Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Postal da Ericeira para Marta em Madrid

Está um sol esplendoroso e quente, aqui na Ericeira. Em Lisboa chove e em Sete Rios caiu uma tromba de água. Do limite da esplanada vejo o teu banco. Passou a ser designado como o teu banco quando o descobri no teu Blog. Continua a chover em Lisboa segundo me informam os telemóveis em cima da mesa. O empregado brasileiro serve-me um carioca de limão e continua a achar graça às palavras do preçário. Tal como eu, na revisão de um livro para diabéticos, achei graça a um bolo brasileiro que se chama «pé de moleque». Tal como duas italianas acharam insólito ouvir dizer em voz alta no bar da Faculdade de Arquitectura da Universidade Lusíada na Junqueira esta frase: «Duas italianas para este senhor!»

Está um sol esplendoroso e quente. Também pelo inesperado sol de Outubro, as crianças encheram o parque infantil de Santa Marta. Ao lado o carro do Noddy continua a atrair os mais pequenos e as moedas não páram de cair. Um eléctrico pequenino tem nas bandeiras um destino curioso que eles ainda não percebem. Neverland. Terra do Nunca. Talvez seja esta mesa de esplanada onde tento juntar a imagem do teu banco, o sol que faz do mar um imenso espelho e as gaivotas que atravessam a esplanada para virem descansar no lugar onde ficavam as antigas balizas do hóquei em patins. A âncora deitada que separa o teu banco das rochas, onde um grupo de idosos apanha sol e iodo, forma um gigantesco travessão. As gaivotas não páram e vão espreitar de novo a luz branca das ondas contras as rochas. Parecem vírgulas inesperadas e sonoras na organização das linhas deste postal da Ericeira para ti. O travessão da âncora, a vírgula das gaivotas, o banco à tua espera.


  1. 1 ahahaha

    Acharam estranho e muito bem. Não é normal um senhor sozinho beber dois cafés curtos duma vez.

  2. 2 jcfrancisco

    Não queiras ser irónico a dobrar! O senhor era um empregado que levava a italiana para ele e para um colega que não podia estar na bicha. O que chocou as miúdas foi a palavra «italiana» aplicada a um café. A minha filha mais velha, ao tempo estudante de arquitectura, explicou isso às mocinhas.

  3. 3 ´M M

    Gente, o JCF foi a Paris!
    Nestes últimos postes e comentários quantas vezes já o disseste à malta, ó JCF!? Ah, e a tua filha está em Madrid! Ah, e a outra tua filha é arquitecta! A pesca da pescada vai alta, mas como é triste ser-se pobre. Que pacóvio me saíste, ó meu!

  4. 4 Nuno Santos
  5. 5 jcfrancisco

    Não percebes nada disto. Nem sabes ler. A Marta da crónica é professora universitária em Madrid além de escritora premiada e tradutora. Nada tem a ver uma coisa com outra. A moça tem um Blog e colocou no mesmo uma foto de um banco da Ericeira. Não dá para perceber? Não dá mesmo?

  6. 6 Nik

    Em Nápoles chamam portogallo à laranja e nós não nos chocamos, até gostamos.

    Ou a tua história está mal contada ou essas duas senhoras são parvas.

  7. 7 jcfrancisco

    Deixa-te de niquices. A história não é minha é de todos os que assistiram deliciados à confusão: as raparigas eram «Erasmus» de fresca data e nunca tinham ouvido chamar italianas às bicas. Isto passou-se na Junqueira há muitos anos; há 11 anos. A minha filha que viu o caso tinha 19 hoje tem 30.

  8. 8 Nik

    Pois, Zézinho avô, mas as minhas dúvidas eram em relação ao facto que alegas de elas terem ficado “chocadas”. A história foi presenciada por vários, mas tu conta-la à tua maneira. Aliás, em todo o mundo se sabe o que é um café à italiana. Em Inglaterra e na América, p. ex., pede-se um espresso, palavra italiana. Ora vê lá: http://en.wikipedia.org/wiki/Espresso

  9. 9 jcfrancisco

    POis pede mas o resultado não é nada agradável para quem está acostumado aos nossos. Em Orly são dois euros e vinte, nas Galerias Lafayette um euro e setenta e só no café dos emigrantes portugueses de Brunoy custa um euro e vinte. Foi o único que soube bem. O café também tem uma sociologia.

  10. 10 claudia

    jcfrancisco, pecas por gabarolices fora do con-texto.

  11. 11 jcfrancisco

    Gabarolices??? Procuro responder e esclarecer porque parto do princípio que as pessoas não são maldosas aqui no Blog. Se pensasse que havia maldade então nem perdia tempo. Não podes confundir gabarolice com registo ou anotação factual. E depois não gosto de deixar ninguém sem resposta. Sou de uma terra muito antiga, venho de uma gente que prefere perder um amigo a perder uma oportunidade de responder no tom. Gabarolices??? Ninguém sabe o dia de amanhã mas enquanto aqui estiver (como se diz na minha terra) «vou cavar com esta enxada»…

Leave a Reply





Toma mensal

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo