Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



«A cunhada do Pintor» no Museu do Prado

O Museu do Prado encheu-se de retratos antigos na exposição «El retrato del Renacimiento». Um dos mais famosos é o retrato feminino de Bernardino Lucinio. O dito quadro, também conhecido por «A cunhada do Pintor», dá-nos a beleza em esplendor de uma mulher com um livro na mão. Este pormenor (com um livro na mão) lembra-me uma mulher que à hora a que escrevo, algures entre as estações de Nuevos Ministérios e de Barajas Terminal 4, deve estar a fechar a porta da sua livraria em Lisboa. Isto porque em Lisboa os relógios marcam menos uma hora. Mais ao lado está o retrato de Katharina Fürleger de Dürer e um Tintoretto com a imagem de Verónica Franco, a mais bela mulher que viveu em Veneza entre 1546 e 1591. E também Rubens com Brígida Spínola Dória sem esquecer Franz Pourbus com a bela Margarida Gonzaga. Em todos estes quadros há o projecto alcançado de vencer o tempo. Quase quinhentos anos depois de terem sido pintados, permanece nestes óleos uma beleza que não morre. Morreram os modelos mas o produto do trabalho dos artistas chega intacto até nós. No meu caso sem necessidade de pagar – os porteiros do Museu do Prado aceitaram a carteira profissional e, com um sorriso, entregaram-me um bilhete a zeros. Não são como os do Jardim Botânico que me obrigaram a pagar 2 euros. Quis juntar Arte e Natureza no mesmo dia. Além de uma temperatura agradável lá descobri uma rua dedicada ao nosso Avelar Brotero. Quando saí do Jardim Botânico a caminho da estação de Atocha ainda trazia no olhar o esplendor da beleza das mulheres da Renascença misturado com a memória da beleza de uma mulher que, a essa mesma hora, pegava num livro e fechava a porta da sua livraria em Lisboa.


  1. 1 Comendador Antunes de Burnay

    E, ao referir Avelar Brotero (o Félix, visita lá de casa), fez-me lembrar “O que diz Molero”, e fez-me lembrar o Diniz Machado, aliás o Dennis McShade que, quarenta anos volvidos viu a Assírio Alvim reeditar-lhe o enorme “Mão Direita do Diabo”.

    (E, ao referir Rubens, fez-me lembrar o filho e o sobrinho da minha governanta, que se chamam ambos Ruben…)

  2. 2 SUBSTANTIA NIGRA

    Do esplendor na relva passámos ao esplendor no Prado, e dos vaporettos aos tintorettos. Lindo, e com muito mais espaço para estenderes o olho de apreciador fino do pincel renascentista. Na epíxotala postálica ninguém faz farinha contigo.
    Fiquei banzado: dois gigantescos euros para ver as ervas do botânico, mesmo apresentando a tua carteira de profissional? Que falta de consideração!

    E não me digas que livro é que a senhora bela ( a tua, pois claro, os negócios, os negócios, meu carteirista profissional) da livraria de Lisboa anda a ler. Prefiro viver no esplendor da expectativa de que poderá ser aquele que nos conta que o Hitler, os bolchevickies e o Roosevelt do New Deal eram todos financiados pela mesma bolsa. Ou talvez não, mas nem quero pensar nisso porque fico logo cheio de nervos.

    Manda mais, Zé, és o último vestígio de imaparcialidade neste blogue.

  3. 3 z
  4. 4 Toma lá mais esta

    Desgraçadamente, lá voltamos nós ao mesmo. Perdão, lá volta o Carmo ao mesmo. Versado - ou verseto? - na acepção da palavra. Em tudo, mesmo na pintura. Do Tintoretto ao palheto, passando pela aguardente do tio, este José do Carmo Francisco é um portento de sabedoria, de cultura, de conhecimentos a todos os níveis. Até os porteiros do Museu do Prado lhe aceitaram a carteira profissional, e com um sorriso, imagine-se! Mas foi pena. Aos Zés pacóvios como ele devia cobrar-se era a dobrar!

  5. 5 z
  6. 6 jcfrancisco

    Pacóvio serão os seus antepassados, se os tiver…

Leave a Reply





Aspirina box

Arquivos mensais

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo