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EUA – Lobo Antunes, Gregory Rabassa e o esplendor da ignorância

António Lobo Antunes esteve no Ateneu de Boston a conversar com o seu tradutor sobre «Que fazer quando tudo arde?» – «What can I do when everything´s on fire?» na versão americana. Instado sobre «que americanos lerão este livro» por João Céu e Silva, o tradutor Gregory Rabassa respondeu: «Os inteligentes sim, porque é difícil no estilo, nas ideias e no tema e os livros que se vendem cá são de quarta categoria. Os bons escritores estrangeiros raramente têm boa fama nos EUA.»

Agora que estamos a ferro e fogo com as eleições americanas vale a pena recordar as palavras de Jorge Luís Borges quando em 1978, recém regressado dos EUA, falou aos jornalistas em Buenos Aires: «Quase não se lê nos Estados Unidos. Aqui entra-se numa livraria e acham-se livros publicados há vinte, cinquenta anos. Lá, nos Estados Unidos os livros são, de facto, periódicos. Um best-seller é um livro do qual lá se vendem milhões de exemplares, porém ninguém o leva a sério, nem pressupõe que seja bom. Depois há o assunto da pornografia, os filmes pornográficos, a televisão. Aqui temos o hábito da biblioteca. Nos estados Unidos já não existe esse hábito. Fala-se de um livro de quatro anos atrás e ninguém se lembra dele…Falei com um senhor que ensinava História de Espanha; isto passou-se na Universidade de Michigan. Ele tinha chegado ao período das invasões napoleónicas. E naturalmente falou de Báilen, Wellington, o «dois de Maio», Saragoza, etc. Contudo ele notava no diálogo com os alunos que algo não ia bem. Perguntou-lhes o que se passava e responderam-lhe que ele estava a mencionar um nome que eles não podiam identificar. Esse nome era o de Napoleão.»


  1. 1 Miguel Mata

    Isso deve ter sido sido confusão do jorge, meu carmo. Com efeito o nome “Napoleão” não toca nenhumas campaínhas entre os estudantes da universidade do estado do Michxigan. Lá por esses lados ou dão conta do homem pelo nome próprio de Napoleon ou pela alcunha de Bonaparte. Corso e Camembert também são muito populares. Considero esta discussão finita e passemos à Obamazição da História. My arse is on fire.

  2. 2 Maria

    Acho que o Post se veria de chamar “Memoria de elefante” ;)

  3. 3 jcfrancisco

    Mas finita como se não se trata de discutir nada? Apenas relacionei uma frase do tradutor de Lobo Antunes (um tal Rabassa cujo nome original deve ser Rabaça) com as palavras duras mas vividas do Jorge Luís Borges. Nada mais. Mas se for necessário arranjo mais – a matéria é vasta…

  4. 4 Luis

    Isso faz-me lembrar uma crónica do Jorge de Sena, não me lembro agora onde a li (salvo erro, num O Tempo e o Modo antigo), que dizia que os seus ilustres colegas professores doutores na Universidade da California, Santa Barbara, desconheciam o conceito de ter uma biblioteca em casa, uma simples estante com livros que fosse. Ficavam todos muito espantados quando viam tal coisa em casa do Sena. Para que é que ele queria ter livros? Quando, e se, queriam ver um livro, iam à biblioteca e requisitavam. De resto, os seus passatempos domésticos favoritos eram fazer churrascos e aparar a relva.

  5. 5 jcfrancisco

    Já agora também era lavar o carro no domingo de manhã e fazer festas aos animais…

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