Vinte Linhas 430

O arboricídio camarário floresce no Príncipe Real

Embora mal disfarçada de «requalificação» o que a Câmara Municipal de Lisboa está a fazer no Jardim do Príncipe Real desde o passado dia 23 de Novembro é, de facto, uma monstruosa destruição de árvores muitas delas «jovens» e sem qualquer sinal evidente de «doença». Para quem, como eu, gosta deste Jardim desde 1966 isto é uma aberração. Ver a Câmara Municipal a destruir as árvores (são quase cinquenta árvores mortas) é como se diz em bom português «uma dor de alma». Porque o que se espera de uma autarquia é que conserve, amplie e melhore o que existe – nunca que estrague, faça ruína e destrua. Mas além das árvores (que á o aspecto mais doloroso) estão também a destruir o pavimento e os gradeamentos do Jardim. Alguém tinha pressa, muita pressa, em destruir muito e rapidamente, de modo a evitar as reacções. O mais curioso é que o vereador Sá Fernandes que ficou conhecido por colocar nos Tribunais muitas «providências cautelares» é o rosto escondido desta destruição. Segundo me disseram no Jardim, esse vereador terá dito a alguém que havia árvores «doentes» mas tudo de uma maneira muito vaga e imprecisa. Para mim doentes são os indivíduos que, eleitos para dirigirem os destinos da Cidade, se esquecem do bem comum e se agarram aos seus privilégios, conveniências e interesses. Para mim doentes são na verdade os indivíduos que vão ganhar com esta falsa «requalificação» do nosso Jardim. Porque se nós, moradores e habituais utilizadores do Jardim, perdemos muito; então alguém vai ganhar muito (mesmo muito!) com este negócio. Já no século XIX dizia o nosso Almeida Garrett nas «Viagens» que para fazer um rico são precisos duzentos pobres…

57 thoughts on “Vinte Linhas 430”

  1. Tu como jornalista deves ter sido fresco. A maneira como noticias esse abate de “quase cinquenta árvores” faz recear o pior acerca do teu labor jornalístico. Então como é que concluíste que as árvores abatidas não estavam doentes? Tiraste-lhes a febre? Além de bancário, jornalista e poeta também és silvicultor, estou a ver.

    Insinuas que quem terá ordenado o abate de árvores doentes o fez por “interesse” num “ganho” qualquer. Se não és uma ratazana de jardim, explica lá isso melhor. Qual é o interesse e o ganho do Sá Fernandes em abater essas árvores? Ele será madeireiro? Ou quererá uma vista mais desafogada de casa dele para poder ver a vizinha a despir-se?

  2. Ainda bem que não és «sapador» e esse nome é um disfarce. Eu não insinuo nada; eu afirmo que o facto de isto (esta destruição das árvores) ter sido feito às escondidas dos residentes significa que são interesses obscuros a funcionar. Os mesmos que nada dizem sobre o desapareciemnto da placa toponímica do Pateo do Tijolo ou que autorizaram o aumento de volumetria dum prédio da Rua da Atalaia que me tirou a vista do Tejo ou que tem deixado andar umas obras no meu prédio (tipo «gaiola de malucas» ou «anjo azul») contra a vontade da assembleia de condóminos. Quanto à silvicultura não é preciso ter diploma do Instituto de Agronomia para perceber que as árvores jovens não estão doentes. Doentes estão os da CÂmara que esconderam o processo e não o apresentaram publicamente. E tu também, falso «sapador». És um doente entre o delírio e a alucinação.

  3. Com essa da placa toponímica do Pátio do Tijolo é que tu me calaste, porreta. Desisto, ganhaste. Há dias em que um gajo não deve sair da cama nem abrir a boca.

    Agora compreeendo que há uma conspiração escondida contra ti, contra a natureza e contra a sinalização na zona do Príncipe Real. Uma quadrilha sinistra especializada em árvores jovens e saudáveis e placas toponímicas, sabe-se lá a soldo de que forças tenebrosas. Não foram eles que inventaram a fundação do SLB em 1904? Isto anda tudo ligado…

  4. ah e tal “segundo me disseram no jardim” e tal e as árvores estavam com boa cara, qual doentes, o sá fernandes está a mentir, ele tem raiva é às árvores e andam interesses escuros na requalificação do raio do largo do principe real. tenham medo, muito medo. Ó José do Carmo Francisco, isto, cho eu, é tudo um bocado surrealista. Não se dará o caso de as árvores estarem mesmo doentes? Não se tirará essa dúvida, indo ao respectivo departamento camarário, ou falando com um silvicultor, um técnico, sobre o assunto?

  5. Declaração de interesses: sou irmão do Ver. Manuel Salgado. Não sou paisagista, vivo em Lisboa desde que nasci e na freguesia das Mercês há 52 anos. Frequento o Príncipe Real. Passo lá todos os dias (mais do que uma vez por dia). Já visitei a mãe d’água e é pena que não esteja aberta mais vezes.
    Não sei se as árvores estavam doentes (todas, algumas?). Sei que, há menos de um ano, caíu uma árvore de grande porte próximo do Príncipe Real, em cima de carros estacionados, e a CML teve de pagar o prejuízo (nesse dia parece que não houve conquilhas).
    O jardim do Príncipe Real estava triste e sombrio, com uma densidade exagerada de árvores e arbustos e os canteiros feios e muito mal tratados. O jardim tem um conjunto de árvores de grande valor (essas tenho a certeza que não as vão abater) e que, por si só, fazem um grande jardim em qualquer parte do mundo. Os canteiros para serem bonitos não precisam de gradeamentos (ver o exemplo da Av. da Liberdade), precisam é de sol, coisa que ali não entrava.
    Com o que foi feito até agora, o jardim já está mais “leve” e já se vê lá para dentro, o que é uma vantagem (confesso que não sinto falta das árvores que se foram e não faço ideia se estão numa fábrica de fósforos de um primo do Godinho). Ainda há muitos arbusto para limpar.
    Como devem ter reparado, as árvores na zona da feira biológica, mantiveram-se o que cria uma zona de sombra útil.
    Enfim, espero pelo resultado final para me pronunciar (para mim, o jardim da Praça das Flores está melhor depois das obras, mas isto de opiniões, cada um tem a sua.

  6. Só faltou dizer que essas árvores entre o Principe Real e a Praça da Alegria estavam mesmo podres e as pessoas dos prédios (que eu conheço) contactaram muitas vezes os serviços camarários e não tiveram resposta. Uma coisa não tem a ver com a outra. A única certeza que temos são as quase 50 árvores que foram abatidas, o senhor como familiar de um vereador tem obviamente mais certezas do que os simples vizinhos do Jardim. A minha filha mais nova que é Arquitecta Paisgista por Évora visitou o Jardim em tempos e não foi isto que lhe disseram a ela e ás colegas…

  7. Ao contrário do outro tenho mais dúvidas do que certezas.
    Tenho opiniões e estas não dependem, neste caso, de as árvores estarem ou não doentes.
    Acho que, para já, o jardim melhorou.

  8. Acho uma pena que este tipo de opiniões só apareça depois das árvores abatidas e não antes.

    Quanto à queda das árvores na Calçada da Patriarcal: não deve ser usada como exemplo; aquele dia foi um dia de vento extremamente forte – e não caiu nenhuma árvore no Jardim. Isto deve indicar que as árvores estavam em condições.

    Quanto ao facto de o jardim “estar melhor”: não sei. Mas preferiria de longe que esse “melhor” fosse o resultado de um debate público, e não de atitudes napoleónicas de um senhor com necessidades profissionais de protagonismo.

  9. O Zé Francisco não tem credibilidade nenhuma, já o provou aqui várias vezes. O mundo gira em torno do umbigo dele, inventa conspirações, acusa tudo e todos, é quezilento e impertinente, é acrítico e parcial, tem manias e paranóias, acha-se o melhor bo bairro dele, gosta de se gabar permanentemente e de se fazer interessante. Não perde uma oportunidade de meter na conversa os trabalhos em que trabalhou, as viagens que fez, os filhos que tem. Tem um problema de afirmação, uma deficienciazinha. Mais zona do que zinha. O clubismo doentio, a obsessão com o ano da fundação do Benfica são eloquentes. Por isso, mesmo sem ver que árvores foram abatidas, só pela maneira pateta como ele pôs o problema, falando de interesses obscuros (?) e de ganhos (?) com as árvores abatidas, é de não acreditar numa palavra dele. Não faz qualquer sentido, é parvoíce. Ainda por cima ataca pessoalmente um vereador, lança suspeitas idiotas sobre um homem que vale muito mais do que ele.

    É uma questão de credibilidade, Zé Francisco. Não és uma boa fonte. Não és de fiar. Dizem que és bom rapaz. Mas és um chatarrão, és insuportável.

  10. O senhor Oliveira do Quiosque falou com o vereador Sá Fernandes e não ficou nada esclarecido. Eu mesmo que falasse não ficava porque o facto de isto ter sido feito às escondidas, sem qualquer intervenção da Junta de Freguesia, sem consulta pública, já prova que eles na Câmara (os mesmos que não são capazes de resolver o problema do trânsito no Bairro ALto) só sabem tratar dos assuntos desta maneira desligada das pessoas. Tu que te escondes atrás de um pseudónimo, tu que não és sapador coisa nenhuma é que não és de fiar e fonte só de águas turvas. Vai vomitar para outro prédio!

  11. O Sapador tem razão. O que diz é o retrato chapado do senhor José do Carmo Francisco. Já aqui tem sido dito a mesma coisa por várias vezes, mas ele não aprende. Não há volta a dar-lhe. O que chateia ainda mais é a maneira como trata quem não vai por ele. Reparei que o Sapador não ofendeu, apenas fez dele um retrato fiel. Agora o Senhor José do Carmo já ofende e é grosseirão, basta ler a última linha da sua resposta. Feio, muito feio. Principalmente para um poeta, um escritor, um jornalista, um juiz, etc e tal. E reparei, eu que não sou dado às escritas, que o senhor José do Carmo escreve bastante mal. São horríveis este tipo de respostas que dá. Mal alinhavadas, de supetão, sem nível nenhum. Pode ter alguma razão, mas a ira e a toleima deitam tudo a perder.

  12. Portanto, não falaste com o Sá Fernandes porque, mesmo que falasses, não ficavas esclarecido. E queres tu, com essa filosofia de merda, ser consultado e participar nas decisões da Câmara?

  13. Agora com as árvores destruídas já não há quase nada a fazer. Resta reclamar contra os que fizeram isto às escondidas. Isso ninguém vai impedir nem um falso sapador nem o outro que diz que eu não aprendo. Ora bolas estou disponível para aprender mas tem de ser com alguém que saiba mais do que eu. Não pode ser com vocês.

  14. Senhor Nuno Salgado,

    O seu irmão é um grande arquitecto, a si não o conheço e escrevo-lhe apenas por causa da sua opinião sobre o ganho já visível no Jardim do Príncipe Real. Aquele jardim foi construído (desenhado, como agora se diz) para ser um jardim que na altura se chamava “à inglesa”, as suas críticas ao que era o jardim (antes do corte das árvores), ao seu lado sombrio e desordenado, à sua densidade em alguns lugares, só confirmam que o Jardim ainda tínha essas características antes de ser reabilitado. Os seus elogios ao que já aconteceu, à “sonra útil”, à circunstância de o jardim sem aquelas árvores (porque foi só isso que até agora aconteceu) estar bem melhor, demonstra que para si – e está no seu perfeito direito – a protecção do património tenha de ceder ante os gostos de cada um. Para mim, uma das vantagens da existência de Institutos ou autoridades como os IGESPAR e quejandos, é o descanso que me dão de pensar que estes colocam o que é património acima dos gostos, das modas, da tentação de deixar obra. Posso não gostar nada dos Jardins do Centro Cultural de Belém e do excesso de “mediterrâneo” que há naquela construção, mas é um projecto impar e não fazia sentido vir alguém agora fazer um jardim “à inglesa” (como era o Jardim do Príncipe Real, ainda é o Jardim de Santos e vai sendo o Jardim da Estrela) no Jardim das Oliveiras do CCB. O que me espanta nesta discussão é a necessidade de encontrar motivos torpes ou ganhos escondidos para ter argumentos. Por mim não preciso deles, até porque não acredito na torpeza dos motivos ou na existência de qualquer plano. Basta-me o que gosto daquele Jardim, como ele era e deveria bastar-me existir alguém que tem como obrigação a defesa do património que eu considero ser aquele jardim para o defender.
    Já me espanta menos (nesta discussão) que a mesma seja tratada como se fosse mais uma histeria dos fundamentalistas ecológicos, que sofrem por ver as árvores serem abatidas como se de gente se tratasse e que colocam cartazes com os dizeres dramáticos “as árvores morrem de pé”. Respeito-os, mas tenho de admitir que nasci há tempo de mais para ter aproveitado as delícias de juventude dos verdes (ainda que tenha apanhado de raspão a “scena” do nuclear não obrigado). Admito que a mim me incomoda mais a circunstância do Jardim ter perdido o seu exterior (as árvores que o rodeavam e lhe davam – por existirem – um interior) do que a perda daquelas árvores em concreto. Ainda que me pareceça difícil de compreender o gesto do abate de uma árvore perfeitamente saudável, sem outras razões que as da “requalificação” de um Jardim como aquele.
    Em síntese (e que me desculpem a extensão do comentário) ou aceitamos que o Jardim do Príncipe Real é património da cidade de Lisboa, com as suas características de origem: Jardim Romântico, jardim à inglesa, no sentido que essas palavras têm na história da arte e da arquitectura, ou não. Aceitando que sim, ou consideramos que o património deve ser protegido ao não. E isso coloca a questão acima dos gostos estéticos ou dos desgostos ecológicos.

  15. Notável comentário o anterior. O que os trambolhos da Câmara Municipal fizeram foi não aceitar este Jardim como património da Cidade. Eles destruíram para fazer outra coisa. as árvores cortadas não se colam com adesivo, o trabalho está feito, a encomenda foi entregue. Tal como fizeram no Miradouro de São Pedro de Alcantara vão colocar um saibro que se infiltra nas narinas com o vento e afasta as pessoas. Pó no Verão, lama no Inverno. Trambolhos…

  16. Caros Luís Serpa e Tiago Taron,
    Concordo absolutamente que o processo foi muito mal conduzido, o que é tanto mais grave quanto depende do vereador que, enquanto munícipe, tanto pugnou pela participação pública.
    Como morador na freguesia das Mercês não tive conhecimento de qualquer discussão pública sobre o projecto que, a ter existido, foi muito mal ou nada divulgada (para além de um pequeno cartaz no local que não explicava nada). O facto de não termos uma tradição de participação pública não desculpa a autarquia, antes pelo contrário, que devia fazer mais para promover a divulgação dos projectos de espaço público e a participação dos munícipes.
    Lembro, no entanto, que o meu post era uma opinião pessoal sobre o jardim e, também, sobre uma ideia “politicamente correcta” (termos que odeio, como diria, se não estou em erro, o Pedro Correia do corta-fitas) de que as árvores são intocáveis.
    Parece que algumas figuras conceituadas também acham que o jardim precisa de mais luz e que algumas árvores podem ser abatidas (vidé Público de hoje, 2 de Dezembro).

  17. Caro Nuno Salgado,

    Muito obrigado, uma vez mais, pelo seu comentário. O melhor numa discussão como esta é a oportunidade de falar abertamente sobre o que pensamos e eu aprendi a respeitar quem o faz, expressando o que pensa sem outra preocupação que a de procurar ser honesto com o que pensa.
    Irei procurar os comentários que refere (hoje não li o Público). Ainda assim julgo que a questão, para mim, continua a ser a mesma que tentei “resumir” no meu comentário anterior. Admito que se possa defender mais luz, menos árvores e até canteiros com outra forma no Jardim do Príncipe Real, porém há aquela questão prévia sobre o Jardim (Romântico, à Inglesa, deliberadamente sombrio e simulando uma natureza em liberdade propositadamente desorganizada) dever ou não ser considerado património da cidade de Lisboa e protegido como tal.

  18. Caro Nuno Salgado,

    Fui à Procura na Edição on line do Público de hoje dos três testemunhos que refere no seu comentério. Por imperícia minha, certamente, não os encontrei. Entretanto o que encontrei foi uma notícia em que não posso acreditar e de onde resulta que:
    (i) As obras iniciadas no dia 23 não só não tínham sido autorizadas pelo IGESPAR, como foi pública e repetidas vezes afirmado pelo Vereador dos Espaços Verdes, como o que existia era um Despacho de “não aprovado” do anterior Director do Igespar;
    (ii) Só no passado dia 30 de Novembro (ou seja entre o passado Domingo e o feriado de 1 de Dezembro) é que aquele que ainda não tomou posse como Director do IGESPAR, assinou o Despacho dizendo “aprovo”.
    (iii) As informações pedidas anteriormente à Câmara Municipal de Lisboa, em Maio de 2009, só chegaram ao IGESPAR na passada Sexta-Feira, 27 de Novembro (ou seja, também quando as obras já estavam iniciadas, as árvores abatidas e colocada no centro do jardim a enorme máquina que prepara o solo para receber o seu novo revestimento).

    A ter acontecido o que se descreve na notícia do Jornal “Público” o que o IGESPAR fez não foi Autorizar, mas Ratificar tudo o que aconteceu anteriormente. ISTO NÃO PODE SER VERDADE! Digo-o sinceramente, tem de existir aqui um grande mal-entendido. Uma coisa é a má gestão da informação por parte da Câmara, outra coisa ainda é o serem discutíveis as suas concepções de jardim e de Espaços Verdes, agora o que está descrito na notícia de hoje do Público já não é da mesma família dessas coisas, já não está no plano do subjectivamente censurável ou discutível mas no plano do objectivamente inaceitável.

  19. Caro Tiago Taron,
    De facto, se é verdade, é inaceitável.
    Curioso, eu no meu comentário não referia três testemunhos…

  20. Caro Nuno Salgado,
    Obrigado pela resposta. O número três terá sido influenciado pelos três pareceres favoráveis (também a posteriori como a “autorização”?) que no mesmo jornal público Sá Fernandes tinha anunciado existirem.
    TT

  21. Caro Tiago Taron,
    Público Local
    Título: Obras no Príncipe Real …
    Sub-título: Especialistas dizem que …
    Desculpe não fazer o link, mas não domino a tecnologia.

  22. ainda não tive coragem de passar no Principe Real mas hoje vou. O Tiago Taron, na sequência de outros, colocou a questão com propriedade – um jardim não é só o conjunto de significantes físicos, mas o estilo, impresso no desenho que no caso dos jardins e parques comporta um horizonte de futuro porque é vivo. É assim que o Jardim do Principe Real comportava um significado, o tal Jardim Romântico inglês algo sombrio, que fazia parte do conceito e da memória, do objecto.

    Tiago Taron: claro que se fazem essas coisas e outras nos ‘serviços’, esta palavra anónima que acoberta tudo. Não falo com conhecimento de causa deste caso, falo em sentido genérico pelas diferentes histórias se contam nos jornais.

    No entanto por vezes são iniciativas fundadas num conceito de bem comum, ‘moderno’.

  23. Caros Nuno Salgado e &,

    Muito obrigado pela orientação, desta vez consegui encontrar, são dois os comentários:
    o primeiro tem a autoridade Arq.to Ribeiro Teles e perante essa autoridade e ante a minha enorme ignorância nesta matéria me curvo. Se os choupos na cidade “morrem quando fazem 30 anos” então os que estivessem de facto mortos ou a morrer deveriam ter sido abatidos, procedendo-se à sua substituição. Ainda assim creio que a intervenção realizada não se ficou pelos choupos e que mesmo em relação a estes parece que a maioria estava saudável e não o contrário (pelo menos a julgar pelo relatório disponibilizado pela Câmara no seu sítio de Internet. O que aconteceu – insisto – foi o corte determindo pela localização das árvoes (todas as que faziam a cercadura de arvoredo do jardim, que lhe davam um exterior e, por isso, um interior).
    o segundo comentário, do antigo Director do Jardim Botânico está em sintonia com o que o Nuno Salgado já aqui defendeu, diz Fernando Catarino: “É um disparate (referindo-se à anunciada intenção de substituir as árvores abatidas). O jardim precisa de mais espaço, de ar e de luz”. É uma opinião e sobre ela tenho a opinião que me absteho de repetir e que consta do meu penúltimo comentário). Apenas acrescentaria que o Jardim, quando começou a ser construído (e penso que um jardim romântico quando é inaugurado ainda está inacabado, porque lhe falta o efeito do tempo a que tende) já tinha a cercadura de árvores que lhe davam um exterior (e um interior). Se substituir estas árvores que desde sempre lá estiveram (não aquelas em concreto, mas estiveram sempre árvores naquele passeio exterio ao Jardim, “é um disparate”, então para mim é um disparate considerar “disparare” essa forma de preservar. Já aceito que se diga “ser disparate” por uma questão de gosto, que nao discuto e que – mais um vez o digo – entendo que não deveria estar em discussão, aliviando-nos o IGESPAR dessa guerra.
    Y, obrigado pelo comentário, quem, para mim, melhor fala sobre essas características do Jardim tem um blogue chamado “Blog de Cheiros” e pode ser visto aqu: http://cheirar.blogspot.com/
    TT

  24. obrigado por esse blog, é muito bom. Bom eu não quero crer que numa zona tão emblemática da cidade corressem o risco de cortar arvoredo de grande valor. Os choupos crescem em 30 anos para se fazer um bom exemplar, mas obviamente não morrem em 30 anos, têm é raizes muito agressivas em regra, para efeitos de passeios e canalizações. Talvez pudessem pôr lodãos bastardos, demoram bastante mais a crescer mas fazem-se excelentes árvores de arruamento. Além de que como o fruto é comestível atrai passarada para a ecologia do jardim.

    seja como fôr isto são dicas para o ar, nem lá fui, nem vi com atenção tudo o que está escrito sobre isso,

  25. ah, reparei agora que no blogue dos cheiros já falavam nos lodãos, Celtis australis. É verdade que com o passar dos anos fazem-se umas árvores enormes com grande ensombramento no Verão, mas isso é só daqui a umas tantas dezenas de anos.

  26. Caros Nuno Salgado e &,
    Obrigado eu. É um daqueles blogs que tem um caminho, que já existia antes desta questão da defesa do Jardim do Príncipe Real e que continuará depois desta questão deixar de estar na “ordem do dia”. Tem esse desígnio que lhe dá uma espécie de autoridade austera. É um blog que fala pelos jardins (há outros que falam pelos cotovelos, como o meu).
    TT

  27. Primeiro ponto: os trinta e tal choupos que foram abatidos, tanto quanto percebi desta conversa, não ficavam no jardim, mas sim à volta, no passeio circundante, como vulgares árvores de rua. Segundo ponto: As duas maiores autoridades na matéria (o arquitecto Ribeiro Teles, autor de vários jardins na cidade, o da FCG, etc., e o professor Catarino, o homem que dedicou décadas ao Jardim Botânico da Fac de Ciências) acham bem que os choupos tenham sido abatidos, porque estavam velhos e doentes. O prof Catarino acha mesmo que os choupos nunca lá deveriam ter estado. Ribeiro Teles elogiou o plano para o Príncipe Real. Não preciso de saber mais nada, meus senhores. Tenho que ir lá só para confirmar.

  28. Atenção! As afinidades familiares de quem opina com um edil podem, eventualmente e por mecanismo psicológico, gerar credibilidade incondicional nas palavras do mesmo. Convém precaver este risco.
    Obviando tal circunstância e de facto, quanto às observações do Senhor Nuno Salgado de 30.NOV.09/14H56 – sobre quem tenho a “desvantagem” de ter mais uma boa dúzia de anitos – permito-me tentar referir o seguinte:
    1 – O Senhor Nuno Salgado repara a sua afirmação de que “frequenta o Príncipe Real” com a afirmação “passo lá todos os dias”, porventura a pé, no passeio fronteiro à área ajardinada, ou na rodovia, de automóvel ou autocarro, enfim… Porém, do jardim já lhe brotou uma apetência, que realizou: a de ir ao seu subterrâneo visitar o vão do depósito distribuidor das Àguas Livres;
    2 – O Senhor Nuno Salgado afirma, com aparente sinceridade – que eu tenho o dever de admitir – que “não sabe se as árvores (do Prìncipe Real) estavam (ou estão) doentes” mas sabe que, em dia (noite) fortemente tempestuosa e noutro espaço da cidade, “há menos de um ano, caíu uma árvore de grande porte” não tendo havido, nesse dia e por pezar, conquilhas para o seu jantar;
    3 – O Senhor Nuno Salgado lamenta a soturnidade que o Jardim Príncipe Real apresentava até agora – até ao início da delicada e cirúrgica intervenção municipal – e confessa a sua sensibilidade aos medos infantis revelando o quanto deles enfermava quando, na sua rota quotidiana que o forçava a passar por aquelas paragens lúgubres e quase tétricas, de longe, temerariamente e bem encostado às paredes protectoras dos prédios circundantes olhava de esguelha aquela monstruosa massa “triste e sombria” emanante de uma “densidade exagerada de árvores e arbustos” em amálgama com “canteiros feios e muito mal tratados;
    4 – O Senhor Nuno Salgado, contudo e por artes de algum bom Mago – uma vez que o seu conhecimento não passa pelo seu embrenhamento ou contacto com o Jardim mercê da repugnância fícica atrás confidencia – afirma que o Jardim Príncipe Real “tem um conjunto de árvores de grande valor, sabendo (também) que não as vão abater” mas revelando-nos, em primeira mão, que melhor estariam “fazendo um grande jardim em qualquer parte do mundo”, não ali, admite-se (será um vaticínio?…);
    5 – O Senhor Nuno Salgado, mesmo de longe (o mais possível!) jamais conseguiu vislumbrar um simples raio de Sol através da selvática, negra e tenebrosa densidade do Jardim Príncipe Real pois “sol é coisa que ali não entrava”;
    6 – O Senhor Nuno Salgado lembra, pedagogicamente, que “os canteiros para serem bonitos não precisam de gradeamentos” – presumindo-se que saiba que os “gradeamentos” não são propriamente flores ou plantas neles inseridas mas, antes, elementos inertes, estranhos aos canteiros, periféricos a estes e seus protectores quanto ao devassamento animal;
    7 – O Senhor Nuno Salgado sorveu a força, da sua afirmação anterior, do “exemplo da Av.ª da Liberdade” onde as duas longas alamedas de canteiros – antes da invasão dos primeiros bárbaros vândalos (também municipais)- se aprentavam soberbamente integrais, cuidadas diariamente e continuamente protegidas pelos tais “gradeamentos”, ou seja, protecções de baixa altura, alguns de concepção artística notável (talvez resistam vestígios…);
    8 – O Senhor Nuno Salgado também confessa a sua grande satisfação com o desbaste executado no Jardim Prìncipe Real e quase nos segreda o seu alívio sincero por aquele estar muito mais “leve”, quase a desaparecer pois, “não sentindo qualquer falta das árvores que ali cresceram e existiram” (existem?)alegra-se por “já se ver lá para dentro”, para as entranhas do monstro, “o que é uma vantagem” para exorcisar os seu medos e poder assim, no futuro, seguir o seu caminho diário e certinho sem olhar de soslaio para o lado – para o sítio do Jardim Prìncipe Real – aliviado do tal grande temor da besta adamastónica, densa e verde, que aquela tremenda e voraz massa de ávores e arbustos constituíam;
    9 – O Senhor Nuno Salgado, “não sentindo a falta das árvores que se foram” implora aos Deuses que as que se ficaram se juntem àquelas – para alívio dos seu receios e acalmia dos seus fantasmas – levando o resto, pois “ainda há muitos arbustos para limpar”, quais bichos disformes – que nem se sabe onde têm a boca;
    10 – O Senhor Nuno Salgado, nos seus parcos olhares furtivos sobre as margens territoriais do monstro, regozija-se pois, dos restos tentaculares deste, sobressai a protecção solar – afinal,o Sol é para tapar, também(?!) – para as coberturas das tendas dominicais da “feira biológica”, “zona de sombra útil”, em que “todos devem reparar”, a única justificável e preservável, afinal, tão única, justificável e preservável como a 2feira biológica”, até agora indefesa e sob a ameaça contínua das garras daquele mostrengo, o Jardim Príncipe Real;

    Não sei há quantos anos o Senhor Nuno Salgado é forçado a residir nas imediações do funesto Jardim Prìncipe Real.
    Também, não sei há quantos anos o Senhor Nuno Salgado é obrigado a esgueirar-se diariamente – contraído, angustiado e violentado – pelo flanco mais periférico e discreto da Praça Prìncipe Real, acelerando o passo para se safar desta área sinistra.
    Porém, constato que o Milagre aconteceu!
    Por artes e manhas das forças brancas do Bem, guarnecidas e sob a égide fantástica do omnipotente sumo-fraternólogo Sal da Urbe, a Terra rodou ao invés e a manhã luminosa esmagou as tremendas trevas do Jardim assombrado.
    Só sei que, hoje, o Senhor Nuno Salgado é um homem feliz.
    Assim o presumo!

  29. afinal ainda não fui, tive de circular noutras bandas, e disseram-me que aquilo estava num estaleiro. Mas talvez vá hoje. Bem, eu continuo a não acreditar que tivessem feito besteira no Principe Real, não quero crêr mesmo. Quanto ao sombreamento, também não é tanto assim, umas tantas vezes apanhei solzinho naqueles bancos e outras vezes me soube bem mudar para a sombra de outro. Ainda agora em Outubro lá estava a paineira branca em flor, a sumauma, Coriza speciosa.

  30. Nik, saber não ocupa lugar. Fique só a saber mais umas coisinhas: Foram 40 e tal as árvores abatidas; todas elas ficavam no jardim, umas nos passeios (do jardim), outras mesmo no interior; não foram abatidos apenas choupos mas árvores de outras espécies, não posso dizer com certeza quais, porque não existe um relatório mas pude vê-las pelo chão. Já agora, se me permitem, só mais uma coisinha: As “vulgares árvores de rua” na Freguesia das Mercês são apenas 97 (ou eram em 2003 segundo dados da CML) abater quase metade das mesmas sería, porventura, ainda mais grave. Ah! a maioria das árvores não estava doente.

    Tiago, obrigada pela referência.

  31. Pensando eu que, ao contrário, o Senhor Nuno Salgado merece resposta, compete-me informar que nada ponho nas suas palavras.
    Ponho nas minhas palavras, sim(!), as suas palavras. Insiro-as entre aspas e – para uma melhor constatação – releiamos os seus queixumes acima.

  32. Passei lá hoje de carro, para tirar as teimas. Confirmo: foram abatidos os choupos negros dos passeios circundantes do jardim, aí uns trinta, mas não todos, os da face virada a poente ficaram, suponho que por não fazerem sombra para as árvores do jardim. Dentro do jardim entrevi alguns vestígios de árvores abatidas, suponho que eram árvores mortas (de uma lembro-me muito bem que estava morta), as outras deviam estar em péssimas condições. O jardim está bem, parece-me ficar melhor sem aquelas árvores incaracterísticas circundantes, todas iguais (em contraste com a variedade do jardim), e de que há milhares por Lisboa e por todo o país. O choupo negro é a árvore do autarca chico-esperto: em quatro anos fica espigadota, a tempo de ser vista para as eleições seguintes. Não gosto dessa árvore, mas admito que é subjectivo. Os trabalhos que estão a decorrer poderão deixar o jardim muito melhor do que antes, mas com as mesmas características de jardim “romântico” que tinha. Se devia ou não ter havido mais informação ao público sobre o caso, isso é outra discussão. Mas também sei que há sempre centenas de pessoas a fazer obstrução e a dizer mal de qualquer iniciativa. Se cada vez que se abatesse ou plantasse uma árvore fosse necessária a licença dos jogadores de bancada, cada um com a sua ideia, não se fazia nada.

  33. Caro Nick

    Obrigado por confirmar uma coisa que já meio mundo confirmou. Mas contou mal, não foram umas trinta mas sim umas quarenta na bordadura do jardim. E no lado poente, se tivesse visto de mais perto também verificaria que foram abatidas duas, e não foram mais -por enquanto, pois segundo a CML, ver http://www.cm-lisboa.pt/?idc=88&idi=44061, ainda estão para análise, i.e., esperam que haja uma acalmia para sofrerem a mesma sorte- porque a indignação pública de fez sentir nos gabinetes da praça do muncípio.
    No interior do jardim foram, para já, 9 e só uma estava deveras mal, o que não justifica o seu abate. Há pessoas comuns, frequentadoras do jardim, que sofreram por ver essas lindas árvores abatidas. Claro que isso não lhe importa, mas é pena.
    É claro que o minímo que se esperaria desta Cãmara e deste verador era informação e jogo limpo. O que assistimos é a uma enorme desinformação e a uma enorme trapalhada de aprovações, não aprovações por quem de direito. A todos os títulos lamentável.
    O que o jardim precisava não era deste pesado ataque em força e caro -380 mil euros dos nossos impostos segundo reportam os jornais- mas sim de manutenção permanente por um pequeno grupo de jardineiros. Tinha-se poupado muito dinheiro e garantido mais alguns postos de trabalho.

    Jorge

  34. Jorge, prometo que vou lá ver melhor a calamidade que você denuncia e eu não vi (do carro). Continuo na minha: os choupos negros não têm interesse nenhum, muito menos naquele sítio, a tapar a vista do jardim a quem passa. De resto, quando a remodelação estiver completada, falaremos, se lhe apetecer.

    Adenda: você acha mesmo que o arq Ribeiro Teles e o prof Catarino são trogloditas?

  35. Caro Nick,

    Os tempos do “magister dixit” para mim já passaram há muitos anos. A minha opinião, como habitante quotidiano do jardim, é a de que acho que ele merecia melhor sorte que este tratamento de choque que está a sofrer. Deixe que lhe diga que durante os mais de 35 anos que levo de frequentar este jardim nunca lá vi essas sumidades. Vi sim o saudoso Agostinho da Silva sentado num desses bancos à sombra de uma das árvores de grande porte que foram abatidas.

    Jorge

  36. pois eu também passei por lá e não foi de carro, foi de botas e mochila, e fiquei deveras preocupado. Os choupos negros ali ao crescerem para cima não ensombravam significativamente com aquelas copas afiladas, e do que vi não vi doentes, e duvido muito que estivessem mas enfim realmente não passei por lá antes para tirar teimas, acontece que trinta anos é a idade de pujança máxima daquelas árvores e não da decrepitude.

    mas o que me deixou muito preocupado foi o aspecto da coisa: tudo cercado, nenhuma informação; perguntei à menina do café e ela disse-me que os trabalhos previstos eram para 4 meses. Ora com o estaleiro que lá está à vista 4 meses é muita obra, sabe-se lá,

    a fiada externa de árvores junto às escadinhas a poente já é composta de lodãos; aliás se quiserem ver lodãos adultos e pujantes é o arvoredo do miradouro de S. Pedro de Alcântara.

    é pois redundante no contexto, os choupos negros estavam melhor.

    quanto ao fundo da questão: agradeço não morar em Lisboa e em particular ali perto se não tinham guerra, agora felizmente já não sou bombeiro do mundo, a lógica que emana de tudo aquilo no seu aspecto exterior, plano de expressão, a que se associa o plano de conteúdo, tem um nome: facturação. Interesses.

  37. O «nick» continua o mesmo «mete nojo» de sempre, seja qual for o assunto. Então julgas que as pessoas vão na tua conversa das «autoridades» Catarino e Ribeiro Teles, agora à pressa a ver se ainda vai a tempo depois das barbaridades da Câmara? Então não sabes que o que os da CML fizeram às escondidas de todos nós foi ignorar um parecer negativo do IGESPAR? Eu conheço bem o professor Catarino, já o entrevistei duas vezes e custa-me acreditar no que dizem que ele disse mas vou falar-lhe. Não venhas para cá com tretas de autoridades – o que conta são as ilegalidades cometidas pela CAmara que as autoridades (quaisquer que sejam) nunca vão apagar ou fazer esquecer.

  38. Perante um desastre automobilístico, na estrada, as pessoas que nela circulam tomam, em regra, uma de três atitudes: continuam a sua rota, sem parar ou abrandar, olhando o aparato à passagem; abrandam a marcha e passam lentamente tentando observar e apreender a situação; ou param, onde quer que seja e, movidas por grande curiosidade ou desejo de fazer algo que entendem como útil, dirigem-se ao ponto do sinistro.
    Ora, o Senhor Nik faz-me lembrar o primeiro tipo de pessoas referido.
    Primeiro, falou de cor. Imaginando a situação física através de “conversa”, entende que o Jardim Príncipe Real começa não sei (sabe) onde, mas nunca antes dos quatro contínuos e (ex)florescentes renques de árvores que, precisamente, o iniciam e estabelecem a NECESSÁRIA faixa de transição vivencial entre a circulação buliçosa da urbe e o ambiente que se pretende tranquilo, bucólico, aprazível; depois, apanhando – não sei onde – as opiniões de um técnico e de um cientista, profissionais felizmente bem instalados nos mercados das suas áreas de especialidade, parece divinizar as autoridades destes (SE DISSERAM, ASSIM É!) e passa a considerar o dito “plano para o Píncipe Real” como elogiável.
    Pois é. Os bastidores do teatro da vida nem sempre (nunca) são acessíveis ao público. E os compromissos que se teiam nessa teia comprometem, muitas vezes, a liberdade dos actores quando em cena. De facto, o técnico mencionado tem tido e tem como provável melhor cliente, precisamente, a Câmara Municipal de Lisboa; quanto ao cientista, bem, não posso afirmar em pleno sem consultar alguns auxiliares de memória aqui ausentes mas, quase assegurava que, quando da outra vaga de indignação pública, há poucos anos provocada por outro fabuloso edil ao pretender converter este Jardim em parque da EMEL, a sua opinião era bem oposta à que agora é afirmada pelo Senhor Nik…
    Mas, o Senhor Nik diz-nos que “não precisa de saber mais nada”!
    E, classificando as ÀRVORES em “vulgares de rua” e invulgares ou finas (depreende-se) entende – para já – que as primeiras são para abater. Está dito!
    E ainda, neste enfoque e raciocínio, as árvores que enquadram o Jardim Príncipe Real e constituem o seu filtro acústico e a sua cortina sobre o edificado circundante, por serem pobres e vulgares choupos (ainda, por cima, negros!) devem, têm quer ser abatidos a qualquer custo. Aquilo até só está a pejar, andrajosamente, os “passeios circundantes” do jardim!…
    E as vistas, senhores! E as vistas…
    Passando “de carro” e olhando – lembremo-nos das tais pessoas do desastre automobilístico – o Senhor Nik não consegue(ia) ver nada lá para dentro. Aquelas barreiras contínuas de intrusas plebeias, perdão, de troncos ordinários de vulgares árvorezecas “de rua” – choupos negros, para maior desdita – nem sequer deixam livres a vistas sobre o casario verde do jardim permitindo vislumbrar as belas e aristocratas árvores de casa (ou de palácio) e imaginar como é o campo. Malditos empecilhos!
    Ah… Mas não é só isso!
    É que as árvores (além de negras e foleiras) fazem sombra sobre as árvores. E isso não pode acontecer! Passados os 150 anos de vida do Jardim Príncipe Real, a ciência botânica, ou florestal, ou lá o que é, veio a apurar que as árvores não podem ser assombradas por outras árvores (aquele jardim tem mesmo azar com as sombras…). E só as que não projectam sombra sobre as que não podem projectar sombra é que são merecedoras de viver. Abaixo as sombras! As sombras e as árvores, claro. Ai, esta nostalgia da praia…
    Então, o Senhor Nik passa a integrar o segundo grupo de pessoas referido no início e, passando de carro mais devagarinho, perscruta para além daquele “bairro de lata” arbóreo que cerca o Jardim, conseguindo lobrigar “vestígios de árvores abatidas, supondo que eram árvores mortas”. Felizmente que, nesta observação minuciosa e rolante, feita a cerca de 50 metros de distância, o Senhor Nik conseguiu apurar que as árvores executadas ou já o foram depois de mortas, ou estavam mesmo, mesmo a dar o pifo. Bom trabalho!
    E, continuando a fustigar psicologicamente o pobre choupo, que também é negro, revela a sua adversidade e raiva pessoal ao mesmo, acabando por nela arrastar insulto aos autarcas pré-abrilenos que os plantaram e que nem sequer eram protagonistas de eleições.
    O Senhor Nik esclarece-nos e avisa-nos que “não precisa de saber mais nada”(!) mas, com permissão, eu acho que pelo menos uma coisinha deve (e precisa) saber mais: É PRECISO LICENÇA, SIM SENHOR! E não é dos “jogadores de bancada”. É da Autoridade Florestal Nacional (que também abrange a cidade).
    É pena o Senhor Nik, que “não precisa de saber mais”, não saber que, por exemplo em Espanha, qualquer modesto (ou “vulgar”) aldeão “de rua” de qualquer recôndita aldeia sabe que tem de solicitar e obter Licença oficial para abater uma árvore. Por cá, nem o Senhor Nik sabe… Assim como não sabe que as árvores são – independentemente da sua categoria social – seres diversificadamente sociáveis com o homem, quer este seja, como elas, “vulgar” ou “negro” ou invulgar a atirar para o aristocrata e que, se todas elas a nós se associarem, aos milhões, nunca serão demais para que, através do seus troncos “obstrutivos”, possamos vislumbrar um Futuro melhor…
    Para a próxima vez, é recomendável que o Senhor Nik pare o carro, saia, escute e olhe, integrando-se assim no terceiro grupo das pessoas inicialmente apontadas.
    E, quanto ao resto que o Senhor Nik nos pretendia dizer… NIKLES!

  39. jcf e José Chamusco são saudosistas e conservadores. Não se pode tocar em nada! Ai, quando eu ia lá! Ai quanto eu suspiro! Ai que isto é o fim do mundo!
    A melhor bofetada que vos possam dar é o renascimento completo e melhorado do jardim. Não gosto de conservadores esclerosados, avessos a quaisquer requalificações, sejam quais forem os motivos destas últimas.
    Neste caso, deveríamos todos ficar parados no tempo e não teríamos edifícios característicos, próprios da nossa época. Andaríamos em casebres insalubres em contínuos retoques apaneleirados só porque não se deve destruir nada.
    Espero que revolvam bem aquela terra escura e façam tábua rasa e refaçam outra coisa, nem que ponham lá um anão e cd’s pendurados em cordelinhos para afastarem os pardais.

  40. Ó Claudia! Os jardins não renascem, vivem. Alguns são, para além de vivos, vividos como era este do Príncipe Real. Outros ainda, esperamos que o Príncipe Real tenha essa capacidade, sobrevivem a todas as barbaridades que lhes fazem.

  41. Releio os comentários de José Chamusco e releio o comentário de Cláudia e parece-me que está tudo dito. É a preversão do tempo que nos junta a todos num aparente mesmo momento. O Senhor José Chamusco e a menina Cláudia só aqui se poderiam cruzar e mesmo assim não me iludo, a menina Cláudia nunca conhecerá o Senhor José Chamusco, porque quando o poder fazer já será tarde, a menina Cláudia talvez nunca venha a conhecer o Jardim do Príncipe Real, não porque aí lhe falte tempo, mas porque já não é deste tempo, é do tempo que aí vem, em que se responde a um Senhor com a linguagem que usou e os exemplos gráficos a condizer. Gostava de pedir desculpas ao Senhor José Chamusco, mas não faz sentido, porque a quem mais feriu o comentário da menina Cláudia foi a mim e estou certo que o Senhro José Chamusco já apreendeu a tolerância que ainda me falta às vezes e que continuará a escrever como o tem feito, para benefício de alguns, por isso agradeço-lhe e expresso-lhe o meu maior respeito.

  42. De opinião em opinião fica a discussão mais rica de pormenores, mas a cidade mais pobre de arvoredo.
    Não entrando em polémicas, também sou um frequentador dos jardins de Lisboa e aquilo que me assusta é a falta de informação dos serviços camarários perante as obras de “requalificação” dos mesmos e o seu produto final.
    Após a sua “requalificação” verificamos enfim, que, e tomando como exemplo o produto acabado do Jardim de S. Pedro de Alcântara, a pobreza daí resultante, principalmente na parte superior (parabéns pela abertura do jardim inferior).
    Parece mais que para evitar despesas com a manutenção destes espaços verdes a câmara opte por cobrir os anteriores espaços ajardinados com saibro. Se assim é para que serve então destruir as arvores que dão sombra?
    É isso que vamos ter no Jardim do Príncipe Real, no Jardim Henrique Lopes de Mendonça?
    Entristece-me a penúria dos nossos jardins cada vez mais asfaltados, menos verdes e menos floridos.

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