram abatidas.
    Conclusão: Para o Zé “arrancar” árvores, não é preciso nenhum tipo de estudo.

  5. terrível, foi a pior perda simbólica dos últimos tempos para toda a esquerda, o gajo das providências cautelares, o robin dos bosques!, faz isto. Já lá passei mas aquilo ainda estava com ar de estaleiro e deve ser uma poeirada tal que não digo nada. Os deuses pouparam-me a uma comparação fidedigna porque não tenho a memória exacta do jardim antes, essa fica para os que lá moram e ainda vem um bocadinho para mim. Mas também não houve nenhuma manif dos moradores a impedir o abate das árvores, né? Em tempos eu estive em manifs que impediram mesmo, noutros lugares.

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