Um livro por semana 56

«Se me comovesse o amor» de Francisco José Viegas

Neste décimo livro de poemas, Francisco José Viegas (Foz Côa, 1962) retoma a melancolia e as viagens. Não apenas as viagens na geografia (Buenos Aires, Paris, Israel, Frankfurt, Antuérpia, Caracas) mas também a viagem que toda a vida acaba por ser: «Se me comovesse o amor como me comove / a morte dos que amei, eu viveria feliz.» A morte está sempre presente. Seja de uma tia («Ela despedia-se da vida, era a Páscoa. Melhor: as urzes / floridas ainda, sobrevivendo – um vento, as matérias / do medo, colinas de pinheiros, alegorias, orações») seja de um amigo: «São as mais estranhas árvores, as que descem até às raízes; / pela última vez se visitam, antes que venha uma nuvem / ou que os animais te despertem a meio da noite.» O poema responde a uma pergunta: «Os pais dos teus pais, os filhos dos teus filhos / é isto uma família? O que separa o futuro daquele lugar / onde os teus mortos repousam? Avós adormeceram, / abandonados em campas coberta de terra e xisto». Mas também discute a sua própria natureza: «Alguém lê o que escreves, triste consolação / pálida alegria caindo sobre a tarde das coisas. / Cada palavra é um resumo – e, em cada palavra, quanto deixas de teu?» Entre a fragilidade do amor e a certeza da morte, a literatura pode ser uma salvação: «Séculos de literatura fizeram de nós apenas isso / passageiros obedientes, leitores compulsivos / geógrafos errantes que desconhecem os nomes / entre as montanhas, o que fica no meio das árvores. / Não vale muito. A vida interrompe as páginas dos livros / como entende, transporta nuvens espessas / ignora os pardais nas margens dos bosques.»

(Editora: Quasi – Famalicão, Foto: Steve Woods)

1 comentário a “Um livro por semana 56”

  1. Jon Stewart dirige-se a Paulson e a Bernanke: querem que vos demos quase um bilião de dólares para o entregarem a bancos falidos?

    O secretário do Tesouro, , e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram ao Congresso americano pedir um empréstimo de 700 mil milhões de dólares. Jon Stewart, do Daily Show, faz o papel de avaliador de empréstimos, aproveitando as declarações dos distintos financistas:

    Stewart: Com os mercados financeiro a transformar os gestores de fundos em criados de mesa, o casal mais poderoso da América, composto pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram esta semana ao Congresso de mão estendida, para aquele que foi com certeza, o pedido de empréstimo mais embaraçoso de sempre.

    Então, meus senhores, Paulson, Bernanke, é um prazer vê-los aqui… novamente.

    Paulson: Quero dizer-lhe que esta não é uma posição na qual eu queria estar. Eu não queria estar nesta posição…

    Stewart: Descontraia-se, meu caro… sendo avaliador de empréstimos ouço isto todos os dias. Agora passemos a algumas formalidades. Como foi a sua carreira profissional?

    Paulson: Fui director executivo da Goldman Sachs desde… Janei… Desde Maio de 1999 até sair, para vir para cá, em meados de 2006.

    Bernanke: Nunca trabalhei em Wall Street, não tenho esses interesses nem essas ligações.

    Stewart: Não estejam nervosos rapazes. Ambos são brancos, ambos são ricos, logo é claro que isto não é um daqueles empréstimos “sub-prime” com que nós tivemos de lidar. Muito bem, chega de conversa fiada, passemos aos números. Quanto é que estão a pedir?

    Paulson: 700 mil milhões de dólares.

    Stewart: 700 mil milhões? É que, segundo os meus registos, já cá esteve quatro vezes este ano, a pedir 25 mil milhões para a indústria automóvel, 85 mil milhões para uma companhia de seguros, 200 mil milhões para umas tais de Fannie e Freddie não-sei-quantas…

    Paulson: É preciso mais.

    Stewart: Pois, bem… Só de aceitares um cheque, ó careca. Aliás, um cheque careca. Um cheque sem cabelo… Digo cobertura… Só mais uma perguntas, minha gente, para quem é que vai esse dinheiro? Para o povo, calculo?

    Paulson: Uma vasta gama de instituições… Bancos grandes, bancos pequenos, de depósitos e empréstimos, cooperativas de crédito…

    Stewart: Porque é que não disse logo? Eles são de confiança, vão devolver-nos o dinheiro, certo? Barbudo (Bernanke), tens estado para aí calado.

    Bernanke: Vai ser recuperada uma percentagem substancial, mas se será o total é difícil saber.

    Stewart: É difícil saber… Interessante. Normalmente exijo uma resposta melhor, mas tendo em conta que foram vocês que nos meteram nesta crise, não terei o mesmo grau de exigência. Vamos ver se percebi bem: querem que vos demos quase um bilião de dólares para vocês os entregarem a bancos falidos, geridos por tipos que usam notas para acender os charutos e o melhor que me conseguem dizer é que talvez nos devolvam algum do nosso dinheiro?

    Bernanke: Os contribuintes americanos verão o seu dinheiro bem empregue. Não consigo prever o futuro e já me enganei diversas vezes.

    Stewart: Sabem que mais? Que se f… levem lá o dinheiro. Mais um empréstimo perdido? Tanto faz.

    Vídeo legendado em português – 3:35m

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