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«Henrique Tenreiro – uma biografia política» de Álvaro Garrido

Foi apresentado por Fernando Rosas este livro editado pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates. Depois de «O Estado Novo e a campanha do bacalhau» em 2004 e «Economia e política das pescas portuguesas» em 2006 Álvaro Garrido avança para a biografia de uma figura controversa do Estado Novo – Henrique Tenreiro, o patrão das pescas (1901-1994). Fazendo o perfil biográfico da personagem, o autor acaba por produzir uma criptobiografia do Estado Novo. Tenreiro assistiu em 2-8-1934 á chamada segunda posse de Hitler depois da morte do presidente Hindenburg, tendo assistido também ao juramento do Exército alemão ao Füher. Coincidência ou não, as liturgias de poder da Organização das Pescas hão-de combinar a mise em scène típica dos rituais cesaristas no nazismo e do fascismo com os recursos estéticos que a Marinha sempre usara nos seus desfiles de exaltação patriótica-colonial. Sempre organizadas por Tenreiro, as cenografias e rituais do regresso de Portugal ao mar farão uso, ainda, das imagens profanas e folcloristas de gosto popular e da sobriedade da celebração religiosa exigida pela participação da Igreja Católica. Salazar nunca escolheu Tenreiro para ministro nem para secretário de Estado mas nomeou-o delegado do Governo junto do Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau. Entrou em 24-7-1936 para um modesto escritório no nº 24 da Praça Duque de Terceira, junto ao Cais do Sodré, onde se manteve 37 anos. Quando tomou posse nada sabia de pescas e contava apenas trinta e quatro anos de idade. Não por acaso Ruy Belo fala num seu poema do peixe «esse peixe que antes nos chegava directamente / e agora passa pelas mãos do almirante Henrique Tenreiro…»


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