Vinte Linhas 308

«O Século» de Lopes de Mendonça (O primeiro jornal socialista)

Lopes de Mendonça (1826-1865) figura no nosso século XIX ao lado de Garrett, Castilho e Herculano: historiador, poeta, jornalista, folhetinista, doutrinador, crítico e ensaísta. Mas também fundador e redactor anónimo de «O Século», um jornal de 11 números com 16 páginas cada, que se publicou entre 10 de Abril e 25 de Junho de 1848. Ernesto Rodrigues recupera-o para os leitores de hoje em 165 páginas de texto anotado.

Vejamos como Lopes de Mendonça escreve sobre a República em 1848: «A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?»

Incansável jornalista e homem de ideias, Lopes de Mendonça responde à pergunta «O que quer o socialismo?» deste modo: «A fraternidade substituída ao individualismo: isto é, o indivíduo ligado pelos sentimentos e pelas instituições à sociedade: a associação em vez da concorrência, isto é um regime industrial que iguale as condições dos três agentes da produção, o capital, o talento e o trabalho».

A capa deste livro que vem revelar um novo aspecto na história das ideias do século XIX em Portugal reproduz um quadro do pintor Gaspar David Friedrich (Nuvens passageiras).

5 comentários a “Vinte Linhas 308”

  1. SEIS OU SETE LINHAS, UM REPARO.

    “o capital, o talento e o trabalho”. Ah, esses Mendonzas com tantos talentos clássicos.

    Para folhetinista até nem está mal. Mas podia ter simplificado as coisas:o poder do repugnante financeiro de nariz adunco, o patrão e o operário. Para quê tanta pincelada de engatar sobre socialismos e sociedades fraternais. A palavra mais adequada com que o homem se saiu foi, de facto, “agente”.

    Ainda andam ai muitos por aqui, alá e acolá, e já lá vão quase dois séculos.

  2. Um exceletne 2009 para v.s todos (j]a nao sao muitos mas estou a contar com os comentadores, nik incluido que estou muito benemerita. E sem esquecer o tubarao e o Rui VN

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